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Bernardo Mortimer
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27.9.05

especial: Caravana Maldita do Weezer

24/set 16:25
De sexta-feira à noite até agora, sábado à tarde, tudo que rolou foi uma longa viagem, com trânsito na Dutra, e ônibus perdido em Curitiba. A caravana é toda nerd, e em grande parte tem orgulho disso. Todos querem e estão aqui pelo Weezer.
As notícias no Rio eram que a procura por ingressos estava bem abaixo da expectativa. Um) A apresentação foi transferida da pedreira de Paulo Leminski - de 10 mil lugares - para certo Master Hall, de 4 mil. Dois) A caravana da Matriz, termômetro carioca do Curitiba Rock (ex-Pop) Festival, é representada por um bravo ônibus, não mais cinco. Tudo bem, o pacote anti-social dos que preferem vir de avião pagando a passagem por fora (ou usando milha do pai/trabalho) se esgotou rapidinho, e tem a estréia do Festival de Cinema do Rio, na cidade.
Pois bem, as notícias ao chegar em Curitiba: Um) O show de sábado, do Weezer, está esgotado: 3.500 ingressos vendidos. Dois) Lobão e Hurtmold não tocam mais. (Fica pra próxima eu assistir ao Takara na banda dele). Três) Bem, menos mal, o Acabou la Tequila está na cidade, de mapa na mão. Não vi o Kassin, nem o Donida. Gabriel Thomas está aí. Corre o boato de que não vai ter duas baterias no palco. Quatro) Não tem nada a ver, mas a Érika Martins vai gravar disco-solo e já botou Kung-Fu no repertório. Tequila!

Pessoas estão gritando "Weezer", na rua. Devem ser cariocas hospedados no hotel, mas enfim, estão na rua e dá pra ouvir do segundo andar. Uma garota foi assaltada na porta do hotel, perdeu a câmera fotográfica.

Depois de tomar banho, almoço no Bar do Alemão. O baixista e o baterista do Pixies comeram lá, ano passado, e a fachada do lugar é a foto da comunidade do Orkut da Caravana Maldita. É, o Weezer tem muitos fãs nerds.



25/set 15:35

A primeira banda que chamou a atenção, no sábado, foi a paulista Biônica. Um homem na guitarra e três mulheres com coroas de princesa, na bateria, baixo e voz, tratam de temas como o sequestro de Abílio Diniz e a morte da mãe do Bambi com postura punk, certa pose hippie de chocalhos na mão e muito descompromisso. Descompromisso que remete um pouco à boca suja do também paulista Cansei de Ser Sexy - que circulava pela platéia - mas sem o mesmo hype fashion e a mesma ironia. O CSS te agride com o desbunde, e você gosta ou não, entende ou bóia. E aí está o maior problema do Biônica: a baterista é boa e puxa pra frente o som, a guitarra é interessante, plasticamente a banda vai bem no palco, mas a vocalista não achou o tom. Quando alguém resolve cantar que vai te assustar, a primeira coisa que tem que acontecer é você esperar um susto. E, com o Biônica, todo o trabalho de ser diferente às bandas que se levam a sério cai porque falta compromisso com a brincadeira. Ninguém se assustou, a rebeldia era ensaiada.
Em seguida, a banda de um, Cidadão Instigado, sobe ao palco. Além do próprio CI Fernando Catatau, músicos de apoio aparecem (baixo, guitarra base, teclado e bateria) e dão de cara com um público pouco disposto a entrar na cabeçudisse cearense de incômodo ao senso comum. Um elo entre as possibilidades da guitarra elétrica e a loucura fora-da-ordem de Walter Franco. O show foi praticamente todo em cima do disco mais recente, 'Cidadão Instigado e o Método Tufo de Experiências', que ao vivo soa mais simples e fácil (estamos falando de instigação, lembre-se) do que o disco anterior, 'O Ciclo da Dê.Cadência'. Apesar de certa apatia, que ameaçava-se tornar animosidade no que a apresentação chegava ao fim, houve aplausos que eram mais do que um protocolo de respeito. Entre os cariocas malditos, pode-se dizer que uma sementinha instigada foi plantada. A música saideira foi a poética e existencial 'Lá Fora Tem', que se fosse pra usar uma gíria da caravana, seria desde já um clássico.



Acabou la Tequila: sem Donida, e com Kassin, a banda preferida de quem conhece parecia um pouco tensa ao entrar no palco. Talvez o mais tranquilo fosse o guitarrista Kassin. No lugar de Donida, Melvin (Carbona) assumiu o baixo. Pode ter sido pela reação da platéia sedenta de Weezer, ao fim do show instigado, pode ter sido pelos quase 4 mil (entre pagantes, MTV e convidados) que entraram ao entender que não dava mais pra ficar do lado de fora, podia ser por causa de roadies nerds avisando quanto tempo tinha que durar a apresentação, sei lá.
Um forte dedilhado abre o show: é o novo arranjo de "Péla-Saco", que é emendado com "Pra Lá em Tijuana". Fim dos dedilhados, vêm os acordes cheios e distorcidos de "Pensa Demais", seguida de "Flaming Moe" e assim por diante. No meio da platéia quatro ou cinco cariocas - a conta depende de eu me avaliar como neutro e observador imparcial, ou não - cantavam todas as letras sem poupar a voz para a diversão dos nerds que estava prometida para dali a pouco. Os curitibanos e tudo o mais que cercavam os tais cariocas estavam assustados, curitibanos e tudo o mais que, aliás, tinham um comportamento muito estranho para um festival, sem sexo ou drogas mas muita indumentária rock'n'roll. E no meio do show, um anúncio: "agora vai o nosso hit". E lá veio, com agora uns quatorze ou quinze cariocas gritando e rindo: "Eu não faço mais nada por você, não compro mais seu biscoito preferido, eu não passo, não cozinho, não faço mais... SACRIFÍCIO NÃO". Kassin até tocou. Dali a pouco o show acabaria, sem tocar 'Tranquilo" (elocubração: também, com a tensão que eles subiram ao palco...), "Deus Abençoe Pitágoras", "Ferina" ou "Eu não Preciso de Ninguém pra Ser Feliz". Antes d' "O fim", a música e o próprio, Kassin ainda atacou com a sensacional e anunciada como inédita "Um homem ao Mar".
Pois é, no sábado (na verdade é sexta) tem Kassin + 2, na festa especial da Loud, em 3 casas da Lapa, no Rio. A Casa da Matriz quer porque quer tirar a Loud do Cine Íris, por razões de grana de aluguel, e aposta num super-evento pra acabar com o papinho de que um não vive sem o outro. Sem entrar no mérito, o que se pretende aqui é lançar uma campanha mundial pro show do Circo, 22:30, do Kassin. Mande e-mail, deixe recado na secretária eletrônica, escreva numa cartolina, cria uma comunidade no Orkut, mande torpedos, conte em segredo e diga que não é pra espalhar, sei lá, mas faça o cara tocar essa música e depois gravá-la. É o meu pedido, e dele vou pro Weezer. (Só pra saber, essa música já rolou no K+2 no Sérgio Porto, bom sinal.)




