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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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10.12.06

Adendos ao ensaio (1)

A tentativa de ensaio sobre as perspectivas da música ainda vai se desdobrar muitas vezes por aqui. Na indústria da música de hoje, onde até nós estamos risivelmente inseridos, o grande capital é a dúvida. Certo? E por aqui, por mais que às vezes se pinte o contrário, ninguém tem certeza de nada.

Nos momentos pós-texto, continuei algumas reflexões sobre o tema. Algumas foram motivadas pelos comentários ao texto anterior - aos quais respondi no espaço reservado a eles. Ainda devo fazer esses adendos algumas vezes.

Vamos lá então... Adendos.


Depois de publicado o texto, pronto. Já era. Algumas das coisas que já tinha observado no que escrevi e que precisariam de ajustes foram observadas nos ótimos comentários que apareceram por aqui. O principal deles foi o do Corcunda, ao reiterar que o videoclipe morreu na TV. É isso aí. Achei que tivesse dito isso, mas talvez esse conceito do videoclipe-na-tv não tenha ficado mais tão claro quanto eu queria. Porém, acho que o fato de ter morrido na TV faz com, inevitavelmente, morra a linguagem que era utilizada. Não dá pra achar que o fato da MTV parar de passar não muda nada, ou que muda pouca coisa. Muda a cadeia produtiva inteira, pois, apesar de ser muito legal bombar no YouTube era a exibição na MTV que conferia “legitimidade” ao vídeo. É só ver a quantidade de bandas que, ainda em 2006, cediam exclusividade dos seus vídeos por um tempo à emissora paulista, ainda que isso comprometesse a divulgação do trabalho, já que a rotatividade na MTV era baixa.

É ingênuo acreditar que o Multishow, por exemplo, ganha com isso. Não ganha. O foco do canal não é o videoclipe. Lá, o trabalho das bandas ocupa só algumas faixas de programação, como já existia desde a década de 80, em vários canais nacionais. Isso não sustentará a linguagem. O Multishow é um dos que mais perdem com a decisão da MTV. Era a MTV quem impulsionava essa indústria toda. O lugar da MTV no inconsciente coletivo quando nos referimos a videoclipe não será substituído. Videoclipe virou peça de marketing das gravadoras. Em tempo de vacas magras, se o espaço para a exibição das tais “peças de marketing” sofre um baque desse, certamente haverá um corte de investimento nessa atividade. I

O termo videoclipe foi cunhado sob um significado mainstream. Nunca soube exatamente o porquê do termo “clip” ter sido “anexado” ao vídeo. Não sei o que isso significava na origem, mas creio que se criou um conceito para esse termo. Talvez seja esse conceito que esteja morto e que a MTV abandonou por não se sentir atraída pelos novos sentidos que os vídeos estão tomando.


Vou pensar mais um pouco.

*************************
O vídeo (clipe?) do fim-de-ano é o indefectível "O jardineiro é Jesus e as arvóreses somos nozes", bombadaço. Sugiro que se perca dez minutinhos vendo a quantidade de desdobramentos que esse vídeo já teve, navegando pelo YouTube. Genial.

12 Opine:

At 00:27, Blogger O Anão Corcunda said...

Bom, vou tentar encaixar tudo por aqui mesmo.

Antes de tudo, acho que sua iniciativa de fazer um novo texto a partir dos comentários é uma idéia boa.

Tenho minhas dúvidas quanto ao fato da morte do videoclipe na TV gerar uma reação em cadeia para a decadência final do formato. Talvez role. Mas, quem sabe não impulsiona novos canais para isso? Os telefones celulares, por exemplo, já estão sendo visados, e a questão é de bilhões de dólares. O próprio YouTube... a TV digital...

De qualquer forma, o formato videoclipe já deixou resíduos que parecem que vão perdurar muito. Os DVDs de música são cada vez mais videoclipe do que qualquer outra coisa. Tanto que, nas gravações, rola uma cacetada de repetição de músicas, a despeito da presença do público (embora isso seja cada vez muito comum em gravações ao vivo).

(E sem deixar de esquecer que alguns filmes brasileiros, vide Cidade de Deus, muitas vezes não passam de um videoclipão).

Algumas recordações. Fui à gravação do Acústico Titãs, em 1996. Dali saíram alguns clipes. Acho que não tinha DVD naquela época. Mas esses acústicos (olha aí um pioneirismo da MTV!) são meio que um resultado dessa experiência que rolou do clipe-de-uma-música-só. Afinal de contas, não sai mais barato filmar logo um show inteiro e ir divulgando partes desse material, de acordo com as próprias reações do mercado? E aí também ter a opção de vender tudo?

