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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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30.9.07

Ainda sobre a tal comunicação da arte

Nos dias de hoje, revelar se você já assistiu “Tropa de Elite” é quase tão obrigatório quanto dizer em quem você votou no segundo turno de uma eleição. Isso te joga de um lado de uma discussão maniqueísta, muitas vezes cínica e, quando não, rasa. Foi justamente por um acesso de cinismo fundamentalista que optei por não assistir à cópia pirata que a rapaziada conseguiu há umas três ou quatro semanas. E como não faço parte dos mil e poucos jornalistas que lotaram as duas sessões que o filme teve até agora (sim, porque se nenhum jornalista viu a cópia pirata, como se lê por aí, todos eles só podem ter estado nas tais sessões), não me proponho a traçar discussões mais aprofundadas sobre as crises institucional e moral que atingem à nossa sociedade. Vá lá que o lide não é uma obrigação prevista no Manual de Redação do SOBREMUSICA, mas acho que já posso dizer o que motiva este texto.

O cinema brasileiro mais uma vez faz com que a arte discuta a realidade das pessoas que a consomem. Não posso entrar no mérito do conteúdo, mas é fato que “Tropa de Elite” se comunica. O filme estabeleceu contato com o público e gerou uma série de reflexões sobre questões do 'cotiadiano nosso de cada dia'. Abriu-se um canal dialético. É a cultura de massa demonstrando que ainda tem força apesar da pulverização dos pólos emissores de informação. Voltamos à grande questão reincidente nos meus últimos textos por aqui: a capacidade da atual “nova geração” da música brasileira em estabelecer diálogo com a sociedade em que ela está inserida. Seria essa uma geração alienada? Quais são os assuntos, quais são as sensações, qual é o nosso tempo? Pode se falar com alguém além dos 30, 40 gatos pingados que estão nos mesmo shows de sempre? A música não parece se preocupar com isso.

A discussão sobre o mérito dessa questão também poderia ser proposta: qual a importância em se falar para muita gente? Afinal, a arte não deve se pautar pelo alcance que pretende ter, mas sim pelo que lhe interessa tratar. Esta teoria também é pertinente. Porém, não deixa de ser inquietante ver que o que interessa aos artistas parece estar passando ao largo dos que interessa à grande parte das pessoas ao redor deles.

Já no meio do turbilhão de teorias dialéticas disparado por “Tropa de Elite”, há algumas semanas o jornal “O Globo” fez uma matéria na qual juntava Selton Mello e Mateus Nachtergaele para falar das novas empreitadas dos rapazes, que assumiram o papel de diretor recentemente. Enquanto lia aquelas linhas, tive a sensação de estar vendo dois caras que daqui a 20, 30 anos vão ser baluartes e referências em carreiras no teatro e cinema. Eles vão ser os nossos equivalentes a Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Othon Bastos, Lima Duarte, etc, etc... Mais do que querer saber “quem vai ser o nosso Chico Buarque”, a pergunta é quem vai ter conseguido falar do nosso tempo nos emocionando, nos estimulando, nos contradizendo, nos propondo olhares.

Foi a importância do grande músico, do grande compositor, que diminuiu com a explosão da internet ou a agilidade das comunicações que aterrou parte da profundidade da música em prol da velocidade? Ou nenhum dos dois?

As linhas dos "cadernos de cultura" (argh!) que tratam “Tropa de Elite” como o primeiro vazamento de grandes proporções na cultura brasileira pós-revolução digital jogam luz em cima da fragilidade à qual a nossa música pop atual está submetida, já que nada que vazou nesses últimos 5 anos (pra ficar barato), causou algum interesse real.

Talvez a pergunta seja realmente a mais cruel de todas: qual a importância da música pop feita no Brasil atualmente? Na verdade, cruel não é a pergunta. É a resposta.