O Weezer demorou pouco mais de uma hora para entrar no palco, o que significa que por quase uns setenta minutos quase 3 mil pessoas ficaram em pé, apertadas, algo cansadas, mas essencialmente ansiosas. Muito ansiosas, e algo entediadas. 3 mil porque umas outras mil estavam no segundo e terceiro andares de mezanino, vivendo outros apertos talvez tão chatos quanto o do povo de baixo. O trabalho dos roadies era monótono de se assistir, e não dava pista nenhuma sobre quanto faltava para começar o lance sério. O dj começou querendo animar a galera, e botou Ramones, Pixies, e tal. Mas a tática foi logo substituída, e deu lugar a um hip hopzinho instrumental sem maior importância. A impaciência não podia ser insuflada.
Quando, finalmente, Patrick Wilson sentou na bateria com o cabelo penteado pra trás e uma camisa polo apertadinha, todos gritaram como se já soubessem o que estaria escrito no site da banda, no dia seguinte: 'One of the all time top weezer shows tonight. Story coming asap...' Algo pelo que um monarca imploraria...
Pois bem eis o set list: - My Name is Jonas- Tired of Sex- Don´t Let Go- In Garage- This is Such a Pitty- Big Me (cover do Foo Fighters)- Perfect Situation- Why Bother- El Scorcho- Say it Ain´t So- We´re All on Drugs- The Good Life- Beverly Hills- Buddy Holly- Photograph /-/ Bis- Island in the Sun- Undone (the Sweater Song)- Hash Pipe- Surf Wax America. Rivers Cuomo se aproximou do microfone, fez uma saudação qualquer, e com a banda se apresentou: "my name is Jonas". Todos pularam, gritaram e se empurraram, a banda parou. Cuomo: "My name is Jonas". mais pulos, empurrões, histeria, nerdices eletrônicas levantadas acima da cabeça para registrar o que a memória nunca deletaria, casais se separavam entre a massa que era mexida pelas mãos do Weezer, mas os olhos não paravam de brilhar na direção do palco. Antes de "In Garage", eu já tinha desistido de ficar na frente. Meus cotovelos doíam tanto quanto minhas costelas, eu não sairia ganhando nunca da briga por me manter no lugar, ou no mínimo não ser empurrado pra trás. Além do mais, muito calor.
Saí, tirei o casaco, voltei. Pro fundo do Curitiba Master Hall. Fundo também lotado. Até achar um lugar legal, Cuomo já elogiava o Foo Fighters, perguntava se já tinham vindo ao Brasil, preparando o que, como todo o show, não era uma surpresa. "Big Me". Foi a esfriada do show, embora a palavra seja a mais inadequada possível, claro. Daí a duas músicas, fui ao bar beber uma água - a cerveja era Conti, o que não se deseja nem aos piores acotoveladores de frente de palco. Lá fiquei, impressionado com a nerdice exageradamente estereotipada do baixista Scott Shriner, que de tão surreal deve ser de verdade, afinal ele é americano. Hmm, um nerd genuíno, isto é Weezer. "The Good Life", "Buddy Holly" e "The Good Life" foram os momentos de mais delírio, se é que o público não entrou em um transe coletivo absurdo e sem interrupão, de identificação e sensação de pertencimento a algo maior, pop, divertido, mas sem sexo ou drogas. Se Cazuza reclamou um dia que "meu sex and drugs não tem nenhum rock'n'roll" , o show do Weezer parece se satisfazer com o vice-versa.


O bis é um show extra, de quem joga pra platéia mesmo e sabe como se faz. E isso que eles já tinham trocado instrumentos em "Buddy Holly" e "Photograph", que encerraram o tempo regulamentar. Depois de se despedirem, o palco fica escuro. Soa um violão, ningém vê daonde até que a luz aponta Rivers Cuomo no mezanino lotado reservado para a imprensa, sozinho, tocando "Island in the Sun". Muitos empurrões rearrumam a distribuição geográfica da platéia, e eu fico muito bem posicionado, obrigado. A música rende, e a comunhão do público quase faria cair uma lágrima. Não é o caso. O bis continua no palco, empurra-empurras re-reorganizam a platéia.
Ainda antes de terminar, lavando a alma dos presentes, minutos antes da chuva fina começar lá fora, Shriner chama alguém da platéia para tocar violão. Ele brinca que o cara pode inclusive ser da sua cidade e sobe 'Riandou', que descobriu-se ser Leandro, carioca, na língua e pronúncia da minha cidade natal.
Juro que tentei, mas o final vai ser esse mesmo: Os nerds se divertem. Muito.

27/09 17:20


Dia seguinte, a vontade era de tranquilidade. Todos cansados, realizados, aquela sensação de pós-orgia, quando o clímax (vamos chamar assim) foi atingido e não há mais muito assunto para puxar. Todos sorriem, e sabem que o dia nasceu feliz. Muitos têm dor nas pernas ou na coluna.
No saguão do hotel, à espera do ônibus que levaria aos shows dos simpáticos Raveonnetes e da incógnita Mercury Rev, já que Karine Alexandrino, Móveis Coloniais de Acaju e Los Diaños tinham começado cedo demais pra serem considerados como hipótese, fica uma conversinha entre figuras cheias de opinião a dar e sem intenção de ouvir.
Melvin, do Carbona e no festival pelo Tequila, sai do bolo e se junta a Chokito, do Pic-Nic e do Seres – roadie do Charme Chulo no festival, e eu. Ele começa contando a saga para não conseguir ser chamado ao palco na hora do violãozinho que acabou sendo de Riandou. Pra quem não sabe, Melvin é fã do Weezer. Já esteve em uns oito shows da banda, pelo mundo, já fez umas três ou quatro matérias sobre estas apresentações para diferentes veículos como Dynamite e Riofanzine, e troca e-mails com um dos roadies da banda. Ele já tinha avisado ao cara que estaria em Curitiba, avisou na quinta que tinha acabado de ser convidado para tocar no festival na banda anterior e avisou que tinha que ser ele o escolhido a subir no palco. Para tanto, fez até uma página escondida no site do Carbona, com um currículozinho de uízermaníaco, contando histórias loucas de cada show que assistiu – que “vão do milagre à quase morte, dá livro e o caralho, brother”. A resposta do roadie foi: não tem como garantir nada, o felizardo é escolhido na hora, mas fica na primeira fileira, em frente ao baixista ou ao guitarrista, que eu tento te indicar pra eles.
Acabada la Tequila, Melvin fez milagre (breve em uma livraria perto de você?) e ficou de frente para Scott Shriner.
No fim do show, quando chega a hora, em uma linguagem universal de gestos de fã desesperado, antes de ser revelada a “surpresa”, o baixista do Carbona e jornalista deixa claro em umas três tentativas que ele quer tocar. Se fosse de primeira, talvez tivesse rolado, mas segundo Melvin, o baixista do Weezer pediu desculpas e explicou - em gestos de quem estudou trancado no quarto a linguagem dos fãs desesperados - que quem anuncia que alguém sobe no palco é ele, mas quem escolhe é o guitarrista. Sorte de Riandou-Leandro.
Reavaliando o show do Tequila, Melvin diz que gostou e ri das palhaçadas combinadas e cumpridas na hora, como a subir na bateria na hora do instrumental de ‘Eu Era Pop’ para pular coreografado com Gabriel Thomas, entre outras. Conta o porque da guitarra do autorama ter ficado meio caindo no fim do show, um pedaço descolou (!!), e enumera as várias músicas cortadas ao meio: “Kung Fu” e “Biscoito”, as que eu me lembro, sendo que essa nem foi muito ensaiada. Em compensação, “Ferina” e “Eu Não Preciso de Ninguém Pra Ser Feliz”, ficaram de fora. Ainda assim, de olho no relógio, a banda extrapolou bem a meia hora escrita no regulamento. Melvin tocou com um único ensaio, um dia antes do sábado e um dia depois do convite.

