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15.11.07

Artist Meeting Brasil 2007, Santa Teresa (RJ)

Discutindo Para Poder Melhorar



      Em cima da hora, eu e Bruno ficamos sabendo do encontro que Ronaldo Lemos, da Creative Commons, e os gringos da Future of Music Coalition organizaram aqui no Rio, para discutir as leis que regem o direito de propriedade intelectual e a estrutura em torno do ato de criar e tocar, no fim-de-semana passado. Não deu para comparecer pessoalmente, porque eu e ele tínhamos compromissos e viagens marcadas. Era, até onde eu me lembro, a primeira vez em que a discussão rolava exclusivamente com músicos em atividade.
      Só que a curiosidade e o sentimento de que uma iniciativa dessas não podia passar em branco pesaram, e a partir disso fui correr atrás de descobrir o que se passou entre almoços e jantares de uma galera de países como Sérvia, França, Gana, Estados Unidos e Brasil. Acabou que o bom e velho parceiro Lucas Santtana se dispôs a responder algumas dúvidas e curiosidades, e a conversa que rolou foi basicamente essa aí:

sm: Qual é o balanço que você faz dos resultados desse Artist Meeting no Brasil?
LS: Acho que foi muito positivo, principalmente para se ter uma idéia da realidade dos músicos e das estruturas que os circundam em vários países do mundo. O fato também de ter músicos de diferentes segmentos musicais e estágios de carreira trouxe uma gama maior de realidades e pontos de vista ao encontro.

sm: Que avaliação se pode fazer, vindo de um encontro como o do fim-de-semana passado, de duas das principais instituições brasileiras para o sustento do músico e da propriedade intelectual no atual modelo: editoras e Ecad?
LS: A avaliação de que Ecad e as editoras não são uma realidade apenas brasileira e que o ideal para o futuro dos músicos seria uma forma de cobrança sem intermediários, já que esses modelos em todo o mundo não oferecem a transparência necessária ao músico, nem [essas instituições] batalham pela sua [do músico] obra.

sm: Na sua opinião, existe um perfil específico de artista que tenha mais a ganhar do que outro com a liberação de alguns direitos de propriedade intelectual?
LS: Claro. Havia artistas [no encontro] que nem editora tinham e que não sentiam a menor falta delas. Ganhavam com shows e discotecagens, etc, e não sentiam falta de serem donos da obra. Outros, a maioria, e eu me incluo nisso, acreditam no valor da obra, acham que ela pertence ao seu criador e foi gerada através de um ofício como qualquer outro, e por isso merece ser remunerada. A questão do CC [creative commons] também foi mencionada como uma alternativa flexível onde a autonomia sobre a obra estaria mais nas mãos do autor. A maioria dos artistas presentes foi a favor de receber por seus direitos de propriedade, mas não gostam do modelo como isso é feito. Na verdade, cada assunto rendia horas de discussões, então fica muito difícil resumir aqui em poucas linhas. Como disse, havia muitas realidades e pontos de vista diferentes.

sm: O mercado de música caminha mais para um novo formato de gravadora ou para o fim dos intermediários na relação artista x público?
LS: Sem dúvida, para o fim dos intermediários. Com a digitalização da obra, tecnologicamente não faz sentido haver tantos intermediários.

sm: Avaliações gerais.
LS: Foram muitas questões e sub-questões. Muitas vezes, um dado positivo sobre algum assunto acabava por também trazer o lado negativo. Mas, sem dúvida, foi uma troca muito rica e de alto nível. Para todos ficou claro que as grandes estruturas são absolutamente iguais e geram os mesmos danos à cadeia musical: o jabá, o monopólio cada vez maior de pequenos grupos econômicos, etc... A diferenca está no simples fato de que no primeiro mundo circula mais dinheiro do que aqui. E, por isso, para nós é tudo um pouco mais difícil, assim como para os músicos de Gana é ainda pior.



Nada a ver

      Uns dias antes, a Associação Brasileira de Música Independente (ABMI) se reuniu para fazer um balanço do ano, e eleger o novo presidente. Sai Carlos de Andrade, o Carlão da Visom, entra Roberto de Carvalho, da Rob Digital. Segundo eu leio no release do encontro, a idéia é dar continuidade ao trabalho da gestão que termina no fim do ano, e reunir mais informação sobre o mercado a partir dos próprios associados, para ganhar força em negociações futuras. Na última pesquisa entre os filiados, o número de respostas não chegou à metade. Entre as prioridades, a negociação de acordos de direito autoral com empresas de internet, sejam elas rádios, lojas ou o que, e a participação em feiras e debates sobre o mercado da música.
      Com uma ou outra diferença, estão todos se mexendo. Com uma ou outra diferença, a organização é o primeiro e bem difícil passo.

1 Opine:

At 11:16, Blogger Lucas said...

Oi Bernardo, se for possível gostaria de pedir duas mudanças no texto. A primeira é que o encontro não foi apenas para discutir propriedade intelectual e sim toda a estrutura que envolve a vida dos músicos: gravadoras, venda de cds, distribuição, rádios, contratos, licenciamentos, shows,etc.
A segunda é um pedido: dá para por o link do diginois?
abs e obrigado pelo interesse.

 

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