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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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26.3.06

Graforréia Xilarmônica: um caso a ser estudado.

A necrofilia da arte é papo velho. O gostar de uma banda só porque ninguém a conhece e você pode tomá-la como sua também. Mas um grupo que junta essas duas características não deixa de ser interessante. Vamos lá, falar da Graforréia Xilarmônica.

fotos: Bruno Maia


Atualmente formado por Frank Jorge (baixo e voz), Carlo Pianta (guitarra e vocais) e Alexandre Birck (bateria), o trio gaúcho é um dos grupos mais cultuados do rock brasileiro sem que se saiba ao certo a razão disso. Não, eles nunca foram super-astros de vender milhões. Sim, eles já lançaram disco com apoio de grande gravadora, mas que ninguém comprou. Não, eles não fazem milhões de shows por ano, como um Carbona da vida. Sim, eles têm quase vinte anos de carreira. Definitivamente, é um fenômeno esquisito.

A única certeza sobre esses gáuchos é que a música deles é muito mais interessante do que a média do rock nacional. Ponto.

Antes da banda, os irmãos Alexandre e Marcelo Birck e Frank Jorge já eram vizinhos de casa. “O Marcelo e o Alexandre eram vizinhos de cama”, frisa Frank, aos risos. Refutando em parte a idéia de que o grupo se formou da divisão de várias outras bandas, Alexandre Birck explica que se tratava de “uma zoação de rua, que virou um time de futebol, que virou uma banda. Era tudo muito natural”. Essa intimidade pueril é a chave para se entender o humor que as letras do grupo trazem. A zoação interminável e a quantidade de piadas internas impedem qualquer malandro de acompanhar o raciocínio deles e não sentir que está sendo zoado sem saber. Enquanto um fala, os outros dois riem. Da formação atual, só Alexandre Birck é remanescente da formação original, que nem chegou a fazer um show. “Mas foi de vital importância, pois foi de lá que veio o nome decidido por uma votação, onde cada um escolhia uma palavra aleatória. Depois nós votavamos entre as que tinham sido propostas. Lembro que deu empate entre Graforréia e Xilarmônica. Eu não lembro em qual eu votei”, conta o baterista.

Você já deve ter ouvido a história de uma banda de amigos que começam a tocar, gravam uma fita, as pessoas começam a gostar, a quantidade de shows começa a aumentar.... Pára! Parou aqui. No caso deles, é QUASE isso. “A gente fazia um, dois shows por ano no início”, conta Pianta. “E depois que lançaram a fita-demo?”, pergunta o repórter já imaginando aquela resposta. “Depois? Depois continuou igual”, responde o guitarrista como uma sinceridade absurda. Depois da fita – tudo bem – as músicas se espalharam e as pessoas começaram a cantá-las nas apresentações. “Eu não sei por que cargas d’água, mas desde o primeiro, os nossos show estavam sempre cheios”, lembra Pianta. A química acontecia, mas os shows continuavam esporádicos. Com outras prioridades individuais, a banda alternava um certo culto underground com um quê de mambembe. Um integrante saía, outro entrava, a banda acabava, ficavam dois anos parados, depois os amigos se encontravam, bebiam e resolviam voltar a tocar e assim ia. Um, dois, no máximo três shows por ano e, de repente, um “querem gravar um disco pela Warner?” Hein? (Esse “hein” é só do repórter surpreso, ninguém da banda parece achar nada de anormal nisso.)

Na mais importante aventura do rock nacional nos anos 90, o selo Banguela, comandado pelo gaúcho Carlos Eduardo Miranda e abrigado pela Warner, foi a pedra fundamental para a renovação do cenário nacional tendo lançado bandas como Raimundos e mundo livre s/a, além de ter estimulado às outras gravadoras a investirem em novas bandas. Miranda então chamou a Graforréia para ser uma das bandas a serem lançadas pelo Banguela. Nesse momento, é de se imaginar que a rotina tivesse, enfim, mudado. Mas o guitarrista explica que não. “A banda sempre teve uma rotina própria de ensaiar e criar material. Rolou apenas uma injeção de energia, mas o ritmo continuou o mesmo. A seriedade sempre foi uma faceta que nos acompanhou”. O fim do Banguela na mesma época em que o álbum Coisa de louco II era lançado, colaborou para que o grupo não estourasse nas paradas de rádios nacionalmente. “Aconteceu com o nosso disco, a mesma coisa que acontecera com a demo: se espalhou sem tocar muito na rádio. Até tocava, mas não ao ponto de gerar uma demanda de shows. Nós tínhamos que garimpar essas poucas apresentações”, explica Pianta. Numa época em que os artistas independentes ouvem que o importante é cair na estrada, tocar, fazer muitos shows, a trajetória da Graforréia, ao mesmo tempo em que põe toda essa teoria por água abaixo, a reafirma por completo.

Uma das coisas que o disco trouxe de positivo foi que, pela primeira vez, surgiam shows no interior do Rio Grande do Sul, fora de Porto Alegre. Com essas apresentações, juntaram algum dinheiro e, de forma independente, lançaram um segundo disco em 1998, o Chapinhas de ouro. "Quando o primeiro disco saiu pelo Banguela e não deu certo, nunca pensamos em parar. As coisas tinham voltado ao que sempre foram. Pensamos qual era o próximo passo. O primeiro passo tinha sido gravar o primeiro disco. Gravamos. Qual seria o próximo? Gravar um segundo disco. E assim seguimos, normal", lembra Pianta. E a rotina continuou com seus esporádicos shows, até que, em 2000, a banda acabou oficialmente. “Não teve um porquê. A gente se olhou e estava todo mundo meio de saco cheio e ‘vamo parar?’, vamos. Não houve treta”, explica Alexandre Birck. A combinação de necrofilia da arte com o boom do MP3 fez com que, a partir de então, o culto à Graforréia crescesse exponencialmente. Pra piorar (ou melhorar), os dois, três shows por ano não aconteciam mais. Além disso, o Pato Fu gravou duas músicas de Frank Jorge, Nunca diga (no álbum Televisão de Cachorro, 1998) e Eu (em Ruído Rosa, 2001), sendo que a segunda - uma parceria com Alexandre, Marcelo e Carlo - fez com que os mineiros vencessem a categoria “melhor videoclipe pop” do VMB 2001. Tudo isso ajudou a aumentar “a aura”, a lenda, em torno do grupo gaúcho e de seu principal compositor. Os integrantes começaram a receber propostas de shows, a ver a demanda pela presença da Graforréia crescer, mas eles estavam parados. Entre 2001 e 2003, faziam uma apresentação, no fim de cada ano, esquema Robertão-Rede Globo, numa casa de shows de Porto Alegre. Até que em 2004, uma proposta de um escritório para produzi-los, os seduziu a voltar.

De lá pra cá, o numero de shows cresceu. Já chega a uns cinco ou seis por ano. Em julho de 2005, gravaram um disco ao vivo, que está em fase de finalização, sob a produção de Kassin. Conversar com a banda sobre a rotina dos shows chega a ser engraçado, pois eles vão se lembrando um a um.

- “Ano passado, antes da gravação, rolou um show na festa de uma rádio, que foi legal”, lembra Frank Jorge, sendo interrompido por Birck:
- "Teve aquele de Vacaria... Teve Caxias (do Sul)...”
- "Caxias! Carlos Barbosa... [silêncio para lembrar] Mais recentemente, já em janeiro de 2006, tocamos em Florianópolis. [silêncio para lembrar 2]... Tocamos também duas vezes em Porto Alegre em dezembro...”, completa Frank.

