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Bruno Maia
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27.10.06

Conversa com Nélson Meirelles (2)

(continuação da longa conversa com o produtor Nélson Meirelles. Para ler a Parte 1, clique aqui)

fotos: Bruno Maia


sobremusica: A galera da Baixada chegou no Reggae-NEC como? Ouvindo o Programa de Rádio?

Nélson Meirelles: O programa era referência. Eu comecei a divulgar os eventos do Reggae-NEC, e como o programa ia ao ar no sábado, que era os dia dos shows, o pessoal ouvia, descia e ia pra lá... Por isso que, depois de ter ido ao Sunsplash, um ano depois, quando eu vi o Bino tocando baixo, eu não acreditei. CARALHO, bicho! O cara tinha 15 anos de idade, tocando muito! Só que o que eles tocavam era um reggae, que na verdade não era exatamente um reggae... Isso também tem um lado bom, porque era uma coisa genuína deles, eles não conheciam muito.

sm: Qual a informação que essa galera tinha de reggae na baixada?

NM: Nenhuma. Era o meu programa.

sm: Porque, por exemplo, o Cidade Negra começou como uma banda de igreja...

NM: Não, era uma banda pra tocar na igreja, assim como eu toquei no festival do Bahiense. Todos eles têm o mesmo background: filhos de empregadas domésticas, com a coisa da igreja protestante.

sm: Sim, mas e aí esse reggae chega lá como, de onde?...

NM: Cara, acho que é uma coisa, sei lá, genética. Estava borbulhando ali neles. Eles começaram a fazer uma música que eles não sabiam direito o que era e quando foram ver... “Ih, esse negócio de reggae é meio isso aqui...”. E tenho certeza que o programa que eles viraram fãs, ouviram sempre, ajudou a formatar. O meu parceiro que tinha viajado comigo pra Jamaica e fazia o Batmacumba comigo, saiu fora e entrou o André Miranda, que chegou com um arsenal de reggae que eu não conhecia, com os dubs pesados ingleses. Daí formou o programa...

sm: Você lembra certinho quando foi que o programa entrou no ar?

NM: Cara, eu tenho todos os meus programas anotados num caderninho... Deve ter sido lá pra fevereiro de 86...

sm: Então foi antes do “Selvagem?” dos Paralamas. É isso que eu queria saber... Foi antes? Porque eu acho que esse disco foi o grande momento da chegada dessa onda caribenha ao pop brasileiro.

NM: Eu lembro que eu fiz duas festas de reggae no Crepúsculo de Cubatão, quando eu comecei com o programa. Numa desssas, que foi um sucesso, foi o pessoal do Biquíni Cavadão, que estava estourando na época, o Bruno (Gouveia) foi lá, e nessa também foi o Bi, que eu já conhecia de um tempo atrás. E ele veio dizendo: “Pô, bicho, você fez o nosso sonho, você foi na Jamaica antes da gente! Como é que é lá? tanan nan...” Porque os Paralamas tinham todo um perfume jamaicano, mas nunca tinham ido lá.

sm: Um perfume que vinha via Inglaterra...

NM: Lógico, via Inglaterra. O mesmo em que eu engatei. Bem, eu engatei ouvindo disco aqui, mas quando eu fui lá, fiquei em Brixton, vi os dreads de verdade, no dia-a-dia... Daí, você: “Ahh... ahhh..” vai entendendo qual é. Faz toda a diferença. Eu lembro que naquela minha viagem pro nordeste, fomos de carro, e antes do carnaval a gente estava na Bahia, nós ficamos numa pousada descolada e tinha um garotão meio doidão, que tocava violão e começou a tocar umas coisas dele, do Gil, dos Novos Baianos... Foi ali, com aquele cara que toda a coisa daquela música da Bahia começou a fazer sentido também pra mim. As fichas caem se você entende da onde surgiu a essência. O Mangue Bit você só vai entender quando você puser o pé em Recife...

sm: É, eu fiz essa viagem ano passado...

NM: É... então, eu tive a sorte de ter visto o dancehall, a explosão do “Sleng Teng”em 85, eu vi presente, todo o show do Sleng Teng eu vi lá. Foi o primeiro ritmo eletrônico na Jamaica. Por eu ter visto aquilo, toda essa onda dancehall computadorizada faz sentido. Eu vi isso nascendo, vi os jamaicanos pirando naquela coisa. Não é esse negócio de “Pô, que reggae estranho...”. Talvez se eu não tivesse tido essa experiência in loco, eu resistiria contra essa nova onda do reggae. Quando eu vi o Cidade Negra tocando no Reggae-NEC, ainda com o nome de Lumiar, eu pirei. Chamei eles pra gente trabalhar junto: “Vocês são muito bons, eu já tive banda, posso dar uns toques pra vocês ensaiarem...” Porque eu senti que o que faltava ali era organização. Daí eu comecei a ensaiar com eles em Botafogo. Banquei umas horas de gravação, eles tocaram tudo que eles tinham. Guardo essa fita até hoje, passei até pra computador! Tudo fresco, da época. Comecei a ver as músicas novas, ensinar a finar guitarra: “afina assim, oh...” Falava: “Vamos fazer um arranjo... tá errado, vamos repetir...” Aí tinha um que estava numa harmonia, o outro estava em outra... Coisas básicas. Eu, como já tinha passado por duas bandas, já sabia.

sm : Os caras não tinham nenhuma noção?

