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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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11.3.07

Cena no Rio de Janeiro

Pensamentos Soltos




 : : : : : : Nesse lance de gestação e produção do Música Chappa Quente, duas frases bateram em mim com mais força. A primeira estava no folheto do Midem, uma feira global de negócios da música, anual, em Cannes, na França. Era uma dessas de publicitário quando acerta, jogando com a emoção, para puxar para a razão. Algo do tipo “música é paixão, é talento, mas é também um negócio que movimenta milhões de euros pelo mundo”.
 : : : : : : Há uns três ou quatro meses, eu tinha visto na tv um programa de entrevistas sobre Economia Criativa, onde o exemplo do Cansei de Ser Sexy era citado. Uma banda brasileira que está em turnê pelo mundo há muito tempo e que fechou contrato com um selo de fora, sem que uma empresa brasileira ganhasse com isso. Fora os próprios menino e meninas da banda, e talvez mais uns três de equipe, o Brasil não vai transformar não sei quantos shows lá fora em reais e impostos aqui para dentro. Fiquei pensando nos funkeiros que o Diplo e o alemão Daniel Haaksman levaram para passear lá fora, nesse mesmo esquema.
 : : : : : : Quer dizer, tirando as ações do governo, tipo Ano do Brasil na França e Copa da Cultura, e tirando um ou outro escritório de artista mais organizado (Paralamas na América do Sul, por exemplo), quando um brasileiro vai tocar lá fora, o que se tem para comemorar tem mais chance de ser só orgulho, não divisas.

 : : : : : : A segunda frase é a que encerra lá o terceiro post daqui para baixo. “Quando o site fica meio assim [capenga] é porque está vindo coisa grande”. Realmente, o sobremusica voltou do carnaval devagar, com todas as nossas atenções voltadas para a formação de mesas, os apoios, reuniões para parcerias, fechar o esquema para passagens, e tudo que é problema urgente para sair tudo o mais maneiro que possível.

 : : : : : : Mas o que é importante dizer é que o carnaval foi só mais uma chance de perceber que o Rio tem público disposto a sair de casa para se divertir, tem oferta de música, e não tem organização. Na quinta, antes do carnaval, saí no bloco Escravos da Mauá, que parou a Avenida Rio Branco com o samba mais bonito desde 2003, quando cantou a esperança de um novo governo popular. Dessa vez, foi o pragmatismo, disposto a mudar, sem indignação gratuita em cima do muro. No sábado, acabei me rendendo à praia – também rica em troca de idéias e projetos. Fora o sol e o mar. No domingo, a tradição me fez desfilar pelo Simpatia Quase Amor. Isso apesar de um atraso ter me impedido de ver a chegada do bloco na Vieira Souto, a avenida da praia, quando o sol ilumina e a visão do mar faz o carnaval ser ainda mais lindo.
 : : : : : : Ao tentar me revezar entre blocos e chegar no Que Merda é Essa, umas quatro ruas depois, mas não à beira-mar, eu parei no carnaval do Binário. No calçadão, seguindo firme a tradição, tocavam o repertório até que o povo invadiu o microfone para cantar Poeira e o que mais os outros estados do Brasil tinham para oferecer ao Rio em folia. Bailão-caraoquê com duas baterias, três guitarras e sintetizadores, mais ou menos isso. E sol forte. A viagem nem foi culpa de cerveja nenhuma. Parei, dei um tempo, e entre um bloco e outro caí no mar.
 : : : : : : Desnecessário dizer que o espírito não se aperta nas multidões do Rio, quando em festa. De noite, a Charanga 3D, e o rock batendo tambor em marcha para cada um viajar com mais Skol na cabeça pela onda que lhe convier, sem cantoria, só paticundum. Sob os pés, Copacabana.
 : : : : : : O telefone não parava de tocar, era gente entre hippies fantasiados e marchinhas de tradição, batucadas bronzeadas entre o coco e o maracatu no fim da ladeira, multidão no Centro do Rio, bloco old school em festa popular. Só a Lapa, como bem lembrou o amigo Rodrigo Pinto (ante-ontem, entre chopps), é que não organizou o baile cheio de bambas de outros anos. Fez falta. Uma programação nobre, em praça aberta, em um dos berços do samba carioca: esse ano a Prefeitura não bancou. Fora evento em si não ter rolado, era mais uma forma de dividir público e espalhar as lotações que entopem blocos. Afinal, alegria não falta.
 : : : : : : E eu nem estou falando da Marquês de Sapucaí.