O próximo pequeno passo da história do grupo é lançar este terceiro disco. “Querer, a gente sempre quis ganhar dinheiro com o nosso material, víamos que tinha uma receptividade. Nós queríamos ganhar, tocando. Nunca aconteceu, pode ser que agora mude, mas ainda não mudou”, explica Pianta.

Pode ser, pode ser que agora mude. Mas aí não existirá mais a necrofilia, nem a sensação de que a Graforréia é só sua. E aí? O que você prefere?

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Achei que fosse impressão minha, mas a decupagem das gravações me confirmaram algo que parece inimaginável: durante duas horas de gravação não há registro de nenhum "Bah" e nenhum "Tchê" na conversa com o trio gaúcho. Acredite, se quiser. Eu ainda não acreditei.

19.3.06

Entrevista: Bidu Cordeiro, do Reggae B e Orquestra Imperial (2)

foto: Bruno Maia
Esta é a segunda parte da entrevista de
Bidu Cordeiro ao sobremusica.
Mas depois volta, hein.

Depois de Dé Palmeira, a série de conversas com músicos que acompanham a história da música pop brasileira de perto, mas que poucas vezes são chamados a contar o seu olhar sobre esses momentos, continuou com o gente-boníssima Bidu Cordeiro. O encontro aconteceu no dia 22 de fevereiro, também conhecido como o dia seguinte da inesquecível apresentação dOs Paralamas, em trio, na festa do RoncaRonca. Ele nos recebeu em seu espaçoso apartamento na Praia do Flamengo.

A palavra 'entrevista' serve como chave para se formalizar um encontro. Mas o tal formalismo cai nos primeiros minutos da maioria das vezes. O 'trabalho' acaba se tornando um enorme prazer e nos lembra a principal razão que nos leva a escrever em um site como este: conversar sobre música. Conversar, conversar, conversar e conversar. E é bom quando o 'entrevistado' se rende e concretiza isso. Com Bidu foi assim: informalismo, sorrisos, gravadores, cervejas e mais uma noite boa pra cacete. Tudo isso só me fez pensar que são momentos assim que pagam toda a dedicação exigida para se manter um site gratuito, não-remunerado (pelo contrário, despendioso), cuja maior intenção é propagar informações e impressões, indo além do que já se faz na grande mídia, trabalhoso e querido como é o caso do sobremusica. Trabalhar com o que se gosta é fundamental para a saúde. Cada dia me convenço mais disso.

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sm: Eu queria falar do Reggae B.
BC: O Reggae B foi assim...

sm: Antes do Reggae B, só pra gente chegar lá: a sua relação com reggae vem de quando?
BC: A primeira banda de reggae de que eu participei foi o Mindingos, de Niterói. Era uma banda que tinha o Zeca Mindingo, eu, o Tricky, Bocato, que é um trombonista de São Paulo, foi trombonista de todo mundo, era uma galera. Então, ah, o Dado, um grande compositor de reggae de Niterói, um amigão da gente, Cidão, passou uma galera ali de Niterói... Eu morei em São Gonçalo muitos anos, e a gente montou essa banda. E começou a tocar, fizemos vários shows em Niterói. Aí, eu lembro que eu fiquei doente. Fiquei, né, um período internadinho... RARRARRARRARRÁ. [sm: rarrARRÁ] E tive que sair, daí entrou o Paulo William. [sm: E isso foi quando?] Acho que foi em 90. 90 ou 92. E minha primeira experiência de reggae foi com essa banda. E o Reggae B, foi o Bi quem me chamou. Era um projeto de abrir o the Wailers, e tal, montaram uma banda com duas baterias, não-sei-que, não-sei-que-lá, e eu não tava nessa. Aí, depois resolveram: vamos montar um esquema já que a banda tá parada, aí me chamaram. E eu fui.

fonte: Site Paralamas Forever


sm: Foi porque o Paralamas tava parado, né?
BC: É, o Herbert, tal...

sm: Antes do acidente não teve? O do Wailers que você falou não foi antes?
BC: Antes do acidente do Herbert... [tentando se lembrar] O Wailers foi antes, mas não era Reggae B, era um projeto com duas baterias, com várias pessoas tocando, era um projeto [com ênfase] pra abrir the Wailers. Tinha uma galera do Negril, até. Que daí ficou um baterista só, entrou o Ronaldo [Silva]. O Black Alien, eu, Marlon [ex-Vitória Régia], chamei o Marlon trombonista também...

sm: Mas qual era a idéia do Reggae B?
BC: O Reggae B não acabou, a gente deu uma parada porque? Era todo mundo fazendo outras coisas, necessidade de trabalho. Era um negócio que dava um prazer danado de tocar, mas recurso financeiro não tinha. E isso, desculpa dizer, conta ponto, né? Tenho que sustentar meu filho, minha mulher... Bicho, tem que manter a onda aí, e conta ponto. Mas a gente tá com a idéia de voltar, recebemos aí uns convites para fazer show, e agora terminando o DVD dos Paralamas, com certeza, a gente tá perturbando o Bi, aí, e vai ter. O Reggae B foi uma banda em que todo mundo tocou. Até o Herbert, a primeira aparição dele na volta, foi no Reggae B. É foda... Teve um dia que foi Lulu Santos, todo mundo, Arnaldo [Antunes]... A idéia era fazer um reggae “B”, só, lado b. Não esse reggae “A” que a gente vê por aí.

sm: Mas era uma onda de curtição mesmo?...
BC: Não, não. Cara, eu não tava ali curtindo, não. RarrARRArrá. Eu levo tudo a sério, mesmo, fiquei até puto porque parou, tal. Mas foi melhor parar do que acabar, porque tinha o Black querendo gravar o disco, todo mundo querendo fazer as coisas, mas a gente vai voltar...

sm: É, mas justamente, surgiu de uma história da necessidade de tocar em um período de Paralamas parado.
BC: É... de tocar, de precisar tocar, cara. E na época pagava... eu tava separado, rolava uma merrequinha que segurava o quarto em que eu morava, a gente precisa viver. Eu pagava 300 reais em aluguel, e pelo menos isso dava. Rerrerrê. Salvava legal.

fonte: Site Paralamas Forever
sm: Mas teve temporada no Ballroom [casa de shows já fechada, na zona sul do Rio], umas coisas assim...
BC: Teve problema interno pra caramba. (sm: Mas em função de que?) Ah, produção mesmo. Mas fizemos altos shows, viajamos muito. Eu lembro que a gente olhou: em um ano, fizemos 63 shows. Teve festa de MTV, tivemos proposta de contrato mesmo, legal, mas acabou não querendo.

sm: Por que?
BC: Não queria assumir compromisso. A gente não tinha estrutura, podia o Paralamas voltar, e a gente não queria... Agora não, todo mundo trabalha, se a gente reunir a galera já pode ter uma maneira de a gente, pô... Mudou a coisa, a gente tá pensando em lançar na Internet. A gente tem uns shows gravados do Reggae B, a gente tem 4 shows do Ballroom gravados. Eu tenho isso. O Léo, do estúdio do Paralamas, já falou pra gente mixar lá. Sei lá, mas dá pra aproveitar muita coisa, tem muito show gravado.