NM: Zero notion. Pra você ter uma idéia, o Da Gama tocava com uma guitarra que foi construída pelo Dida, do KMD-5.

sm: Eu tenho em arquivo a primeira matéria do Cidade Negra que saiu por ocasião do lançamento do disco no O Globo, em que se falava que eles iam sair e fazer os primeiros shows maiores, e tal, e o Da Gama dizia “A gente precisa sair dessa miséria”. Acho que era meio isso que você tá falando...

NM: Totalmente. Foi nessa época que eu fui pela primeira vez à Baixada, peguei um ônibus da Central até Belford Roxo. Uma viagem como se eu tivesse indo pra Jamaica de novo e isso me bateu muito forte. Foi importante pra caralho!

sm: Nesses anos, você ficou focado no Cidade Negra, é isso?

NM: O programa acabou em 87, a gente começou a ensaiar em 86 e fui até 92.

sm: Até o segundo disco...

NM: Exatamente. Produzi os dois. E aí quando chegou no segundo disco, entra o meu outro disco da vida, da década de 90, que é o “BloodSugarSexMagik”, do Chilli Peppers. Quando eu fui pro Cidade Negra, eu abdiquei de tocar baixo depois de ver o Bino. Era ele quem tocava com o meu baixo. Eu nunca imaginei que eu ia ser produtor. Só aconteceu porque eu vi vários conjuntos na Jamaica, ruins, bons e excelentes e, depois, eu vi os caras aqui e sabia que eles eram bons. Aí eu comecei.

sm: Como rolou essa cena reggae no Rio até o inicio da década de 90? Porque o reggae só vira música pop no Brasil com o primeiro disco do Cidade Negra, certo? Então, como foi o final dessa década?

NM: É isso ai, mas tem a ver com a chegada da MTV também. O programa parou em 87. 88 e 89 foi Reggae-Nec e Circo Voador e eu conheci o (jornalista) Otávio Rodrigues, em São Paulo. Ele agitava lá, os shows no Aeroanta. Na verdade, ele tinha um programa de reggae antes de mim.

sm: Ele é o Nélson Meirelles, de São Paulo (risos)

NM: É, só que mais organizado (risos). Ele foi um ano antes de mim pra Jamaica, em 1984. Só que ele não viu o Sleng Teng que eu vi. Em 85, na Band FM, ele começou o programa dele e depois a gente nós nos conhecemos através de uma amiga em comum. Eu disse que trabalhava com uma banda de reggae, ele curtiu. Viramos brothers e logo arrumamos de tocar com o Cidade lá. Isso era 1988. O nome Cidade Negra só surgiu em 1989, um pouco antes de entrarmos pra gravar o disco, porque surgiu outra banda com o nome de Lumiar... Na cena já tinha o Dom Luiz Rasta, o Jair Soares, baterista, que já tinha gravado um disco com o Edson Gomes – o Edson veio antes, na Bahia, Foi inclusive lançado pela EMI –, tinha o Lazzo, da Bahia, também. Então, esses caras são os precursores.

sm: Isso é engraçado, né. Porque quando o Cidade gravou, no início dos anos 90, havia duas apostas para a renovação criativa cultural da música brasileira: a dance music, com a Fernanda Abreu, o Que fim levou Robin?, e o reggae...

NM: hahah! Essa é a pergunta, que fim levou o Que Fim levou Robin?, hahah!

sm: É, exatamente. Fora isso tinha a segunda aposta que era desses blocos de afoxés, Olodum, o tal do samba-reggae. O Lazzo também fazia parte dessa onda... Como é que essa história se relacionava com vocês aqui?

NM: Pois é, nos anos 80, o movimento negro, como força política e de visibilidade, era uma coisa muito forte. Até hoje, eu vejo, por exemplo, com o Cristiano, do Digital Dubs. A mãe dele estava ligada nisso naquela época e por isso ele já conhece esses caras todos, porque ele acompanhou. Reggae já era a ala mais progressita desse pessoal. Foi aí que eu conheci o Olodum, o João Jorge, que é o cabeça do Olodum! De repente eu me vi no meio da negrada! Januário Garcia, que era o cara do Instituto de Pesquisa e Cultura Negra, uma sumidade no assunto. No meu programa de reggae, eu chamava esses caras pra fazer entrevista! Falar sobre apartheid, sobre cultura negra...

sm: Mas você não chegou a ir na Bahia, a ter uma relação mais clara, teve?

