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19.12.06

Modern Times, Bob Dylan

Os Tempos, Eles São Uma Mudança


      Bob Dylan nos apresenta os Tempos Modernos com uma visão muito particular. O tempo volta ao repertório dele mais uma vez. Começou em 63, quando se assumiu porta-voz de uma época de transformação, com os jovens prestes a bater de frente com o poder constituído no mundo, Guerra do Vietnã, e todas essas coisas. Modernos é a forma que Dylan encontra para tratar das incertezas 2.0, e para pensá-las faz uma volta à década de 20 do último século.
      Hoje, o rock voltou à moda, e o artista justamente abre mão à autoridade no assunto para fazer um disco pré-rock. Dylan foi auto-biografado, estudado, documentado, pirateado e relançado, desplugado pela MTV e antologisado. Logo mais será encaixotado. É atualmente gartoto-propaganda da ITunes, programador de uma rádio na Internet , é referência de discussões de pirataria pelas basement tapes de trinta anos atrás, e diante de tudo isso, procura uma saída no retrovisor.
      Ao conceber um disco em que a Internet, a pressa e as celebridades estão fora, Dylan elege o surgimento dos automóveis, das pistas de alta velocidade, dos rádios de quarenta polegadas e dos compactos feitos em série para apresentar a sua majestade, a melodia. O disco é todo de baladas, que tratam da contemplação, da reflexão, do pensamento solto, do fim de tarde com os pés cruzados em cima de uma mesa.
      Tudo soa espantosamente sem pressa, de outra ordem, acima de tudo de outro tempo. As músicas são longas, e docemente cantam as fusões de country, rythm n’ blues e bluegrass que virariam (e viraram, Dylan sabe) o percurso da inovação e do questionamento, ao longo do século. Uma pergunta há de ser feita, para que todo esse trajeto, em que se chegou? Com exceção da eletrificação; a distorção, o psicodélico, a sintetização, o progressivo, a negação, o sampler, a regurgitação, a reciclagem, a pasteurização e os mash ups, nada está ali mas é tudo de conhecimento do artista. Tudo isso, as diversas fases e faces de uma história da juventude a partir de sua criação nas duas guerras mundiais, é sim o tema dos Tempos Modernos, trigésimo primeiro de uma carreira sem igual.
      Por isso, esse novo trabalho nos soa tão familiar. Independente da idade ou conhecimento de mundo que cada ouvinte tenha, é natural reconhecer sensações e histórias ao que é apresentado, quase um século de reprocessamentos e releituras sobrepostas. Cada um com uma teoria própria para cada pequena coisa. Mesmo que sem um traço explícito de contemporaneidade, com a exceção da citação à Alicia Keys (que um cínico ou fugitivo Dylan explicou à Rolling Stone americana assim: “Não há nada que eu não goste nessa garota”), não dá pra se confundir. O tempo de Bob Dylan é hoje, e ele não duvida disso em nenhum momento.



Nada a ver

      Aproveito para botar a minha listinha de cinco músicas do ano, sem necessariamente uma hierarquia:
            *) Crazy, Gnarls Barkley
            *) Beyond the Horizon, Bob Dylan
            *) Rehab, Amy Winehouse
            *) Get Myself Into It, Rapture
            *) Da Noite, Coquetel Acapulco

2 Opine:

At 14:38, Blogger Joca said...

faltou "promiscuous" da nelly furtado, hehehe

abrs

 
At 10:28, Blogger André Monnerat said...

Cara, eu acho essa do Gnarls Barkley MUITO chata.

 

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