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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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3.6.06

Show: Nação Zumbi

Melhor Banda do Mundo

      O Nação Zumbi entrou no placo e mandou de cara três ou quatro músicas do disco novo. ‘Expresso da Elétrica Avenida’, ‘Hoje, Amanhã e Depois’ e ‘Na Hora de Ir’ vieram antes de um consagrado ‘Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada’. Hora de chamar os responsáveis por “Selvagem?”, senhoras e senhores, Paralamas do Sucesso. Foram dois baixos em cena, Pupillo na percussão para o brilho solo de João Barone e Herbert liderando a guitarrada, e dividindo os vocais de ‘Manguetown’, cheia de cacos na letra, com Jorge Du Peixe. Como mais tarde aconteceria com Ciba, o trio tocou uma primeira do Nação antes de apresentar uma própria. No caso, de olho em Cláudio Lembo e a Opus Dei tucana sem telefone, ‘Selvagem’.
      Antes que alguém pensasse que uma primeira metade da noite carangueja se encerrava, a surpresa. Já sem o Paralamas no palco, Pupillo de volta às caixas (duas) e pratos (Du Peixe: agora o Pupillo nunca mais vai querer tocar bateria), o Nação surpreendeu. ‘Maracatu Atômico’. De olho no Ministério e na Copa da Cultura da Alemanha? Lindo, há uns seis anos eu vou insistentemente a shows do NZ e eu não me lembrava de ter visto essa música ao vivo. Daí, ‘Blunt of Judah’ e uma do Tim Maia mantiveram a galera em pé.
      Ao contrário da primeira apresentação no Circo Voador, em turnê do mesmo disco, no fim/início do ano, um pouco depois do triste evento do Claro Q É..., o show está bem mais amarrado. Du Peixe, além da voz cavernosa e da habilidade de percussionista para manejar as eletroniquices, é um maestro das massas. Dita o ritmo da festa alternando músicas que vão esquentar a temperatura com refrescos de contemplação e melodia. O calor sobe ou não por causa dele. E a estrada (no Rio, foram uns quatro meses de intervalo entre a primeira e essa vez) só ajuda. Se antes, os ecos de Sebosos Postizos eram claros, e o clima de trilha sonora preto-e-branca causava um estranhamento em quem acompanha os pernambucanos – estranhamento que suspendia para o bem qualquer julgamento prefiro/não prefiro – agora o que se tem é o bom e velho show deles. Reinventando velhas canções, como ‘Praiera’, ‘Risoflora’ e deixando pelo caminho algumas outras, como ‘Macô’ e ‘Banditismo Por Uma Questão de Classe’, ‘Arrancando as Tripas’ ou ‘Jornal de Sangue’. Fora todas as outras.
      Ou seja, banda que faz jus aos mais de doze anos de vida intensa. Praticamente dois discos não entram no repertório, e se for se considerar que ‘Quando a Maré Encher’ não é uma música de álbum, mas um cover, afinal é um cover mesmo, daí são dois discos mesmo que são deixados de lado. E quem é que não se lembra de “Tamo aí mandando brasa...” (‘Malungo’) e os metais incandescentes da homenagem a Chico?
      Pois bem, Ciba apareceu e ‘Rios, Pontes e Overdrives’ veio junto, com rabeca e ataque de trompete fazendo coro no “mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, manguê”. Em seguida, uma ciranda cantada em uníssono sem ser levada às vias de fato. Nem cabia no Circo lotado.
      Na seqüência, Ciba já fora, ‘Quilombo Groove’ e um clima mais calminho, com ‘Memorando’. E Céu.
      Assobios e olhares sedentos, a mocinha não tava nem aí para essa história de que não se seduz público. ‘Jardim de Flores’, um dueto que ora dava certo com Du Peixe, ora mais ou menos. Olhos vermelhos. No show anterior, do mombojó, ao ser chamada, não apareceu.
      Daí, acabou com uma seqüência de clássicos, ‘Da Lama ao Caos’, um intervalo, Toca Ogan emendando ‘Ogan di Belê’ com ‘Vai Buscar’ (mas pode chamar de Jurema), Otto, ‘Praieira’, e foi isso.
      Sempre é histórico. Como disse Lúcio Maia, o que mais vale é o que fica registrado aqui (apontando para a mente), nem importa tanto o que está nos celulares e nas camerinhas.

6 Opine:

At 02:52, Anonymous Anônimo said...

Gostei muito do texto cara, na sintonia do que digo a vários amigos: a Nação é uma das melhores bandas do mundo!
É sempre histórico e sensacional. Quando a maré encheu ontem foi foda...lotado!Tá registrado!
A cada show da banda - nestes 12 anos(tamo ficando velho)-, podemos observar sua evolução, com um olho no passado e o outro no "Futura"- por sinal um puta disco, excelente.

abs

mariana

 
At 11:50, Anonymous felipe said...

Foda. O show, a banda, a psicodelia em preto e branco. Só dois comentários: Acho q o Du Peixe falou q o pupillo nunca mais ia lavar a bateria. E outro q eu achava q só eu naõ sabia q música do tim maia era aquela. E olha que quem não gosta de tim maia...

 
At 15:03, Anonymous manamauê auêa aê said...

Certamente, a NZ é uma grande banda e a admiração do Bernardo beira à tietagem... heheh... agora, só 6 anos que você vai aos shows? começou meio tarde, hein..

nunca viste mr.science a frente nao?

 
At 15:09, Blogger Bruno Maia said...

Duas perguntinhas:
E o Mombojó? Qual foi do show deles?
E se o mundo livre s/a não tocou nessa brincadeira, porque aquele "bannerzinho" que você postou há uns dias atrás para chamar o evento, trazia justamente a foto de Mr. Zeroquatro duplicada e colorida com as cores da bandeira?

manamauê auêa aê!!!!

 
At 07:44, Blogger Bernardo Mortimer said...

Nunca vi, cara. É uma vergonha. O primeiro show que eu vi do Nação foi em 99, em Maceió. Era um dos primeiros da banda pós ressaca do Science. Eles ainda tocavam com uns chapéus de palha.
Bom lembrar disso, tudo mudou demais nesse meio tempo, né? Mas é coerente pra caramba, eu acho. Tem banda, que eu também gosto, como o Red Hot Chili Peppers, por exemplo, que você vê que numa vida de atirar para vários lados já errou alguns tiros, né?
O Nação, mais sereno, segue o próprio rumo ali, renovado mas sem presepar.

Só algumas elocubrações, sei lá.

Um abraço,

 
At 19:08, Blogger dedé aka homobono said...

concordo contigo, bernardo, a respeito do nação.
pô, eu tava muito arrependido de não ter ido a esse show e você me deixa mais com dor de corno ainda. que merda! mas isso só mostra que você retratou o show muito bem e deu detalhes que foram valiosíssimos pra mim.
valeu mesmo.
e valeu também pela visita ao dub-operarios.blogspot.com. de vez em quando rolam umas bobeiras sem graça mesmo. ou é toda hora??? sei lá!
um abração!

 

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