Afinal, uma boa parte dos clipes da MTV não era parte de show?

A outra lembrança é de um clipe da Clara Nunes. Estranho? Pois é, Morena de Angola. Material exibido em primeira mão, se não me engano, pelo Fantástico (década de 70, musica gravada no disco Brasil Mestiço). A própria MTV, de vez em quando, desenterrava um desses clipes que o Fantástico cansou de lançar. 'Era um Garoto...', do Engenheiros do Hawaii, eu lembro de ter visto no Fantástico. Quem sabe isso não volta a rolar? Quem sabe a TV aberta não se abre mais?

O que me parece é que a própria MTV se viu inviável para os moldes de antes: o canal cuja principal função é passar videoclipe. Esse canal primordial do videoclipe já era. Mas acho que outros espaços vão se achar...

Nos assuntos paralelos:

- não acho que o grande capital seja a dúvida. O grande capital é aquele que está buscando lucro a qualquer custo, acertando mais do que errando, e se multiplicando. Enquanto isso, um bando de manés fica especulando em blogs sobre seu destino :)

- quanto a hegemonia dessa relação com a música (ver o vídeo antes que todos e etc), não sei se é ela que conta mais na percepção do processo histórico que as contracorrentes. Mais do que isso, eu acho é que não dá pra saber a priori.

- Mesmo porque esse negócio de "a maior parte das pessoas estar vivendo" pode ser mais complexo do que aquilo que chega nos nossos ouvidos. Essa própria história de videoclipe e de youtube dizem respeito a uma muito pequena parcela de nossa população. Por isso, quando vc diz que ver o vídeo antes é muito importante (tô pegando isso mais como exemplo), eu fico pensando se isso não é superestimar demais o valor dessas mudanças, que ainda são muito incipientes e localizadas, que podem estar sinalizando aspectos do futuro, mas também podem estar nos envolvendo demais e nos deixando impressionados além da conta. Relembro o exemplo que lembrei comentando algum texto anterior, quando, em 1968, o Arthur Clarke achava que, em 2001, o homem já estaria habitando a lua.

- nem tudo que faz parte do processo histórico talvez seja digno de valor, ou mesmo de menção.

- não acho que o conceito de arte esteja esvaziado. Talvez hegemonicamente. Mas acho que é isso que venho tentando apontar: tomar o hegemônico como total é prestar serviço à hegemonia!

- Isso não me parece uma discussão valorativa vazia. Valorativa certamente o é, mas vazia pode não ser, se nos ajudar a chegar a um denominador comum.

- Layout não é sinônimo de artes plásticas, e nunca será, se nos prestarmos a trabalhar com conceitos minimamente consistentes. Layout pode fazer parte de uma determinada atividade artística, mas nem tudo que tem layout é arte. Tudo bem que grandes artistas plásticos ganham dinheiro fazendo layout, mas ninguém nesse mundo é artista plástico 24 horas por dia.

- O Rogério Duprat fez uma caralhada de jingles, alguns deles fodas. Jingle é música? É. O Hermeto Pascoal diz que tudo é som. Barulho de pneu de carro é som? Claro que é - a física nos afirma e nós acreditamos. Mas aí dizer que todo barulho de buzina é música é uma puta sacanagem. Você pode até fazer poesia em cima disso (Música Urbana), mas daí a ficar admirando as buzinas durante um engarrafamento, isso pra mim é coisa de maluco. Acho que não dá pra desprezar que arte tem esse aspecto contemplativo essencial, minimamente coletivo.

- Então: qualquer desenho é arte visual? Todo desenho é uma imagem, assim como qualquer barulho é som. Mas, sei lá, quem fica admirando layout de detergente em supermercado não bate lá muito bem (eu, particularmente, acho todos horríveis).

- Não quero pregar o classificacionismo geral dos objetos em artísticos ou não. Todo conceito tem seus limites práticos - e um deles é a tentativa obsessiva de se enquadrar tudo. Mas isso não quer dizer que devemos abandoná-los (os conceitos). A questão é mais científica que artística. Lembro de um momento em que "criticaram" Freud, dizendo que pulsão (trieb no original, mal-traduzida para instinto em português) era um conceito de definição muito complexa. A resposta dele foi bem categórica: "Pergunte para milhões de físicos o que é energia, e você terá milhões de definições diferentes. Mas isso não impediu o progresso da ciência".

