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Bruno Maia
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9.6.05

"Ecletismo musical" é diferente de "riqueza musical"


"- Quais são as influências (referências) no som que você(s) faz(em)?"
Para tal pergunta virou lugar-comum se ouvir os músicos (principalmente os novatos) responderem:
"- Ah! Muita coisa, a gente tem vááárias referências...",
ou
"- Não ficamos presos (?) a um estilo.."
ou pior...
"- A gente ouve de tuuuudoo e tenta botar isso no nosso som!!!"

Nossa... Dá até medo...

***********
Ao texto:
Freqüentar shows de bandas independentes é uma faca de dois gumes. Na noite de quarta-feira (08 de junho de 2005) fui a dois shows desse tipo no Humaitá. Em um, vi uma grande banda, em plena forma, a qual não me canso de elogiar, que é o Moptop. Certamente, a melhor banda do Rio há algum tempo e a qual me envaideço de conhecer e acompanhar o crescimento dos caras desde o início. A outra, foi a outra.

(Moptop:)
Citar referências musicais como forma de justificar o gostar ou não de uma banda é pobre. O Moptop tem um tipo de som como referência e o ataca com toda a força. Não devem nada aos Strokes, Franz Ferdinand, Kings of Leon, Bloc Party, Kaiser Chiefs e outros do gênero. Eles estão conectados a um tipo de som que é tratado por muitos, no mundo inteiro, como "a salvação do rock" (pfff!). E óh, que o Gabriel Marques (vocalista, letrista e guitarrista) já fazia isso antes de 4 das 5 bandas acima citadas aparecerem para o mundo. Tá certo, não é pra tanto e nem o Moptop quer salvar o rock (afinal eles mesmos cantam, em tom de piada, que o rock acabou). O que mais me atrai neles é a potência de som. O que os caras (quatro caras) tiram é alto, é bom, é cheio. Definitivamente, é uma banda mainstream em palco indie. Logo, logo essa discrepância começará a ser corrigida. O show começou atrasado, mas como se trata de uma banda consciente, que não precisava querer brilhar mais do que os donos da festa - que no caso, era o Jimi James lançando disco novo -, eles souberam fazer o deles e sair do palco na hora certa. Resultado óbvio: Galera pedindo bis. Não rolou, mas beleza. Preço: R$5,00.

(A outra:)
Em seguida, fui ao show da outra. Não pude ver o Jimi James fechar a noite no Sérgio Porto, pois um compromisso maior e afetivo me levava a esse outro lugar. Lá, só esta outra banda tocaria. Preço: R$10,00 (ou se preferir, pode dizer "o dobro do preço no Sérgio Porto"). Cheguei e a tal outra banda atacava um som que misturava um monte de referências e não chegava em lugar nenhum. Dado momento contei 8 ou 9 cabeças no palco. Um vocal, duas (ou três) guitarras, um baixo, um batera, um gaitista, um saxofone e um trompetista. E um som inversamente proporcional ao número de cabeças. No fim, mesmo com Argentina x Brasil começando, a banda, sem senso crítico nenhum, ainda mandou duas músicas. Um tremendo desfavor a eles mesmo. Foram obrigados a ouvir os gritos de "Nããão" vindos da galera eufórica e ansiosa para ver a nossa seleção de brancos Kakás, pretos RonaldinhosGaúchosRobinhos e mestiços Adrianos arrebentar os brancospseudoseuropeus da terra-do-brancoMaradona-que-se-acha-superior-ao-negritoPelé.

{{Abre janela :: Dessa vez, foi ridículo. 3x0 pros caras no primeiro tempo?! Era melhor que a banda tivesse mesmo continuado a tocar... Pensando bem... Ah! Deixa pra lá :: Fecha janela}}

A tão propalada "mistura de referências" virou lugar comum na música brasileira. Tá certo, somos um povo mestiço (apesar do Ronaldo Fenômeno ser branco, segundo as palavras dele), a mistura e a miscigenação são os traços mais fortes da nossa formação cultural e étnica. A mistura de sons é vital para a evolução. O problema é quando a mistura não mira nada, só a mistura em si. "Misturar é legal porque dizem que misturar é legal", esse tipo de postura cega é que mata. Normalmente quem a segue, ainda não se deu conta de que está seguindo.

O Moptop e a outra banda são bons exemplos disso. Já cansei de ouvir pessoas criticando o Moptop com o seguinte argumento: "Parece muito 'nãoseioquê' ". Pode parecer, mas é bom. É bem feito. Não parecer com nada não é caminho. Misturar, misturar e misturar sem razão só serve para criar coisas híbridas, sem vida, sem graça. SDS's.

Viva a mistura e a miscelânea cultural. Mas na música, o importante é deixar tudo soando bem aos ouvidos. Quanto ao resto...Ah!, que se foda o resto.

Música para ouvir quando fores reler este texto: Mexe, mexe (Jorge Benjor) * na versão original, que é do mundo livre s/a, no CD "Por Pouco" (2000 - Abril Music).

***O autor deste texto toca numa banda que mistura estilos musicais.

2 Opine:

At 17:33, Anonymous Anônimo said...

Diz o nome da banda aí.

 
At 18:24, Blogger Bruno Maia said...

que banda? e esse nome "brnd"? é tcheco? hungaro? que falta faz uma vogal, nao?!

 

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