Às oito da noite, depois de comprar baratinho um disco da Stela Campos e outro do Radiohead, veio o fim do show do Ultramen, que apresentou a punk reggae party gaúcha com dj, de costume, só que sem o tempo para tornar tantas influências algo coerente. Pra quem nunca tinha visto, deve ter ficado uma idéia de que a banda atira para todos os lados, o que o vocalista Tonho Crocco justificou convidando a todos para um show de uma hora e meia, um dia depois, em algum lugar do Brasil que o gravador do repórter apagou sem querer. A destacar, a seção rítmica ora jamaicana ora hardcore, e forçando a boa vontade, samba. A conclusão é que foi uma banda deslocada para o dia.
The Raveonnetes veio em seguida para se tornar a surpresa do festival. Como um Strokes sem estar drogado, com um divertido guitarrista poser, um baterista careca de clique no ouvido frio e calculista como se fosse um robô do Kraftwerk, e um guitarrista despenteado que leva algumas canções na voz, a dupla dinamarquesa voltou ao rock de 70 sem tirar um pé do que rola hoje em dia. Além de tudo, Sharin Foo é uma gata de cintura fina e guitarra acústica vermelha que faz a gente nem reparar bem em qual é a dupla dela, um baixista seguro e marcando disciplinadamente o que a bateria sugeria em um baixo não sei de que cor - quem reparou?A loira, melhor do que nas fotos, tocava a base e dançava com todo o suingue nórdico que precisava. Só o suficiente, nem a mais nem a menos. A gringa estava encantada com a reação às músicas, que lembram muito as distorções sujas de Velvet Underground e The Jam. O clique da bateria servia também para o baterista disparar bases pré-gravadas, que na maioria das vezes eram a voz da própria Sharin fazendo backing.
E foi assim que várias mulheres e alguns namorados medrosos ficaram achando que era tudo playback, como se a loira fosse uma Sandy. Não era, e magnetismo encabulado nunca foi defeito. De qualquer forma, a melhor definição acabou sendo mesmo a dos Strokes sem drogas – a mesma bateria marcada, os mesmos riffs setentistas sobre acordes distorcidos, só que tudo disciplinado e com a doce voz da mulher mais bonita do festival. Ah, sim, como não lembrar de Jesus & Mary Chain.

A surpresa do festival já estava escolhida. Nem ninguém podia esperar algo de tão paixão acontecendo do reino da Dinamarca, e foi justamente descendo do palco e abraçando a brasileirada feliz da vida que Sharin encerrou o show.


Longo intervalo. A logo do CRF/Ibest, sai para dar lugar a um lençolzão branco. Vai rolar projeção, adivinham os sabidões.
Nada de ninguém no palco, uma colagem de discos introduzia e criava expectativas para a Mercury Rev que talvez, ehn, metade ou nem conheciam. Raveonnetes e a pá de boas bandas brasileiras eram o que mais chamava a atenção nas conversas antes do início da última banda. Do lado de fora chovia e fazia frio, poucos se atreviam a sair. O salgado estava mais barato um real. A cerveja não. Mas era Conti, quem bebia aquilo?
É bem verdade que o fato de muita gente ter comprado o pacote dos dois dias também jogou um monte de desavisados no Curitiba Master Hall, mas nada se parecia com o ar irresperável de um weezer-dia antes.
Terminadas as capas de disco, muitas saudadas com palmas e iurrus, só podia vir um showzasso. Tinham mostrado David Bowie, Ornette Coleman, Bitches Brew do Miles Davis, e mais uma série de clássicos com algo de delírio e psicodelia entre as melodias e barulhos. Um bom começo, todos pensavam, David Bowie é o inglês mais amado do Brasil, eu pensava.
O dia que uma viagem de ácido se parecer com aquele telão, as drogas vão matar por overtédio.
O show começa, arranjos grandiloqüentes, um vocalista se contorce de braços abertos, a qualquer momento uma fada vai sair voando, se a Enya tocasse numa comunidade hippie em um bosque da Irlanda, não ia sobrar Senhor dos Anéis na biblioteca dos sábios gnomos. No telão, ensaiadinho, tirando todo o poder do acaso de cena, entravam imagens de amostra grátis de photoshop, daquelas que já vêm como opção de fundo tela no Windows. Elas se revezavam com frases tiradas de contexto de gênios. Coitado de Einstein, que um dia falou que a criatividade é mais importante do que a inteligência sem se referir a escapismos místicos, coitado de Escher que usou a matemática para fazer desenhos que perderam dimensões e enquadramentos para virarem textura para um egolatria cansativa.
Voltou um ônibus cheio pro hotel mais cedo.

p.s.: Nada a ver com Curitiba, mas lendo hoje o Lúcio Ribeiro, que diz que devemos dar dinheiro pras associações protetoras de animais, lanço outro desafio. Converse com a criança que vier lhe pedir dinheiro no bar. Só isso, não precisa dar dinheiro. Você pode se surpreender com o “perigo” das ruas cariocas.
E outra coisa, o show do Kassin +2 será hoje, não amanhã. Loud sexta-feira, é isso mesmo, igualzinho foi nas férias de inverno. Kassin esse que está pop na capa da Áudio e entre os gourmets da semana, na RioShow. Maneiro. Tomara que ele toque “Um homem ao mar”, que é também a melhor música do mundo para o Felipe Aranha, do Hereges.


Bernardo é nerd nas horas vagas, e finge que não é
nas chamadas úteis. Ele não tem máquina digital nem IPod.
Este texto foi escrito e revisado ao longo dos acontecimentos.
O prazo final foi extrapolado, só rolaram fotos graças à colaboração de Bia Motta.


25.9.05

Vai vai vai vai ver

"Coisa mais linda" (em cartaz) e "Vinícius" (no Festival do Rio). Quem curte a bossa nova, o gênero em si, vale a pena ver os dois. Mas se prepara. Um é um ótimo filme, o outro é péssimo.

