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2.10.05

Música para (ouv)ir música - (Nokia Trends 2005)

Continuando a saga da desvirginação eletrônica, teve o Nokia Trends...

Duas cidades ligadas através de uma mega estrutura, de tal forma que, quem estava no Jockey Clube paulista podia acompanhar em tempo real a festa que acontecia nos Armazéns do cais do porto no Rio de Janeiro, e vice-versa. Graçasa um jogo de telões instalados em um ambiente próprio e que transmitiam o que era captado pelas câmeras na outra cidade.

Milhares de pessoas passaram pelos locais dos shows nas duas cidades, no dia 24 de setembro. O espaço dividido em vários ambientes facilitou um certo conforto. Com uma estrutura impressionante, poucas vezes vista em eventos musicais no país, o Nokia Trends impressionou. Tanto em termos logísticos e estruturais, quanto em termos de conceitos e de atrações, o vanguardismo era evidente. Nomes e conceitos já trabalhados em outros pontos do planeta, chegaram ao país pelo festival. Ao contrário do show do Moby, a organização foi um ponto alto da festa. Tirando, é claro, a ausência de estacionamentos na região do cais do porto, o que deixa todo mundo réfem das EXTORSÕES praticadas pela máfia dos flanelinhas. Sim! Aquilo é uma máfia e eles usam até coletes amarelos identificando-os como integrantes de uma mesma espécie de cooperativa. Mais um dos desmandos cada vez mais crescentes, grosseiros e discarados desta cidade, antes tida como maravilhosa.

Como já foi dito aqui, minha grande motivação era assistir o show do Asian Dub Foundation (ADF, a partir daqui) e entender a lógica da música eletrônica, onde DJ's são guitarheros e bandas são DJ's.

O ADF foi um dos principais nomes do Nokia Trends 2005 e só entrou na escalação dez dias antes do evento. A banda foi chamada substituir a cantora irlandesa Róisín Murphy, que cancelou sua apresentação alegando motivos pessoais. Para muitos, a troca foi encarada como um upgrade no line-up. O ADF é uma das bandas mais cultuadas e engajadas da Europae isso era sabido até por mim. O que meus olhos e ouvidos puderam ver da apresentação deles foi a mistura de eletrônica, rock, jungle, raggamuffin (sim, o ADF é raggamuffin!), dub e várias outras tendências. A variedade de referências no som do grupo pode ser prevista só de olhar para os rostos dos integrantes. Numa verdadeira torre de babel, sobem juntos ao palco, um japonês, um negro rastafari, um branco, um outro de traços árabes e três outros com feições indianas. É o sinal mais evidente (junto com o Black Eyed Peas) de que a globalização tomou também a música!

Alguns poderiam argumentar que o ADF é uma banda de rock. Talvez seja, mas a falta de uma baterista e a presença de um DJ em seu lugar indica que as coisas não são exatamente assim. O grupo enfileira bases eletrônicas e samples atrás de guitarras pesadas e distorções. O show foi animadíssimo, com uma platéia íntima da banda e dançando muito. Há um potencial radiofônico nas músicas do grupo, mas o convencionalismo das rádios ainda não percebem. Isto podia ser medido pelos comentários elogiosos de pessoas que não conheciam o som do grupo e que confessavam não gostar de música eletrônica. Ouvi os discos também e achei a banda melhor ao vivo do que em estúdio.


Até em função dos alardes feitos pelo "íntimos" de música eletrônica, outro nome muito aguardado por mim, foi o Audio Bullys, composta pelos amigos Simon Franks e Tom Dinsdale. A dupla é tida como uma das mais vanguardistas da música eletrônica mundial. Misturando house e hip-hop, os dois lotaram a pista do palco Live, o maior público da noite carioca. Para mim, aquilo foi uma surpresa. Com um show pesado, os ingleses não deixaram ninguém ficar parado. Nem havia como, já que graves desconcertantes e intensos tiravam qualquer corpo da inércia. Se não fosse por opção da pessoa dançar, ela dançaria de qualquer jeito tamanha era a pressão que vinha dos graves. Imagens aceleradas projetadas no telão, um ar meio marginal, a dupla saiu muito aplaudida do cais do porto. Muitos efeitos de iluminação, projeções de raios sobre a platéia e sons sintetizados e comprimidos marcaram o set-list.

O dia tinha sido longo e o show do Audio Bullys terminou quase às 4 da matina. Admito que a tentação de esperar para ver o sol nascer no cais do porto, acompanhado pela minha amada, foi forte. Mas o cansaço nos pegou de jeito e o melhor foi voltar para ver se o carro ainda estaria lá e em que estado. Até que a extorsão paga na chegada, serviu para preservação do bichinho... Que preço que se paga por viver no Rio...

E no final de tudo, fiquei achando que eventos de música eletrônica podem ser legais ou não e que uma das variáveis mais fortes é a criatividade e organização oferecida por quem pensa o evento em si. A música eletrônica depende de um evento. Fica difícil imaginar um grupo de amigos se reunindo sábado à noite, na casa de alguém, para conversar e 'fazerumsom' para se divertir e confraternizar tendo o baixos e baterias disparadas pelas pickups como motivação. Fico achando que a essência da música se perde um pouco e fica encoberta pela do evento e pela lógica de uma sociedade em que o setor de serviços cresce cada vez mais. A música eletrônica, mais do que música, é uma experiência antropológica. Isso não a faz menor, mas certamente, é a razão da diferença entre ela e as antigas formas de se curtir um som. A música eletrônica é consequência do universo do eletrônico e não o contrário. Ela não é origem, e sim desdobramento.

Música eletrônica é para se ir, não tanto para se ouvir. E nisso, especificamente, não vai juízo de valor.

3 Opine:

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