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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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7.7.08

Música: Take Your Time, Al Green e Corinne Bailey Rae

Ressaltar A Manha

       Aí você ouve lá o discaço do Al Green, que reforça o contra-ataque da velha guarda do soul (e dá-lhe Sharon Jones) contra a nova (e dá-lhe Amy e Cee-Lo), e ouve lá pelo meio a voz doce de vizinha do lado da Corinne Bailey Rae. E pensa: porque essa menina não faz direito quando é o disco dela? O dueto não é dos melhores momentos do disco, mas é muito melhor do que tudo que ela canta no disco dela. E o mesmo se dá com Corinne na homenagem aos 40 anos da Radio 1, quando regravou Steady As She Goes do Raconteurs, ou na ótima versão pra Sexy Back, do Justin Timberlake. Ou ainda, mas um pouco menos, em River, do disco de Herbie Hancock, charmosinha também.
       Se for para arriscar, eu diria que Corinne é mal produzida. Amy Winehouse é sensacional, mas se não fosse Mark Ronson pouca gente ia saber. O disco da Scarlet Johansson já vem com o elogio e a cantada safados prontos, mas se não fosse David Andrew Sitek as críticas iam ficar só nas piadinhas. E Toxic de Britney não teria reabilitação sem a dupla Bloodshy e Avant. E se eu falo só de mulheres, é pra manter a lógica Corinne, mas é evidente que Radiohead e Beck devem muito a Nigel Godrich e o próprio Al Green tem a agradecer a ?uestlove.
       Nas quatro faixas citadas ali no primeiro parágrafo, uma mesma característica se impõe e mostra um caminho que um produtor esperto há de indicar e melhor aproveitar em Corinne. O tempo dela é outro, para trás, sem nervosismo ou ansiedade, nem sono.
      Ao sair do que está proposto no disco lá dela, de um jazzinho muito do aspartâmico, um bom produtor pode formar uma banda e achar os timbres que Corinne precisa para cantar a manha que liberta a imaginação, e sai do tema para o livre improviso. É assim em Steady As She Goes, com o jogo duro e o contra-ataque de "eu quero sim" que só uma mulher saberia dar a um rock originalmente tão de cabeludo de camisa preta. Não é assim em Put Your Records On, a música simpatiquinha que puxou o desempenho do disco dela.
      Corinne tem uma vantagem sobre outras cantoras de soul/jazz da geração dela, que é a de não ser nitidamente reconhecível em nenhuma das grandes damas Sarah Vaughn, Billie Holiday ou Ella Fitzgerald. Ao mesmo tempo, tem um humor delicioso, inglês e elegante, e um olhar para o lado que entorta qualquer harmonia mais boboca de top 10 da rádio fm. Filha de pai indiano, há ali um tempero oriental que esquenta sem pressa. E toda essa graça e incentivo à imaginação aparece em SexyBack, por exemplo. Uma única tentativa: mais certeira do que o disco inteiro.
       Uma boa prova disso, voltando a Al Green, é que se ele chamou Corinne para um dueto que marca a volta dele à atividade autoral e coisa e tal, ele chamou sem querer um atalho para as rádios do segmento adulto contemporâneo que tão bem receberam os duetos de Santana e os standards de canção americana de Rod Stewart. O acerto de Green (ou de ?ueslove, depende de onde partiu o convite) foi mirar no arrepio de uma dança a dois no fim da festa ou numa preguiça depois da cama mal arrumada. E ele apostou não na artista, mas no que a mulher tem a oferecer - dá para perceber a diferença?
       Talvez onde Corinne erre seja em querer ser compositora - não há nada errado em ser apenas intérprete, ainda mais se o repertório é bem escolhido. Gente que compõe e não interpreta não falta, o mistério é qual foi a onda que levou os somente intérpretes da praia do novo século. Os tempos são certamente apressados, e nunca é justo tomar um disco de estréia para condenar as composições da moça. O certo é que o caminho percorrido até agora em músicas alheias tem muito mais de uma Corinne que me interessa. Tem muito mais de mensagens diversas e referências várias, e portanto me conta muito mais de um jeito que eu quero aprender. Muito mais coisas a se descobrir com calma. Música, afinal, vai bem quando por aí.
      E Al Green parece estar comigo nessa observação.


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