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26.3.08

Show: Smack, no Festival Evidente

Um Lado B da Década de 80


      A noite era de expectativa e curiosidade, não era todo mundo que conhecia o tal selecionado do underground paulistano de mais de vinte anos atrás, Smack. Também muitos eram os que queriam ver, ao vivo e no projeto próprio Shellac, Steve Albini, produtor de discos clássicos de Nirvana, Pixies, Stooges, etc.
      Quando, finalmente, Edgar Scandurra entrou no palco acompanhado de Pamps (que tocou nos 80 na Isca de Polícia, banda de apoio de Itamar Assumpção), Sandra e Pitchu (baixista e baterista da Mercenárias), um Odisséia ansioso e com um público bem razoável para a terça chuvosa que fazia lá fora se aproximou do palco.
      De cara, deu para perceber que o Smack é uma banda de duas camadas. Em uma delas, o "famoso" mostra que é um dos guitarristas mais importantes e estudiosos no país e comanda a execução dos arranjos com olhares e jogos de ombro ou guitarra. Scandurra atrai as atenções sem exibicionismos posados de guitar hero, afinal isso ficou fácil de se fazer até em casa em frente ao monitor. Não que não dance, não brinque com a guitarra de um lado pro outro, ou materialize o som na postura, nos olhos fechados e no suor que pinga do rosto. Ele vai de distorções, ruídos e ataques que materializa(va)m um sentimento de "agora chegou nossa vez", bem no espírito da década do nascimento da banda. (As aspas de Legião Urbana se justificariam da metade para o fim do show, com a subida ao palco de um Dado Villa-Lobos que até então batucava cada música de olhos vibrantes sobre uma das caixas de som ao lado do palco).
      A segunda camada é a dos três outros músicos, que estão longe de serem uma banda de apoio. Estão mais para uma banda simultânea e coordenada. Duas palavras, aliás, que resumem bem a idéia. A bateria estraçalhada pelas mãos pesadas de Pitchu muitas vezes dobra os ataques da guitarra base, igualmente pesada mas também climática, de Pamps. E o mesmo com o baixo rápido e dedilhado de Sandra. Quando entram as vozes, é comum um refrão em tom de convocação, imperativo, onde a resposta dos backing vocals vem em uníssono. Canto e resposta, nada mais negro em um rock essencialmente branco, daí uma das boas contradições de Smack. Clima de uma só voz, sabe?
      É bem verdade que a sincronia nas convenções é suja, e precisaria de mais ensaios para cumprir a intenção, pra imprimir o ritmo planejado. Mas dentro do clima de fazer mais e reivindicar espaço que o underground dos anos 80 tinha, isso foi só um toque para não dizer que passou despercebido. Missão cumprida, belo retorno.




      Quando o show ia começar, o organizador do festival e amigo aqui do sobremusica, Rodrigo Lariú, subiu ao palco para apresentar a banda e anunciar "a quem interessar possa, quem ganhou o BBB foi o Rafinha". Todos riram. Em seguida, explicou o longo atraso do show com outra brincadeira. Os amigos de vocês chegaram atrasados, por isso o início não foi mais cedo. Aos que chegaram na hora, parabéns, e desculpas.
      Não é novidade o hábito carioca de chegar tarde às noites, nem rende mais muito assunto. Todo mundo concorda com o erro, mas acaba aderindo à inércia. Sem neurose. Agora, quando começou o show do Shellac, banda de Steve Albini, única atração internacional do festival, o público já não era tanto, e foi diminuindo depois das primeiras músicas. Eu mesmo, com um início de febre e sem me impressionar com a precisão dos ataques na bateria do gringo, muito mais nos tons e surdos graves do que na caixa aguda, me dirigi pra fila pra pagar. Fora, claro, o adiantado da hora.
      O que me faz pensar na pergunta. Será que é o público, e pronto, a justificar um atraso desses? Será que não teve gente a fim de ver só a segunda atração? Gente que não se importava em chegar mais tarde e perder o Smack, e que ao chegar tarde no Odisséia se frustrou porque ainda teria que esperar um tempão para ver o que pagou para ver? Será que numa noite de duas atrações, a primeira tem mesmo que começar só quando "chegou todo mundo"?
      Sei que as respostas são várias e complexas, mas achei que valia aqui abrir as dúvidas para vocês.



Nada a ver

      Dá uma ouvida, vê se não é bonzão, e aparece hoje à noite na Matriz para ver o cara com o Digitaldubs. De São Francisco, Califórnia, Stepwise, selector e produtor de reggae e dancehall, especialista em mixtapes com boas vibrações. (sexta, dia 28: agora já foi, mas fica a dica do myspace linkada)

1 Opine:

At 12:37, Blogger Meu melhor amigo said...

O som do Smack tá bom d+

 

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