Show: Orquestra de MPCs no Oi Futuro
Funk Que Rola Não Cria LimoO MPC nem todo mundo sabe o que é, mas bem que tá na hora de começar a prestar atenção. O seqüenciador de midi, com filtros que permitem a manipulação de samples em um teclado descomplicado, serve para substituir a bateria para percussionistas a fim de se facilitar a vida ou para djs a fim de incrementar a performance. E, por dj, entenda qualquer música eletrônica. No Brasil, notavelmente o funk carioca.
Era justamente a primeira apresentação de uma orquestra de funk de MPCs. Sem ensaio, experimentando na hora, os experientes Amazing Clay e Phábyo do Castelo das Pedras dividiam a mesa lado a lado com Cabide e Alex MPC. E, a verdade é que os mais novos se sobressaíram. Alex MPC vem de Itaipava, e em conversas por msn com Marlboro cavou espaço para ser estagiário da Big Mix, onde produz uma série de mcs novos. Cabide é tido como o rei de São Gonçalo e adjacências, e mostra carisma e malandragem para ir além. Tanto é que é o primeiro a admitir que a criatividade no funk tem um fim-de-semana de prazo de validade - sem perceber que é aí que está a riqueza. Enfim, por enquanto ele é o único da cidade a conectar o mpc a um lança-chamas (que o fotógrafo amador não foi ágil para captar). Auto-marketing também está no dna dos batidões.
Como em um bom primeiro encontro de gente que se conhece mas nunca bateu essa bola junto, a intenção e a vontade foram mais importantes que o resultado. A idéia de "orquestra" ficou mais na organização física dos instrumentos do que em todos executarem um arranjo para uma mesma "peça". Ninguém estava ali esperando isso, aliás. O que se ouviu foi muito mais uma jam onde, na maior parte do tempo, só um dos quatro tocava. E se Clay e Phábyo usam o equipamento para reproduzir o que conseguiriam com outras baterias eletrônicas, os dois moleques já vão além e misturam um repertório maior de informações sonoras. Já é algo bem interessante, mas ainda é mais é promissor.
Pena foi não assistir à mesma idéia com Sany Pitbull e Sandrinho, os dois virtuoses do mpc. Qualquer hora rola.
Antes da festa, o comandante do debate Hermano Vianna resumiu no iPod a árvore genealógica do funk carioca. Bacana poder ouvir de James Brown a Kraftwerk a Bambaataa a Acari a tamborzão a macumbinha ao novo sucesso do carnaval baiano emendados. Nada ali era novo (a não ser o novo sucesso de Salvador), mas é incrível como uma informação já velha conhecida ganha força ao se ouvir ilustrada ali entre comentários dos também presentes Marlboro, Grandmaster Raphael, Mavi, e etc. Foi o sentido da audição em defesa da criação e apropriação coletiva.
Nada a ver
Hoje festa do Urbe, né?
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