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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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3.7.05

"Só Pessoas Infelizes Não Sabem Dançar" 2

Depois de me empolgar com os shows de Black Rebel Motorcycle Club, Von Bondies, Elbow, Super Furry Animals, Primal Scream, Franz Ferdinand, Dandy Warhols e Michael Nyman, no cinema, parti para o Circo Voador.
A abertura foi de Os Outros, de quem nunca tinha ouvido falar, com um show bacana, sem empolgar (missão sempre difícil pra quem não é a atração principal). A voz do vocalista é destaque, meio rouca, meio blueseira, apesar de paramentado ele como um punk. Lembra em certos momentos Cazuza ou Angela Rô Rô, e busca uma inspiração de leve na Jovem Guarda. A banda toca bem, mas não apresenta nada de extraordinário.
Em seguida veio o Canastra, com um show cheio de motivos para você não perder mais. O Circo estava vazio, em contraste com a Fundição cheia para uma versão “raiz” da Festa Ploc: Marley Cover, Raul cover (Baia) e Grande Encontro cover (Geraldo Azevedo). Imobilizar o passado é um atraso musical, cadê a criatividade que estava aqui?, não precisam dela, esses caras.

O Canastra é a nova banda de Renato Martins, que está apaixonado. Findo o Acabou la Tequila, ele partiu para uma mistura de dixieland (algo entre a pré-história e o início do jazz de Nova Orleans, com bandas grandes de negros da década de 20, para bailes de proletários a fim de desrespeitar a Lei Seca, ainda antes do crack da bolsa) com rock e surf music. Rolam brincadeiras com country, com pop italiano, e tal. Para Renato, música de vovó, para o Rio Fanzine, seguindo entrevista depois de um show em Goiânia, acho, música de desenho animado. Com um baixo acústico. E com o apoio de Jimmy London (Matanza, que produziu o disco), e a força espiritual de Donida, Nervoso e Gabriel Thomas. E há rumores de que eles queiram um saxofonista, “tem um espaço aí”, me diz uma fonte segura.

O show teve problemas de som o tempo todo, só para contrariar o elogio do mal-acostumado (naturalmente...) vocalista dos Outros. O trombone convidado era claramente passado enquanto o show andava, o baixo demorou umas três músicas pra ser ouvido, as guitarras quase não saíam ao mesmo tempo, e o violino, coitado, só uma vez. Apenas a bateria se salvou, mas de onde eu estava, provavelmente foi notada independente dos microfones.
Renato é aquele homem de frente da banda que parece ser um colega teu no sarau da escola, você torce por ele, acha aquilo tudo o fruto de muito talento, mesmo. Parece que você é parte do crescimento de uma boa onda, que no caso não tem nada de incipiente ou experiência colegial como seria no caso do sarauzinho de que falei. Tudo ali soa muito próximo, em referências e em relação com a música, relação de diversão e mesmo de paixão. E Capuccino, logo no início da apresentação, reforça isso aí.
De um lado e de outro, baixista e guitarrista estão ali na condução da música, em diálogo de um para o outro, em leve clima de farra, com temas sacanas e despretensiosos, mas que se você levar a sério se dá bem. E a guitarra de Renato, que tem tanto topete quanto qualquer outra testa em cima do palco. E a bateria pra cima, pilhante. E o resto é contigo, e uma garrafa de rum.
Quando sobe ao palco, Nervoso toma para si o gestual dramático muito melhor do que qualquer Quasímodo Jefferson em CPI dos Correios, para entregar a mensagem do veneno servido como drinque, contaminando a mente e com um gosto na boca que demora a sair. Porque música tem disso, se você não sabe.
Um pouco depois, é o ruivo do Matanza que entra de perna imobilizada, para mandar o que me pareceu (e assim concluo) uma cover de Nash, bem bacana, rock do sul americano, com cheiro de bourbon. E assim foi, com espaço para entrar na dança (“Você entrou na dança/ Agora dance”), para o prenúncio de Canastra no Tequila, Dallas, e para Tu Vuo Fa l’Americano, momento alto do filme do senhor Ripley, numa locadora perto de você.

Basta um motivo para não perder o próximo show do Canastra: você perdeu este, e isso não se faz duas vezes.

3 Opine:

At 18:48, Anonymous Bernardo said...

Cara... a cada show fico impressonado com o som do mombojó... pena não estar tão cheio, talvez por causa da festa-junina/micareta da fundição... ; )

Parabéns pelo site!

 
At 19:30, Anonymous Bernardo Mortimer said...

correção:

onde escrevi Nash, leia Johnny Cash, com c.
Essa memória quando engana...

 
At 14:05, Anonymous Edu Vilamaior said...

Na verdade a música chama-se "Die Hillbilly" e é do Donida, guitarra do Matanza. Ele certamente vai gostar da confusão.

Grande abraço.

 

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