NM: Fui. A primeira vez que o Cidade Negra entrou num avião foi pra fazer um show em Salvador, num lance que a gente organizou com os caras do movimento lá. Ainda Lumiar. Aí eu conheci o Gilberto Gil, vereador na Bahia. Era uma reunião pequena, só dos rastas da Bahia com o Gil vestido num terninho, saindo da Câmara Municipal, falando sobre reggae, sobre não-sei-o-quê, e nós lá. Primeira viagem!

sm: E o que você sentia musicalmente a respeito daqueles blocos negros baianos que eram apontados como a grande coisa que viria para a música popular brasileira?

NM: A primeira vez que eu ouvi falar do Olodum foi, de novo, com o Sérgio Mekler, que já era bem amigo do Hermano Vianna, como são até hoje. Essa dobradinha trazia muita novidade. Eles me falaram de um grupo na Bahia... A primeira vez que eu vi Olodum, eu pirei. Aquele primeiro disco é sensacional, um disco branco com uma casa do Pelorinho e um arco-íris passando. É só percussão. E ouvir só percussão é como ler um livro: você vai montando as imagens na cabeça, é quase uma obra em aberto. Só a voz e a percussão sem harmonia. Tanto que depois, quando eles viraram banda, embregou. Deu uma cristalizada num a direção brega.

sm: E foi uma grande decepção, não foi?

NM: Foi, foi.

sm: Até os textos que se tem dessa época, o apontavam como a grande aposta para a década de 90...

NM: Era uma coisa sensacional! Por isso que é bacana ir lá na fonte primária e analisar. Porque, hoje em dia, quem vê certas coisas...Tipo, o Mekler também me falou de LL Cool J pela primeira vez. Naquela época, fazer um disco todo sozinho, programado, radical, era algo espantoso. Como foi o Olodum, um grupo que só toca percussão e canta! Era radical demais! Hoje em dia, é só bobo. Nem sei mais o que é Olodum! Já sumiu do mapa... E deve ter sido... eu fico imaginando como foi quando apareceu o Jimi Hendrix. Eu falo com as pessoas mais velhas... uma loucura. Quando a gente foi a Bahia, o Olodum estava bombado, tinha lançado disco...

sm: E você teve contato com o pessoal do Olodum?

NM: Tive. Nós fomos lá, conhecemos o Neguinho do Reggae, o João Jorge, eles receberam a gente...

sm: E qual a referência de reggae que esse pessoal tinha?

NM: Não sei te dizer... Porque baiano é marrento pra caralho, né... Neguinho do Samba é marrento a dar com o pau! Nesse ponto ele é bem jamaicano. Aquela coisa de você não pergunta muito. É só “e aí brother, qual é.. panan nan, tamo aí”, você absorve aquela onda toda em volta de você, mas não fica perguntando muito. O papo ali nem era muito musical. Eu conheci muito o João Jorge, o cara que fundou o Olodum, e o papo dele era muito político, de ganhar visibilidade da negritude... Era por aí. Então a minha conversa era mais sobre o discurso do que sobre a musicalidade.

sm: E você acha que essa aproximação deles com o reggae vinha pelo discurso ou pela coisa musical?

NM: Não, eu acho que esse ovo-de-colombo, que eu considero um ovo-de-colombo esse lance do samba-reggae, foi um casamento do lado político e ideológico dessa coisa que foi se formando. Da resistência do Pelourinho, que foi se organizando como comunidade, ficando forte contra a opressão, o desleixo e o descaso que sofria, e a coisa genial do Neguinho do Samba, que foi inventar aquela batida e chamar de samba-reggae. Foi genial. Ele botou o ovo em pé. É o que a gente chama de ground-breaking. Coisas que dali pra frente é diferente. E o samba-reggae foi assim. Depois veio o axé, teve o estouro do Luiz Caldas e daquela Reflexus, daquela música “Sené Sené Sené, Sené Senegal...” Isso era foda. Essa banda vendeu pra caralho! Lembro do Rás Bernardo subindo no trio, no ensaio do Olodum, na terça-feira. O pessoal lá dizendo: “Não, quem vem aqui tem que subir e cantar!” E ele tentando cantar “Armaram e se deram bem, nem querem saber de ninguém...” (ne: música “Não capazes”, do primeiro disco do Cidade Negra), e atrás o (imitando o som dos tambores) tudun, tudun, dum dum tidac tida dumdum... e ele lá (risos), sem muita experiência. E aí foi isso. Daí aconteceu de, finalmente, o Cidade gravar um disco. Vinha acontecendo a cena no NEC, depois aconteceu de eu linkar com o Otávio em São Paulo...

sm: E a galera do Rio de Janeiro reconhecia no Cidade Negra o principal nome da cena ou era tão tosco que não existia isso?