- Arte não é qualquer coisa que se faça. Tudo bem, Ferreira Gullar genialmente disse que a poesia está em toda parte, e vai à esquina comprar jornal. O próprio jornaleiro pode ser um grande mímico, ou cantor, ou piadista, sei lá. Sei lá direito o que é arte, acho que tem a ver com existir, com desejo não realizado, com uma caralhada de coisas. Tem a ver, principalmente, com valores estéticos, daquilo que é bonito ou não para os sujeitos.

- Cena do filme O Desprezo, do Godard. Perguntam para Samuel Fuller (o próprio, fazendo uma ponta) o que é cinema. Resposta: "Em uma palavra: emoção".

- Que o futebol do time do Flamengo não teve nada de arte nesse brasileiro, disso eu não tenho dúvida, apesar das fortes emoções. Mas tem gente que acha que o Obina devia ir pra seleção...

Abraço,
André
(ninguém mandou falar que escrever muito não era problema)

 
At 00:47, Blogger O Anão Corcunda said...

Errata. O filme do Godard que eu citei não é "O Desprezo", mas "Pierrot Le Fou", traduzido para o português como "O Demônio das Onze Horas" (vai entender...). A cena em questão é uma festa da burguesia, que de tão chata leva o protagonista a falar foda-se pro mundo e desaparecer com a babá da filha.
André

 
At 09:58, Blogger André Monnerat said...

Meus caros, por acaso o primeiro e-mail que li hoje na minha caixa do trabalho foi uma newsletter de uma publicação sobre mercado de TV por assinatura.

Pode ser que a MTV esteja na frente de todo mundo ao perceber que "o videoclipe morreu na TV". Maaaaas...

- A Play TV (cujos diretores deram declarações achando graça da aposentadoria do clipe na concorrente, já que não pretendem abandoná-lo) tem, hoje, mais audiência que a MTV. Seu pico de audiência desde que entrou no ar, em junho, foi com Cavaleiros do Zodíaco. Mas seu programa de maior audiência é mesmo o Vale 10, de videoclipes.

- O TVZ é uma das maiores audiências do Multishow, daí ocupar tanto tempo todos os dias em sua faixa nobre (e eles ainda por cima criarem novas versões do programa).

- E o pico de audiência da MTV desde junho, vejam vocês, foi com o Chapa Coco - um programa de clipes, com extinção já anunciada.

- O tal e-mail que eu li ainda chama a atenção para o fato de outros canais por assinatura, como os de série, usam clipes em seus intervalos para segurar a audiência inter-programas.

- E a sócia americana da Abril na MTV Brasil, a Viacom, também não tá concordando muito com essa morte dos clipes na TV, já que mantém canais como MTV Jams, MTV Hits e VH1 Soul, basicamente só com videoclipes na grade.

 
At 10:23, Blogger André Monnerat said...

E aí, o que eu acho: "videoclipe morreu na TV" é beeeem forçado.

Uma emissora inteira baseada só em clipes, como era a MTV dos primórdios, é mesmo limitada no que pode alcançar de audiência. Mas isso a MTV já não era há muito tempo, esse anúncio da aposentadoria do clipe é mais um símbolo, a até uma ação de marketing, do que qualquer coisa. E é capaz da gente descobrir vendo a programação deles daqui pra frente que essa morte é bem de mentirinha e os clipes ainda vão continuar lá, com o espaço reduzido mais ou menos parecido com o que já têm. O próprio diretor da MTV que fez esse 'anúncio bombástico' falou nos clipes "continuarem como apoio em outros tipos de atrações".

Acho mesmo que ainda dá pra usar clipes na TV - como muita gente além da MTV usa e se dá relativamente bem. É uma questão de criar o formato em volta disso, saber o que colocar, como colocar, quanto colocar (e até como se relacionar com a internet). E isso é parte de saber usar melhor a música na programação, criando atrações que possam inclusive ter mais potencial de audiência.

A MTV hoje em dia já não é "Music Television" mesmo, ela nem conta se a gente quiser discutir isso. Não tem nada nela hoje que se compare a programas do Multishow como o Circo do Edgar ou o Tramavirtual, por exemplo, em termos de utilização da música como matéria-prima de programação de TV. A MTV só é mais "música" que os outros hoje em dia na marca mesmo, mas isso com o tempo passa. O GNT não é Globo News Television? Alguém lembra disso?

Eu tô curioso pra ver a relação que a MTV ainda vai tentar manter com a música. O que eu acho é que, no que eles baixarem de vez essa bandeira e se desassociarem completamente, até na sua comunicação, a marca vai se enfraquecer e eles vão se igualar de vez enquanto "emissora jovem" a concorrentes como a PlayTV ou a MixTV. E não falo isso só em relação à programação (que já era), à percepção do público ou à audiência (até porque nisso a PlayTV já mostrou que a MTV não tá nada segura em seu nicho), mas em relação à imagem que tem no mercado publicitário. Que no fim é o que paga as contas.