28.9.07

SMD: Na Cabeça da Chorona, The Feitos

Estética do Escroto


           Em uma frase: The Feitos vai pouco além do próprio clássico. Não dá para falar do disco dos niteroienses sem fazer uma separação severa entre a primeira faixa do SMD e o resto. A música Disco do Roberto é um acerto do começo ao fim, no samba errado que serve de introdução, na entrada das distorções hard rock pré-grunge, e na letra nonsense de métrica algo deslocada que remete diretamente à Graforréia Xilarmônica - tanto quanto o solo de guitarra torto. Até o tu é conjugado. Tudo tem humor e qualidade, e a homenagem à Roberto acaba sendo até um elogioso desrespeito ao transtorno obsessivo compulsivo dele. Uma bela música marrom, sei lá.
            O problema do disco é o que vem depois, que larga tudo que foi listado ali em cima, a não ser o nonsense e as guitarras distorcidas da época do Skid Row. Quanto às guitarras, nada a declarar: é isso mesmo que você tá pensando. Já o nonsense, ele perde a graça. É o caso de Gente Feiosa, Eu Perdi o Amor Pelos Meus Dentes (essa com um coro escondido: “vai chupar pau”) e Quero Ser Poser, mais para piadas escrotas do que para música. Ouvir uma vez pode funcionar, se o senso de humor estiver mais bobo, mas a segunda vez não faz sentido. O problema não é ser adolescente, Raimundos era legal, o problema é não ter com o que rir mesmo.
           As baladas são melhores, há deboche, mas também duram pouco. Talvez ao vivo, se rolar um grupo de amigos igualmente dado a bobagens, dê para cantar junto e rir de Feios Mas Felizes, Gente Feiosa e Um Dia Você Vai Querer Me Beijar. Mas só talvez. E, há de se notar: há até afinação (o que nem sempre se repete nos shows, mas aí vai um pouco de purismo que não cabe bem).
           Mulher Infiel é a parte melhor desse segundo pedaço do disco. A introdução volta a quase desencontrar instrumentos (como na Graforréia), o refrão é choroso como um Roberto Carlos corno que acertou, e assim, simplezinha, a música vai bem, e termina com duas mudanças de andamento quase latinas. O tosco, aí, tem humor. Trombetas, música que vem sendo destacada na Internet pela banda, também tem lá um charme, mas passa batida, sem muita importância. O mesmo pode se dizer da popzinha (a não ser pelo título comprido) Se Sua Irmã Quiser Não Há Nada Que Você Possa Fazer.
           Ou seja, o que há de melhor no trabalho do The Feitos é menos do que o necessário para encher um SMD (mídia com formato de CD, mas mais barata e com menor capacidade). Daria para fazer mais bonito - ou menos feio, como eu acho que eles iam preferir - só no myspace ou no tramavirtual (embora em um e no outro só estejam lá duas faixas).

26.9.07

Entrevista: Felipe Schuery, Lasciva Lula

Primavera do Descarrego Indie



           Recebi esse e-mail aí debaixo, que achei maneiríssimo. Nunca soube me posicionar muito bem quanto ao Lasciva Lula, gostava de detalhes como as pronúncias articuladas demais, mas sempre achava que faltava ouvir mais para ter uma opinião de verdade. Fui a alguns shows, e ora gostava mais da simplicidade no palco, ora não entendia bem o que não estava dando certo (pra mim, o público estava sempre bem empolgado, até). A minha última impressão, boa, tá valendo até agora, com o peso das quatro mp3 do myspace.
           Mas enfim, chegou o e-mail do Felipe Schuery (vocalista), bateu, e veio uma conversa que tá ali embaixo, na versão do diretor, sem cortes, só primeiras tomadas, como veio ao mundo. Pura espontaneidade.


