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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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31.12.05

O melhor do ano

Desde junho eu venho enrolando para escrever sobre o disco de estréia dos gordinhos do The Magic Numbers. De novo aquele lance de as palavras ficarem aquém do disco. Relaxei e já aviso que qualquer coisa que eu escreva estará, sim, abaixo da qualidade do que se revelou ser o melhor lançamento de 2005. Para começar 2006 bem, nada melhor do que escrever sobre o melhor disco do ano que passou, esperando que ele seja superado no ano que vem.

Com suas variações de andamento, de divisões silábicas, de climas, o grupo renova o espírito do rock desta primeira década do século. Não querendo desmerecer, mas o estilo rockdance que teve no Strokes o precursor, já estava precisando de um novo ar. O Magic Numbers te põe pra dançar, te põe pra cantar, te põe pra beijar, pra chorar... Tudo muito fácil de descer aos ouvidos, tudo que as rádios poderiam querer. "Morning Elevens", a música que abre o disco, é uma destas. Ela se rompe a barreira dos cinco minutos sem perder a ternura e a popice jamais. Quando ela chega aos 4'15", você acha que a música acabou, mas não. Ela volta e o faz por cima. A sensação é de que quando você acha que aquele tema já foi destrinchado pela banda, os quatro conseguem rearranjá-lo e fazê-lo de novo.

"Forever lost" mostra que o Lulu Santos passou pela terra da rainha e foi elevado a uma classe mais pomposa, mas não menos pop. "I wanna go where the people go/ Cause I forever lost", canta Romeo Stodart. Ou esse rapaz é muito modesto ou fica a torcida para que ele não se encontre, nem encontre o caminho por onde todo mundo vai. Se o sobremusica tivesse feito uma lista das melhores músicas do ano, esta certamente apareceria.


O clima vai para o mais intimista na terceira faixa, "The mule", com a melhor frase do disco e que poderia estar estampada em quanquer camiseta por aí... "One more drink and I'll be fine/ One more girl to take you off my mind"... O lirismo do desabafo revelam que não é qualquer um que ostenta a pena. As guitarras no quase-final dela trazem a raiva que a candura da texto escondeu.

Não demora para chegar ao seu ouvido "Love me like you". A melhor. Os versos "All my life I'd hurt the ones I loved/But, baby, You can turn it round" servem de pré-refrão e antecedem o delicioso corinho de "ahhhh, aaHHHH, AAAHHHHH" acompanhado da guitarra que acelera, igualzinho ao que você já ouviu em "Twist and shout" e em tantas outras... Um dos méritos deste grupo é saber usar os clichês a seu favor. Recentemente falei disso quando escrevi sobre o último álbum de Paul McCartney. Paul, que aliás, fez parte do grupo que consagrou os "ahhhh, aaHHHH, AAAHHHHH's" de "Twist and Shout" e os "Yeah, Yeah Yeah's" de outras muitas, é a grande referência deste álbum. Logo ali na frente, no fim do refrão, as palminhas marcam o tempo. Os corinhos da ahhh's, oooo's, uuuu's são o charme! Não acabou. Vale atenção no trecho lento "All those years gone by /I only want to find a way to make it hard for you" e como a música volta a crescer. É fantástico o arranjo que a banda faz. Empolgue-se demais nessa parte! Por fim, o refrão para acabar em clima de ressaca.

Depois dessa pancada, dessa aula de música pop, as baladas cortantes:"Which way to happy" e I see you, you see me". Da primeira, toma e chora; "Tell me a joke and I will love you / Pour me a drink and I'm yours / I couldn't lie to anyone/ Who's ever felt sure/ Of a real life romance/ There's no beaten cause /Surrounding me now /There's no bleeding heart/And I don't wanna know you right now/Make time to show me your scars/ And which way to happy/And which way to hell/For I think I lost direction/When you threw me out of bed". Não falo mais sobre ela. Da segunda, eu te pergunto se você lembra de "Giz", música que Renato Russo dizia ser a sua preferida em toda a obra da Legião Urbana? Pois é. Lembra quando ele cantava "Lá vem, lá vem, lá vem de novo/ acho que estou gostando de alguém". Então. Em inglês vem assim, no refrão desta música: "And it's alright/I never thought I'd fall in love again/ It's alright/ I look to you as my only friend/ It's alright/ I never thought that I could feel there's something/Rising, rising in my veins/ Looks like it's happened again". Já são dois: Lulu Santos e Renato Russo passeando pela Inglaterra. A segunda parte dessa música traz o eu-lírico feminino respondendo na voz de uma das duas moças do quarteto. "I never thought taht you wanted for me to stay/ So I left you with the girls that came your way/But, darling, whn I see you, I see me". Beija, beija, beija!! Aê!!! Eles dividem o vocal na volta do segundo refrão, como se um cantasse para o outro. Casaram! Na parte final, a bateria acelera, conduz um outro clima e o dueto das voz masculina com a feminina faz o ponto alto do disco em termos de arranjos vocais. Infelizmente eu não descobri se quem canta é Angela Gannon ou se é a irmã de Romeo, Michele Stodart, porque desde já, seria minha voz feminina preferida nesse meio do rock... Docinha, lembrando Suzanne Vega. E a música termina, dando lugar a faixa mais gostosa do disco: "Don't give up the fight". A oitava faixa conduzida pela panderola e pela guitarra flerta com as baladas da black music. Marvin Gaye poderia cantá-la sob o corinho feminino das duas garotas da banda...

