contato |@| sobremusica.com.br

Bernardo Mortimer
bernardo |@| sobremusica.com.br

Bruno Maia
bruno |@| sobremusica.com.br

9.9.07

Blogs de bandas

Canal Direto?


      Entre myspace, comunidade do orkut gerenciada a sério, uso ativo do last.fm e mais não-sei-que inventado pela Internet para o uso de músicos, uma das coisas mais legais de se acompanhar são os blogs de bandas e artistas. À primeira vista, eles podem ser entendidos como uma alternativa ao trabalho da imprensa, na ligação com o público, mas já se chegou a um ponto em que isso vai além. Um blog é complementar a uma revista ou site especializados, e até a um caderno de cultura de jornal desses bem gerais, que misturam nostalgia, tv a cabo, celebridades, crônicas de indignação e agenda. Claro, só valem os blogs que são atualizados. Afinal, blog abandonado é o que não falta.
      Eles podem servir para mudar de assunto e pouco falar da própria banda, para apontar referências (na música ou não) que estão por trás do som do artista, para bater papo com os fãs nos comentários, ou para simplesmente manter em dia um site cheio de outras atrações. Escrever em blog, assim como atualizar um fotolog, é para artistas no mínimo uma estratégia de manter a visitação da página na Internet. De qualquer forma, a qualidade de uma empreitada que dá trabalho e pede tempo costuma depender mais da forma como se tratam os assuntos do que dos próprios assuntos.
      Ler blogs, em geral, já se tornou um hábito bastante difundido. Não o suficiente para dar grana aos independentes, mas sim para repercutir até fora do que se chama blogosfera. Jornais repetem, com ou sem crédito, o que leram. Festivais e empresas se pautam para ações promocionais pelas tendências que ali se apontam. E uma série de informações ainda de nicho circulam e são testadas primeiro entre blogueiros, para só depois virarem de conhecimento mais amplo. Uma discussão muito interessante, que inclui termos como prossumidor (produtor de informação e consumidor), uso ativo da rede e uma falsa oposição entre profissionais e amadores. De qualquer forma, assunto para outro momento.
      Pois então, o que é a blogosfera da música? Certamente é uma rede que por si só já geraria muitas trocas. O artista que escreve um blog, não tem jeito, lê blogs. É até da natureza da ferramenta, que começou weblog: um local de indicação de links para outras páginas, onde os textos que comentavam o link eram acessório. Ler-se e indicar-se. Mas, hoje, o que vem crescendo muito é o número de leitores que se satisfazem em participar só com comentários (assinados: os anônimos são só uns chatos) de cada post que lêem aqui e ali. E “aqui e ali” vira, inevitalmente, passar pela página dos artistas de que ele gosta, e que ele sabe que vai ter alguma novidade para ele a cada nova visita (ou quase isso).

      Ou seja, o momento é de mudança no perfil da blogosfera. No geral e na música. E as repercussões desse momento são parte do que uma série de artistas vai ter como caracterísitica da vida pública dele, online e offline misturados. Ser blogueiro não será uma obrigação, claro que não, mas circular por esse universo em alguma medida, tudo indica que sim.

