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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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6.10.06

Nas Lojas Americanas (1)

fonte: GoogleImage

As lojas especializada em vendas de disco estão acabando, certo? A crise na indústria fonográfica é a principal responsável por isso, não é? Eu sei, a crise atrapalhou também, em muito, a renovação da música brasileira. Mas esses vetores somados possibilitaram um outro fenômeno que há 10 anos seria impensável: a rede Lojas Americanas é fundamental na perpetuação do acervo fonográfico brasileiro.

Explico-me. Com o relançamento de tantos discos em catálogo por parte das gravadoras e com a impossibilidade de sobreviver no mercado só vendendo discos a R$30,00, as Lojas Americanas estimularam as majors a investir, ao máximo, na reabertura de seus catálogos. Se o projeto do Charles Gavin de recuperação de álbuns históricos está andando, muito se deve ao espaço que essa rede, importantíssima no mercado de varejo brasileiro, deu a opção do consumidor de continuar comprando música por um preço razoável. Os discos que o Gavin relança nem todos estão lá, mas esse interesse das Lojas Americanas por materiais que estavam no arquivo, faz com que, aos olhos das gravadoras, apoiar este projeto faça mais sentido.

Começou, na verdade, em 2002. Inicialmente, a Sony relançou alguns títulos, que estavam saindo de evidência, por R$9,90. O primeiro que eu lembro foi o Maquinarama (2000), do Skank, que rapidamente cresceu na lista de cds mais vendidos do país, mesmo não sendo mais o álbum de trabalho. O Maquinarama, eu acho, vendeu mais depois de 2002 do que antes. Lembro de certa vez, em 2004, o Fernando Furtado, empresário da banda, comentar que o disco estava vendendo super bem, mesmo com o Ao vivo MTV (2001) e o Cosmotron (2003) tendo mais destaque. Tanto que depois, esse disco ganhou até uma nova versão, com uma outra capa.

As duas versões do Maquinarama

Depois da Sony, veio a Universal. Depois, a EMI e a Warner. E assim, qualquer coisa nacional que não fosse o cd da vez, você podia ter esperança de achar baratinho. Muitos títulos foram sendo lançados aos poucos. Alguns com tiragem só de 100 exemplares, como eu já cheguei a encontrar. Mas tudo se esgotava e esse virou o principal artigo dos departamentos de cds das Lojas Americanas. Hoje, em qualquer loja da rede que você vá, você pode encontrar a gôndola com esses discos em posição de destaque. Tá certo que é tudo uma grande bagunça, mas com paciência, você acha pérolas. Ontem mesmo, por motivo de uma pesquisa, comprei toda a coleção da Cássia Eller por R$76,e-uns-quebrados. Oito cds.

Eu sei que isso implica em muitas coisas ruins, sobretudo para a renovação da cena. Investir em catálogo é matar o novo. Mas em se tratando de Brasil, esse é um mal necessário, tal qual as cotas das universidades. Nunca se teve a preocupação em manter-se a memória desse país e a nossa música padecia do mesmo mal. A coleção toda do Caetano tá lá a venda por R$10,90, cada disco. Muitos do Chico. Elis Regina com Jair Rodrigues. Maria Bethânia. Belchior. Charlie Brown Jr., Rita Lee, Jorge Ben, etc... Ainda é pouco, mas é um começo. As obras que a música popular brasileira construiu ao longo do tempo têm que estar sempre ao alcance da população que vai a loja atraída pela estrela do momento. No caso, ontem, nas Lojas Americanas de Ipanema, era o Leandro-Pato-Rôco, que ganhou a edição passada do programa Ídolos, do SBT, com méritos. Um belo cartaz dele enfeitava o saguão da loja.

Essa é a 'função social' do mainstream. As empresas, em teoria, não tem que oferecer em contrapartida social produzir riquezas, melhorar a qualidade de vida dos seus consumidores e das cidades, e blábláblá...? Pois é. A contrapartida do preço alto e do espaço grande que o mainstream tem é manter viva a história que veio antes. Nos Estados Unidos, você vê Michael Jackson, Justin Timberlake e Miles Davis em destaque numa loja. Cada um em sua proporção, inevitavelmente calculada também pelo seu momento histórico. O Brasil tem que botar o Pixinguinha pra sorrir do lado do Chico, do Leandro e, na semana que vem do Moptop.

Que aliás, fez um show de lançamento do disco impressionante, quarta à noite, na Melt. Lá, o cd era R$20,00. Mas também tá valendo.





******************

Aliás, eu queria muito ouvir o disco do Leandro-Pato-Rôco, mas ainda não tenho coragem (nem dinheiro) para comprá-lo. É uma pena que, pela forma que ele alcançou o mainstream, ele é obrigado a seguir certas normas de conduta e não tem nenhuma interferência no direcionamento da própria carreira e isso é muito ruim. Mas ele canta bem, sim, é carismático e, ao que parecia na tv, muito gente-boa. Bons pensamentos pro rapaz!

3 Opine:

At 23:47, Anonymous Mauricio said...

Eita, misturando música com cotas raciais? Não não, foge disso rapaz...

Leandro pato quem?! Nunca ouvi falar.

Moptop quarta na Melt? Foi excelente!

 
At 06:23, Blogger Fernando Furtado said...

Oi Bruno,
As duas capas de Maquinarama são, na verdade, um erro de fabricação. O Kenny Scharf liberou a foto do Cadillac apenas para o Brasil. E, para o lançamento no exterior, foi criada aquela capa com a edição das imagens internas do livreto. Com a nova tiragem, um vacilão da fábrica trocou os arquivos e colocou na roda a capa européia.
Abs,
Fernando

 
At 01:05, Blogger Bruno Maia said...

Bacana Fernando!
Obrigado pelo comentário e pela explicação. Curioso imaginar um 'errinho' desses rolando numa major. Acho engraçado que ainda tem gente que diz que os discos independentes tem um acabamento ruim, de baixa qualidade... Em alguns casos, é verdade. Mas tá aí a prova de que a faca corta dos dois lados!
Grande abraço e volte sempre!

 

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