NM: Não, não existia isso.

sm: Foi por acaso, quase...

NM: Não, aí eu posso te dizer que, sem querer soar pernóstico, a minha chegada neles ajudou a formatar.

sm: Por que o KMD-5, por exemplo, não foi pra frente?

NM: Pois é... Eu agulhava os caras. Era meio sargentão. Afina isso, toca assim, vamos ensaiar até ficar bom, depois até ficar melhor... Isso foi diferenciando. E eu achava, de todos, o mais talentoso. E o Bino era muito diferencial. Ele tocando era e, pra mim, até hoje é um diferencial, puta baixista. Eu banquei uma fita demo num estúdio de 16 canais, que fez diferença. E eu conhecia gente do meio musical, pela rádio, por ter tocado, a minha mulher é prima do Frejat, a mãe do Frejat é irmã do meu sogro. Então se vai conhecendo, conhecia o Hermano, os Paralamas... Eu peguei essa fita que eu banquei e saí mostrando em gravadoras.

sm: A BBC esteve aqui gravando um “Rough Guide” na Baixada e que foi onde começou um burburinho em torno do Cidade Negra, não foi? Quando foi isso e como?

NM: Início de 89. Eles chegaram para falar com o Legião e com os Paralamas, mas também queriam ver algo diferente. Acho que talvez o próprio Hermano tenha dado o toque, ou o pessoal dos Paralamas... Naquela época, saiu um lance da ONU ranqueando Belford Roxo como o lugar mais violento do mundo pela alta taxa de criminalidade que tinha. Na verdade não era lá. O pessoal é que matava e levava pra desovar. Lá também se matava muito, mas não era assim. Ainda hoje é meio roça. De noite lá é grilinho cantando e o coro comendo! Nessa, os caras vieram. O pessoal já sabia da gente, porque eu fiz um release, banquei a gravação, uma sessão de fotos... Talvez o próprio Hermano tenha falado.

sm: E o Bino, você sabe da onde ele aprendeu a tocar? Era só força interior?

NM: A família dele é toda de músicos, né... O pai era músico da igreja e todos os irmãos viraram músicos. O Lauro, do Rappa, o Tácio, que tocou no Negril e com o Rás Bernardo...e o mais velho deles é o que todo mundo diz que é o grande músico, mas não virou profissional. Só que eu nunca o ouvi tocar.

sm : Eu não sei como foi esse lance na época, porque eu tinha 8 anos de idade. Eu comecei a me ligar em música, prestar atenção em rádio, lá para 1995, quando eu tinha uns 13 anos e, até por isso, eu ouvi Skank antes de ouvir Bob Marley. Então, eu já peguei um reggae mais influenciado pelo ragga, pelo dancehall.... mas o primeiro disco do Cidade Negra....

NM: Pô, o primeiro disco do Skank também foi foda. Eu botava muita fé que aquilo pudesse desenvolver o caminho de um dancehall brasileiro, como eu acho que foi... Até o Otávio Rodrigues fez vários shows deles no Aeroanta. E hoje em dia quando eu olho, eu acho que é uma puta banda pop. Realmente o cara tem o dom de fazer uma música que as pessoas saem assoviando. Hitmaker, impressionante. Mas perdeu o viés que eu gostava muito.

sm: Sei qual é. Mas na verdade, eu acho que o caminho que o Skank acabou trilhando era o caminho mais correto deles. A história do dancehall me parece ter sido a coisa daquele momento, mas se olharmos a formação da banda, as principais influências, acho que hoje eles estão muito mais perto disso do que na época do dancehall... Até pelas coisas que eles diziam em entrevista, eu ficava frustrado com os discos porque sempre achava que eles iriam por um caminho que só começou de fato no “Maquinarama”...

NM: É, talvez sim...

sm: Mas então, a minha primeira impressão de reggae já foi mais processada e industrializada, logo eu não sei qual era dessa época do início do reggae no Brasil. Quando eu ouço o primeiro disco do Cidade Negra, eu acho de uma pobreza de letra, de temática, que é quase constrangedor se pensar o início de um discurso reggae naquela coisa de “mãe natureza”, e tal. Era cru demais pra se pensar em termos de mercado e de potencialização de movimento. O que você...