      Nessa de blogs, um de banda independente muito legal é o do Djangos. Tem historinha delirada em ônibus lotado, resistências à babilônia, e muita indicação de sons cheios de pátrias e cores. Mais do que um passeio pelo terceiro mundo, é uma introdução ao mundo do Djangos, batalhador e vibrante. Segundo Markko Homobono, vocalista e maior contribuidor do blog, “no fundo o que prevalece mesmo é o exercício. Claro que há o delírio de querer se transformar num formador de opinião fodão mesmo, mas isso é só 30% da pretensão.”
      Ainda entre brincadeiras, Homobono comenta também a tal ansiedade pela atualização: “no blog do Djangos e no meu (ele também tem o dele), o foco não é necessariamente a música, então qualquer coisa do cotidiano serve de pauta. A revista Veja publicou uma espécie de manual do blogueiro, com diversas dicas e a regularidade das postagens foi uma delas. Então, eu vi que estava muito mal como profissional dessa área”.
      Por falar em profissional da área, dois dos mais freqüentemente atualizados blogs de brasileiros são os de Leoni e Lucas Santtana . Os dois têm modelo parecido, com assuntos como a leitura comentada do jornal do dia, as atividades de parceiros músicos, a própria agenda (no caso de Leoni, interativa via comentários e orkut), indústria da música, e dicas de livros ou textos (é comum que sejam bons livros). Em entrevista feita em maio aqui no site, Lucas já definia a casa dele: “O que norteia (o diginois) é o que vai acontecendo tanto em relação aos trabalhos como em relação às novidades encontradas nesse novo hábito diário de se informar através da web 2.0.”
       A banda carioca Coquetel Acapulco é outra que entrou nessa história de blogs. Eles nem vão tanto para o lado de pensar a indústria e a tecnologia, mas tomaram como missão defender o ska, ritmo jamaicano pré-reggae que eles cultivam no som e em shows que eles mesmo, muitas vezes, organizam.
      “Quando comecei a escrever a intenção era acrescentar algo que despertasse o interesse de quem conhece a banda e o estimulasse a trocar idéias: mostrar como a gente pensava, do que gostava e de como é ser um músico, na nossa perspectiva. Sempre ouvi música com interesse sobre quem estava ali do outro lado" – diz Léo Mahfuz, baixista da banda.
      Ainda do tal outro lado, Léo aproveita a ferramenta de auto-publicação para militar pelo ritmo que toca, e que costuma ter que explicar para conhecidos e até para donos de casas noturnas onde vai se apresentar. E ele vai além de um preguiçoso: sabe o Paralamas do começo? As músicas do Ultraje? Então... “Decidi encarar como objetivo também divulgar mais o ska, mostrar como o gênero continua vivo e como existem dezenas de bandas por todo mundo se aventurando nesse ritmo jamaicano ainda pouco conhecido e muito estigmatizado no Brasil”.
      Além do teclado como arma de Navarone (se não entendeu, vá escutar Skatalites!), o blog do Coquetel está inserido em sua época, em que todo mundo é meio filósofo, meio dj e meio webdesigner (ou documentarista, ou blogueiro, ou tem banda...), todas as opções com um asterisco de ‘em crise’: “meus textos nascem em geral de divagações musicais-filosóficas de botequim. Só escrevo quando há inspiração suficiente que vença minha auto-crítica opressiva. Além da auto-crítica, tenho algo mal resolvido em relação à internet, a toda essa super-exposição de fotologs e orkuts.”
      Daí vem um pouco o fato de que os blogs têm parte da audiência medida pelos comentários que recebem, off ou online. Em diferentes medidas, quem escreve passa um pouco pelo papel de celebridade de Internet, um bicho muito difícil de se definir, pois de nicho bem restrito, embora possa estar espalhado por cidades e países. Homobono mesmo conta que “além dos comentários deixados por escrito no próprio blog, rolam os comentários que a galera faz pessoalmente, dizendo surpreendentemente que foi ver, por exemplo, o filme tal por causa da resenha que você fez no blog. Isso é uma resposta e tanto”. Já Léo tem uma historinha: “Uma vez divaguei sobre o bairro do Catete, de como ele escondia belezas e também expunha muito o que o Rio poderia ter sido e acabou se tornando. Era a fase de gravação do nosso Ep e o estúdio era ali, num ambiente que me influenciava muito. Acho que foi o recorde de comentários, teve até alguma polêmica - o que é raro”.
       No mundo eletrônico dos baixos destruidores e das polêmicas, o do apavoramento é coisa fina. Basicamente auto-centrado, sem que isso seja uma crítica, lá tem mixtape, set de dj, filipeta da próxima aparição, e aquelas boas e longas discussões nos comentários, com nomes falsos e anônimos. Entre chatos que se declaram inimigos da página que visitam mas não declaram o próprio nome e leitores que realmente se dispõem a participar daquele fórum 2.0, a página se torna um ponto de encontro que faz evoluir idéias e posturas não só para os artistas do Apavoramento quanto para os outros todos que passam ali. Há que se separar o lixo do tesouro, mas sempre foi meio assim.
      Voltando um pouco à entrevista de Lucas Santtana aqui para a gente em maio, falando sobre os downloads autorizados de músicas no site dele e ao uso ativo da Internet em geral, o que inclui os comentários úteis e os malas, o baiano acha que “...é só pensar numa escala de tempo e conectividade para isso virar algo bem maior e mais viável para todo mundo. Mas também é preciso dizer que a luta ainda é árdua. Por isso a importância da construção dessa nova rede de amigos e amigos dos amigos”.

      Saindo do Brasil para fora, um excelente lugar para fotos e vídeos, inclusive um sensacional da piscina no quarto de hotel de um deles, é o blog não muito atualizado do Beastie Boys. Separado em dois, o diário de turnê, e o de quando eles não estão em turnê. Porque não um só, não sei dizer...
      E tem ainda os versos e fotos de Simon Taylor, do Klaxons, que contam um pouco como é viver na estrada, tocando pelo mundo, na onda filosófica de botequim tão cara aos pós-diários de adolescente desses nossos tempos.

Outros: Melvin, do Carbona e do Lafayette e os Tremendões. E Tico Santa Cruz, vocalista do Detonautas.


La Tequila Acabou na Lapa
Acontece :: CineCUFA
Tim Festival 2007
sessão youtube
CD :: Plínio Profeta – Vol.1
Rolling Stone :: The Magic Numbers e Cartola
The Bounce
É por isso que o Raimundos nunca vai se acabar
Show: Girl Talk no One Eyed Jacks, em Nova Orleans...
Show :: Maria Bethânia, "Dentro do mar tem rio"

- Página Inicial

- SOBREMUSICA no Orkut



Envio de material


__________________________________

A reprodução não-comercial do conteúdo do SOBREMUSICA é permitida, desde que seja comunicada previamente.

. Site Meter ** Desde 12 de junho de 2005 **.