sm: Você falou do intervalo de tempo em que ficou sem grana durante a recuperação do Herbert, o que mais você fez nessa época?
BC: Pô, naquela época o D2 me salvou. Tenho que falar isso, a galera do Planet Hemp, cara, me chamava pra tocar 3 músicas, de amigo mesmo. Eu tocava aquela: fan-fan-fan-fan [melodia da introdução de ‘Mantenha o Respeito’] e mais umas duas. Tem que falar mesmo do Lobato [Marcelo, produtor] e do D2. Eu toquei no Planet uma época, foi o maior barato, e ajudou financeiramente mesmo. Saí da Orquestra pro Paralamas, o Paralamas parou. Naquela época eu tava meio... Agora já encaixou mais. O Tom Capone, falecido, me chamou também pra gravar o Gil. Você vê, fiz algumas coisas assim. Lógico que não como no Paralamas.

sm: O Reggae B foi uma maneira então de te apresentar pra galera...
BC: É, foi importante porque muita gente tocou com a gente. Todo mundo. Conheci a galera toda por causa do Reggae B. Arnaldo Antunes, Titãs, Gabriel O Pensador, Toni Garrido.

sm: Daí, passa-se essa fase e acontece a volta do Herbert e do Paralamas, como foi?
BC: Muito bacana. Não teve dificuldade nenhuma, o Herbert é um cara iluminado, sabe? Foi muito emocionante aquele Fantástico com a abertura ali. Eu lembro que o Zé [Fortes, empresário] chamou a gente: olha, a gente vai voltar, pode continuar, pode voltar, mas pode não dar certo, vamos fazer um show dentro da EMI. A EMI, ali em Botafogo. Aí, a gente fez o show da EMI pra família, foi o Marlon, a galera foi toda assistir, os amigos do Bi, a galera mais próxima. Rolaram uns dois ensaios ali e depois meio aberto e divulgado, tal. Mas a volta mesmo do Herbert foi no Reggae B, a gente emocionado ali, todo mundo chorando. A gente tocando ali, ele vai aparecer, ele apareceu e ele tocou. E ele ali tava ali, foi foda a gente ver o cara ali de novo tocando. Eu lembro que a galera..., pô, eu nem toquei. Rerrê. Emocionado pra caralho. E dali fizemos o Fantástico, daí a banda voltou a ensaiar. Fizemos o Fantástico, e depois o show lá na terra do Herbert. (sm: lá na Paraíba, né?) É... E o Herbert tá melhorando a cada dia. A parte musical nunca afetou. O cara tá voltando, o cara tá ali.

sm: Mas nos shows não dão uns brancos, entrar errado?
BC: Cara, já aconteceu também da banda entrar errado. Aconteceu no último show, a lista veio errada, veio trocada a ordem da música.

foto retirada do site dOs Paralamas
sm: Mas você acha que tá melhor, igual...
BC: Bicho... Pra mim... Pra mim, tá jóia. Lógico que é uma luta constante, o cara toma trinta remédios por dia, sente dor. Mas ele pessoalmente não tem nada, cheio de disposição, tocando pra caramba. Eu quero é ver ele tocar em pé, né bicho? Eu ainda tenho esperança em ele levantar. Ele tá vivo e tocando guitarra, porque ele não pode levantar? O milagre já aconteceu, cara. Ele já tá vivo. Eu queria o cara vivo, o cara ficou vivo. O cara tocando, já tá tocando. Cantando, o cara tá cantando. O cara pode daqui a pouco levantar.

sm: Eu fiquei olhando ontem, o carinho entre os três no palco. O Bi fica ali do lado, o Herbert tocando, ele acompanhando e olhando...
BC: Ééé... E ali não teve ensaio. Eu posso dizer porque eu conheço, eu trabalho com os caras. Duvido que eles fizeram ensaio pra caralho, duas horinhas e vamos tocar, sabe? O baixo do Bi tava aqui em casa. O baixo 74 Yamaha, eu levei o baixo pra lá, quer dizer... Virão projetos aí, os caras são fodas. O legal é que eles têm alegria, a banda tem alegria. É animado. Não tô só aqui falando, eu falo e acho que todo mundo que trabalha ali, o ambiente é muito bom. A gente sabe que o ambiente... tem banda que a gente não pode entrar no camarim. Não vou citar nome aqui, mas tem neguinho fresco pra caramba. E eu sou chato também, cara. Na boa, não tenho vergonha de dizer, acho que Deus já me deu... tô com 40 anos, e posso escolher também com quem quero tocar. Se quiser eu vendo laranja, também, foda-se, mas mole pra neguinho eu também não vou ficar dando não. Tem gente com quem eu não faço questão de tocar, na boa. Porque o cara tem um gênio, eu também tenho o meu. É igual time de futebol, não adianta botar craque jogando. E tem muita banda assim. Na boa, não vou aturar isso de neguinho que eu vi... hoje em dia tão aí com grana pra caramba mas eu vi... né? Ô. Eu já tava tocando há muitos anos quando nego chegou.

sm: Pô, então: Orquestra Imperial.
BC: Outro ambiente também que eu adoro. (sm: você tinha falado de uma ligação com o carnaval...) Eu fui músico por causa do carnaval, meu pai montava um bloco lá em Saquarema, e o Ruivo [Rodrigo Amarante, Orquestra Imperial e Los Hermanos] também frequentava lá. Ele tinha um bloco lá, o Grilo, o Saquarema de Bandas, e a gente tocava em bloco, tirava os sambas, tocava num clube. Eu só queria tocar carnaval. Fiquei dois anos, só tocando. (sm: E o Ruivo...) O Ruivo tocava também, era do Saquarema de Bandas, uma galera lá do pai dele. E eu tocava no Iate, que era o clube bem freqüentado, que na época tinha grandes bailes. Meu pai montava uma orquestra legal, minha mãe cantava, era a família. Todo mundo... E eu, o primeiro instrumento, eu toquei surdo. 12 anos de idade, e eu apanhava um surdão. Pá. Aí com 13, já estudei trombone, foi o primeiro carnaval.

divulgação


sm: E aí, essa onda da Orquestra [Imperial] era o mesmo tipo de música lá atrás de Saquarema.
BC: Ããnn... É, no baile de carnaval, sim. Mas hoje em dia, a coisa mudou. Antigamente o salão cantava, o baile não tinha nem cantor, era um baile tocado pelos metais, sambinha... O povo cantava. Depois, inventaram o cantor no baile de carnaval, até que foi acabando. E agora tá voltando. Devagar, tá voltando. Eu acho até que o Rio de Janeiro deveria voltar mesmo, porque... A Bahia ganhou lá o espaço com um carnaval... que é muito bom... Mas o Rio tinha essa tradição de tocar marcha, marcha-rancho, frevo em reveillón e baile de carnaval, os clubes tinham... Hoje em dia, não tem mais. Mas a Orquestra Imperial não é um baile de carnaval, é um baile. Lógico, tem um marketing, é uma festa. Eu adoro aquela galera também, fico à vontade.


