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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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6.8.07

Jazzmatazz no Tipitina's de Nova Orleans

Falcatrua [ainda odiando a falta de acento]

      O lugar eh um classico da cidade, o que se confere nos cartazes do que jah passou por ali: Afrika Bambaataa, Dr John, Flora Purim, Skatalites, Rebirth Brass Band, Wilco. Alem do mais, a casa funciona como uma fundacao, que recolhe instrumentos e dah oficinas para a garotada da cidade. Como se um lugar como o Ballroom, para usar um que nao existe mais no Rio, aproveitasse a presenca de musicos na cidade e a fim de participar, e organizasse encontro deles com os meninos assistidos pela fundacao Ballroom, ligada ao sistema de escolas publicas municipais.
      Mas eu estava lah mais pelo Jazzmatazz, projeto do rapper Guru da decada de 90 que juntou cabecas do jazz, do entao nascente acid jazz, do r'n'b e do rap para juntos criarem. Funcionou bem por dois discos, influenciou uma serie de artistas, inclusive os proprios participantes, e ainda teve uma terceira edicao com djs de drum 'n'bass. Nao gosto tanto do terceiro disco. Desde entao, nao voltei a ouvir falar de Jazzmatazz, a nao ser remotamente pelas fracas passagens de MC Solaar (o rapper e posteriormente produtor que apoia o projeto) e do proprio Guru, pelo Rio.
      A oportunidade estava ali, e mesmo cansado dos dois dias do incrivel Satchmo Festival (sobre o qual jah escrevo, prometo), paguei o taxi e os dezessete dolares de entrada para ver em que pe anda uma das melhores experiencias de dez anos atras. Pois bem, vai mal.
      Ou o povo de Nova Orleans eh mais malandro que eu, ou eles nem se lembram dos discos de dez anos atras. O Tipitinas, que deve ter o dobro do tamanho do Odisseia (RJ) e ser um pouco mais largo do que a Outs (SP), estava vazio. Umas sessenta pessoas, no maximo.
      Pois mesmo assim, as chances de uma apresentacao ao menos decente estavam ali - os poucos que pagaram para entrar conheciam o trabalho de Guru, e colaboravam com as firulas de mao para cima, make some noise, esperar ele dizer isso para responder aquilo, e todas as bengalas do rap que sao usadas na falta de algo melhor a se dizer.
      Alem do publico amigo, a banda The Seven Grand eh impecavel. Um baixista elegante e sorrateiro, que parecia ter saido de um filme noir com trilha de Miles Davis, era acompanhado de um trompetista com cara de metaleiro e muita habilidade nos dedos. Um inglesinho se revezava na guitarra, sax soprano e teclado, sempre bem, e um baterista conduzia sem firulas o repertorio igualmente classe a. Nos toca-discos, dj Doo Wop, fiel escudeiro e a altura dos musicos. Ou seja, no meio de tanta boa vontade e elegancia, era dificil errar.
      Guru ainda tinha como convidados Noreen Stewart, que canta muito quando segue o que esta nos discos, e erra quando tenta improvisar. Perdoavel. E MC Solaar, que pode ser um bom produtor, mas so faz sentido em cima do palco se for por amizade. Ainda assim, vah lah, perdoavel tambem.
      Mas Guru eh um pela-saco, e isso nao se perdoa. A apresentacao mal tinha passado de meia hora, e ele comenta que como gosta de Nova Orleans, vai encaixar mais uma. Ninguem leva muito a serio, primeiro pelo tempo de show, segundo porque Solaar ainda nao tinha subido ao palco. Pois bem, foi uma musica e Guru saiu batido do palco. Ficou um clima de indecisao, as luzes foram acesas, se apagaram, e ficaram em um meio termo. O dj que tocou na abertura subiu ao palco, pegou alguma coisa que tinha deixado ali, e desceu. Umas meninas (deviam ter umas cinco ao todo, portanto uns 60% delas) ensaiaram um pedido de bis, que nao durou. Mais uns minutos e Guru voltou. Chamou Solaar, apresentou a banda, tocou umas tres musicas, falou do disco Jazzmatazz 4 que sai ainda este ano, disse qualquer coisa para o publico responder uma coisa qualquer e pronto. Menos de uma hora depois de ter entrado em cena pela primeira vez, foi embora.
      Para ser justo, enquanto ele e a banda tocam o que eh conhecido dos discos, a apresentacao eh impecavel. Aquilo ali de cima, bons arranjos, o bom trabalho do produtor Solaar, os excelentes musicos, a fusao bem feita de jazz e hip hop. O problema eh a marra e o pouco caso com quem esta ali para ver um show de verdade. Guru, nao leva a mal, mas eu soh assisto de novo ao Jazzmatazz se voce nao estiver incluido.

2 Opine:

At 00:10, Anonymous Guru said...

Hi Bernardo,
I was very crazy da'day! Yo are fuckin' right, man! I wont play anymore... See ya soon in Ballroom!!

Guru

 
At 20:23, Blogger Bernardo Mortimer said...

Correcaozinha: o produtor Solar, que participou do show, nao eh a mesma pessoa que o MC Solaar, rapper que vive na Franca. Perdao.

 

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