 
At 18:49, Blogger O Anão Corcunda said...

Os comentários de André Monnerat são muitíssimo pertinentes, ainda mais as informações de um mercado que não me é familiar - já que falo mais como (ex) espectador.

Acho que o mercado de telecomunicações está num momento de muita especulação, já que ninguém sabe direito os efeitos da TV digital, que promete ser uma avalanche no setor.

Compro a idéia do fim do clipe na MTV ser mais uma jogada de marketing, ou mesmo uma decisão que se equivoca pelo excesso.

Além do que, o Brasil tem um mercado consumidor potencial muito grande, que pode muito bem assimilar os videoclipes na TV, os quais uma parcela da elite ainda meio que desprezando.

O que parece mais certo nessa história toda é que aqueles clipes-de-uma-musica-só, aquelas superproduções de um único vídeo de 5 minutos, como era moda nas épocas de Garota Nacional (Skank), esses vão ser cada vez mais raros.

 
At 18:55, Blogger Bruno Maia said...

Só tenho que agradecer aos dois Andrés que estao fazendo ponderações excelentes sobre a minha reflexão. Isso já é mais do que suficiente para me deixar envaidecido e gratificado de ter feito o texto.
Começou pelo Monnerat e passou pelo Corcunda a questão que prometo aprofundar mais em breve: a tv digital. Sim, é tudo especulação. Mas como já passei um ano inteiro trabalhando no projeto que lidera a formatação de conteúdo para a tv digital no Brasil, financiado pelo governo federal, acredito que posso fazer algumas ponderações a respeito disso.Ainda será em tom de especulação pois a certeza do futuro nao me foi dada. Pelo menos ainda... heheh. Mas ao contrário do que os comentários em geral tem apontado, a chegada da tv digital só reforça alguns dos meus argumentos. Me explicarei em breve, pois, por ora, o tempo me falta.. heheh
abs!
Continuem enchendo esses comentários que assim tá bom!!!

 
At 23:52, Blogger André Monnerat said...

TV digital vai demoraaaaaar...

Embora brasileiro seja muito novidadeiro, se você ver como foi o ritmo de penetraçãod a TV digital fora daqui, não dá pra esperar essa avalanche toda tão cedo.

 
At 01:34, Blogger O Anão Corcunda said...

Parece que vai demorar mesmo. Mas o potencial que esse negócio de TV digital tem pra mudar radicalmente a estrutura das comunicações no Brasil é impressionante. A avalanche, ao meu ver, pode ser segurada no início, mas quando todos os equipamentos forem ficando baratos, tendência inexorável do capital, acho que vamos ver mudanças radicais na parada. Óbvio que isso é um processo lento, que deve durar mais de década, assim como foi da própria TV "antiga".

 
At 11:40, Blogger Bruno Maia said...

Gente,
eu vou escrever melhor sobre isso. Mas eu gostaria de falar que o meu texto nao se propôs a ter um olhar imediatista, como vcs estao parecendo ter entendido. Por mais que a frase "o videoclipe televisivo é um formato morto" possa dar entender...

Vamos lá.


O meu (projeto de) ensaio é sobre as perspectivas da música no século XXI. Nao estou falando da música em 2007, nem em 2008. É mesmo um pouco como olhar de Arthur Clarke mesmo. Clarke tinha razoes para imaginar o que imaginou em 68. Agora se esconder atrás da parcimônia diante dos fatos é negar a possibilidade de um futuro que acena. Claro que uma tsunami pode mudar o rumo das coisas, claro que uma crise financeira pode estacionar as inovações tecnológicas, claro que uma nova-novidade pode derrubar tudo que se desenhava ontem. Mas o olhar para frente continua. Eu realmente acho que o que está sendo dito é um reflexo do olhar e da relação que vocês têm com a música. Sendo que uma nova geracao já está aí e nao liga pro que os videoclipes da mtv dizem há algum tempo...Calma, Anao... Eu sei que vc vai dizer que eu estou considerando um ponto de vista hegemonico. De certa forma, sim. Mas é a hegemonia que está se construindo após o surgimento de um novo paradigma.
Se já há uma geracao, mais nova que agente, que consume musica fundamentalmente em outros formatos, imagina a que vier depois dessa...

Voltarei ao assunto em breve... abracos!

 
At 17:46, Blogger André Monnerat said...

