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4.3.08

Entrevista: Bacalhau, do Autoramas (2)

Rrrrrrrrrock

Bacalhau e El Gonzalez, dupla de djs da Discoteca Ieieiê, em foto de Zé Maria Palmieri



      Bacalhau é um cara do rock, e conduz a vida nesse ritmo. Das amizades da adolescência que o acompanham até hoje, como visto na primeira parte da entrevista, até as escolhas que o levaram a ser um terço do Autoramas, hoje, há sempre o rastro de uma distorção de guitarra, uma baqueta lascada no meio e um estilo de vida insatisfeito com o rumo do mundo. Ao falar de Planet, o olhar se abaixa, mas o tom do papo é o de conciliação, de deixar para trás o que atrás está. Bem nessa hora, a fita bate. Na tentativa de recuperação, algumas coisas se perdem, outras ficam mais claras, e é o resultado apenas do que foi gravado que vai aqui para o texto. Fiel ao magnetismo da mini cassete, mesmo quando ela deixa o entrevistador na mão.

s: Aí, você vivia essa rotina de underground, Garage, e o Planet foi convidado para uma gravadora.
Bc: É, a gente foi convidado pela Sony pra gravar e a banda inteira assinou contrato, cada um. Como banda, e depois individualmente. Mas as coisas demoraram. O Planet não foi uma banda fácil. Foi rolar mesmo com Mantenha o Respeito e Dig Dig [segundo e terceiro clipes a entrar na MTV]. Depois de Legalize Já... Teve também Fazendo Sua Cabeça, foram as três que funcionaram mais.
Engraçado estar falando agora, eu me encontrei com o Bruno Levinson agora, e ele me perguntou: “pô, o Humaitá Pra Peixe faz quinze anos ano que vem, dá pra pensar em uma volta do Planet?” Cara, respondi que problema nenhum. [silêncio] Acho legal pra caralho, independente do que possa ter rolado... com o Marcelo. Da minha parte rolaria, falo sem problema nenhum. Mas pra fazer volta tem que fazer direito. É a volta do the Police, os três malucos. Não é... [sm: O The Doors sem Jim Morrison] Isso. Nada contra, mas pra mim se fosse pra fazer, era pra fazer direito. Pra ficar uma coisa bonita, de verdade, honesta. Seria pela felicidade de estar ali, os malucos independente das diferenças, fazerem uma coisa legal.

///bate a fita, só percebemos depois

sm: Então, vamos lá, repetindo: o que você acha do primeiro disco do Planet?
Bc: A, cara, sensacional. Escola... Foi ali que eu aprendi a fazer minhas paradas todas, tocar, gravar, afinar. Eu gosto, tem várias idéias legais, rock cru, tem funk, soul, ragga rock. É difícil falar muito porque eu toquei, mas eu gosto de umas dez músicas dali. Era aquilo que a gente falava: raprocknrollpsicodeliahardcoreragga, né? A gente conseguiu botar bem isso no primeiro disco.

sm: Aí tem o segundo disco que é produzido pelo Caldato...
Bc: É, ficou mais Beastie Boys. A sonoridade é melhor, legal, mas a gente com mais eletrônico, com samba, menos rock. Não sei se vendeu mais que o primeiro ou não, mas eu ainda considero o primeiro melhor. Eu acho que tem mais coisa eletrônica e menos banda. É isso. É menos rock mesmo, sabe? Menos rock.

sm: Aí, antes do terceiro disco veio a prisão, que acho que mudou a forma como cada um encarava a banda...
Bc: É, pois é. Tudo mudou, né? Chamaram o Marcelo pra fazer carreira-solo, a banda começou a ser impedida de fazer as coisas, e tal. Até certo ponto, fez com que eu saísse da banda. E a gravadora cagou, nem é boa essa palavra, mas a gravadora tava preocupada se a gente vendia disco. Se a gente ia ser preso, bicho... Só espero que tenha pagado a conta do advogado, e não venha cobrar de mim.