Vamos começar pelo trágico. "Coisa mais linda", dirigido por Paulo Thiago, reafirma a fama de péssimo cineasta que esse senhor ostenta. Não vi "Policarpo Quaresma", mas os comentários dão um pouco da dimensão do "talento" (sic) dele. Este novo filme, uma tentativa de ode a bossa nova, é péssimo, horroroso, uma aula de como não se faz um filme. Preguiçoso, frouxo, raso, babaca. Babaca é a melhor palavra sobre o filme. Vamos poupar Carlos Lyra e Roberto Menescal, eleitos por Thiago, como âncoras. Os dois ótimos músicos sofrem por um roteiro tão mal amarrado e estúpido. Os diálogos fakes entre os dois são constragedores. Os cortes bobos, a camêra insensível que tenta se corrigir pela montagem deixando tudo ainda mais estúpido. Olha, é constragedor.

Quem já fez alguma aula em que teve de produzir um curta ou algum material audiovisual que fosse ser submetido a avaliação de alguém e, depois, assiste ao filme de Paulo Thiago tem a seguinte certeza: se eu faço um trabalho igual a este filme, não tirava mais do que 7,0. É sério. Isso não significa que o filme seja nota 7,0. Nããão!!! Isto significa que se fosse um trabalho universitário, comparado a outros trabalhos universitários, feito com as precariedades e inexperiência dos filmes universitários, e somente nesse contexo, o filme poderia tirar uma nota 7,0. Arte não se mensura por notas, eu sei, mas não resisto a atribuir nota 0,5 , levando-se em consideração que se trata de um filme profissional. Paulo Thiago, meu camarada, vai (volta) para faculdade de cinema, vai... Ou então, menos, vai assistir alguma coisa que preste em estado normal de consciência, para ver se aprende.

Já sei, Paulo Thiago. Vai assistir "Vinícius", de Miguel Faria Jr. O diretor carioca resolveu fazer um documentário sobre este grande nome que foi Vinícius de Moraes. E fez um documento. Um lindo filme, sensível, com uma bela e trabalhosa pesquisa. As imagens utilizadas por Faria Jr. em "Vinícius" mostra como a pesquisa de imagens de "Coisa mais linda" também foi pobre e preguiçosa. As imagens existiam, não precisava ter ficado mostrando fotos... Que recurso mais bobo, usar fotos no cinema, quando as imagens existem! Em "Vinícius", os depoimentos são consistentes, de nomes fortes e relevantes e não uma série de colagens sucessivas de pessoas rísiveis para a história que está sendo contado, exatamente por ter um roteiro ruim, mal preparado.

Mas óh só... Se você não é o Paulo Thiago, vai ver o filme sim. Há histórias sensacionais e não há como ser diferente. O prazer de ouvir a história e as estórias da bossa nova é infinitamente maior que a incompetência de um roteiro fraco. A bossa nova é um movimento autêntico do país, retrato de uma época em que a esperança era real e pertinente. Acreditar que o país seria um País era viável e real, não uma utopia.

O fime de Faria Jr. confirma a teoria de Bebeto Castilho. A bossa nova é uma coisa. Tom, Vinícius e João Gilberto são outra. E a bossa nova é menor do que Tom, Vínicius e João. Vinicius é um monstro da cultura nacional, tanto da poesia erudita quanto da popular. A alegria com que conduziu sua vida transpassa pelas duas horas de telona. A vida é a arte do encontro e Vinícius soube bem disso. Os encontros que o filme mostra são, em sua enorme maioria, muito emocionantes. Destaques para a cena em que Tom e ele contam, em meio a plantas, como suas mulheres se irritavam com a paixão que ambos sentiam por uísque. "Você sabe, que elas quebram as garrafas de uísque na pia, você sabe... mas a gente vai e compra outra!" conta Tom, revelando um de seus cacuetes (dizer "Você sabe" no início e fim das frases). O encontro com Baden Powell cantando "Canto de Ossanha" numa sala, rodeado de amigos. O único senão do filme fica por conta do roteiro conduzido por dramatizações comandadas pelos atores Ricardo Blat e Camila Morgado. Eles vão muito bem, mas aquilo era desnecessário.

E amigo, independente de os filmes serem bons ou não, as histórias são. Então vai, vai, vai, vai amar, vai vai vai vai sofrer, vai vai vai vai chorar, vai vai vai vai ver.

23.9.05

O tempo passa, o tempo voa...

E daqui a pouco, o seu Ipod será uma relíquia de museu... Falta pouco.



20.9.05

Enquanto isso...

Com o "mundointeiro" sabe, eu bati pezinho e não fui ao show de lançamento de Los Hermanos 4, no Rio de Janeiro. Nesse momento, me pego ouvindo meu Itunes e ele enfilera "Sapato Novo" e "Santa Chuva" gravadas nas recentes apresentações do grupo em Porto Alegre e Curitiba, respectivamente.

Tá tão lindo, que eu tive que vir aqui escrever isso. Vá lá, essas duas músicas são... são... pois é... Marcelo está cantando melhor que nunca. E o vibrafone em Sapato Novo! Ah, esse vibrafone...

Era só isso, só.

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Sou orgulhoso, mesmo! Temoiso! Bato o pé de novo e repito (ou finjo?!) que ainda não me arrependi de não ter ido ao Claro Hall aquele dia.

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Quando será o próximo, hein?! Não, por nada... Só pra saber mesmo...

19.9.05

Moby no Rio (tá frio, tá não)

É, vai... música eletrônica pode ser legal. Vá lá que Moby não é exatamente o que há de mais radical em música eletrônica (ah, esse meu ranço preconceituoso...), mas o careca fez um show bem bacana no Rio, sábado passado.

O americano subiu ao palco com 50 minutos de atraso, mas, em compensação, com um som perfeito. Uma senhora equipe e uma afinadíssima banda servem ao DJ roqueiro, que, em estúdio, prefere gravar, ele mesmo, todos os instrumentos. O mais bacana foi ver um cara, que originalmente é DJ, tentando bancar o rockstar! . Foi notória a falta de intimidade dele com a função. Ao mesmo tempo, a timidez do "garoto" erguendo sua guitarra, completamente sem jeito, foi o maior charme da coisa. Moby passou as oito primeiras músicas correndo de um lado para o outro do palco, gritando sozinho, tentando conquistar a platéia.

Definitivamente não precisava. Antes mesmo de subir ao palco, Moby já estava com o jogo ganho. Quem se despencou, naquela chuva, para o Riocentro ou era ator global ou era fãzão mesmo. Ou as duas coisas. As bases eletrônicas são disparadas por um computador (um powerbook G4) comandado pelo engenheiro de som, a 50 metros de distância dali. As texturas e climas, que ligavam o rock-pop com a eletrônica, foram desenhadas pela ótima tecladista Lucinda Butler. Joy Grant, a cantora black que dividiu o centro das atenções com o próprio Moby, foi outro charme da noite. Com aquele ar de diva do jazz, ela cria frases que remetem ao gênero e também ao gospel americano.