NM: E paradoxalmente, aquilo foi veiculado, na época, pela gravadora maior (CBS, que, depois, foi comprada pela SonyMusic) e mais careta e bombou via MTV. Quando fiz a fita de 16 canais, eu saí atrás pra ver a gravadora. Fui na Warner, na EMI, na Polygram, não arrumei nada. Pouco antes, eu tinha feito um artigo em inglês para uma revista de Miami, chamada “Reggae report”. Pintou a chance e eu mandei. Os caras, amarradões, publicaram, na íntegra, e eu dando um balanço de tudo que rolava minimamente no Brasil. O lance do Rio, com KMD-5, Lumiar, Dom Luís, falei do Repolho, que tinha um lance solo na época, Luiz Wagner, em São Paulo e no Sul, Nômades... fui listando e contando. Deu uma página inteira, com uma foto do Cidade Negra. Coincidentemente, nessa época, a CBS era gravadora do Roberto Carlos e do Fábio Jr., e eu nem quis saber de iri lá. Mas aí o cara que cuidava lá, era meu amigo, o Ricardo Barreto, antigo guitarrista da Blitz, e tinha um grande amigo que era o Bernardo Vilhena. O Vilhena estava muito colado com o diretor artístico na época, e soube que a CBS estava afim de dar um upgrade, fazer um lance novo, estava começando uma nova década, queriam tirar esse estigma da CBS de que era muito careta, romântico. E na década de 80, eles não tinham pegado nada da onda do rock. O máximo que eles pegaram foi o Inimigos do Rei. Eles queriam pegar uma onda jovem e sentiram que tinham perdido o bonde no meio dos anos 80. Daí, via Ricardo Barreto, o Vilhena soube que tinha uma banda de reggae da Baixada, um puta visual. O Bernardo Vilhena pediu o material pra levar na CBS. Levou as coisas que eu tinha feito, a fita, o release, as fotos, mostrou pro cara. Quando ele viu as fotos dos caras de dread lock: “porra! Não sabia que tinha isso no Brasil não!” E falou pra gente ir lá pra conversar. E dias antes dessa conversa, eu soube que tinha saído o meu artigo nessa revista de Miami. É bom lembrar que, nessa época, as coisas era lentas! No dia da conversa, eu soube de manhã que tinha saído o artigo, através de um amigo meu, que era presidente do fã clube Bob Marley, lá da Baixada, um negão super... O cara trabalhava na contabilidade da Varig, ia pra Jamaica várias vezes, me deu dica quando eu fui, e era assinante dessas revistas todas de reggae lá dos EUA. Ele me disse que tinha saído e eu falei: “Bicho, tenho uma reunião na gravadora. Quero pegar essa revista agora!” Ele trabalhava no escritório da Varig perto do Aeroporto Santos Dumont, eu passei lá, peguei a revista já com os caras da banda no meu carro, indo pra reunião. Peguei a revista original, cheguei na CBS, aquele papo de “gostamos muito, interessante, pá pá pá”, aí no meio da reunião eu mostrei: “Oh, inclusive saiu esse artigo falando da gente, escrito por mim” e em inglês! E isso na cabeça de um executivo de uma gravadora, americana... Imagina a cabeça desse cara: “Esses neguinho aqui, de Belford Roxo, já estão sendo publicados em Miami e eu tô deixando vazar...não posso!” . Ele fez assim: (cara de impressionado) “Ô fulana, tira umas cópias disso aqui pra mim”. Era o Sérgio Lopes, que hoje tá morando em Miami. Eu acho que foi por esse esmero que o Cidade Negra conseguiu emplacar e os outros não. Fui eu que agreguei isso e ajudei a formatar.

sm: Então, voltando ao primeiro disco... Você tinha essa sensação que eu tenho hoje, sobre ser muito cru...

NM: Era, era meio tosco sim. Mas eu acho não se pode julgar o impacto que a banda causou só ouvindo o disco hoje em dia. Tem coisas que acabam datadas. Eu, pessoalmente, até gosto mais do segundo disco do que do primeiro. É mais ousado, mais radical, tanto que levou eles pro buraco (risos). Mas o que pancou foi ver os caras, o visual, os shows, porque ali, até por inexperiência minha, era difícil transpor toda a força do reggae pra um disco. Nós gravamos na Som Livre, com técnicos de Som Livre. Eu tinha que convencer os caras a fazer as coisas. Aí tanto é que o cara da CBS me perguntou: “mas vem cá, quem vai produzir isso?” Eu falei: “se for botar na mão de um Mazola da vida, os caras não vão entender nada disso, vai virar um pastiche, não vai dar em nada. Deixa comigo”. “Ah, mas você é produtor?” Não, mas eu sou...hahha! Convenci o cara de que eu tinha que produzir um disco. Então foi tudo uma novidade, vôo cego. Primeira vez que eu produzi um disco.

sm: E sua referencia era só o ouvido e os discos que você tinha escutado...

NM: Só. Até então eu só tinha gravado um compacto, com o Rapazes. Então aquilo foi o inicio de um lance que a gente tentou radicalizar no segundo disco do Cidade, que foi onde conseguimos chegar mais perto do Black Uhuru original.

sm: Esse segundo álbum (“Negro no poder” foi um disco que assustou um pouco, né?

NM: Assustou beeeem..

sm: Mas pra terminar, no primeiro a banda não estourou de cara. Demorou um pouco pra “Falar a verdade” acontecer, não foi?

