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1.8.06

A utopia como arma

Há algum tempo os Detonautas vêm prestando serviços ao rock brasileiro. Ainda que, musicalmente, seja fácil criticar o grupo, é possível se olhar uma série de outras posturas da banda. Antes, e muito antes, do bárbaro assassinato do Rodrigo Netto (guitarrista da banda) em junho, o grupo carioca já vinha usando a Internet para propagar um discurso contra a violência, inércia, corrupção e aquele monte de coisas que a gente sabe que transbordam no Brasil. Até aí pode não parecer nada demais.

Fato é que o grupo sempre fez isso repetidamente. Não era um, dois ou três dias. Era quase diariamente no seu blog. Utilizavam – e o continuam fazendo – o próprio site para propagar idéias positivas, cientes do público que os consome e tentando informar para esta galera coisas que muitas vezes fogem aos olhos de quem não presta atenção em evidências. É um papo utópico, sim, do “faça sua parte”, “pesquise sobre o seu candidato nas próximas eleições”, “leia mais sobre a abusiva taxa de impostos no Brasil”, “pelo fim do voto secreto na câmara dos deputados”, mas é fundamental. A utopia é fundamental.

O Arnaldo Bloch escreveu sobre isso, no último domingo no Globo (caso queira ler, procure pelo post do dia 29 de julho de 2006, no blog do jornalista). No caso, ele focava a questão sobre os conflitos no Líbano. Mas o discurso serve igual. Os Detonautas não se cansam de correr atrás da utopia. Fizeram passeatas solitárias no Rio de Janeiro durante os jogos do Brasil na Copa, para se manifestar contra a violência que lhe tirou um irmão, como eles dizem. Pediram para os fãs irem a shows com faixas e roupas pretas em “n” situações para protestar contra não-sei-o-que, reclamaram dos teatros das CPIs, incentivavam a leitura diária dos cadernos de política dos jornais, enfim. Mais do que um discurso politicamente correto, a banda sempre transpareceu verdade nos seus textos porque, vez ou outra, não se agüentavam e escreviam também de como é bom viver sabendo que, a cada dia, está se realizando um velho sonho. No caso deles, de serem músicos famosos que viajam por todo o país tocando.

Lembro-me de já ter visto um deles contando do trabalho de formiguinha que fizeram na ocasião do lançamento do primeiro disco para divulgá-lo em pequenas rádios do interior do país. Se não estou enganando, o grupo pegava parte dos cd’s que recebia da gravadora e um (ou dois) dos integrantes ia(m) descendo de ônibus de linha, até o sul do Brasil, parando em várias cidades, procurando os radialistas, entregando o cd e tentando arrumar um espaço para sua música nas programações viciadas do dial brasileiro. Com isso, eles potencializaram a música “Outro lugar”, e deram o gás necessário para começarem a carreira em condições melhores. Já ouvi também que o Tico Santa Cruz, bem antes da fama, já invadiu sala de diretor de gravadora, com um violão na mão para cantar suas músicas e tentar, com isso, arrumar um contrato para seu grupo.

Não sei quais e quantas dessas histórias remotas são verdadeiras. Mas todas servem para retratar a eterna crença na utopia como forma de transformação, seja do seu infinito particular ou do universo ao seu redor. Pode parecer uma gotinha no oceano, mas esse trabalho que a banda faz através de seu blog tem uma importância muito grande a longo prazo sobre toda uma geração que está se forjando agora e que vê na música e na internet duas ferramentas complementares de diversão e informação. O som da banda ainda não me convenceu, mas até nesse sentido, percebo uma busca por evolução. Eu respeito muito os Detonautas.

Pode ser uma grande utopia minha acreditar em todo esse discurso da banda. Pode ser que venham me dizer que isso é ferramenta de marketing. Pode ser que venham dizer que estou sendo ingênuo. Mas eu prefiro acreditar na utopia.

2 Opine:

At 17:33, Anonymous Fernando Caetano said...

po cara, belo texto o seu. estou plenamente de acordo, parabéns =]
abraços virtuais

 
At 00:00, Anonymous Anônimo said...

Também prefiro acreditar na utopia!
Abraço

Igor Gabriel

P.S: e aí já voltou mané??

 

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