O repertório de Moby desceu bem para não-iniciados como eu. Para os fãs, então, nem se fala... muitos cantando as músicas do início ao fim. O ponto fraco ficou por conta dos covers. O repertório em si foi bacana (Creep do Radiohead, Whole lotta Love do Led Zeppelin e Break on Through do The Doors), mas as execuções ficaram beeeeem abaixo do minimamente empolgante.

Sempre simpático, Moby atendeu aos pedidos do sobremusica e posou para uma foto exclusiva, momentos antes do show (graças a uma falha da segurança e ao repórter entrão). Saudou o público várias vezes e se "apologizou" por não falar português e por ser governado por Mr. Bush (ovação!!!). Despediu-se tirando fotos do público. Pediu para que todos levantasssem as mãos, dissessem "xiiiis" e ficassem bem bonitos. Agradecido, disse à platéia que podiam ficar tranqüilos pois estavam, todos, muito sexies. Que bom que esse show passou por aqui.

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Vale dizer que o Moby atualiza, com muita frequência, o seu site com fotos tiradas ao longo da turnê. Vai lá e confere se você apareceu!
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A equipe toda de Moby é muito simpática, parecem acompanhar o chefe. O único senão fica por conta de um segurança argentino (oooohhhh!! por que será?!) grosseirão e antipático que parecia ter sido contratado para a turnê sulamericana e gritava com jornalistas como se falasse com cachorros de rua... Lamentável.

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Lamentável também foi a idéia de se fazer aquele show ali. Vá lá, a Oi patrocinava o show, então ele não podia acontecer no Claro Hall, mas por mais que a cidade esteja sem muitas opções de locais para eventos desse porte, ainda tinham outros. Os poucos ingressos vendidos (6 dos 18 mil) já faziam prever um certo fracasso de público. Na véspera do show, o produtor responsável Luiz Oscar Niemeyer disse que isso era normal já que quem vai a este tipo de show, deixa para comprar em cima da hora.

Ora, ou eu sou muito bobo mesmo e não entendo nada de organização de eventos, ou se você tem um evento, cujo público decide ou não por ir em cima da hora, é de se imaginar que as condições do tempo sejam fatores determinantes para a "decisão de compra". Sendo assim, enquanto me encaminhava para o Riocentro, pensei com meus botões: "será que sou só eu que, quando está chovendo, desisto de ir a eventos a céu aberto?".

Descobri que não.

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Li no Globo e fui informado pela assessoria de imprensa que uma "cidade" para música eletrônica tinha sido construída para o evento, o que muito me empolgou e foi decisivo na minha decisão de ir. Entre outras coisas, iriam haver 18 tendas! criando um clima ímpar.

Bem, as tendas eram só 12. Todas de alimentação.

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Metade do público pagou entre R$ 50 e R$100. Outra metade era "vip" e lotou o camarote. Pelo menos, os vips não eram tão bestas e desceram pra assistir o show junto do palco, poupando a banda do constragimento de ter metade da frente de palco cheia e metade vazia.

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A chuva não curte o Moby. Primeiro, ela caiu forte na cidade para interferir sobre a "decisão de compra" (pff) do carioca e incentivar muitas pessoas a não irem ao show. Depois, criou várias poças no asfalto do Riocentro e muita lama nos gramados que levavam a platéia do (muito distaaaante estacionamento) até o espaço do show. Na hora que o show começou, a chuva, como se estivesse entediada, foi embora, não quis ver o Moby. Quando a banda saiu do palco, a chuva voltou como se quisesse botar todo mundo pra correr. A banda voltou para o bis... a chuva parou, pensou... e no finalzinho voltou, como se estivesse muito brava com aquela intromissão e caiu forte de novo. Para uns, lavando a alma. Para outros, expulsando. As luzes do palco em tons verde-amarelo anunciavam o fim. E foi legal ter sido assim.

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Marcelinho Dalua e Patife também agradaram bastante este ignorante em música eletrônica. Mas não vou escrever mais, senão vira tortura com vocês.

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Pequeno polaroid carioca
Quase no fim da apresentação de Marcelinho Dalua (que abriu a noite), o DJ mandou seu hit, em parceria com Seu Jorge, a versão de Construção, de Chico Buarque. Enquanto rolava a introdução com aquele "dão din, dão dão, dão diiin, dão dão, dão diiiin", um dos seguranças, se abraçando para proteger da temperatura que só caía, cantava on his own: "Tá frio, tá não, tá friiio, tá não, tá friiio". Boa!

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R$15,00 para estacionar?!?!?! E ainda por cima parar o carro a quase 1km do lugar do show e ter que ir andando na chuva?!?! Viva a falta de respeito e o assalto institucionalizado.

18.9.05

Lendo o Reverendo

Não há meio melhor para se falar de música do que o rádio, ninguém jamais discordou. MTV é outra coisa, internet começa a ser bacana mas ainda não juntou informação na história (podcasting?), e papel impresso é o bicho, mas o bicho sem mostrar os dentes.
E foi nessa pilha que 'Emissões Noturnas', o segundo livro do reverendo Fábio Massari, saiu e de alguma forma foi parar na minha casa, na minha cabeceira.
É o diário do extinto programa Rock Report, como faz crer o subtítulo "cadernos radiofônicos de fm". Nele, além de uma sinopse das edições entre fevereiro de 91 e março de 95, além de uns extras anteriores, posteriores e durante o tempinho do RR, há entrevistas com gente muito bacana, sempre no espírito lado b.
Assim, entre vários de quem nunca ouvi falar - talvez mais da metade - como Todd Rigione do Liquid Jesus ou John Sullivan do New Model Army, temos entrevistas sensacionais com personalidades do que existe além do mainstream. Todos os Ramones falam e dão sinais da fronteira quase visível que dividia Joey e Johnny, Wayne Kramer (MC5) tira onda de intelectual maldito e renega o punk, Henry Rollins (Black Flag e Rollins Band) diz que é um alívio deixar de ser independente para nunca mais ser roubado e critica o NIN, Danny Kelly (editor da NME) comprova a empáfia trincada inglesa do semanário frenético, Mark Arm e Steve Turner (Mudhoney) criam intriga no seio do grunge (eu juro que não tava pensando na Courtney...), Slash fala do começo do primeiro - e único - fim do Guns 'n' Roses, Kim Gordon (Sonic Youth) diz que o Nirvana é pop, e o "gente-finíssima super-herói" Bobby Gillespie (Primal Scream, pra ficar no principal) conta que o reggae dos anos 70 - início do dub, vai - foi a última coisa psicodélica que ouviu. E isso em uma entrevista de lançamento de Screamadelica, um dos cinco melhores discos de rock não-brasileiro dos anos 90. (Odelay/Beck, Nevermind/Nirvana, OK Computer/Radiohead e Blood Sugar Sex Magic/Red Hot Chili Peppers). Ou um dos dois melhores álbuns duplos. (Mellon Collie and the Infinite Sadness/ Smashing Pumpkins).
E o ex-parlamentar e roqueiro tcheco Michael Kocáb fala de Frank Zappa e Revolução de Veludo!!! (Sendo os dois tópicos parte do mesmo assunto...)

