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1.3.08

Internet: RCRD LBL e Gnarls Barkley

A Publicidade E A Música De Graça


       Já ouviu falar de Kevin Michaels? Pois se lesse o sobremusica desde 2006, no mínimo, teria. Na época, ele era a aposta do selo Downtown Records, de Josh Deutsch. O tal Michaels era a promessa de repetição do barulho que a dupla Gnarls Barkley fez naquele ano, um milhão e trezentas mil cópias de St. Elsewhere, Crazy como primeira música lançada só na Internet a atingir o topo da parada britânica.
       Obviamente, ninguém nunca mais ouviu falar de Kevin Michaels, ao que consta ele vendeu dez mil cópias do disco dele, mas ainda assim a Downtown cresceu. Da experiência com o Gnarls Barkley, se consolidou usando bem a Internet. Não custa lembrar, o Gnarls é formado pelo cantor Cee-Lo e pelo dj Danger Mouse, conhecido por experiências fundamentais na história da música digital recente, como o Grey Álbum que misturava Beatles e Jay Z sem pedir licença. Depois, emendou esse trabalho com a produção de Demon Dayz, do Gorillas, trabalho da mesma EMI que brigou legalmente pelos direitos desrespeitados no álbum cinza. Com essa matéria-prima, a Downtown não hesitou, há dois anos, e lançou boa parte do disco antes no myspace (que na época ainda nem era da NewsCorp). Hoje nem tanto, mas na época era bem novidade. Estava dado o primeiro pontapé de grandes proporções em uma nova forma de marketing, de vendas, onde o gratuito estava incorporado.
       Pois bem, hoje a Downtown tem no currículo a dupla francesa Justice (a do D.A.N.C.E), o Spank Rock (que abriu para o Girl Talk no Rio, ano passado) e arrebanhou o rapper Mos Def. Tal crescimento em tempos de crise veio justamente da busca por conciliar o trabalho com o artista ao uso das ferramentas digitais disponíveis. Mas este texto não é pra fazer um perfil da Downtown, até porque o próprio Deutsch já admite que usar o myspace, o youtube e etc não é mais o suficiente. Em dois anos, a coisa mudou muito de figura.

       Sendo assim, vem a segunda pergunta do dia: já ouviu falar em RCRD LBL? Lê-se Record Label. Quem recebe a newsletter do CHAPPA certamente teve essa oportunidade em novembro passado (inscreva-se nos comentários), mas dá pra explicar de novo, sim. Trata-se do resultado de uma observação atenta dos novos hábitos de consumo ligado à experiência de Deutsch, que atuou em selos importantes no século passado, como Virgin e Elektra, e ao conhecimento da blogosfera de Peter Rojas (fundador e editor-chefe dos blogs comunitários/sites de relacionamento de tecnologia, Engadget e Gizmodo).
       O RCRD é um site de mp3 como tantos outros, com uma diferença fundamental: remunera com dinheiro de publicidade os selos conveniados, e portanto os artistas. O consumidor baixa música de graça, e o artista ganha pelo resultado do trabalho. É parecido com o expediente do Tramavirtual, por aqui, com a diferença de não ignorar a importância da estrutura de um selo/mini-gravadora, e de privilegiar material inédito.
       O projeto começou com duzentos e setenta e cinco artistas de quinze selos independentes, conquistou patrocinadores/anunciantes como a Puma, a Nokia, a BMW, a Nikon e a Virgin América, e hoje já tem ações comerciais com artistas como Moby – da EMI – além de um catálogo com quase todo mundo que se ouve de novidade no rock e música eletrônica, fora uns veteranos como Gang of Four e Dinosaur Jr.
       Depois de quatro meses, o crescimento do catálogo é mesmo o único parâmetro possível para medir o sucesso da empreitada. Nenhum dos sócios dá números de downloads, muito menos de grana (seja custo ou lucro). Portanto, assim como a virada do Radiohead, há de se ter muita atenção ao acompanhar os resultados da experiência. Dá também para ver o negócio todo sob duas perspectivas bem distintas: a eterna cooptação do capitalismo ao que surge do underground ou um golpe irônico do indie nos bolsos das multinacionais. De um jeito ou de outro, a conclusão que me parece saltar aos olhos e ouvidos é a de que música já é de graça, e pronto. Mas ainda é possível achar meios inteligentes de sustentar a criação e os artistas (fora turnê, merchandising, licenciamentos...).

       Sobre o Gnarls Barkley, o clipe lá de cima é o primeiro do segundo disco, The Odd Couple, ainda não lançado. A música é Run, e tem algo de Motown (como de costume), algo do groove acelerado de Hey Ya (Outkast). E, como não poderia deixar de ser, uma divulgação internética que de boba não tem nada. Blogs americanos têm recebido a foto de um documento que indica que o clipe tem sucessão de imagens que podem causar mal a quem sofre de epilepsia. Estilo Pokemon. Quer acreditar, fica à vontade.
       E para aproveitar o assunto, aqui vai uma listinha que eu catei no Brooklin Vegan, com as fantasias que a dupla já andou vestindo por aí. Afinal, já faz um tempo que não aparece uma listinha aqui:

Austin Powers
Back to the Future
The Big Lebowski
Cheech and Chong
A Clockwork Orange
Donnie Darko
Fear and Loathing in Las Vegas
Fight Club
Finding Nemo
Freddy vs. Jason
Hair
Kung Fu Hustle
The Matrix
Men in Black
Napoleon Dynamite
Night of the Living Dead
Pulp Fiction
School of Rock
Soul Train (Jazz TV Show in B/W)
Star Wars
Superman
Wayne's World
The Wizard of Oz
Yellow Submarine
Zelig

2 Opine:

At 16:25, Anonymous Gustavo said...

Olá,
gostaria de receber a newsletter do CHAPPA.
Meu e-mail:gtavoramos@gmail.com
Obrigado.
Abraços,

Gustavo Ramos

 
At 03:00, Anonymous Anônimo said...

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