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Bernardo Mortimer
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1.6.07

Nação Zumbi de casa nova

Essa É Pra Tocar no Rádio


       Saiu na Folha, e de lá para os blogs rapidinho. Depois, chegou o email da assessoria de imprensa da Deck confirmando. O Nação Zumbi, vai gravar o quinto disco (contando com o póstumo) na quarta gravadora. Na Deck.
       A história da relação do Nação com gravadoras, em versão bem resumida, precisa ser contextualizada. Ainda com Chico Science, executivos da Sony acreditavam que aquele som novo de Pernambuco poderia ser o novo axé. Em uma história que até hoje é reavaliada pelos integrantes da banda, a gravadora botou Liminha para produzir o Da Lama ao Caos, e o entrosamento entre artistas e produtor não funcionou. Era difícl registrar os graves das alfaias, não havia microfone no Brasil para isso, enfim. O disco não vendeu o suficiente para fazer frente a Daniela Mercury, Carlinhos Brown e Olodum. E os pernambucanos tinham música em novela...
       Mas todo mundo torcia pelo CSNZ, e lá foram eles gravar o Afrociberdelia, com grana para convidados, naipe de metais, e produção de Bid ao lado da própria banda. A gravadora pressionou para incluir Maracatu Atômico no repertório (música que só voltou a ser tocada ao vivo depois da morte de Chico há pouco tempo, já na turnê do Futura). E forçou a inclusão de uma série de remixes no disco. Agora sim, a banda chegava ao disco de ouro.
       O terceiro era muito esperado, Chico comentava que estava compondo um frevo, vinha ouvindo muita música eletrônica (trance, dub e jungle, e isso há dez anos) comprada nas turnês pela Europa. A própria carreira da banda fora do Brasil chamava a atenção, tanto pelos sucessos quanto pelos encontros e pelo que isso renderia ao virar som. Mas um acidente interrompeu a expectativa.
       A banda ficou sem rumo, pensando até se valia a pena seguir. Lúcio Maia foi abordado para participar do Soulfly, um dos frutos das brigas que separaram o Sepultura. Não aceitou. E o Nação Zumbi lançou uma homenagem póstuma a Chico, ainda assinando com o nome dele. Seria o último disco pela Sony. E o primeiro da história que começava ali.
       O intervalo até Rádio S.Amb.A demorou, principalmente na cabeça dos fãs, e o disco mostrou uma virada importante: saíam as cores, entrava um ar sombrio, as tripas do samba. A gravadora YBrazil permitiu a gravação de um belo trabalho, mas a distribuição tornou muito difícil comprar, divulgar ou mesmo fazer com que as pessoas conhecessem o, agora sim, Nação Zumbi.
       Era a hora de partir para um lugar de mais fôlego, que não fosse uma volta atrás a experiência estranha da passagem pela Sony, na década de 90. A jovem Trama seria o lugar perfeito. Mantida por um grupo ligado a tíquetes de alimentação, não tinha a urgência por lucros de uma multinacional, e era conhecida pela liberdade com que lidava com artistas. Veio o Nação Zumbi, disco encalorado, amarelo, suado, pesado, empoeirado. E depois o Futura, preto e branco, frio, seco, praticamente uma sala de projeção onde se ouve até o tec-tec-tec do projetor.
       O Nação Zumbi é hoje uma banda respeitada, com vozes aqui e ali ressoando o tal Melhor Banda do Mundo. Até quem não acha, entende o argumento. Ver Lúcio Maia ou Puppilo tocar é uma experiência única. Du Peixe imprimiu a sua personalidade ao som, a voz que você enxerga é a cara da banda. A alegria religiosa de Toca Ogan, o baixo cada vez mais de personalidade de Dengue, a porrada e o suingue de Gilmar Bola Oito...
       E eles agora partem para uma gravadora com forte trabalho e aproximação da tv. O Nação Zumbi tem tudo para aparecer mais, entrar em novas audiências. Resta saber se as poucas entrevistas e relacionamento bissexto com veículos de comunicação vai mudar. Se depender do novo chefão João Augusto...

       O que mais interessa: o disco novo sai em outubro, se não atrasar.

4 Opine:

At 03:39, Anonymous Anônimo said...

Foi a surpresa do dia. Não ouvi nem boato sobre essa história até ela pipocar na minha cara. Será que agora a banda encontra ecos no tal "grande público"? Vamos ver...

Abs,

Bruno.

 
At 21:52, Blogger Bruno Nogueira said...

Sacanagem, hein! Titulo do post com música da Trama :P

 
At 14:57, Blogger bibliografia said...

respect!
respeito muito o nação.
o dupeixe começou dark pra cacete, continua dark mas parece que a cada dia sua postura melhora sensivelmente.
agora uma coisa que eu não consigo entender é o baixo do dengue. pra dizer a verdade eu nem consigo escutar o que ele toca.

 
At 15:17, Blogger Bernardo Mortimer said...

Nogueira,
Essa música é da Trama? Eu tava pensando na do Gil, que tá no Jorge e Gil. Não me lembro de outra, será que a gente tá falando da mesma?

Bruno,
A notícia é sinistra mesmo, o Nação hoje tem história para entrar em qualquer gravadora sem que o público se preocupe com mancadas... Mas que bicho isso vai dar, eu não consigo ter idéia.

E bibliografia,
também acho que o Du Peixe só melhora, mas o que me chama mais atenção nele - mais do que a "escuridão" - é o lance de hq que ele tem. As letras, o jeito de cantar, tudo remete muito a imagem. É uma sinestesia diferente da do Lúcio, por exemplo, que é mais psicidélico mesmo. Você não acha? Quanto ao Dengue, eu já achei ele mais fraco. Hoje acho que ele trabalha muito bem, meio funkeado meio trilheiro, ainda mais se você for pensar que a cozinha joga mais pras percussões mesmo, tanto nos graves quando nas duas caixas que o Pupillo toca. Mas sei lá, é a minha impressão. No projeto 3 Na Massa dá para ter mais claramente idéia do que é o Dengue.

Abraço aos três,

 

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