Claro, ainda há muitas entrevistas, como Alice in Chains, Manu Dibango e Nick Cave, fora aqueles todos totalmente desconhecidos pra mim.

Ou seja, um livro que, se não mostra os dentes, faz a gente formar a imagem na cabeça. E se você é daqueles que lê um livro correndo antes de ver o filme, sabe como é bom formar a imagem dos dentes na cabeça.


Nada a ver (1)

O show do meu ídolo Jards Macalé, na quarta-feira, foi uma decepção. Largado, curto, querendo ser bonitinho, sentar o povo no Circo, teatrinho com celular no palco... É uma pena. Já vi uns três ou quatro shows do Macalé, e nunca tinha voltado pra casa mau impressionado. Não vou comprar o disco, fiquei com a impressão de que é um golpe atrasado pra tirar algum em cima da saudade do Waly Salomão. Péssima impressão. E pra quem achou que a culpa foi das atrações que faltaram, digo que o roteiro do show foi seguido exatamente como planejado - presentes as atrações ou não. E quem me disse foi um dos respeitáveis que estava no palco. E que ainda tirou uma ondinha: "É... eu sou maldito, né?"

Deixou de ser meu tropicalista preferido.

Vou partir pra Torquatália.

Nada a ver (2)

Música ilustrada aleatória, Tortoise de Baixo Gávea, poesia Cépica com trilha de texturas, imagem e som remetendo ao delírio, baixaria, microfonia, quebradeira, distorção, vozes veludosas veladas vozes do vento. Binário, toda terça até meados de outubro, no Teatro do Jockey.

Nada a ver (3)

Já ouviu a 'Do You Want To', do Franz Ferdinand? Legal, né? E meio gay, também, né?

17.9.05

Posso apostar que não vai me decepcionar


A tão esperada maratona de shows começou ontem com a passagem do Pato Fu pelo Rio de Janeiro. O show acompanhou o excelente disco novo "Toda Cura para todo mal" e confirmou a suspeita levantada pela audição do álbum: a banda vive sua melhor fase.

A passagem de som me deixou um tanto quanto desconfiado. Demorada (como todas as passagens tendem a ser), ela mostrava algumas imperfeições e um excesso de samplers. Cheguei a acreditar que o uso dos eletrônicos (os "128 japas", como eles dizem) tinha perdido o ponto e estaria demais. Samplers até da meiga voz de Fernanda me fizeram lembrar de Milli & Vanilli, aqueles dois farsantes que foram descobertos como tais após o playback falhar durante uma apresentação. Se, no caso do Pato Fu, não fosse ser tão grave, era no mínimo de se desconfiar de que a banda ficaria muito presa às marcações que o uso desses loops e samplers implicariam.

No show, nada disso se confirmou. Existe sim, um certo excesso. Mas isso, antes de ser problemático, é um mérito. O Pato Fu nunca soou tão espontâneo, leve, orgânico e, ao mesmo tempo, com tantas marcações pré-estabelecidas. Muito bem ensaiados, eles pareciam conviver ainda melhor e em sintonia com os 128 japas.

A chuva, mais do que atrapalhar, ajudou para que ninguém se dispersasse e o público ficasse concetrado sob a lona, cantando a maioria das músicas. A abertura, com o novo sucesso "Anormal" (indicado a 5 categorias do VMB), revelou como a banda está tranqüila e feliz. Serena. A calma com que moldaram o disco se refletiu também no palco. A galera respondeu (e muito) ao longo de todo o show. O mais belo momento (não à toa) foi a música "Simplicidade". Com o título que é uma metáfora perfeita do momento terno que a banda parece viver, foi nela em que as luzes se apagaram e surgiu um pequeno astronauta, comandado como se fosse um um boneco e seu ventríloco, no caso, Fernanda Takai coberta por panos. O Pato Fu é a banda mais fofa do pop brasileiro.

Sucessos, lados b (se é que o Pato Fu tem lado "b"... ou seria lados "c"), músicas dos primeiros discos... teve de tudo um pouco. Até discurso pró-Michael Jackson antes de "Uh uh uh lá lá lá ié ié", a música-jacksonfive do último álbum. Por fim, antes de cantar o hit "Sobre o tempo", música que parece não envelhecer, a própria Fernanda confessou que este foi o melhor show da banda na cidade. E provavelmente foi mesmo. Dos que eu fui, certamente. O humor, o rock, o eletrônico, o pop, a Rickenbaker, o Xande Tamietti, as baladas, canções e tudo mais, trabalham cada vez mais pela tal simplicidade. A banda consegue e isso só dá mais charme a tudo que os envolve.

********************
Em "Capetão", a voz meiga de Fernanda é completamente distorcida para parecer com a do capeta. Ouvi-la, sob tal circunstância gritando "Your motherfucker!" é completeamente nonsense!

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Hoje a maratona continua com a dupla Riocentro-Moby. Força!

É rock ou é eletrônico?


Os shows de Moby e Asian Dub Foundation no Rio me deixaram encucado e pensativo. O Moby vem num show solo, digno de rockstar. O Asian Dub, num festival de música eletrônica. O que é o quê?

Admito não ser freqüentador assíduo de nenhum dos dois artistas. Os shows serão uma oportunidade de conhecer dois grandes artistas internacionais, como se estivesse vendo o show de uma banda nova qualquer no Garage. Não sei o que esperar, mas estou empolgado.

Até onde sei e conheço, o Moby é um DJ, que agora toca com uma banda de rock e intervenções eletrônicas. O Asian Dub seria exatamente o oposto. O Moby é inimigo do Eminem (boa!). O Asian Dub é amigo do Rappa (legal) e dos Racionais (hm...). O Moby e o Asian Dub pregam discursos politizados? Pregam. O Skank copiou um riff clássico do Asian Dub? Copiou. Asian Dub-Rappa-Skank... O Asian Dub é uma banda de raggamuffin? Não que eu saiba. Moby-Eminem, Moby é pop? Ih...


As informações sobre eles se confundem na minha cabeça. Olhando essas fotos, quem você diria que vai fazer um show de rock e quem parece que vai tocar num festival de música eletrônica? Não sei ainda o que o Asian Dub vem fazer na rave do Nokia Trends. Estou curioso. O festival vai acontecer simultaneamente no Rio e em São Paulo. Os shows cariocas serão transmitidos para Sampa por telão e vice-versa. Além de matar a curiosidade sobre o Asian Dub, já que resolvi que não vou me aprofundar na banda antes do show, o Nokia Trends será uma boa oportunidade para ver qual é a cara do público carioca que curte, em alto grau, raves e música eletrônica. Em São Paulo, esses eventos parecem soar mais naturais e óbvios. No Rio, será mais curioso e, por isso, estimulante. Além do que, será minha desvirginada em eventos desse tipo. Ainda acho meio doido. O mesmo vai valer para o show do Moby na cidade que foi preparada no Riocentro, com 18 tendas para um público sedento por música eletrônica. A conferir.