NM: É, o grande lance foi a MTV chegando aqui e ela bancando os clipes. Hoje em dia você tem que bancar. E o Cidade Negra foi um desses clipes que eles escolheram fazer. Porque eles viram que o potencial visual, os recursos, a diversidade que aquilo estava trazendo era incrível. Eles bancaram “Falar a verdade”. Teve também o lance de a MTV ter ficado em sinal aberto no Rio de Janeiro durante 6 meses!! Isso fez toda a diferença. Enquanto São Paulo estava engatinhando, o Rio já estava lá na frente. Tanto que no Rock’n Rio II já veio o Deee-Lite, que era a banda MTV, a banda visual. A gente deu essa certa.

sm: Mas e aí o que rolou naquela época? Os festivais de verão, onde o CN bombou... que mais?

NM: A gente apareceu, ganhou visibilidade, tocamos no Brasil, fomos pro Sul e isso foi importante pra banda e pessoalmente pra mim, por que aquilo acabou sendo bom pro Rappa mais tarde. Aí a gente pilhou, o primeiro disco foi light, vamos arregaçar no segundo! E a gente arregaçou demais.

sm: Mas você acha que arregaçaram demais mesmo? Hoje você acha?

NM: Acho, acho sim....

sm: Você faria diferente?

NM: Não, eu faria mais... hahaha! Tinha que ser arregaçado mesmo. Eu fico feliz de ter feito aquele disco arregaçado. Pra eles quase foi a morte.

sm: O próprio nome “Negro no poder” foi complicado, teve gente dizendo que não ia tocar um disco com aquele nome, não foi?

NM: É, foi... Mas eu acho que a gente saiu com a música errada. A gente fez um disco tributo ao Raul Seixas, uma versão de “Mosca na sopa”, que talvez se tivesse saído com ela, tivesse sido um pouco diferente. Eu tenho a gravação em vídeo do cara nos shows do Hollywood Rock de 92. Aí você ia ver o que era o Cidade Negra power!!! A música “Negro no Poder”, com o Barreto tocando guitarra e o Alex tocando teclado. E os naipes também. Aquilo pra mim foi o auge.

sm: E esse upgrade de estrutura não foi complicado? Você disse que até um pouco antes de gravarem, eles não sabiam nem organizar a bagunça deles, daí põe-se mais quatro caras num palco...

NM: A gente foi por um referencial que depois ficou consagrado como padrão The Wailers, né... a coisa do naipe, a gente foi muito por aí. Era um padrão de um reggae standart internacional, tipo Steel Pulse, Third World , The Wailers, e tal... E o segundo disco foi mais guitarra. De uma certa maneira, o segundo disco do Cidade Negra é um pré-pré Rappa. E foi durante esse segundo disco que eu ouvi Chili Peppers.

sm: É, mas nesse segundo disco ainda não dá pra sentir, por exemplo, a presença do raggmuffin...

NM: Do ragga não, mas já tem as distorções de guitarra. Tem aquela música “Sai-Lário”, que eu adoro, a guitarra num quén-du-quén e é bem pesado. Acho que aquele disco, artisticamente, foi um bom passo adiante em relação ao primeiro. Mas em termos de carreira, foi um fiasco. Eles iam pro buraco.

sm: A expectativa da gravadora era qual e qual foi o resultado?

NM: O primeiro disco vendeu umas 20 mil cópias, o segundo talvez não tenha chegado nem a 10 mil. Com certeza não chegou.

sm: Mas e a gravadora quando ouviu, achou o quê?

NM: Eles não entendiam muito, cara... (risos) O reggae era uma coisa tão surreal pra neguinho, que você só dizia: “oh, é isso aqui ó”. E o que aconteceu? Nós entregamos aquele disco, mixamos rápido, porque a gente tinha que ir a França tocar num festival abrindo para o Steel Pulse. Como é que os caras iam dizer que a gente estava errado? Meu último show que eu marquei para o Cidade, como empresário, foi na França abrindo pra o Steel Pulse.

sm: Foi a primeira vez que eles tocaram fora do Brasil? Como é que foi?

NM: Foi. E foi do caralho. Foi em maio de 92, num festival tradicional de cidade pequena, tipo um Oktobeer Fest, que se chama “Printemps de Bourges”. Pintou o convite e, naquela noite, naquele teatro, era só Steel Pulse e Cidade Negra. Foi muito bom, sensacional. Só francês, no interior do país, lotado. Nenhum brasileiro. Foi um dos momentos mágicos que eu vivi com o Cidade Negra. Depois daquilo eu já estava querendo parar de ser empresário. Eu saí oferecendo a banda pra vários empresários.

sm: E saiu por que?