           ”É tempo de declarações, flores, espinhos, gente sem camisa e peito de fora nas noites alternativas. Os indies, que na década passada dançavam solitários de cabeça baixa em frente às caixas de som, hoje lotam casas de show para cantar e dançar juntos. Música da Pelvs está no comercial do Banco do Brasil; Moptop toca na festa Haggen Dazs; o "Makelele" lá do Bloc Party sai do armário; Vanguart e Móveis Coloniais de Acaju namoram a Som Livre e tocam Raul num programa da Globo; o CSS e o Bonde do Rolê dominam o mundo junto com o Arctic Monkeys, que vem ao Brasil no Tim Festival para coroar a Primavera do Descarrego Indie: todo mundo cantando junto! O Lasciva Lula estreará, nesta quinta-feira, a música "Vontade de beijar Caetano", figurino (nus?) e cenário novos. É a festa Rock Baile, comandada pelo DJ Edinho, no Teatro Odisséia. Além disso, ainda na Primavera de Descarrego, será lançada a promoção "Enforque o cantor":
           Uma crítica sempre perseguiu o Lasciva Lula: 'o vocal é berrado demais', 'o Felipe grita muito no palco', 'eu gosto das músicas, mas o vocal não dá!'. Pois bem, está lançada a promoção ENFORQUE O CANTOR!: grave um videozinho escrotizando o vocal original e mande para nós (coloque no Youtube e mande o link). A própria banda escolherá o melhor (pior?) vídeo. O vencedor ganhará um kit com camisa e dois CDs (um 'Sublime mundo crânio' e uma coletânea de raridades), além ser convidado a participar de um show para duelar com o Felipe ao microfone! Para facilitar seu desempenho, disponibilizaremos no www.lascivalula.com.br versões karaokê de algumas músicas. Afine o gogó, prepare o grito e ENFORQUE O CANTOR!

27/09 – Quinta-feira
Rock Baile com Dj Edinho
Show: LASCIVA LULA
Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 16 (filipeta) e R$ 10 (estudantes ou
até meia noite)”

Re:
           E aí, Mão?
           Tudo certo? Se eu mandar umas quatro ou cinco perguntinhas tu responde? Tá meio em cima, mas a idéia era tentar botar isso a tempo de subir ainda para o show de quinta. Vê aí como vc tá de tempo, e de saco pra jornalista chato (rerre)...
           Abraço,


Re:Re:
           manda sim, respondo até amanhã (pode ser?)
           abraço,Felipe

Re:Re:Re:
           Bom,
           Vamos lá, fica à vontade, escreve quanto e o que quiser, etc:


sm: O show de quinta vai ter duas atrações especiais: a nova música Vontade de Beijar Caetano e a promoção Enforque O Cantor. O que uma coisa tem a ver com a outra?
FS: Lançamos em janeiro deste ano nosso primeiro CD, "Sublime mundo crânio", após 3 EPs. Foi uma gestação de 2 anos e uma expectativa muito grande dentro da banda. O CD foi muito bem recebido pela crítica especializada, o clipe de "Pra matar a fome" está bem rodado na internet, no Multishow, rolou na MTV, tocamos em lugares como Circo Voador e Canecão, e chegamos a conversar com selos e gravadoras para ver se rolava algo. Esse cenário se fez com a banda 100% independente. Nos organizamos para controlar grana, produção, assessoria de imprensa... tudo. Rolou uma pressão interna cada vez maior para ampliarmos o alcance do disco. Isso gerou um desgaste grande dentro da banda, pois, além de tudo, todos nós temos empregos paralelos, nosso verdadeiro ganha pão. Decidimos parar para pensar o que queríamos exatamente e qual seria a solução para manter o que temos em comum (o prazer de tocar na banda, independentemente de qualquer fator externo). Chegamos à conclusão que bastava tocar e fazer o que desse na telha, sem nos levar a sério demais, sem esperar um mecenas, sem a pressão de conseguir shows com freqüência, fazer TV, rádio etc. O resultado dessa nova postura é o que chamo de "Primavera do Descarrego", tempo de botar os demônios pra fora sem compromisso com nada que não seja o prazer de lidar com música: uma promoção feita pra rirmos de nós mesmos (em cima de uma crítica que sempre perseguiu o Lasciva Lula: o vocal berrado) e uma música que é um rockão catártico, de exposição total. A promoção, na verdade, começa em outubro, pelo www.lascivalula.com.br