Mas voltando, não faria mais sentido se o Moby tivesse destilando o seu set no Nokia Trends e o Asian Dub fazendo um grande show de rock? Para ignorantes como eu, sim. Para entendidos talvez não. O que me resta é uma pura e puta inquietação para descobrir o novo.

Tenho dois sábados para isso.

Moby - Hoje - 17/09 - Riocentro
Asian Dub Nokia Trends - Sábado que vem - 24/09 - Armazens 5 e 6


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O que eles têm em comum com a gente? Concordam nisso:


********************
E lá-vou-eu, lá vou eu... Se joga, malandro!

16.9.05

Essa é para o Bernardo!

Colo aqui o email recebido da produção da banda.

"GALERA SITE DA NAÇÃO NO AR !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

www.nacaozumbi.com "

Só.

Coméquesefaz sendo um só?

O Rio, sempre tão carente de bons shows, vai começar uma sequência arrebatadora de eventos. Para as pessoas que não conseguem estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, e também para aquelas cujas po$$es são inferiores ao que o desejo necessita, ir a um show não significará exatamente "ir a um show" e sim, deixar de ir a 3, 4, 5...

Tem pra todos os gostos e bolsos.

16/09
Pato Fu (Circo Voador - R$ 20)
BNegão (Teatro Odisséia - R$20)
Lô Borges e Flávio Venturini (Sesc Madureira - R$8)
Zélia Duncan (Pça XV - De grátis)

17/09
Moby (Riocentro - R$ 100)
Simple Plan (Claro Hall - R$ 75)
Lafayette e os Tremendões (Teatro Odisséia - R$ 20)
Léo Gandelman (Casa de Cultura da Estácio na Barra - R$30)
Lô Borges e Flávio Venturini (Sesc Nova Iguaçu - R$8)
Jorge Ben e Arlindo Cruz (Fundição - R$ 30)

18/09
Lô Borges e Flávio Venturini (Sesc S. J. Meriti - R$8)
Omara Portuondo "Buena Vista" (Canecão - R$60)

***************
Ainda não vai ser dessa vez que vou assistir o Lafayette & os Tremendões, mas acho que vale a pena. Admito que gostaria de ir na maioria dos eventos citados nessa agendinha, mas ... Se você for, me conta?


***************
A situação ainda fica mais difícil quando você precisa queimar mais de 200 pilas para se garantir no Tim Festival com um mês de antecedência, né... Mas vamos lá!

***************
E é bom se preparar porque semana que vem tem Curitiba Rock Festival para quem quiser se despencar atrás do Weezer e do (tão raro quanto) Acabou La Tequila. Pros "bemmais" jovens que ficarem por aqui, tem Avril Lavigne. Para os jovens e não-tão-jovens-assim tem o Nokia Trends, com Asian Dub Foundantion confirmado. Tá intenso, intenso...

***************
É... a noite é uma criança... (que clichê fraco!)

Happy bithday to you,

happy birhday, Mr. Riley, happy birthday to you.

*******************

Dia 16 de setembro de 1925 também chegou a "estemundo" Mr. Charlie Byrd. Ou seja, hoje é um mini natal do blues...

*******************
Que dobrem os sinos de New Orleans!

14.9.05

Acabôôôô, aaa ca bô... Acabôôôô...

Strokes só na próxima ou nos amiguinhos cambistas... Aê, na minha mão tá saindo a R$350,00 pra estudante. Sem carteirinha é R$ 700.

12.9.05

Não É Brincadeira: Estou Nervoso

É o vento que vem do mar e o sol queimando a moleira como agentes existencialistas...

8.9.05

Saldo = - R$ 50,00


Começou...


Como ainda guardo minha carteira de estudante, amortizei a primeira pancada deste fim-de-ano...

*******************
Depois de perder o Brian Wilson, ano passado, por ter chegado algumas horas depois de os ingressos esgotarem, resolvi que inauguraria as filas neste ano. Meia-hora depois de iniciadas as vendas, lá estava eu. Doente? Precipitado? Pode ser que sim, mas aviso aos tranqüilos e equilibrados que quando cheguei na loja, já haviam passado 4 doentes por lá e quando saí, 5 minutos depois de ter entrado, a fila já contava com mais 10 outros doentes como eu. Isso, na primeira hora de vendas, em apenas um dos mais de 20 postos de vendas.

Fica a dica. Se você quer mesmo ir a este show, fuja dos doentes. Seja um de nós.

7.9.05

Chove

MC Solaar, tudo indica que não perdi nada.

Kassin, e a resposta ao "de raiz". (favor procurar pelo dia 6/8)

Chove, e eu ouço 'Vingança', do Canastra. E passeio pela vida de outros blogs. Desacostumei de feriados molhados, não há muito a fazer. "Quero agir sem nenhuma compaixão, (...) Quero saciar minha sede de vingança". Por algum motivo, isso cantado como é cantado me leva a "É doce morrer no mar..."
Deve ser a chuva. Só pode ser.

5.9.05

Nova Orleans

Planos para futuro, para férias que não chegam, sempre incluíam Nova Orleans. Ouvir o som do delta do Mississipi, quem sabe cruzar com Dr John ou a Rebirth Brass Band, ouvir o jazz festivo e creole/crioulo da terra que não entrou nos estereótipos americanos. Isso apesar de não ser de forma alguma européia, ou caribenha, ou africana.
Nova Orleans é a própria, no máximo niuorlins, new orleans, terra de vodu, de francesas de vestido de babado, de negros que são ou serão autênticos pai-velhos, de carteados e vento no canavial, de lamentos e festas entre uma geografia difícil mas domada pelo improviso. Católica e, portanto, devassa. O lugar onde o diabo se apaixonaria. Onde Jesus faria algo imperdoável. A única terra dos EUA com carnaval. E isso já devia ser o suficiente. Sem ianques, caipiras, velhinhos aposentados, lenhadores ou surfistas bronzeados. Nada contra. Uma cidade sobre música.

Assim, homenageie Nova Orleans como lhe convier, mas não deixe de fazê-lo. Vá ao show do Dr John, no primeiro dia do Timfa. Entre no site do roncaronca e leia o que foi escrito/indicado hoje. Assista ao RoncaRonca hoje, à noite. Sei lá. Improvise.
Depois não vá se sentir culpado.

4.9.05

Adiante à Piada Interna

Eu não nego.

