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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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15.3.08


Fevereiro/2008 :: Nostalgia e expectativas

Em fevereiro, chegou às lojas "Thriller 25", uma edição comemorativa em referência ao quarto de século completado em dezembro pelo disco mais vendido em todos os tempos. Junto com o lançamento, algumas reflexões vêm a reboque para quem se interessa pelo negócio da música.

Em um período de seis anos, a indústria fonográfica viu os números de venda de álbuns caírem cerca de 20%. Não, não estamos falando da era digital, advinda pós-Napster, como de costume, mas sim do período entre 1979 e 1985. A percepão da crise atual, se não pode ser desprezada por esta lembrança, pelo menos pode ser acalentada pela certeza de que a história se faz em ciclos.

O álbum que começou a reverter aquela curva chegou ao mundo no fim de 1982. E literalmente "chegou ao mundo" mesmo, já que "Thriller" vendeu mais de 100 milhões de cópias ao redor de todo o planeta e se tornou o trabalho fonográfico mais vendido em todos os tempos. Os números que o mercado vivia naquela época eram muito semelhantes aos apresentados pela Nielsen SoundScan para o período 2000-2006.

Michael Jackson era o queridinho do 'music business', iniciando a consolidação da sua carreira solo, que ali aconteceria. Se "Thriller" não foi o primeiro álbum visual, foi o primeiro a indicar que não havia mais como a música seguir sem se associar à linguagem que a "subversiva" MTV propunha naquele momento. Tal revolução era muito radical, afinal se obrigava os grandes investidores – no caso, as majors – a redimensionar a importância das rádios e incluir as TV e seus videoclipes como parte fundamental da sua estratégia de marketing. O modelo precisava de novos ares e ele veio. Com a nostalgia despertada pelo lançamento "Thriller 25" vem também a perspectiva de renovação para os dias de hoje. O modelo precisa de novos ares.

Em 2008, um dos queridinhos da vez é Timbaland, que tenta consolidar sua carreira enquanto artista, ainda ofuscado pelo brilho (e vendas) do que fez como produtor. Em fevereiro, ele anunciou o primeiro álbum a ser lançado integralmente por celular. O próprio conceito de álbum é revisto. A proposta de Timbaland, de lançar cada faixa de uma vez, vai de encontro a uma das teorias mais incensadas recentemente: a de que o modelo que obrigava o consumidor a comprar 14 faixas - para ter as poucas que ele realmente queria - estaria superado. Com a força de marketing que Timbaland tem atualmente, sobretudo nos Estados Unidos, a discussão de novos modelos se amarra com o barulho que o Radiohead fez, sobretudo na Europa, com o lançamento de "In Rainbows" sem intermediários entre artista e consumidor. O recheio desse bolo vai vir quando algum nome deste porte oferecer um trabalho integralmente gratuito ao consumidor, pago pela publicidade de um anunciante qualquer. Diante dos últimos acontecimentos, alguém acha que isso vai demorar a acontecer? Difícil.

Outro episódio marcante do mês foi a apresentação de Ann Marie Calhoun junto ao Foo Figthers, na premiação do Grammy. Calhoun foi escolhida em meio a milhares de usuários do YouTube, que enviaram seus videos tocando "The Pretender" (música do último álbum do grupo de Dave Grohl) e concorreram ao prêmio. Menos de três anos após os primeiros processos das grandes indústrias do entretenimento contra o YouTube, aquela que é considerada a principal premiação da música, abraça a ferramenta que ainda é alvo de grandes controvérsias. Controvérsias estas que surgem justamente pelo fato de o site já fazer uso da publicidade como fonte de renda – decisão consolidada após ser vendido para a Google Inc –, mas ainda não ter chegado a um modelo de divisão de receita que agrade a todos os produtores do conteúdo ali veiculados.

O livre consumo da música associada à geração de receitas via publicidade é uma vertente desta nova organização da indústria que ainda precisa ser mais elaborada. No início de fevereiro, a utilização da música "No cars go", do Arcade Fire, em um anúncio da Fox, no intervalo da transmissão do Superbowl (considerdo o espaço publicitário mais caro da TV mundial), supostamente sem autorização da banda, causou muita discussão. Em linhas e links infindáveis, especialistas e fãs debateram o ocorrido. De um lado, os que acusavam a Fox de comportamento irregular, de outro os que defendiam que a canção foi utilizada de uma forma que contextualizaria o que juridicamente se chama de "uso efêmero". Já nos últimos dias do mês, foi a vez do Foo Fighters processar, aí sim oficialmente, a Marvel Comics por utilização irregular de suas canções em peças publicitárias. O crescimento da percepção da música como algo gratuito gera distorções e limites que parecem não estar suficientemente claros. A associação entre produtores de conteúdos, licenciadores, broadcasters e anunciantes ainda não aparenta grandes sinais de estar sendo equacionada. Mas ainda estamos em fevereiro e diante de tudo que já aconteceu até aqui, o ritmo das mudanças parece que não vai desacelerar em 2008. Ótimo sinal.

Nova música, novas oportunidades.


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