sm: O Lasciva já foi muito chamado de Pixies com Mutantes. Você gosta da definição? O que mais vocês têm ouvido nesses não-sei-quantos anos de banda?
FS: Gosto muito das duas bandas. Com certeza influenciaram o Lasciva Lula desde a formação. A definição não me incomoda, embora eu ache reducionista. Mas... melhor assim. Nêgo ouve de tudo na banda: agora, por exemplo, estou ouvindo Fleetwood Mac pela primeira vez. O Marcello é fã de Sondre Lerche e Fiona Apple, o Guga só ouve velharia anos 60 e 70, o Jamil insiste em me mostrar, toda a vez que vou na casa dele, um disco do Zombies. Outro dia ganhei o Saltimbancos Trapalhões. No último ensaio fizemos uma versão de Sweet Child O´Mine. Ficou uma merda.

sm: Como tá funcionando a história de botar o disco Sublime Mundo Crânio inteiro para baixar no Trama Virtual, que remunera os downloads via patrocínio? Já dá pra comparar com resultado de venda do disco físico nos shows/site?
FS: É cedo para comparar, mas a idéia é boa. Muita gente já baixou o disco, gente que talvez não atingiríamos se não soltássemos o disco por aí. A remuneração... ainda não temos noção se as bandas emos vão deixar algum trocado pra gente.

sm: Um dos últimos shows de vocês no Rio foi a fatídica Noite da Independência (com Autoramas, Nervoso e Arnaldo), quando o que tinha cara de tudo pra dar certo não deu. O sobremusica tentou discutir essa falta de público carioca em uma noite de rock independente em véspera de feriado. O que você acha?
FS: Um show independente é a última opção de neguinho em véspera de feriado e fim de semana (noites de muita oferta). E acho que o público carioca é fã de "eventos", isto é, de ocasiões para, sim, curtir um show de uma banda nova, mas principalmente para ver e ser visto. Por que o público lota lançamento de disco e clipe e some em shows esporádicos? Por que o Humaitá pra Peixe tem um público legal e os shows que a mesma equipe produz, no decorrer do ano, em lugares ótimos, com preços bons, com excelentes bandas, ficam vazios? Enfim, eu acredito que tem que associar o show a algo. Tem que criar uma aura. A cena independente, por si só, pela sua música, tem público de integrantes de bandas, blogueiros, agitadores culturais e pouquíssimos freqüentadores. E, note bem, o tom aqui não é de reclamação, é de constatação. Os shows alternativos, com tudo isso, são divertidíssimos.

sm: Agora o mesmo tema em outra pergunta: só hoje (ontem) eu vi dois textos diferentes falando do momento indie brasileiro e mundial. Um foi o teu email de divulgação do show, o outro foi um post do trabalho sujo sobre CSS e Bonde do Rolê. Fala um pouco desse momento, da internet criando novos canais, da aproximação com mercado publicitário (tem Pelvs no Banco do Brasil, mas tem Bonde do Rolê só não tocando na Nokia brasileira porque parece funk carioca!!).
FS: A tecnologia digital assassinou a indústria fonográfica como conhecíamos e proporcionou um boom de novas bandas que se aproveitaram da viabilização de novos canais de troca de cultura. Daí, o que antes eram "centenas de emissores (bandas) em busca de um mecenas (gravadora)" virou "milhões de emissores em busca do seu nicho específico na rede e atrás de qualquer mecenas (gravadora, empresa de publicidade, de telefonia etc"). Os fenômenos são mais numerosos e duram pouco, os artistas são mais variados e alcançam os mais diversos meios. A internet deu visibilidade aos que antes eram esquisitos. E, então, os esquisitos descobriram que sempre estiveram em maior número.

sm: Você continua gostando de dicionários?
FS: Sim. Fui na Bienal e queria comprar o Dicionário de Regência Verbal, do Celso Luft, mas era R$104. Não dá... o destino das obras de referência é o digital. Ainda assim, um tijolão como o Houaiss ou o Aurélio não é um livro, é uma obra de arte.

sm: Um abração,
FS: Veja se presta. Abraço!