NM: Porque eu enchi o saco. Depois do primeiro disco eu já tinha investido muito tempo e dinheiro naquilo. Eu estava sendo produtor musical e executivo. E a própria relação, entra-dinheiro, sai-dinheiro, já é um saco. Então eu quis dar um passo atrás e falar com eles só de música. Fazer repertório de show, escolher as músicas, que era um lance que eu já fazia desde o início. Eu abri mão...

sm: Mas o segundo disco você ainda negociou?
NM: É, mas a empresário já era a Leninha (Brandão). A negociação pra entrar em estúdio fui eu, mas logo que saímos em turnê já era ela. Esse disco tem coisas legais pra caralho, tipo a versão de “Zumbi” do Jorge Ben. Então, mas voltando, isso foi em maio. Logo depois, em junho, julho, nós voltamos pra Jamaica. Imagina a minha felicidade, sete anos depois voltando lá. Eu tinha um sonho de que eu ia voltar lá ou tocando... mas voltar com o Cidade era quase como voltar tocando. Eu sabia cada nota, cada vírgula daquele show. Daí nós tocamos em Miami com o Ziggy Marley, no festival no Bicentennial Park, fizemos o Sunsplash, fizemos Nova York, SOBs, que foi arrasador, depois fomos pra Boston. A Bebel Gilberto foi nesse show do SOBs... Mas aí eu já estava meio com saudade de voltar a tocar, ouvindo muito o disco do Chili Peppers... Aquele disco bateu. Ficava pensando que tinha muito tempo que eu não tocava numa banda, e começou a me dar uma cosquinha de querer pegar o baixo de novo. Aquilo tinha virado um business muito power, de ser empresário, não-sei-o-quê... Eu sentia que a minha função ali já tinha sido meio encerrada. Eu saí e logo depois começou a ter o stress do Rás com eles... Eu estava quando começou a ter, participei de algumas reuniões, tentando aglutinar... Acho que depois que saí, as aglutinações que eu fazia foram diluídas...

sm: E o que você achou quando soube que ia entrar o Tony?

NM: Eu acho que virou outra banda.

sm: Não, mas eu quero saber o que você achou antes de eles gravarem. Quando você soube que ia entrar aquele cara, que tinha sido vocalista da Banda Bel...

NM: É, eu conhecia da Banda Bel e tal... Mas o curioso é que eu estava ensaiando com o Rappa no mesmo estúdio em Santa Tereza...

sm: O Mills?

NM: O estúdio do Emílio! Você é músico?

BM: Toco guitarra, já tive banda... toco com uma galera aí, mas já levei mais a sério. Hoje não é tanto, mas quem sabe...

NM: É, cara. Nunca se sabe o dia de amanhã. Eu já larguei a música várias vezes. Cada uma dessas fases... Já larguei de não fazer nada mesmo com música. Tinha tido a banda, acabou. Aí o programa de rádio me levou de novo pra música. Aí abandonei de novo. Essa porra só me apurrinha, perdi dinheiro... Sabe, tem hora que você vê só pelo lado do copo vazio e não do copo que tá cheio...

sm: E aí nessa veio a idéia de montar o Rappa?

NM: Não, não... O que rolou foi o evento do Papa Winnie, que veio tocar no Brasil. Na verdade, eu ainda fiquei um ano viajando com o Cidade, sem ser empresário, de 92 até 93. Mas estava ganhando uma merreca ali, a coisa não evoluía... Tem hora que me dá uma falta de ânimo. Mas aí nesse ínterim, pintou a vinda do Papa Winnie que estava com um estouro na rádio. O cara que trouxe me conhecia lá da Sony. Ele já tinha saído da gravadora, mas me conhecia. Ele falou pra mim que sabia que eu era produtor de banda de reggae, da única que tinha (risos), e que o Papa Winnie estava vindo sem banda. Até tinha o Lazzo Matumbe, o Edson Gomes, mas era setorizado na Bahia. Dread lock e reggae em cadeia nacional, só o Cidade Negra. Não considero nem a trancinha do Djavan e do Gil como dread lock. O primeiro foi o Cidade Negra e o Rás Bernardo. Daí o cara perguntou se eu não montava uma banda, e eu falei que montava. E nessa historia de montar uma banda, eu me liguei que era a hora de voltar a tocar. Falei pro cara “oh, vou te economizar uma grana. Em vez de você me pagar uma grana como produtor e o de músico, tu me paga só um de músico que é nós”. Ele perguntou: “Ah, você toca também?”. As pessoas não sabiam que eu tocava. Só quem me conhecia do tempo do Rapazes de Vida Fácil, o que era pouca gente. Com isso, pintou a chance de trabalhar com o Yuka. A gente ficava sempre se namorando, namorando, mas... E ele e eu estávamos numa mesma posição porque os dois éramos de fora da Baixada e nos encontramos lá. Depois ele largou o KMD-5, eu saí do Cidade. A gente tinha outras referências musicais, estávamos ligados em Bill Laswell, o selo Celluloid, entendeu? Umas coisas mais avant guard e sabíamos que com a galera da Baixada não era esse o papo que tinha que rolar. Eu quase que produzi uma banda do Yuka, que era o Conexão Xangô, ele me convidou pra produzir e eu cheguei a pensar sobre isso, mas logo veio o convite do Papa Winnie.... Aí eu falei, “Yuka, vamo lá cara, fazer essa banda de reggae. Vai rolar uma gig maneira, eu vou tocar também”. Ele mandou: “você vai tocar também?” (risos!). Eu disse “Vou. Quem que a gente chama?”. Aí começou. “vamo chamar o Lobatinho, que toca teclado no África Gumbe, ele tem suíngue, segura legal.”, o outro “tem o Claudinho, do Conexão Xangô”, e eu conhecia o Claudinho que era irmão da Batatinha, que namorou o Bi durante anos! Eu dei o toque no Lobatinho, que eu conhecia dessa onda de reggae e misturava um pouco dessa música africana também. Os irmãos Lobato. E o Lobatão, o Marcos, ficou no meu lugar no Fausto Fawcett. Quando eu pedi minhas contas lá, foi essa galera que tocava com o Fábio Fonseca que entrou no meu lugar. O Marcos, o Lobatinho e o Pedrinho – que hoje toca guitarra no acústico do Rappa – formavam a banda do Fábio Fonseca, que gravava lá no Liminha, que aí botou eles na época em que o Liminha estava querendo limar todo mundo e só ficar com o Fausto. Aí eu saí fora. Enfim. Aí a gente montou essa banda. Eu, Yuka, Lobatinho, Claudinho, e tinha que ter um backing vocal e surgiu a menina, a Carla, que cantou, uma negona linda.

