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18.10.07

Reflexões durante o show do Djangos

A noção de que uma banda nova tem um deadline para “estourar” permeia o inconsciente de todos que freqüentam esse tipo de shows e que observam estes grupos. São inúmeros os artistas que já perderam o timing e, a partir deste momento crucial, parecem estar definitivamente fadadas a uma espécie de limbo. Invariavelmente, as bandas não têm uma segunda chance. O Pato Fu foi a última que conseguiu, quase por milagre, sobreviver e ir construindo carreira à margem de não ser hitmaker. Ainda assim, foram pequenos sucessos (como “Sobre o Tempo) que foram criando a sensação de que, a qualquer momento, poderia sair um number-one do repertório deles.

O Djangos foi um grupo que “rolou” nos anos 90. Primeiro, em 1995, na coletânea Paredão (EMI), de onde saiu o hit “Eliane Galileu”, de Plínio Profeta. Três anos depois, abençoados por Tom Capone, João Barone e Paulo Junqueiro, lançaram o álbum “Raiva contra o oba-oba” na Warner. Não estouraram e daí viraram uma dessas bandas do limbo.

Semana passada, no show dos caras na festa Rock baile, do Teatro Odisséia, eles mostraram que o frescor continua e o grupo faz um dos shows mais bacanas que se possa ver por aí. Admito que nunca tinha assistido a uma apresentação deles e fiquei realmente bem impressionado. Tipo de show que você sai pensando: “Caralho, essa porra vai estourar”. Não vai.

Lógico que o papo sobre o tamanho do mercado atualmente, o fortalecimento da cena independente, a distribuição digital, blábláblá, não pode ser ignorado nesta equação. Talvez os caras não precisem mesmo “estourar”. Mas é que ainda assistimos a uma geração de músicos que se forjou diante do sonho de virar músicos famosos, de gravar com grandes nomes, em excelentes estúdios, com direito a um bom trabalho de divulgação, etc, etc... E, ao mesmo tempo, ainda estamos em um mercado que ainda é viciado em hits (e estes, sim, ainda dependem da tal estrutura dos sonhos).

Por isso, por pensar no mundo perfeito e viver num mundo real, fica a sensação incômoda de que os shows dos Djangos vão continuar sendo bem legais, mas que não vão ter mais infra do que uma noite de quinta-feira, com 60 pessoas no Odisséia. Eles merecem. Mas no pop brasileiro, não há “segunda chance”.

6 Opine:

At 11:52, Blogger André Monnerat said...

Djangos é realmente muito legal. Queria ter ido nesse show, vacilo.

 
At 22:46, Anonymous Anônimo said...

um pedido: escreva sobre o quanto a crítica tem importância no sucesso de uma banda... é engraçado que os críticos parecem todos concordar com o que é bom... por exemplo o bruno porto da megazine, dá pra ter certeza do q ele vai achar bom ou não, é só vc ler a rolling stone ou nme ou alguma dessas...
obrigado

 
At 02:02, Blogger bibliografia said...

bruno,
quer dizer que nem no ano que vem eu vou poder dar entrada na minha pajero sport?

 
At 23:36, Anonymous Anônimo said...

acho que o que vale nesse ponto é música boa, realmente boa... não estas melecas que rolam por aí e ficam cantando de galo... isso somado a um trabalho sério, feito por equipe de produção, um escritório. Acho que não existe fórmula e sim trabalho e talento. E ninguém tem bola de cristal... se vc tiver, me fala aí o número da loto, beleza?

 
At 14:34, Blogger André Monnerat said...

Tem que discutir aí também o que é "estourar", né? E o que precisa pra isso. Esses parâmetros todos estão mudando.

 
At 14:54, Anonymous Anônimo said...

Na boa! esses caras são bons desde a época que se chamavam "Corações e Mentes", observar um cara talentoso como o Marco para escrever, o João e o Carlyle como músico correndo atrás a tanto tempo e tendo que "esperar" uma 2ºchance, enquanto sucessos fabricados ganhando VMBS é rocha!VIVA DJANGOS!Já escutaram a música "O último ônibus" destes caras? ouçam!!!!

 

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