24.9.07

Show: André Ramiro, no set de Rodrigo S, antes de Dj DIE e Dj Andy, na Pista 3

Coluna Social e Drum n' Bass
fotos: Joca Vidal

      Foi sem hesitar que o rimador e ator, André Ramiro, emendou: "Eu represento também os camelô, e sigo rimando aqui com muito amô". Se o sobremusica fosse gente boa, diria que sobre a pirataria de Tropa de Elite, um dos atores principais não ficou triste.
      Mas além do momento celebridade, rolou também muito drum n' bass na Pista 3, no sábado à noite. Rodrigo S recebeu o Cachaça Crew, e fez um set clássico brasileiro, com batidas já ouvidas e conhecidas por aí. Na sequência, o gringo Dj DIE fez a transição, do turuturu-tá feijão com arroz para o peso do projeto Reprazent. O soturno, certamente, é bem mais rico.
      E por último, Dj Andy entrou na pista para manter o peso e acelerar o beat. Para quem não passava uma noite ao som de drum n' bass fazia tempo, e começou o sábado achando que o ritmo andava meio na mesma, foi uma prova clara de como têm andado as coisas.

23.9.07

A tal da comunicação da arte

Voltando rapidamente ao papo de dois dos meus últimos textos por aqui... Quando me referi a Chico Science e ao poder que ele tinha em tornar sua arte comunicável, apontava nessa característica uma das grandes razões para o fato dele ter se tornado imediatamente o ícone de uma geração. Chico era não só uma cabeça brilhante, mas ia além e permitia que os outros vissem seu brilho.

Era fácil perceber que ele era uma figura especial. Era fácil perceber que a história daquela turma estava apenas começando.

20.9.07

O samba mainstream

A ascensão do samba ao posto de gênero da vez na música brasileira chegou ao auge neste mês de setembro. Quem acompanhou as capas de revistas, jornais de cultura, programas de tv, etc, viu passar por lá nomes como Roberta Sá, Diogo Nogueira, Mariana Aydar, Pedro Miranda, Rodrigo Bittencourt, Edu Krieger, Nilze Carvalho, Moyseis Marques e, no alto desse altar, Maria Rita e Teresa Cristina. Tentar definir o marco que disparou esse processo é complicado, mas arriscaria três possíveis, ainda que o mais provável é que seja uma combinação muito maior de fatores.


Primeiro é a inevitável aproximação com o aspecto da cultura musical regional proposto pela geração dos anos 90 na música brasileira. Os avanços de linguagem se deram definitivamente pela fusão destes aspectos com as referências globais. Mas por mais curioso que seja, nenhum artista pop conseguiu grande projeção à época por reverenciar fontes do samba. Quem passou mais perto disso foi Cássia Eller, mas ainda assim no momento mais underground da sua carreira. Não conta aqui a gravação ímpar de Bezerra da Silva com o Barão Vermelho, com “Malandragem dá um tempo”, combinado?


Já lá na frente, surge outra faísca nessa história. O flerte de Marisa Monte com as referências que vinham de seu pai, Carlos Monte, antigo diretor da Portela, e que aproximam a cantora dos cancioneiros de Madureira. De certa forma, Marisa sempre passeou por aquela área, mas sem fazer dela seu lar em nenhum momento. Isso só foi acontecer de forma mais radical já no final da década, quando ela já era a cantora mais importante do país em termos de vendagens. Ainda assim, o processo de Marisa foi lento e à surdina. Na maioria das vezes, o público só percebia o que se passava na criação dela, depois de tudo estar realizado. Foi o caso, por exemplo, do disco “Tudo Azul”, com a Velha Guarda da Portela, lançado em 1999 ou da pesquisa intensa feita ao longo de anos revirando arquivos e que só se tornou pública com o lançamento de “Universo ao meu redor”. Nessa história, Marisa foi a isca comercial. O sucesso retumbante dela legitimou mercadologicamente esta tendência cultural, que tem mais um viés.