O violão quase flamenco em "This Love" faz o disco escorregar um pouco. Era a hora de voltar com um pancadão daqueles que sobram nas primeiras faixas. A "This Love" aqui devia ser aquela do Maroon 5. Ia ficar bacana. Só que não é. A versão dos ingleses traz um cello conduzindo a base dá soninho, mas não entenda isso como algo ruim, não... A música seguinte, "Wheel's on fire", segue a mesma linha.

O disco volta a subir com a introdução de "Love's a game". A música se revela outra balada, mas mais animada. As guitarras e as letras do pré-refrão e do refrão salvam com sobras a décima-primeira faixa. O pré-refrão é minha parte preferida: "Maybe I'm a fool for walking in line/And maybe I should try to lead this time/ I'm an honest mistake that you made/ Did you mean to?" Bom demais, né?

O auge do intimismo chega na penúltima faixa, "Try", quando Romeo canta vários pedaços a capella com bastante competência. Apesar de mais um bom arranjo, "Try" fica abaixo devido a sua duração que, nesse caso, pela primeira e única vez no disco, cansam um pouco.

O disco termina no frio de um campo inglês qualquer. "Hymn for her" faz a paisagem da janela ser nublada, com aquele sereno da noite, Romeo canta para quem ainda não dormiu, embarcar de vez nos melhores sonhos possíveis. Você nota isso mesmo antes de ele cantar "And if sunday rain/I don't wanna know/ Just like I won't forget your face/ When I awake to find you here". Essa é a aula que o Chris Martin estava precisando para deixar de ser tão pedante em suas letras. Toda a delicadeza que o Coldplay queria ter, você descobre que estão escondidos em outro lugar da Inglaterra. A magia dos números oferecidos por essa banda é o que há, com trocadilho e tudo! Bons sonhos. Bom 2006.

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Outro dia eu falo do flerte do Magic Numbers com o eletrônico, mas a sugestão que já fica desde já é "Water Song", que pode ser encontrada nos soulseeks da vida. Acho que eu já tinha falado disso antes aqui no site, mas como a opinião continua sendo a mesma, repito-me. O resto fica pro ano que vem!

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Em 2006, muita felicidade, música, sorte e, principalmente, saúde! Paz.


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Muito obrigado por todas as quase cinco mil visitas e quase sete mil page views neste primeiro ano do sobremusica. Esperamos que continuem nos lendo e convidando seus amigos a fazerem o mesmo em 2006. Valeu, gente!

4 Opine:

At 15:41, Anonymous renato j said...

muito bom esse disco mesmo!

 
At 01:37, Anonymous Cláudio Marzo said...

Dont give up the fight!!!

 
At 20:48, Anonymous Wellington said...

Quer descobrir quem faz o dueto com a voz masculina em "i see you, you see me"? No endereço abaixo, clicando em "click HERE to watch video", você verá a banda tocando ao vivo nos estúdios da rádio KCRW. No site da rádio encontramos ainda muitas outras bandas que já passaram por lá. Vale a pena dar uma olhada

http://www.kcrw.com/cgi-bin/db/kcrw.pl?tmplt_type=spec&tmplt_name=find_results&past_shows=all&radiodate=button_fixed&any_text=Magic|Numbers&sort_order=AirDate&order_type=ReverseOrder&show_code=mb

 
At 17:50, Anonymous Lívia said...

Simplesmente mágico! Não há palavras pra esse grupo realmente

 

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