 : : : : : : Saindo do Carnaval, dois showzinhos no Estrela da Lapa, a casa afilhada ao - em vias de extinção - Mistura Fina. Primeiro, o Momo, que ao vivo vira o que eu e o Bito decidimos ser o George Harrison de pijama. Bom show, o repertório do disco bem complementado com versões para o Clube da Esquina e outros americanos. Faltou um pouco de ensaio, achei – aquela história de apresentação que ainda está em começo de estrada. O outro foi o do Kassin +2, com som bem ruim para intranqüilidade do líder da vez e do roadie Gabriel Muzak. Eu ia escrever desespero, mas sendo quem é, seria um exagero. Intranqüilidade ficou justo. Show bom, clima de ensaio aberto, o charme da timidez e da falta de jeito, e um repertório maneiríssimo... E casa razoavelmente cheia, nas duas terças.
 : : : : : : Claro que muitos eram convidados, o clima inclusive era meio esse, mas mesmo com pouca divulgação teve gente saindo de casa para ver esses artistas. E o show começou cedo, por volta das dez horas, nos dois casos. Pontualidade e respeito ao público. Quer dizer, tem alguma coisa no ar, é uma questão de acertar ponteiros, dar continuidade, fazer andar.
 : : : : : : Ontem, foi festa Phunk, possivelmente a última no tradicional clube do Bola Preta. Lotado, filipeta informando que vai rolar Phunk deluxe muito maior, com Marcelinho Dalua, na grande Fundição Progresso. Ou seja, nomes se juntando, circulando, e enchendo casas. Não são exemplos isolados.
 : : : : : : Empolgação, um novo começo de era? Acho que tem um pouco de tudo. Mas ouvir mais e melhores opiniões sempre fortalece a visão dos fatos. Por isso, o conselho que eu te dou é colar lá na PUC, na quarta-feira, e ir se planejando para as outras semanas. O Música Chappa Quente quer mais é isso.

6 Opine:

At 23:58, Anonymous Anônimo said...

Olá.

Na verdade, foi o Bruno que comentou o meio desligado, mas vou responder neste post do bernardo mesmo.

Eu realmente achei incrível a iniciativa e pensei justamente em tentar transpor tudo isso para BH, fazer uma parceria ou algo do tipo. Estou realmente disposto a fazer isto.
Faço jornalismo na PUC e design em uma outra faculdade daqui q vcs não devem conhecer, se chama UNI, e isso já é uma boa para estabelecer parcerias. Também tenho certo contato com os responsáveis pela diretoria de arte e cultura da PUC.

Acho que é uma boa pensar neste assunto, mas talvez seja bom primeiro ver como esta primeira fase do projeto se desenvolve por aí.

E quanto ao lance do Chappa não ser exclusivamente carioca, entendi sua colocação. Mesmo assim, li novamente o release no site e ele passa a impressão de ser voltado especificamente para a cena carioca, não apenas em um primeiro momento. Trechos como "CHAPPA surge como o canal carioca da nova música" e "ajuda a articular os agentes dos diversos níveis da cadeia produtiva fluminense, conectando-os com o Brasil" reforça esta idéia.

de qualquer forma, espero que tudo dê certo em relação ao projeto e que possamos realizar uma parceria futura.

 
At 11:44, Anonymous Anônimo said...

parabéns pelo site Bruno!
tamo junto.
abraço,
gisele
www.naorelha.com.br

 
At 15:47, Blogger Bernardo Mortimer said...

Lembrando que as palestras da manhã vão das nove ao meio-dia e as da tarde de duas às cinco.
Qualquer coisa, www.chappa.com.br

Até lá!

 
At 17:24, Blogger marco homobono said...

tô com a maior dor de corno, rapaziada. os embates acontecem durante o meu horário de trabalho.
vou ter que "confiar" nas resenhas que vocês fizerem depois. rsrsr.
um grande abraço e parabéns pela iniciativa.

 
At 12:55, Blogger Gustavo Ramos said...

Eu tb estou com a maior dor. Tb não vou poder ir pelo mesmo motivo do Marco.
Espero q vcs façam uma resenha de cada bate-papo, dando assim, chance de ficar sabendo o q rolou nesse grande evento.
Abraços e parabéns.

 
At 15:37, Anonymous Anônimo said...

legal isso hein!

 

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