sm: Mas como é que rolou a primeira vez?
BC: O Berna [Ceppas, produtor e programador de efeitos da OI] me ligou. O Berna e o Kassin, inventores da Orquestra, me ligaram: pô, Bidu, queria chamar o naipe dos Paralamas pra fazer lá e tal. Aí na época a galera não podia, o Monteiro e o Demétrio. Aí, eu falei: cara, eu posso, tô a fim, interessado. Mas aí a galera tava querendo uma grana, não-sei-que, eu falei: Berna, melhor levar uma garotada que tá começando e nego investe ali, que era o Pinaud [Felipe Pinaud, flauta], o Max [Sette, trompete e flugelhorn]... Rarrá: o Mauro [Zacharias, trombonista], o cara tava sem trabalho, o Mauro do Los Hermanos. Eu falei: Mauro, vai pro Rio...

sm: Bom que você falou nisso, em renovação. A gente vinha no caminho conversando, sobre uma impressão que, de um tempo pra cá, os naipes de metais, principalmente na música pop, estão mudando um pouco. De naipes percussivos para algo mais melódico...
BC: (interrompendo) É lógico. Até porque antigamente nego era muito influenciado pelo funk, né? Era aquela coisa bem picada Pá! Pan! Pen! Perenren. Neguinho copiava americano, era muito americano. Como você disse. E a coisa hoje em dia... sei lá. Vai chegar um momento em que eu vou ter que botar uma pedaleira no trombone, lá. Colocar uns delay, né? Não pode é ficar parado. Eu já toco trombone baixo, tem que inventar, não dá pra tocar só um tipo de trombone. Nos Paralamas eu toco trombone baixo, trombone tenor, agora tô procurando um trombone alto em mi bemol. Outros timbres, vários bocais. Cada trabalho é um trombone, porque senão...

sm: Até nos Paralamas, nesse último disco, a faixa “Soledad Cidadão”, em que você faz os vocais no show, já traz um naipe menos percussivo, mais melódico...
BC: É, eu acho também. E eu acho que o disco em que o naipe ficou legal foi o acústico. Ali a gente tava num pique... E o show tb tava bom.

sm: Você falou que acha que, antigamente, a influência vinha mais do funk. Hoje você acha que vem da onde?
BC: Ah, rapaz... Não é querer puxar a bandeira pro meu lado de trabalhar com dois trombones sempre... A galera tem uma outra mentalidade. Você pára de pensar no instrumentista para ver a música como um todo. Porque instrumentista tem essa coisa de achar que tem que ter um solo, um não-sei-o-quê. Tem que ver a canção, tem que querer somar. Eu não tenho vergonha de fazer um chep-chep se a música pede um chep-chep. Se pede um solo, põe o solo, se pede um chep-chep, chep-chep. 'Ah, tenho que fazer meu solo'. O público se irrita. Ele quer ver um solo de guitarra. Tem que vender.

sm: Mas voltando à Orquestra Imperial. Houve uma primeira fase, em que o Seu Jorge comandava...
BC (interrompendo): Mas isso foi só no início...

sm: Pois é, mas depois começou a ir pro Canecão e fazer os bailes de marchinha e hoje está numa terceira fase com os bailes de carnaval no Circo Voador..
BC (interrompendo): Foi descobrindo um caminho... Fica na Orquestra quem quer estar. A Orquestra nunca contratou ninguém, fica nela quem quer. A pessoa se contrata, a pessoa vai ali... Por exemplo, o [Wilson] Das Neves hoje em dia é um membro da Orquestra e a gente vai gravar agora, depois do Carnaval, material próprio. Tem várias composições ali, material do Rubinho [Jacobina, teclados], da galera ali... Vem projeto bom da Imperial aí!

foto: GoogleImage
sm: Descobriu-se uma cara ali...
BC: A gente estava brincando até agora, mas a parada vai ficar séria. Vamos gravar um DVD sério. A gente faz tudo ali na cara-de-pau....

sm: Você acha que a Orquestra passou por esse processo de construir uma...
BC: Identidade! É! Hoje em dia a relação... A relação sempre foi boa. Nunca vi ninguém discutir, isso é foda, vinte pessoas num palco. A gente quase nunca ensaia, é foda lidar. Mas é um astral fodido.

sm: Você falou sobre as orquestras de baile, que eram seu sonho... Vou fazer uma pergunta meio... (babaca), se você tivesse que escolher um tipo de som para tocar e levar tua vida, você gostaria de tocar o quê?
BC: Tocaria reggae... reggae... Reggae e salsa! Ah, bicho... eu gosto de reggae. Gosto de Black Uhuru, lado b mesmo. Não pra falar de Bob Marley, mas as bandas Barra do Sana que a gente vê aí, desculpa eu malhar, fazem a gente ficar com raiva até de Bob Marley. Fica aquela guitarra quén-quén, uón-uón,... Mas tem várias bandas boas.

sm: Reggae é um som urbano, de cidade, né?, não é música de cachoeira...
BC: E o reggae é muito novo, cara. Bob Marley abriu a porta, mas tem muita coisa ainda... Quer ver um ritmo que não entra muito bem no Brasil? É a salsa. Salsa é foda! O Santana foi malandro, misturou com o pop, mas no Brasil pro cara enfiar uma parada... eles tocam umazinha ou outra, a gente não vê nada. Em São Paulo ainda tinha.

sm: Você gravou com o Firebug. Tem a ver com a idéia de caminhar para o reggae?
BC: Não, o Rodrigo me chamou. É um cara que pesquisa muito, entende muito de reggae... É malandro.

sm: Você falou do Mindingos, é uma banda de que eu já ouvi muitas histórias, inclusive do próprio Tricky.
BC: Pô, o Tricky é um cara que deu mó força pra eu vir pro pop. Ele já tocava, e eu no clássico, e foi o cara que me puxou pro Mindingos.

sm: Que durou pouco tempo, né?
BC: É. Durou, mas teve um momento legal. Teve muito show legal, lá na praia, em Niterói. Na praia era foda, Piratininga. Big Dig, aquelas casas lá. Tem muito tempo, né? Mas nego ainda pensa em voltar, sabia? Mas daí veio o Canamaré, ó, Canamaré é uma banda legal. É uma banda que eu gosto, e que veio tocando as músicas que a gente tocava na época dos Mindingos ali. Kaya, uma música do Dado. E agora, eles tão aí, eu gosto da galera. E a influência é Mindingos. E o Cidão, o Tricky, de repente voltam. Ué, a vida taí. Se tiver tempo, eu gosto mesmo é de tocar. Onde tiver espaço, uma galera bacana. Né não?

sm: Cara, por mim acho que acabou.
BC: É, aí já tem material, né? Gravou tudo aí... Agora vamos tomar uma cerveja ali [na sala da casa], né não?

foto: Bruno Maia

(por Bruno Maia e Bernardo Mortimer)

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Para tornar a noite ainda melhor, o Flamengo empatou em 1 a 1 com a querida Associação Sportiva Arapiraquense, o famoso ASA de Arapiraca!, então penúltimo colocado do Campeonato Alagoano! Detalhe para o significado da letra "S" em ASA: SPORTIVA!!! Bom demais!

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Quer ainda melhor? O gol do ASA foi de mão!!!!!!!

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Mais? O Vascão venceu de 7 a 0 um jogo aí....! Dá pra acreditar?!

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Que noite!!!