As misturas feitas no underground carioca, pelo hiphop e pelo rock alternativo, encontraram seus primeiros ecos nos trabalhos do Planet Hemp e do Acabou La Tequila. Porém, como nenhuma das duas bandas enveredou mais fundo nessa linha (talvez porque já existia uma “cobrança por resultados” sobre elas, já que estavam em grandes gravadoras como bandas de pop-rock), coube ao filhote Los Hermanos emergir vestindo a fantasia. A primeira referência de Camelo foi Noel Rosa. Seguiram-se os discos e vieram os sambas de Tom Zé, Chico Buarque, Cartola, Paulinho da Viola e Dorival Caymmi, para ficar só nos mais visíveis. O processo criativo do Los Hermanos foi, sem dúvidas, um grande impulso a uma nova geração, marcada pela era iPod – para qual se diluem a distância propostos pelas gândulas das prateleiras de lojas nos anos 90. Zé Kéti passa a ser tão acessível quanto U2: basta um clique – e com a cabeça mais aberta à pluralidade. Foi utilizando o samba como alicerce da mistura que os ligava a Beck, Weezer, Radiohead e Strokes que os Hermanos serviram como álcool na faísca.

Ok, ok. E o processo de renovação da Lapa, o famoso bairro carioca onde o samba se recriou? Sim, a Lapa é o vetor que emerge como resultante da soma dos vetores acima. Foi na Lapa que estes processos todos se catalisaram e fundiram. A Lapa abrigou o hiphop underground, as novas cantoras, os jovens sambistas com cara de roqueiro... A Lapa é causa, mas é sobretudo o palco. Foi lá que os ingredientes se encontraram. Somamos a isso as questões como a organização dos empresários da região em torno da recuperação cultural do local (movida a samba), algumas intervenções do poder público em levar eventos para a região, as novas casas de shows que foram surgindo quase que em cima umas das outras, etc, etc, etc. Todos estes fatores consolidaram o novo samba. Mas o viés desse texto corre mais pelas questões musicais.

O samba é a música da vez. Com as vendas em baixa e a história da “Cauda Longa” rolando por aí, o samba ajuda a preencher o discurso predominante nestes tempos que é “construir carreira”. O samba, em teoria, se permite ao longo prazo, justamente porque nunca chegou a ser propriamente a música da vez, sempre foi um gênero associado a artistas fortes, mas que nunca lideraram as paradas de sucesso. Tudo que vira “tendência”, mais tempo, menos tempo, passa pelo “desgaste”, independentemente da qualidade que haja ali. Com a jovem guarda foi assim, com a “MPB”, com o rock 80, com o sertanejo, com o pagode, com o axé... É fácil ver que será assim com este novo samba. O que hoje é supercool vira aposta de mercado, satura e é substituído. É normal que seja assim. Enquanto isso, a gente brinca de olhar em perspectiva ainda estando dentro do furacão.

E no fim do texto, é uma boa safra de discos e artistas que estamos assistindo emergir.

19.9.07

Aleatório :: João Brasil

No último domingo, recebi o mito João Brasil no Aleatório. Genial!



O cara que se prepara para tomar o Faustão no próximo domingo, tocou seus sucessos unplugged, com direito à inédita "Vai Bin bin". Sem falar no hit "Baranga", conduzido magistralmente num antigo piano elétrico Yamaha. Imperdível!


OUÇA!

14.9.07

VMA 07 e Internet

Soube da Última?