sm: E você gostava de Papa Winnie?

NM: Cara, foi demais. Eu conhecia a música que tocava no rádio. Mas ele foi mó história. Foram 10 shows. Duas séries de 3 shows em Curitiba. E eu voltei tocando no Aeroanta de Curitiba, onde eu tinha ido como empresário com o Cidade Negra. O pessoal da casa lá não entendeu nada. “Pô, você toca também?”. A estréia foi em Curitiba, em 93. A última vez que eu tinha tocado tinha sido em 86 ou 87.

sm: Mas você tocava em casa ainda, né, brincava...

NM: Nada, cara. Parei totalmente. Quando eu paro, eu largo mesmo. Tô te falando. Esqueço.

sm: Você tinha dado o baixo pro Bino, não foi?

NM: É, muito antes. Aí eu comprei outro baixo.

sm: Nem pegou de volta?

NM: É... tenho que resgatar um dia. Mas nem posso reclamar porque o baixo que eu tenho hoje foi o Bino que comprou, depois passou pro Lauro e o Lauro deixou na minha. (risos). Então, esses shows foram do caralho. Rio, São Paulo, Campinas, Curitiba... E em Curitiba a gente virou Michael Jackson. Quinta, sexta e sábado e tanto sucesso que a gente voltou e fez, de novo, quinta, sexta e sábado!! Tudo lotado. A gente entrou num shopping, na segunda passagem pela cidade, e quando nos viram entrando, começou a tocar a música do Papa Winnie no som. A gente estava ouvindo, se ligando que não era o arranjo original. Quando nos ligamos, era o nosso! Nego gravou, copiou e tava tocando no shopping!!!

sm: E o Papa Winnie gostou?

NM: Pô, adorou. Foi mó onda pra ele. Foi fundamental. E adorou a Carla também, ficou namorando com ela. Ficou com saudade de uma negona. Lá ele era casado com uma loira. “Só tem loira na Itália. African Girl!”. Quando acabou, a gente se olhou e falamos: “Pô, e agora? Vamos desfazer isso? Não pode”. O Yuka trouxe ainda o cantor do Conexão Xangô, um negão, dread, Paulo Gentil, mas não rolou... Eu virei pro Yuka, que era o cara que eu realmente tinha grande intimidade, e falei: “Pô, tu acha que o Paulo Gentil é o cara? Não é, né... Se a gente quer alguma coisa, temos que correr atrás.” Daí que veio a história do jornal, porque eu me lembrei como eu entrei no Rapazes de Vida Fácil e como o Page entrou no Led Zeppelin...

sm: É, na verdade foi o Robert Plant, que entrou por jornal, né...

NM: É, então foi. Eu falei:”Bicho, quer ver um lance que dá certo: anúncio no jornal”. Liguei pro Calbuque e daí... o resto...

*********************
Continua na próxima semana...

2 Opine:

At 20:32, Anonymous Raul Mourão said...

Du caraca a entrevista c NelsnonM.!!!
Abs

rm

 
At 16:34, Anonymous Anônimo said...

Esse ai de cima é demais!!!
Um ser humano sensacional, sem estrelismos.
Muito boa a entrevista!!!

 

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