13.3.06

Entrevista: Bidu Cordeiro, do Paralamas (1)

O Mestre-de-Cerimônia Bidu

foto retirada do site dOs Paralamas


Bidu Cordeiro é aquele cara que toca trombone no Paralamas, lembra? Ah, ele toca na Orquestra Imperial também. E no Reggae B, e no Acústico do Kid Abelha, e em shows do Planet Hemp, do B Negão, do Frejat, sei lá. Se você nunca reparou, é muito distraído mesmo, ainda mais porque em cima de um palco, a atração também é ele. Engraçado, se divertindo, às vezes dando esporro nos companheiros, ou dançando com os braços dobrados pronto pra voltar botando pressão nas frases do naipe de metais em que ele está, no dia e na hora em que calha de você bater de frente com ele. Fora do palco, nos estúdios, a lista de trabalhos também vai longe. E, em casa, onde recebeu a equipe sobremusica depois de vários telefonemas, desmarcações e um fatal encontro no Teatro Odisséia, é só um cara bacana disposto a bem receber quem chegar. Ou seja, show toda hora.

sobremusica: Podemos gravar? Você ia começar a contar a sua história...
Bidu Cordeiro: Minha história é assim, eu comecei meus estudos com 13 anos, nasci em Rio Bonito, estado do Rio. Nasci em Rio Bonito e comecei a estudar música com o meu pai. Meu pai é trombonista, toca o mesmo instrumento, e depois lá pro segundo ano de estudo – um ano e meio – ele me trouxe pro Conservatório de música, aqui na Graça Aranha [rua do Centro do Rio, perto do Castelo], quando eu estudei com um grande professor: Prof. Oscar da Silveira Brum. Estudei com ele quatro anos e aí ele me levou pra fazer prova. É um cara renomado, um professor foda, assim. Estudei quatro anos e ele me levou pra fazer concurso pra OSB, Orquestra Sinfônica Brasileira, e fiz concurso numa época que tinha uma porrada de gente. Tinha nego de fora, americano, de outros estados... Aí eu fui aprovado na condição de estagiário, contrataram dois americanos e me aprovaram, eu e o Marco Antônio [Favera], que inclusive tá até hoje lá como primeiro trombonista da OSB. A gente na condição de estagiário, que teria que fazer prova de seis em seis meses até ser profissional. Eu me lembro que fiquei um ano e meio, quase dois anos, e fui logo contratado, e fiquei lá.

sm: E isso foi quando?
BC: Isso em 86, eu fui contratado em 86. Aí fiquei lá até 97. Eu lembro que começamos a montar uma banda de salsa aqui no Rio que era Rio Salsa, com uma galera, e foi uma das primeiras coisas populares que eu comecei a fazer, eu tocava só Sinfônica. O popular eu não aquela confiança em mim mesmo. Só que aí eu comecei a ver que o nível das orquestras... elas começaram a cair, os grandes músicos, não-sei-que, o interesse na cultura, eu falei: pô, tenho que partir pra um outro lado. Até que rolou a parada do convite dos Paralamas, foi muito engraçado.

sm: E foi quando o convite?
BC: Foi em maio de 97. Foi uma gravação de uma banda chamada Los Djangos. Ou Jammil e Uma Noites, uma coisa assim, ou Jammil ou Los Djangos. Foram as duas bandas que eu gravei. E o Monteiro [Júnior, saxofonista], que era o cara dos Paralamas, ele que era o cara que arregimentava pra gravação. Aí me indicaram, a gente se conheceu, gravou lá os arranjos dele...

sm: Isso era a turnê do Nove Luas?
BC: É, a turnê do Nove Luas tava rolando, aí o Monteiro me chamou e falou assim: o Mattos Nascimento, que era o trombonista, inclusive excelente, tava ficando com uma certa idade, um pouco doente, não tava agüentando o pique de show direto, e já ia aposentar. O Monteiro falou: se rolar a possibilidade você se interessa? Eu falei: pô, Paralamas, né? Rorrorrô. Só que eu não acreditei, e tinha o Frejat que também tava me chamando, rolava um burburiozinho de que pintava uma chance. Aí, ele [Monteiro] me ligou no dia primeiro de maio, eu não conhecia a banda, ninguém assim. Show dia sete. Tem uma fita aqui, (sm: onde?) a primeira turnê foi Londrina, Maringá, Ponta Grossa e, por ali, uma última cidade que eu não me lembro. Foram quatro shows. Daí eu fiquei tirando, o Monteiro me deu uma fita de show ao vivo, eu acho que tirei mais ou menos a voz do trombone, não deu pra tirar tudo. Tirei o básico ali, fiquei por um período de três meses, e depois... de lá pra cá...

sm: Mas como é isso, você nem improvisava? Porque vindo de escola clássica...
BC: Não, tinha a escola clássica, mas eu já tava no meio. Eu só não largava a Sinfônica porque tinha uma garantia. Em 97 eu ainda tava na Orquestra, mas foi de 90 pra cá que eu comecei a tocar pop. Já fazia disco de artista, tinha a banda de salsa, tava descobrindo o popular. A Rio Salsa, a banda nossa, teve inclusive música em novela da Globo [Salsa e Merengue; e Kubanacan]. Até hoje, a gente ainda ouve alguma coisa falando. Foi uma experiência muito legal, dali todo mundo saiu. O naipe era eu, Jessé [Sadoc, trompete], Henrique Band [sax], era uma galera que tá hoje em dia aí. A banda acabou porque um foi pro Lulu, o outro pro Paralamas, o Jessé foi fazer com o Ed Motta... Todo mundo, geral, não teve como segurar... Tava todo mundo pleiteando um lugar e é a galera que tá tocando pelo Brasil aí.

Reggae B - fonte: Google Images
sm: Mas fala mais aí da história de não ter confiança pra tocar popular...
BC: É, o pop é... Na Orquestra [OSB] eu tinha carteira assinada, na época era um bom salário. A questão é o financeiro e tudo, porque no pop é aquilo... O estilo a gente pega, música é música, quem tem feeling vai pegar, o medo é da segurança mesmo. Porque pra viver aqui fora, bicho, tem que ser malandro. Se o telefone não toca, é foda. Isso aqui é foda [mostra o celular], as pessoas têm que chamar. Antigamente não, tinha um salário ali. Graças a Deus eu faço Paralamas, Orquestra Imperial, Reggae B, né? Poder ter gravado disco de Gil, pessoas assim que você já era fã, sempre gostei de popular.

