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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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28.6.05

O vôo do tempo

Há 10 anos, chegava às lojas o disco de estréia mais vendido na história da indústria fonográfica brasileira. Os Mamonas Assassinas apareceram e arrebentaram com todo e qualquer referencial que uma banda nova pudesse utilizar para chegar ao sucesso. Depois de anos no ostracismo musical de Guarulhos sob o nome de Utopia, os cinco rapazes trocaram de nome, de estilo e, em menos de 6 meses eram a principal banda do país.

“ – Eu dizia para eles que o som do Utopia não tinha nada de novo, que eles deveriam fazer algo mais original. Quando eu ouvi “Robocop Gay”, pirei na hora e aconselhei de que aquele era o caminho” – conta Rick Bonadio, produtor da banda, que anos depois produziria ainda os discos de estréia do Charlie Brown Jr, do CPM22, do Rouge, do Br’oz, entre outros.

Era fim de junho de 1995. Momento promissor para o rock nacional, que vinha se reestruturando. Chico Science e Nação Zumbi, Raimundos, mundo livre s/a e Skank tinham lançados seus primeiros discos. A vendagem de estréia dos Raimundos já beirava as 100 mil cópias – número, na época, pra lá de animador para qualquer artista de rock. Aí vieram os Mamonas e venderam 1 milhão de discos só naqueles seis meses restantes do ano.

“ - Os caras chegaram zoando tudo!” – lembra o produtor Carlos Eduardo Miranda – “Todo mundo foi muito acolhedor com eles, mas era um momento que o rock estava se reorganizando, apontando novos caminhos e os caras confundiram geral. De repente, passou-se a achar que fazer rock era só tirar sarro! As rádios só queriam ouvir aquilo”.

O humor e o carisma do grupo fizeram com que muitas outras virtudes passassem batidas. A mais evidente delas era o talento musical dos cinco, todos grandes músicos. Algumas letras também tinham valor como retratos da época. Um bom exemplo era a que abria o álbum “1406”, uma crítica ao consumismo burro desenfreado da classe média brasileira, impulsionado pela ilusão do início plano Real. Quando fizerem o almanaque dos anos 90, ninguém poderá esquecer de citar vários produtos descritos ali. O serviço telefônico-televisivo “zero-onze-catorze-zero-meia” (quem não se lembra?!!?) que vendia seus ambervisions, masterline, facas guinsu, e outros balangandãs é um dos ícones da década passada.

Muito antes dos caras do Massacration saírem de Petrópolis para avacalhar com o estereotipo do heavy metal, os Mamonas já o tinham feito. O pagode, a música brega, o sertanejo, o vira, o hard core e o próprio rock’n roll também tiveram seus clichês ridicularizados por eles.

Ao todo, foram 182 shows em 190 dias, marca impressionante. Nesse meio-tempo, toda uma geração de pré-adolescentes se forjou ao som do grupo. Pais e mães foram carregados pelos filhos para casas de shows em todo o Brasil. Faustão e Gugu disputaram avidamente a presença da banda em seus auditórios. Eles garantiam audiência. A Globo chegou a oferecer um contrato de exclusividade para tentar impedir as participações da banda no canal rival. Em uma das vezes que tocaram no Rio de Janeiro, Faustão colocou um link ao vivo, direto do Metropolitan, para transmitir um pedaço do show no seu programa.

O acidente que interrompeu a carreira meteórica do grupo, no dia 02 de março de 1996, serviu para imortalizá-los. A piada poderia perder a graça com o passar do tempo, mas os caras tinham potencial para se reinventar. Experimente, hoje em dia, tocar qualquer música deles numa rodinha de violão e veja como trazer a atenção de todos seus amiguinhos para você. A piada era boa, durou mesmo. Desde a tragédia, o disco passou a vender ainda mais. Atualmente está na marca de 2,7 milhões de cópias vendidas.

4 Opine:

At 19:45, Blogger Carlos Barros said...

e eu que os ia entrevistar na segunda feira...(à 10 claro) no dia a seguir a sua morte, ainda no domingo os estive a ouvir.

 
At 20:03, Blogger Bruno Maia said...

Primeiro comentário internacional desse site! Obrigado Carlos Barros. Como chegaste ao site?

Realmente, os caras embarcariam para Portugal no dia seguinte ao acidente. Triste mesmo.

Grande abraço e volte sempre!
Bruno Maia

 
At 16:48, Anonymous Aleuto Vargas said...

OBS: eskeceu de falar das meias Vivarina!!!!

Alias: da série "dilemas Tostines":

AS FACAS GINSU CORTAM AS MEIAS VIVARINA????????

Abs!

 
At 19:24, Anonymous aristarco perderneiras said...

Espie, seu sacripantas manja-rola... meias vivarina não estavam na canção mamônica. Senhora sua vó usava bastante esse tipo de soquetes, meu filho...

 

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