Gosto muito de piada interna. Se um paulista fosse ao Rio e assistisse a um show do Quinto Andar – ainda com Marechal – ou visse no posto 9 a um daqueles ensaios abertos em roda do Farofa, ainda com seu Jorge anônimo, Orquestra Imperial no Ballroom, ou qualquer dessas coisas nossas; e não gostasse... Eu ia vibrar.
Gosto muito do que atinge a poucos, de filmes para a panela, de shows que só lotam em espaços pequenos, da satisfação no brilhante e médio. O céu pode ser um limite ao qual se é indiferente, e isso não é mediocridade.
Já dizia o Tequila em letra de Kassin: “O que é mais dourado do que o ouro não satisfaz”.
Metade das melhores bandas do mundo, pra mim, não vendem discos.
Isso tudo pra dividir com o planeta um textinho que foi publicado num projeto que nasceu morto. Rezistencia. As poesias são do Bito. Aí vai.

Todo dia o caminho do bem se esconde de novo. Todo dia os aliados são checados e testados. Todo dia uma crise pode começar, e outra pode continuar. Todo dia, eu tenho que fazer tudo diferente. Existir não basta. Tem-se que existir de novo. Rezistir. Breiniuóxe, idéias, pensamentos, opiniões, notícias não televisionadas. Duas cabeças compoem peças de sobrevivência. Aqui, o lar da reziztencia cultural.

3.9.05

Interna da Piada interna

Também li o texto do camarada Lúcio Pensata...

Imediatamente, mandei um email para ele, que transcrevo parcialmente aqui.

"(...)Polêmica por polêmica, me permito dizer que essa banda é ruim demais. Não consigo entender o alarde feito em torno dela. "

Trecho da resposta recebida...

"o cansei divide opiniões, mesmo. normal. valeu o email.. lúcio"

Ele ainda registrou que recebe poucas mensagens de pessoas do Rio de Janeiro. E olha que ele sorteia vários acepipes bacanas... Vale a pena marcar presença na caixa postal do cara...

****************
É isso.

Piada interna

Quem me conhece, sabe e há de concordar. Sou um cara maneiro. Nem demais, nem em falta. Maneiro.

Costumo estar disposto a dar uma segunda chance.

Mas fui testemunha da maior piada interna recente da música pop paulista. Vi o Cansei de Ser Sexy no Timfa SP, depois do simpático Soulwax e antes do hypado e competente 2manydjs, que vinham a ser a mesma coisa em duas versões.
O Cansei de Ser Sexy, a meu ver então, não passava de uma boa cozinha (baixo e bateria) com boas referências de punk/electro, e uma histeria que deve ser engraçada pra quem entende ou já viu aquilo em outra situação. Podreira chique desbocada desvairada.
Fenômeno brasileiro do mp3, a banda talvez não estivesse preparada para preencher um palco de grande festival, ainda mais com todos à espera do 2 manydjs, destaque do ano anterior no Timfa Rio. E eles ainda convidaram o Supla!!!!!!
Vi umas três músicas, e fui lá pra trás sentar e assistir a tudo de longe. Inclusive, demorei a acreditar no charada brasileiro, e só confirmei o desgosto ao apurar no fim do show a informação.
Eu queria mais era 2manydjs.

Tudo isso, porque li o seguinte hoje:

A cena musical independente brasileira vai ser sacudida na primeira semana de outubro, quando a banda-fenômeno paulistana Cansei de Ser Sexy (finalmente) lança em grande estilo seu primeiro álbum, depois de dois anos de superutilização da via internet, farra em eventos de moda, shows bizarros em pequenos bares sem palco e apresentações debochadas em palcos gigantes de grandes festivais. Mas, mais do que o revolucionário lançamento de um disco (um disco, não: dois! Dois discos, não: três!!!), o interessante é perceber que o CSS já há algum tempo botou em curso um involuntário plano de... dominação mundial. (...)

foto de Tod Seelie, que tirei da Popload, Folha de S. Paulo, Lúcio Ribeiro, 2/9/05

2.9.05

Nem tudo está perdido, Bernardo

Para quem, como nosso amigo, não sabe como financiar um calendário tão intenso... Há uma esperança.

Um caminhão de dinheiro...

Agora, todo mundo já viu que vazou a programação do Timfa 2005.
Começa o drama e a matemática do que eu não posso perder: Dr John, Orquestra Spock de Frevo, Strokes, Dizzee Rascal, Morcheeba.
Nisso, sem meia entrada, vão-se R$ 510,00.
Num segundo time, o dos que se eu perder, vou me arrepender: Elvis Costello e Television, Vincent Gallo e M. Takara, Arcade Fire.
Não farei contas.

Pois vamos às datas:

Club, 20hs.

21 out.: Bob Mintzer Big Band / Russell Malone & Benny Green / Wayne Shorter Quartet
22 out.: SpokFrevo Orquestra / Enrico Rava / John Mc Laughlin: Remember Shakti
23 out.: The Conga Kings / Dona Ivone Lara / Dr. John

Main Stage, 22 hs.

21 out.: mundo livre s/a / Kings of Leon / The Strokes
22 out.: De La Soul / M.I.A. / Dizzee Rascal
23 out.: Television / Elvis Costello and the Imposters

Tim Lab, 23 hs.

21 out.: M. TAKARA 3 / Autechre / Vincent Gallo
22 out.: Lado 2 Estéreo / The Arcade Fire / Wilco
23 out.: Vanessa da Mata / Kings of Convenience / Morcheeba

Motomix, 01 h

21 out.: Arthur Baker / PERETZ / Nego Moçambique
22 out.: KL Jay / Cut Chemist / Diplo
23 out.: Frankie Knuckles / Body & Soul


Claro que eu não conheço vários, mas entre os que eu conheço, não seria mau ver também De la Soul, Diplo, Lado 2 Estéreo, mundo livre s/a e Wayne Shorter.

Só um caminhão de dinheiro me faria feliz.

Canastra na Casa da Gávea

Sair de um show querendo tocar, cantar, ter banda, estudar, estudar, estudar, ouvir mais e diferentes músicas... Não há outra sensação possível. Sentir-se parte, na solidão lotada de uma platéia, de uma festa. Repartir a música, rir com ela, e por ela ser acompanhado.
Terça-feira, platéia lotada de poucos e bons, um ou outro curioso, todos interessados, vários amigos, alguns fãs, muitos amigos dos amigos, alegria no palco e ao redor, Canastra acerta mais uma. Desde o fim do Acabou la Tequila (e, do Planet Hemp), é minha banda carioca preferida. Parece que o próximo deles é na Melt. 3 de outubro.
Preciso voltar a tocar. Preciso.

Devia ter comprado a camisa. A laranja.



Nada a ver

O problema de certos festivais é a vontade de só ver uma das atrações. Hoje, eu estou perdendo o MC Solaar. Porque rap francês é um dos que hás.


Enfim, a casa própria
Perda :: Dorival Caymmi
Dorival Caymmi :: Compilação de vídeos
Show: Momo, no Cinemathèque
Site:: OEsquema
Agenda :: Momo, Hoje!
Aviso: Última Digital Dubs na Matriz
Entrevista: Fabrício Ofuji, produtor do Móveis Col...
Vídeo: Reckoner, de Gnarls Barkley
Vídeo: L'Espoir des Favelas, de Rim'K

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