contato |@| sobremusica.com.br

Bernardo Mortimer
bernardo |@| sobremusica.com.br

Bruno Maia
bruno |@| sobremusica.com.br

9.5.08

CD :: Columbia, "O que você não quis dizer" (parte 1)

Há alguns meses, o Bernardo me entregou esse cd para ouvir e resenhar. Demorou por vários motivos, mas isso acabou sendo ótimo. Nunca perdi de vista que deveria (e queria) escrever sobre o álbum de estréia do Columbia, então para não me distanciar, fiquei ouvindo constantemente o trabalho e pensei muito a respeito. Vou tentar discorrer umas idéias aqui.

É sempre muito bom – e cada vez mais raro – ouvir uma banda de música pop ser o que ela de fato é. Mais do que uma frase evasiva, trata-se de uma constatação, já que quase sempre o pop é pautado por palavras como “tendência”, “momento”, “da vez”, “hype”, etc. No caso do Columbia, ouve-se um grupo que é imaturo e pretensioso, sendo que ambas as características tomam contornos positivos. A base é o rock-pop de sempre, com forte base no brit-pop, mas sem esquecer que se aprendeu a tocar violão ouvindo Legião e que os últimos heróis usavam barbas e cultuavam Chico Buarque.

O disco abre com “O que você não quis dizer” e seu refrão bom e grudento. Triste e sorridente. Antes do refrão, frases que buscam uma poesia incompleta, com “lacunas” a serem preenchidas, como Camelo ensinou: “diga onde vai, que o digo o seu nome” ou “bobagem é não falar do que não te aborrece”, essa segunda usa a tática do uso da negativa, na frase que faria mais sentido sem. A paradinha na volta do primeiro refrão vai se repetir ao longo de outras faixas, afinal, quem não quer subir no palco e ter uma deixa no auge pra galera explodir?! É o sonho como mola legítima. E ter banda de rock-pop faz muito mais sentido com esse sonho.

Quando vai pra faixa dois (“Nove horas”), surge o Oasis. Para ser mais preciso (e cruel? :P), a faixa dos ingleses é o lado b “Stay Young”. Dá até pra começar a cantar no fim do solo ou abrir aquele sorrisinho (de sarcasmo ou curtição, depende do ouvinte). Na verdade, o Oasis já tinha surgido no nome da banda. Afinal, eles não passaram imunes aos grudes que saiam das guitarras de Noel Gallagher nos primeiros álbuns do Oasis. Ali na frente, vai vir o “ah ahhh ahhhhh” que eu não preciso te dizer de onde eles tiraram, né? A Inglaterra ainda cheira a isso. O rock-pop sempre cheira a isso.

A terceira, “Antes que eu fuja” começa quase emendada com a bateria no fade da faixa anterior, com o bpm parecido. Fica meio esquisito, mas tem uma intenção ali, seja ela qual for. E aí é o começo dos romances de apartamento, com flerte no imaginário indie. “Vai dizer que não reconheceu quando alguém te disse que era eu dançando no meio do salão vazio com o vestido azul que você mesmo comprou pra poder se despedir sem dizer meu nome”. Reparou no vestido azul que ele comprou? Reparou que ela dançou no salão vazio? E que ele se despediu dela sem dizer o nome? Pois é, um romance que está além da adolescência, mas que ainda mora no apartamento dos pais. A quarta faixa é uma balada que pinta o mesmo cenário, “não quero mais estar aqui porque sei o discurso todo, palavra por palavra, tenho certeza que agora vai dizer ‘eu não quero mais brigar’”. Ora, cara-pálida, você sabe do que ela está cantando, mas não consegue fugir da sensação de que aquilo te soa pueril. O tecladinho ali do fundo te confirma isso. E isso é você. E aí, o que é que te resta? Condenar a ingenuidade da banda ou assumir a inocência que te guia? É estranho ter vinte-e-poucos anos e esse retrato se ouve bem nas letras do Columbia.

Tenta ouvir no myspace deles ou no site oficial, que depois a gente continua essa conversa.

3 Opine:

At 20:19, Blogger Bernardo Mortimer said...

Vou discordar do lance "ainda mora no apartamento dos pais". Pra se manter no ambiente pop, acho que o Columbia é uma banda que assistiu muito a Friends. Apartamento, sim, mas porque dos pais? Sair de casa não afasta a adolescência da forma de encarar o mundo, e até de sofrer o mundo. E eu acho que tv a cabo, internet e rock são três elementos que descrevem bem essa situação. Quão pouco são os vinte-e-poucos anos do retrato que você imagina? Não são sempre poucos demais, poucos insuficientes?

 
At 20:19, Blogger Bernardo Mortimer said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 01:05, Anonymous PH said...

E o resto ?

 

Postar um comentário

<< Home


Shows: Fanfarra Paradiso e Bonde Som
Blip.tv: O Bom Veneno, Nervoso e os Calmantes
Dailymotion: Stress, do Justice
YouTube: Cachoeira, Do Amor
Trilhas Sonoras: Apenas Uma Vez e Natureza Selvage...
SOBREMUSICA TV :: Roda de Samba no Semente (2)
SOBREMUSICA TV :: Roda de Samba no Semente (1)
Marcha da Maconha e do espírito democrático
Mashup Eclesiástico
SOBREMUSICA TV :: Céu (Abril Pro Rock 2008)

- Página Inicial

- SOBREMUSICA no Orkut



Envio de material


__________________________________

A reprodução não-comercial do conteúdo do SOBREMUSICA é permitida, desde que seja comunicada previamente.

. Site Meter ** Desde 12 de junho de 2005 **.