      Esse post pode ser lido de duas maneiras: (1)ou um simples reprocessamento de fofocas e invasões de privacidade de celebridades que vivem disso, (2)ou uma apuração/pensamento sobre o ponto em que chegamos no poder do fã.
      Em um vídeo, vê-se que jornalismo investigativo também pode ser feito na cultura pop, por um admirador de Britney Spears. E não tem nada a ver com ela estar gorda ou não. No outro, um furo de reportagem mostra a repercussão do prêmio com Kanye West, cinco indicações não convertidas. Tem que entender inglês pra pegar o "fuck mtv" e o "give a black man a chance". E, por último, um pedacinho da porrada entre os dois pregos que foram casados com a Pamela Anderson, nenhum dos dois com nada de relevante na carreira além disso.
      Os três vídeos têm propósitos diferentes, honestidades e éticas diferentes, mas o que me chamou a atenção foi a possibilidade de desdobramentos que abrem para uma festa que costuma desaparecer todo ano por estar fechada em si mesma.

      Pela ordem:


      Antes que alguém pergunte, o cara que postou isso tem um site, 16 anos, e acabou de passar as férias numa colônia de bailarinos (em uma tradução propositalmente safada).

      Da metade pro fim, dá pra ver que é mesmo o rapper.

      Esse é o mais chatinho, só botei pra completar três vídeos, mesmo.

      Não sei o que você pensa de mim, mas eu garanto que não fiquei no youtube procurando informações da Britney. Saiu tudo do blog bacana With Lasers.



Nada a ver

      Os parceiros tão de parabéns. 6 anos de pressão e som bonzão. Vamo que vamo que o som não pode parar: vida longa aos que botam o Bola Preta de casa cheia.


13.9.07

CHAPPA :: Newsletter Agosto

Este texto foi disparado na newsletter do CHAPPA de agosto. Deu para ver que repercutiu em alguns lugares e levou essa discussão adiante. Aproveito o ensejo e o reproduzo aqui. Em breve, sai a de setembro.


O novo mercado da música


As mudanças que o mercado fonográfico vem atravessando nos últimos anos em todo o planeta parecem estar chegando ao Brasil. Nesse início de agosto, algumas indicações disso vieram à tona e merecem um olhar mais atento.

Para começar, a Warner Music anunciou a parceria com a Indie Records, pela qual ela se torna a representante internacional de todo o catálogo da empresa brasileira. A gravadora ainda lançou no mercado uma ação consistente de incentivo ao download legal nos moldes do que é praticado há tempos no exterior. Em parceria com a TicTac, a Warner está oferecendo músicas de seu catálogo para os consumidores da famosa balinha. A cada dois Tic Tacs comprados, o sujeito ganha um download. Em julho, a Trama anunciara que começaria a pagar aos artistas que alimentam o catálogo do TramaVirtual. A cada download que fosse feito, o respectivo artista recebe um determinado valor. Neste caso, o que viabiliza o negócio é a publicidade no próprio portal.

Ambas as alternativas trabalham com uma constatação inevitável: dificilmente o consumidor voltará a pagar diretamente por um fonograma. A música continuará tendo um papel comportamental decisivo para a cultura contemporânea e os interesses adjacentes a isso continuarão movimentando a produção fonográfica. O consumidor final continuará pagando a conta, mas provavelmente em outra ponta da cadeia. Ou no merchandising, ou no ingresso do show, ou numa caixinha de balas, numa latinha de refrigerante e onde mais se pensar.

De outro lado, praticamente simultânea a essas ações da Warner e da Trama, a Universal lançou um portal próprio para download de músicas via aparelho celular, com direito a comercial na Rede Globo e tudo... Funciona assim: o usuário envia uma mensagem para um determinado número e escreve “Universal”. Pronto, o catálogo da maior gravadora do planeta se abre para ele. É uma ponte direta com o consumidor, que pode parecer contraditória aos parágrafos anteriores e às promoções citadas, mas não é. A cadeia produtiva da música passou a ter um formato dinâmico e aberto, indo além do tradicional “artista-gravadora-lojista-público consumidor”.

