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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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17.4.06

Crítica :: Islands, Return to the sea

O melhor disco do ano (até aqui)

Ano passado foi o Magic Numbers. Esse ano não tem pra Arctic Monkeys – apesar do ótimo 'Whatever People Say I am, That's What I am Not'. O melhor disco lançado em 2006, até o presente momento, foi “Return to the sea”, dos canadenses do Islands. Parece que a banda é uma remontagem de outro grupo, o finado The Unicorns, que era apontado pela imprensa canadense como a menina-dos-olhos quando apareceu. Não conheci o trabalho deste grupo, mas agora vou correr atrás.

“Return to the sea” saiu pelo selo canadense Equator, mas está sendo distribuído ao redor do mundo pelo selo inglês que está mudando a cara do rock-pop mundial nesta década, o sensacional Rough Trade. No casting, esses ingleses contam, além do Islands, com algumas coisinhas que você já deve ter ouvido falar como: The Strokes, Arcade Fire, Belle and Sebastian, The Libertines, Babyshambles, Antony & The Johnsons, Cornershop, Sufjan Stevens e Super Furry Animals, só pra ficar nos mais famosinhos...

O Islands é uma das novidades do Rough Trade. O ótimo disco de estréia do grupo amplia as fronteiras da geração que está sendo chamada de “novo rock”. O grupo sabe usar as baterias retas quando precisa, mas sabe ir além. Para mim, é como um Arcade Fire, só que menos hermético. Pelo menos eu acho o Arcade Fire hermético demais.

A abertura de "Return to the sea" é feita pela épica “Swans (Life after death)”, com seus intensos noveminutosetrintaedois. Acredito que o nome da faixa seja inspirado na história da banda ter surgido após o fim do The Unicorns. A segunda é “Humans”, que me lembra alguma música dos Beatles que eu não consegui descobrir qual. Acho que é alguma coisa entre o Revolver e o Sgt Peppers, não sei, mas traz aquela bateria marcada, quase marcial. Na ótima “Don’t call me Whitney, Bobby” (desde já, o melhor nome de música da década), eles vão do dubi-dubi-du até o calipso, passando por aqueles vocais intimistas e com flautas iluminando geral.

“Rough Gem” é o atual single dos caras. Que musicão! É como se o New Order tivesse voltado, se reatualizado, não soasse datado e ainda fosse mais legal. Os teclados oitentistas estão ali, assim como a bateria reta revitalizada por todas essas bandas pós-punks e reassumidas agora pela turma do “novo rock”. Só tome um cuidado: o risco de que as frases melódicas, tanto da voz quanto dos teclados não saia da sua cabeça durante uns cinco dias é grande.

:: [[pedacinho da letra pra você sacar]]
The world beat you for the something nice
You worked hard, died more
You mined what you died for Diamonds
You can whistle my name
It's the mines, in Africa
That are to blame
You can Scoop out my brain
Shape it into an ear and then tell me your pain
"
(Islands – Rough Gem)

O clima muda totalmente quando chega a faixa “Tsuxiit”. Os teclados partem para o soturno, a bateria grave, abafada e distante sugerem um clima mais denso, que só é aliviado, vez por outra, por algo que parece um moog e traz alguma luz à toda aquela sombra. “Where There's a Will There's a Whalebone” mostra ao Linkin Park um jeito mais digno de se misturar com o rap. A faixa conta com a ótima participação de Subtitle e Busdriver, dois rappers desconhecidos por mim, mas que entram com uma agressividade vocal e de sintetizadores que deixam tudo soando bem aos ouvidos.

Como se transição não existisse, o calipso volta a ensolarar o disco com “Jogging Gorgeous Summer”, trazendo a reboque aquelas flautinhas peruanas (ou seriam bolivianas?) para enfeitar o dia. “Volcanoes” é o outro grande momento de genialidade. A faixa começa com a gravação de uma voz de tevê e a música começa com uma cadência de música de circo, de caixinha-de-música, com aqueles baixos que são parecidos com os baixos do samba, bem clássicos. Quando você já está balançando a cabeça de um lado pro outro, sai o circo, entra a orquestra de cordas e traz um ar melancólico e lindo. Me lembrei do Carequinha, que Deus o tenha. Ah! Depois das cordas, o ‘circo’ volta. Ah! E você ainda está na metade dos cinco minutos da faixa. Os dois minutos finais vão repetir a estrutura da primeira, sem perder o brilho e sem se tornar bobo. No finalzinho, uma apoteose acontece, tipo show do Flaming Lips no Claro Q É Rock, saca?! Pois é. Final rockzão. Lindão. Isso tudo porque estou ignorando o non-sense absoluto da letra da música que não tem nada a ver com nada disso. A parte da orquestra, por exemplo, é pano de fundo para isso, oh: “We washed our mouths at the riverbed /When we noticed something glowing / It was growing/ Things are going to change / Hot rainfalls made of magma melts Alaska /And in icy Argentine they say now I've seen it all/ Who knew? Volcanoes!”. Nonsense dos bons!

A caixinha-de-música volta em “If”, ainda mais doce. A voz coladinha ao ouvido, a bateria e o baixo quase-jazz se somam a uma rápida passagem de umo sax-totaljazz e só não digo que é um jazz por que, apesar do cantar joãogilbertiano, a misturada com um teclado quase-polka descaracteriza o que podia ser um jazz. Essa é pra ouvir a dois, total. Se liga na estrofe final: “When the sky finally falls, if you’re holding me/ I can die finally knowing it ends peacefully…” Putz!

O disco termina com a intimista "Ones" e com uma faixa escondida. Não sei não, mas tá aí um forte candidato a melhor de 2006. Dentro da minha pesquisa, não encontrei nenhum site deste ainda novato grupo. O máximo que achei foi a tal página no Myspace.com . Parece que ainda é tinta fresca e em estado bruto! Quem sabe esses festivais mais descolados como o Tim Festival não se ligam e saem na frente trazendo os caras? Eles nem devem ser tão caros assim.

******************
Não sei se o disco já está a venda no Brasil. Eu também não comprei ainda.

******************
E essa história do Arctic Monkeys em Curitiba, hein?! Que coisa mais esquisita, rapaz...

2 Opine:

At 16:20, Anonymous mauricio cascardo said...

A comparação com Artic Monkeys é real? vc acha tão melhor assim mesmo?

 
At 16:22, Blogger Bruno Maia said...

Salve Pavão!
Acho melhor, sim. O Arctic Monkeys é cru, raivoso, incendiário e isso é foda!.. Bom pra caralho. Mas musicalmente, nao tem comparação, neh... O Alex Turner, do Arctic Monkeys, é bem mais poeta. Mas musicalmente nao há grau de comparaçao... E você, discorda?

 

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