Eu fui músico por causa de carnaval, cara. Fui músico por causa de carnaval, sempre adorei. Mas naquela época o meu pai falava: ó, cuidado, não-sei-que, vai estudar sério. Porque o sinfônico também te dá uma disciplina do cacete, de estudo. Não é tocar em naipe, não é isso. Mas te dá leitura, técnica de instrumento, afinação... E vou te dizer que valeu, acho que tudo vale, e música é música. Não tem essa coisa de só rock... Eu gosto é de tocar. Samba, tudo.

sm: Mas e Paralamas, você ouvia?
BC: Rarrá, eu lembro que quando me fizeram essa pergunta, eu até falei: volê, volê [cantando ‘Cinema Mudo’]. Rarrarrá. Eu conhecia os hits, ‘Uma Brasileira’, ‘Alagados’, o que todo mundo conhece do Paralamas. Agora a obra eu fui conhecer depois.

sm: Não tinha disco?
BC: Ah, não tinha. Mas gostava, entendeu? Já tinha assistido a show na praia de Copacabana. E eu até falo, nego não acredita, mas que se tivesse que tocar em uma banda seria no Paralamas. E pintou justamente o Paralamas.

sm: E desde 97 você não saiu mais do Paralamas: em todo disco, em toda turnê, você sempre tava lá tocando...
BC: São raros os momentos como ontem, que vocês viram que não... Mesmo assim o Herbert me convidou, e tal: pô o trombone não tá aí? E eu: não, em respeito aos colegas... E eu queria assistir, ver os caras que eu também sou fã. Mas eu acho que eles têm que gravar um disco assim, roquenrou.

sm: Mas você acha que um show como o de ontem é que fez eles pensarem em gravar um disco assim?
BC: Não, não acho não, o Paralamas é uma banda que sempre teve muita audácia, foi a primeira banda a botar samba no pop rock, a primeira a ter levada de samba no meio. E acredito que não vai demorar em vir um disco de roquenrou. Vão lançar um disco de reggae, que é outra coisa que eles sabe fazer muito bem. Tem o Bi... O Bi, João Barone, o Fera [João Fera, tecladista da banda], o Herbert, eu... sabe? O reggae... Eles são muito abertos, eles são muito bacanas mesmo. E eu acho que em nenhum espaço dão o mole que eles dão pra gente de perguntar mesmo opinião da gente. De a gente estar no disco, de somar, na gravação. No dvd inclusive eu cantei, cara, que doideira...

sm: É a música que o Manu Chao canta...
BC: É, é uma parte do Manu Chao, inclusive agora que o Andreas Kisser tá fazendo uns shows com a gente, shows grandes, e eu to cantando uma música do Sepultura, olha que doideira. Rerrê.


sm: Rarrá, é Ratamahatta...
BC: É, rarrarrá, eu peguei a letra: eu não sei, eu nunca tinha nem ouvido. Rá. Quando eu cantei, me deram a letra, me falaram mais ou menos como é que era. Não tinha tempo, eu falei: não vou nem escutar o disco original, pra na hora não tremer, né? Porque, porra, pra ir depois de ouvir o disco lá...

foto retirada do site dOs Paralamas (by Gislaine)

Bidu entoa Ratamahatta no Planeta Atlântida 2006

sm: Você já ouviu agora?
BC: É, aí eu ouvi depois. Fiz o dever de casa. Me deram o disco, eu escutei, tal. Não é ser cantor, mas um mestre-de-cerimônia, um cara que vai lá e... eu tô curtindo. Sou um pau-mandado, vamos tocar? Eu toco.

sm: É, mas rola muito papo entre vocês.
BC: É, é. Os caras são gente boa. Na gravação do último disco, não... de um disco que eu gravei – é muito legal a relação – até teve uma vez, é uma história que eu não canso de falar, na boa... foi o primeiro disco dos Paralamas que eu gravei, tinha uma música com um solo de trombone. E eu fiz, e falei: pô, não gostei do solo. E tinha o Malta lá [Carlos Malta, saxofonista], um cara... pô, bicho. Sabe, quem não vai querer botar um solo numa música? Depois eu botei vários outros, mas não gostei. Cara, falei pros caras: tô sendo honesto, não tá bom, não tô fazendo média. (sm: Qual era a música?) Não lembro, depois passou dois anos, e eu gravei o solo dessa música. ‘Trem da Juventude’! Tem a versão que o Malta gravou e a versão acústica que eu gravei. No Acústico, eu gravei o solo, mas naquele momento... sei lá. Eu pedi: tira isso, não tá legal. Que é uma coisa de jogar pro time. Lógico, quando eu faço um solo, faço com o maior orgulho, mas se não ficou legal, ter que ter noção de chegar e falar. E eles ali amarradões: não, bicho. O Fera: ó... E um ano depois eu gravei. Rola uma verdade.

foto: Bruno Maia
sm: A composição dos arranjos do Paralamas são de vocês três juntos? Os de metais...
BC: Geral! Lógico, o Monteiro é nosso band leader ali, mas eu dou idéia, o Fera dá, todo mundo dá. A gente mostra a frase, este último disco então, não foi uma coisa de levar o arranjo pra ver em casa, fizemos ali: essa introdução, ó, gostaram? O Herbert viu: tá legal, não? Gostaram? Bi? [respondendo:] Não, aquilo ali tá não-sei-que. E a gente: é, vamos mudar aqui. Tudo certo? E aí, fica uma coisa de banda. Legal, assim, a abertura.


por Bernardo Mortimer e Bruno Maia

6.3.06

Tundun paticundum

O carnaval passou, o ano começou... mas a pressão das baterias continua. A série Copa-Cozinha dará uma chance única de entrar em contato com a nata dos bateristas brasileiros. Donos de histórias e levadas que construiram vários capítulos da música brasileira, Paschoal Meireles, Robertinho Silva, Chico Batera e Wilson das Neves vão estar nas próximas quatro semanas se revezando e mostrando parte de seus repertórios. Esses caras todos têm mais de 40 anos de carreira muito bem vividos cada.

Além do que, custa apenas R$6,00 e ainda rola meia-entrada para quem for estudante ou espírito de porco.

Essa é a cadência bonita do samba e de todos os outros gêneros que você possa querer.

Programação
Dia 7 de março
Pascoal Meirelles e convidados.
Dia 14 de março
Robertinho Silva
Dia 21 de março
Chico Batera Trio recebe Guinga
Dia 28 de março
Wilson das Neves

Duas apresentações diárias: às 12h30 e às 18h30
Rua 1º de Março 66. Centro
Ingressos: R$ 6 e R$ 3 (estudantes e maiores de 65 anos)
Tel.: (21) 3808- 2020
E-mail: ccbbrio@bb.com.br

*******************
Falta apenas Dom Um Romão, que partiu para batucar em outra instância no ano passado.

4.3.06

Let me play, Let me sing!

Torne seu dia ainda mais alegre!

*****************

Bigger Boys and Stolen Sweethearts
(Arctic Monkeys)
Tom: A

: A F#m F :
Cos there's always somebody taller
With more of a wit
And he's equipped to enthrall her
And her friends think he's fit
And you just can't measure up no
You don't have a prayer
Wishing that you'd made the most of her
When she was there

: E F#m D F :
They've got engaged
There's no intention of another wedding
He's pinched your bird
And he'd probably kick your head in

: A D :
Bigger Boys and Stolen Sweethearts
Oh you're better off without her anyway
You said you wasn't sad to see her go
Yeah but I know you were though

: A F#m F :
Now you don't know what she's up to
You can only assume
She's not in front of the shops then
They've gone to his room
But she's gone round in her school stuff
Bet that's what he likes
I know you thought she was different
And you thought she was nice

: E F#m D F :
But she's not nice
She's pretty fucking far from nice
She's looking at you funny
Rarely looking at you twice

: A D :
Bigger Boys and Stolen Sweetheart
Oh, you're better off without her anyway
You said you wasn't sad to see her go
Yeah but it's clear you were though

: A F#m F :
Have you heard what she's been doing?
Never did it for me
He picks her up at the school gate
At twenty past three
She's been with all of the boys, but
Never went very far
She wagged English and Science
Just to go in his car

: E F#m D F :
They've got engaged
There's no intention of another wedding
He's pinched my bird
And he'd probably kick my head in, oh

E F#m D Dm
Now the girls have grown
Yeah but I'm sure they still carry on in similar ways

: A D :
Bigger Boys and Stolen Sweethearts
Oh I'm better off without her anyway
I said I wasn't sad to see her go

: A D Dm:
Yeah but I'm only pretending, you know
Yeah, I'm only pretending, you know
I was only pretending, you know
I was only pretending, you know



Eu Gostaria de Matar os Dois
(Graforréia Xilarmônica)
Tom: D

D A G A
Estou tão arrasado e culpo me por isso
D Bb G D G A
Me deixei ser enganado por uma tola esperança
Agora eu penso na vingança!!!!