O que a MTV está propondo é outro jeito de consumir música? Eu não tô achando que é isso aí não.

E se os videoclipes vão acabar mais pra frente, eu sei lá. Provavelmente vão. Houve época em que não existiam álbuns, depois passou a ser difícil imaginar que um dia houve música pop sem eles, agora parece que a tendência é eles irem desaparecendo de novo - e isso tudo num período relativamente curto.

E hoje as transformações estão acontecendo de maneira cada vez mais rápida. Então vai saber como será no curto, no médio ou no longo prazo.

Agora: a MTV Brasil tá apitando pouco, pouquíssimo, em como vai ser esse "futuro da música". Se ainda se pensa nela na hora de discutir isso é por simples apego à marca.

O que saiu de interessante das declarações lá do cara é ele ver a MTV não como um "canal de TV", mas como um "canal". Isso é uma visão interessante. Agora, ele encher a boca pra dizer que clipes estão mortos na TV tem mais ou menos o mesmo efeito que pendurar uma melancia no pescoço. Ainda mais, como o Bernardo falou, quando a alternativa de vanguarda dele é colocar programas de auditório no lugar.

Se for ver assim, acho que o vídeo do bambu do Sílvio Santos deve ter tido mais audiência no YouTube que qualquer clipe no Overdrive da MTV, enquanto o programa de clipes da PlayTV bate a MTV o tempo todo. Talvez o lance seja colocar programas de auditório na internet e voltar com os clipes pra TV.

 
At 18:26, Blogger Bruno Maia said...

Exatamente! A grande parada do videoclipe foi que ele funcionou como um espaço curto que servia muito bem 'a experimentacao de linguagens. hoje, com o youtube, o video do silvio santos compete em audiencia com o do okgo! porque pra grande parte do publico, o barato eh a idéia. independe se vem de um clipe musical ou de um trote telefonico no youtube ou de uma novela da lonelygirl15 no revver. acho que vc tocou no ponto que reitera a ideia do esvaziamento do videoclipe musical televisivo. qual foi a ultima banda que fez sua cabeca com um clipe que vc assistiu na MTV ou numa tv qualquer? A mtv nao esta propondo um novo jeito de consumir musica, ela esta se aliando a forma de consumir musica que se apresenta mais viavel comercialmente. e eh mais viavel economicamente porque? pq o sbt coloca videoclipes de madrugada no ar, junto com msgs de chats via celular cruzando a tela (isso pra nao falar que a propria mtv e o canal base da NET tb fazem o mesmo)? pq a forma de consumo de musica esta mudada. a mtv nao propos isso. ela soh observou. a mtv nao apita nada. ela olha o jogo e escolhe pra onde vai levar o seu barco.

adivinhar o futuro eh baboseira, mas tentar entender como tudo está se desenhando ainda eh um dos meus esportes favoritos.

 
At 03:12, Blogger André Monnerat said...

O que eu quis dizer é que a MTV não está se dedicando ao produto música - nem a modelo novo, nem velho, nada disso. Isso não é o negócio dela. Ela está se dedicando a "conteúdo jovem", e chegou à conclusão de que música não pode ser o seu carro-chefe. O "M" no nome, há muito tempo, é só detalhe. E aí você reforçou o que eu disse, colocando a lonelygirl no mesmo saco dos clipes ou de seja o que for. Não estamos falando de consumo de música.

O que a gente pode acabar discutindo é se música é tão relevante assim pra boa parte das pessoas à nossa volta. Eu já li o Ricardo Alexandre dizendo que não, não é, e que isso tá inviabilizando o jornalismo musical de qualidade (entre outras coisas). Acho que é um assunto que deve ter bastante a ver com as vidas dos titulares do blog, mas não era disso que a gente tava falando aqui até agora. :)

Enfim: eu não conheço o Overdrive direito, mas clipe é só mais uma coisa que tem lá. Se chegarem à conclusão de que tá consumindo disco demais pra pouco acesso, eles tiram. Ou talves mantenham só pra justificar o VMB, que afinal de contas dá audiência e vende cotas de publicidade. Agora, como eu já disse, não acho que seja uma decisão inteligente pra eles, no médio/longo prazo; mas aí a gente já tá falando do futuro da MTV, e não da música.

Banda nenhuma fez minha cabeça vendo clipes na MTV não porque não me interesso por clipes, mas sim porque eu não gosto do pouco que eles botam pra tocar. Eu teria que ficar o dia inteiro na frente da TV pra conseguir ver um total de 15 clipes, dos quais três ou quatro, com boa vontade, seriam de músicas com algum apelo pra mim.

 

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