sm: Tá. E aí veio o terceiro disco... [já sem Bacalhau]
Bc: Não gosto, não. Já ouvi e não acho tão relevante. Eu gosto até mais do Ao Vivo MTV. Nessa época eu já tava com Autoramas, tocando, fazendo show. De 98 pra 99 a gente foi pegando e fazendo música e gravou em 2000 o primeiro disco. Bem rápido. E o show já tinha um cachezinho, não era muito, menos do que hoje, mas não era de graça. Dependia da situação. Mas, eu digo assim, a minha fonte de renda era só o Autoramas.

sm: Mas e a tua vida, mudou?
Bc: Não é que meu padrão de vida diminuiu, mas algumas coisas você tem que segurar mais, né? Alguns custos você sempre vai ter, né? Como músico... Tem um custo que é o de se informar, de comprar disco, revista, livro, computador novo, baqueta, pele, prato... Essas coisas são custos que não são baratos. Mas, é só beber menos e não sair todo dia que dá pra fazer as coisas...

sm: Cara, acho que foi mais ou menos nessa época que eu te conheci, você trabalhava em um estúdio em Botafogo [na zona sul]...
Bc: A, que eu trabalhei lá. Ali foi uma diversão pra mim. Porque o Autoramas sempre fazia show na quinta, na sexta... Então ficava de segunda a quarta em um horário tranqüilo, podia tocar bateria todo dia, ligava o ar, e pá, atendia o telefone, era um trabalhinho... Eu era tipo contratado, e ensaiava de graça. Nem ganhava uma grana boa, assim, mas dava pra contribuir pra banda com o ensaio, que é muito caro, né? É outro custo que músico tem sempre, se não tem o próprio estúdio. E banda tem que ensaiar sempre, né? Se tá preparando um arranjo, são três horas lá dentro e às vezes não sai, cara. Tu sabe disso. Acontece muito, fica ali, não sai, não sai... Vai pra casa, acha que vai dar, volta pro estúdio, não resolve... E eu tinha equipamento lá também, era um lugar pra deixar as coisas. Fiquei lá um ano e pouco, um ano. E, cara, estúdio é até fácil, difícil é ter o equipamento. Um computador maneiro com Pro Tools é [o preço de] um carro popular. E mesmo com essa história de ter estúdio em casa, ficou muuuito mais barato, mas não é barato, né? E tem que se atualizar, acompanhar as coisas novas, o que vai funcionar pra você, as coisas que não fabricam mais. Tem uns compressores que eu acho maneiros pra caralho, uns DPX, que é o melhor que tem de uma certa época. Resolve uns problemas que, pô..., pra bumbo eu me amarro. Se eu tivesse quatro desses, eu tava satisfeito. Aí comprimia as vozes, também. Mas é isso que eu to falando, são mais de dez paus. E você não vai conseguir seguro disso, e vai precisar despachar por avião, essas coisas. Os caras cobrem muito pouco. Prato, por exemplo, é uma coisa que eu, às vezes, deixo quebrado mesmo. Quebra no avião, ninguém tem cuidado. São os sofrimentos de músico.

sm: O Autoramas é a banda em que você está a mais tempo?
Bc: Pô, é... Dez anos, vai fazer já...

sm: Como músico, o que você acha que rolou de mudança?
Bc: A, eu diminuí as coisas, acho que to tocando melhor. To fazendo umas coisas mais simples, to pegando mais a onda dançante. O Planet até tinha, mas to usando mais. Eu sempre gostei de rock, de Jovem Guarda, mas acho que a galera não se amarrava muito em Roberto Carlos, não.

sm: O Planet chegou a gravar Negro Gato, não?
Bc: Não. Foi só o Marcelo. Assinou como Planet, mas era ele e o Zé [Gonzalez, dj].

Continua...


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