Refrão
: D F#m Bm G A :
Eu gostaria de matar os dois
Mas como não posso vou matar ele depois,
Vou matar ele depois...

D A G A
Estou tão ocupado, o meu tempo está preenchido
D Bb G D G A
Me sinto dispensável, me sinto substituível
E agora eu sei que eu gostaria

: D F#m Bm G A :
Eu gostaria de matar os dois
Mas como não posso vou matar ele depois

: Bm Em F# Bm:
Porém eu acho que não sei bem o que eu quero
E muito menos que arma escolherei
Por mais que eu tente mais que eu possa ser sincero
O que eu mais quero é encontrar um estilingue

:Bm A :
E uma bolinha de gude e uma bolinha de gude
E uma bolinha de gude e uma bolinha!!!

: D F#m Bm G A :
Eu gostaria de matar os dois
Mas como não posso vou matar ele depois

*****************
Amigo Punk, escute esse meu desabafoooo...

*****************
Tá chegando, tá chegando!

2.3.06

Entrevista: Hurtmold

A entrevista abaixo foi feita pelo colega Mário Cascardo, autor do blog Micronicas, para o sobremusica. Já estávamos querendo abrir espaço para os amigos escreverem suas experiências musicais aqui no site há algum tempo. Timidez, falta de vergonha na cara (ou de tempo), de alguns foram adiando este momento. Até que, um dia, o Mário me manda um e-mail perguntando se o sobremusica tinha interesse numa entrevista que ele fez com o Hurtmold (!!!). Entrevistar o grupo paulistano era um desejo antigo do sobremusica!!! Não havia mais como adiar. Ainda bem!

Esta é a primeira, e com certeza não será a última, que contaremos com outros colaboradores neste site. A 'experiência musical' de Mário, que deu origem a este texto, foi vivida no dia 15 de janeiro, em Botafogo. Trata-se de uma conversa de calçada com uma das bandas mais respeitadas e admiradas do país. Vê aí.. Peço desculpas pelo atraso, mas os assuntos foram se atropelando uns nos outros...

...domingo, óculos, açougue, hurtmold...
(por Mário Cascardo)

fotos: divulgação/Google images“É que quando a gente toca sai esse som”.

É com humilde sinceridade que Guilherme Granado, poli-instrumentista do Hurtmold, define o som da banda, já aclamada como sendo “de vanguarda” no cenário rock nacional: “comum, sem segredos”. Na terceira vinda dos paulistanos da Zona Oeste ao Rio (a primeira ao extinto Casarão Amarelo, em Copacabana; a segunda ao Teatro Odisséia, na Lapa), o sexteto abriu o show dos Los Hermanos, no Canecão, no dia 14 de janeiro, para no dia seguinte fazer um pocket-show na AUDIO REBEL, misto de casa de shows, estúdio de ensaios e loja de cds alternativos em Botafogo.

Longe do barulho da casa cheia (90 pessoas), na calçada da Rua Visconde Silva, Guilherme Granado (vocais, teclados) e Marcos Gerez (baixo) deram esta entrevista, sobre passado (origens, influência), presente (shows, música) e futuro (gravações, música) da banda.

sm: Vocês tocam o quê? Quais instrumentos? Todos!
Granado: Eu toco vibrafone, teclado, bateria eletrônica...
Gerez: E eu toco baixo.
Granado:... e algumas coisas de percussão de mão.


sm: Algum de vocês é músico? Tem alguma formação musical mais “formal”?
Gerez: O Mauricio (Takara, baterista), só.
Granado: Também não muita. Na verdade todo mundo é punk... Os moleques gostavam de escutar música e resolveram tocar. E alguns fizeram aula depois pra acertar, pra ter algum complemento. Mas basicamente todo mundo é autodidata. Acho que o Fê(rnando Cappi), o guitarrista, e o Mauricio tem mais noção de teoria musical. Mas a nossa formação, a de todo mundo, é punk.


sm:Todos estão desde a primeira formação?
Granado: Sim, só o Roger (Rogério Martins) entrou depois. É o clarinete e percussão. Mas o resto da banda, desde o começo.
Gerez: É, desde sempre. Nunca saiu ninguém, nunca trocou ninguém, só acrescentou.

sm: O Mestro, último cd que vocês lançaram, tem algo especial? É um trabalho preferido?
Gerez: Sempre o último é o preferido. É mais a evolução mesmo da gente como pessoa, como músico, como tudo, sabe.
Granado: Eu acho que todos são diferentes entre si por causa disso, por causa do tempo. Conta muito o tempo que você tá vivendo. Só que ao mesmo tempo é a mesma banda, sempre. Então as pessoas traçam muita diferença entre o primeiro disco e o último. Na verdade a banda é a mesma, a gente só tá vivendo outra época e outras relações, entre a gente mesmo.


sm: A banda existe desde quando?
Granado e Gérez: Noventa e oito.
Gerez – Quase dez anos já, hein?
Granado – Não, calma. (risos)

sm: Vocês tinham quantos anos quando começaram?
Granado: Era moleque, tinha dezoito.
Gerez: Eu era menor de idade ainda.
Granado: Eu tinha dezoito pra dezenove anos.

sm: A banda já era instrumental? Vocês chegaram a tocar algum cover?
Granado: Não, tocar cover mesmo, não. Essa coisa de primeiro ensaio... Eu lembro que a gente combinou uma música pra tocar, só pra cada um tirar em casa e a gente começar tocando alguma coisa, e a gente já começou a compor logo de cara. E não tem muito essa de era instrumental ou é instrumental, pode ter voz qualquer hora, já teve, e depende do que a música pede mesmo.

sm: Há influências que gostem de citar? Alguma coisa que inspirava vocês a tocar?
Granado: Muita coisa e cada vez mais. Não só música. Música, comida, tevê, futebol...
Gerez: ...tudo...
Granado: ... amigo, pai mãe, sabe, é muita coisa. É difícil falar de nomes, assim. Uma, porque são muitas pessoas na banda, e outra, porque é muita gente que influencia, influenciou, e deixou de influenciar, e vai continuar influenciando. É muita gente pra citar o nome de um ou outro. Eu acho que é... talvez filosófico, sei lá. Talvez Coltrane e Fugazi. E o Chico Buarque, sei lá. Nem tanto musical, mas eu acho que... filosófico.

(chega Mário Cappi, guitarrista)
Granado: Esse é o Marinho, chega aqui, continua com a gente.

sm: Sou Mario também.
Mário Cappi: Oopa, chara! É nóis.

sm: Falando em nome, por quê esse nome (para a banda)?
Mário Cappi: Ah, cara, porque a gente fez uma lista ...
Granado: Você fez.
Mário Cappi: Eu fiz uma lista de muitos nomes, aí saíram duas palavras separadas, que a gente juntou e achou que era legal. Depois de uns anos gente achou que não era legal.. mas acabou continuando. Não tem um significado especial e nem significa nada pra gente. É só um nome, assim.
Granado: É mais isso: acaba sendo que nem o seu nome. Você não gosta tanto assim do seu nome, mas já é o seu nome, cê não se imagina com outro, né. É meio isso.
Mário Cappi: Hoje a banda podia se chamar óculos, sei lá, açougue, ou qualquer coisa..
Granado: É, o bom desse nome é que não quer dizer nada, então ele não traça uma referência direta a alguma coisa. Por esse lado eu acho bom. É ruim de pronunciar. Toda vez que alguém pergunta o nome da nossa banda, e a gente responde, fala Ãhn?!?, você tem que repetir, então...


sm: Não teve nenhuma pretensão de, de repente, fazer o nome em inglês pra lançar lá fora?
Granado – Não! Não, não.
Gerez: Não, nada disso.
Granado: Em português seria muito complicado fazer isso, você juntar duas palavras numa palavra só e não dizer nada.


sm: Vocês tocaram fora, tocaram na Europa... Como foi?
Granado: Muito bom.
Mário Cappi: Foi meio inacreditável.
Granado: O primeiro show que a gente fez era um festival bem tradicional na Espanha, que se chama Sónar, de música de vanguarda, música eletrônica e... Vanguarda é uma palavra meio estranha.
Gerez: É, mas era meio isso. Era tipo música moderna, de certa forma de vanguarda.
Granado: Não só alternativo, tocou também Chemical Brothers, sabe, De la Soul M.I.A. É um festival muito tradicional lá, muito legal. Sempre tem coisa boa, e foi o show que nos convidou para irmos lá. E aí, depois, a gente fez uns shows menores também, show de turnê, igual a esse show aqui assim, sabe... Show pequeno, você não sabe o que vai dar, ‘vamo tocar!”, quantas pessoas vai ter, não sabe se vai ganhar dinheiro...

sm: E abrir para o Los Hermanos ontem (14/jan/2006, no Canecão), como é que foi?
Granado: Muito bom, cara. Muito melhor do que a gente esperava, no sentido da reação assim do público. O tratamento que a gente ia ter da equipe deles, tudo, eu já esperava que seria super legal. Mas tipo, a recepção das pessoas foi impressionante. A gente já se conhecia. Tocamos com eles no Musikaos, e sempre que um ou outro deles está em São Paulo, principalmente o Rodrigo (Amarante), ele sempre vai em show nosso. Então a gente se conhece nesse tipo de contato. E o Rodrigo é muito amigo do Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, que é amigão nosso também, então acaba tendo essa conexão. A gente se conhece desse jeito, a gente sabe que eles gostam muito, falam sempre bem da gente.

sm: O show de ontem foi curto também?
Gerez: Mas a gente geralmente não faz show grande, a gente fez um show de uma hora, que é um show extenso para a gente.
Mário Cappi: E a gente até teria tocado mais se não tivesse dado problema técnico e se o calor não estivesse tão forte ali dentro.
Granado: Mas o maior problema foi que a guitarra do Fernando tava dando choque nele. Então não tinha como ele tocar, assim. Aí foi foda, sabe. A gente ainda continuou a música que a gente terminou, mas não tinha mais como a gente tocar.

sm: Vocês já tinham tocado no Rio, né. Já tinham tocado no Odisséia...
Gerez: Tocamos no Odisséia, tocamos no Casarão Amarelo há um tempo atrás, em Copacabana.
Granado: Com o Noção de Nada e o Leela.



sm: Vocês são de onde lá em São Paulo?
Granado: Somos Zona Oeste, todo mundo. Lapa, Pinheiros, Pinheiros, Vila Madalena. A banda é de Pinheiros, né, porque a gente sempre se reuniu lá, ensaia lá.
Mário Cappi: Tem o Rogério que é da Zona Sul. Eu e meu irmão (Fernando Cappi, guitarra), a gente morava na Zona Leste, mas agora mudou na Zona Oeste.


sm: Mais clichê: como é levar uma banda alternativa no Brasil, onde é difícil você viver de música até quando é famoso e tal? Vocês sentem essa dificuldade, já sentiram vontade de mudar de “ramo”?
Gerez: Mudar de ramo não, mas...
Granado: É, isso aí a gente nem conseguiria, não. Sobreviver da banda, ninguém vive da banda, relacionadas à música ou não. Mas a gente já sabia que ia ser assim, claro que a gente quer que a coisa...
Gerez: Na verdade às vezes é até melhor. Talvez você precise de outros meios para se manter, e não tem que abrir mão de nada do trabalho que você faz. Você não precisa dar satisfação para nada.
Granado: Sempre existe essa coisa de “Ah, mas como é viver como uma banda independente?” Meu, a gente nunca pensou como seria de outro jeito. O fato de ser alternativo ou não ser alternativo. A gente quer fazer a música que a gente faz, do jeito que a gente trabalha e se é assim que é, assim que é. É um negócio que nunca foi pensado nem discutido entre a gente. “Puta! Vamos fazer esse som e vamos lutar com isso que a gente tem”. Não é uma bandeira nem nada. É que quando a gente toca junto sai esse som.

sm: Vocês compõem como? É na hora? Ou chega alguém com uma base? Varia muito?
Granado: De todas as maneiras possíveis. Alguém pode trazer uma idéia, uma base, alguém pode trazer uma linha de bateria, alguém pode trazer uma idéia verbal.
Gerez: Geralmente é tudo desenvolvido com as seis pessoas juntas.
Granado: A partir de qualquer idéia, de a gente tocando ou da idéia de alguém, todo mundo trabalha, todo mundo põe idéia em cima, e no fim a coisa vira tipo.... geralmente a primeira idéia já não ta nem reconhecível, mais.


Você acha que vocês vão ter mais reconhecimento depois desse show de ontem?
Granado: Não sei, não sei.
Gerez: Não dá pra saber.
Granado: A gente já fez outros shows grandes em São Paulo também, tocou com o Nação Zumbi lá, e tudo... Você não consegue enxergar se aumenta ou não logo de cara, assim. Tipo, não é imediato, e você não consegue ligar “Ah, foi por causa disso...”
Mário Cappi: A gente acabou de ter um exemplo disso agora. O cara falou que perdeu o show da gente de ontem, ia ver o Los Hermanos. Mas os pais dele recomendaram. Ele veio hoje.
Granado: Ah, isso é legal.
Cappi: É uma coisa que acaba tendo uma reação imediata e não grande, não é uma coisa que você perceba. A não ser que a pessoa venha te falar.
Granado: Ainda mais como banda de abertura. A pessoa quer ver a próxima banda, não vai prestar atenção. É legal porque você toca para um público diferente.
Mário Cappi: um pessoal que nunca teria acesso ao seu trabalho também.
Gerez: Só de saber que você atinge um pessoal que não vai ter acesso a uma coisa que é mais difícil, que não é tão fácil de encontrar, já é legal.
Granado: e se essas pessoas se divertirem, já tá legal.


Enfim, a casa própria
Perda :: Dorival Caymmi
Dorival Caymmi :: Compilação de vídeos
Show: Momo, no Cinemathèque
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Agenda :: Momo, Hoje!
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Entrevista: Fabrício Ofuji, produtor do Móveis Col...
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