Uma diferença, porém, é inegável na estratégia das três gravadoras citadas. A Universal está optando em ir ao mercado usando o próprio nome na frente e, com isso, fortalecendo sua marca junto ao público. É como se o consumidor se associasse diretamente a um “clube Universal” e não a um determinado artista. Já a Warner optou por simplesmente disponibilizar conteúdo para um patrocinador, que ao final da promoção pagará a conta pelos downloads oferecidos. Se não há, neste caso, uma vivência da marca “Warner”, por outro lado a empresa não se sobrepõe aos seus próprios artistas. Na propaganda de tv feita para esta promoção com a TicTac não há nenhuma citação à Warner, por exemplo.

Já a Trama opta por um caminho do meio. Tal qual a Warner, a gravadora paulista não sai com o nome à frente da oferta de downloads, mas a promove dentro de um ambiente próprio, no caso o portal. A marca Trama é vivenciada ainda que indiretamente e os artistas continuam sendo a mola do processo.

São três diferentes modelos que demonstram três formas diferentes de encarar o mercado fonográfico. Qual deles está certo ou é mais eficiente? Qual é o papel dos produtores de discos neste novo mercado fonográfico? Como desempenhá-lo? Como essas variáveis se aplicam aos pequenos selos? O mercado parece ainda não saber, mas as mudanças estão sendo sentidas no comportamento das empresas. Não há como negar uma tentativa de inovação por parte das grandes gravadoras nos últimos tempos. O tal CDZero da SonyBMG, mesmo com todas as questões que possa suscitar, não deixa de ser uma tentativa, tal qual as vendas casadas de músicas com aparelhos celulares.

Para quem ainda duvida de que o negócio da música não morreu, mais uma notícia desse início de agosto pode ajudar: a compra da EMI pelo TerraFirma. Para quem não sabe, este é um dos maiores fundos de investimentos britânico, com um currículo de negociações que superam a marca de R$70 bilhões, que pertence ao mega-investidor Guy Hands (eleito em 2000 como “Global Leader of Tomorrow”, no Fórum Econômico Mundial). Mais do que qualquer outro tipo de empresa, o principal norte de um fundo de investimentos é o lucro potencializado ao máximo. Alguns podem até não ver que este negócio ainda será lucrativo, mas o Guy Hands vê.

Onde tudo isso vai dar, só o tempo dirá. Há uma nova indústria se forjando a cada dia. É a nova música. São as novas oportunidades

11.9.07

Mark Ronson e (Amy Winehouse)

Valerie

      Se a moça não vem... solta o playback que tá maneiro.

10.9.07

Show: Pato Fu no Odisséia

De Gente Grande

       De cabeça, eu me lembrava do Pato Fu no Canecão e no Circo Voador, lugares três ou quatro vezes maiores do que o Teatro Odisséia, no mínimo. Mas não me passou pela cabeça isso ser um sinal de decadência, pelo contrário. Até gosto mais de temporadas, mesmo que curtinhas. A banda tocou na sexta, no sábado foi para o Centro Cultural Banco do Brasil, no domingo voltou para o Odisséia, e hoje estará em show de uma rádio no palco do Estrela da Lapa. Ou seja, fôlego e serenidade de gente grande, sem ansiedades adolescentes.
       Gente grande: o Pato Fu sempre foi uma referência como das últimas bandas de grandes gravadoras a ainda contar com investimento na carreira, uma confiança não ligada diretamente ao desempenho de vendas. A geração logo posterior, de Los Hermanos, já não pegou essa onda. Claro que nunca foi fácil, mas os mineiros eram sim exemplo de estruturação de carreira dentro de uma major. O primeiro disco deles pela BMG os apresentou à MTV e permitiu à imprensa grudar neles o adesivo de quase-Mutantes, em parte pelo bom humor e invenções e em muito maior parte pela semelha da voz de Takai com a Rita Lee de, então, trinta anos atrás. Pois bem, até sair disso e virar êxito comercial demorou mais um pouco, e a cover de Eu Sei do Legião ajudou, assim como a insistência da gravadora (já com outro nome) em cumprir o contrato.

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       Mas o show de sábado. Para um público bem jovem, em grande parte presente também pela festa gls Ultra Lovecats, o Pato Fu subiu ao palco ainda meio duro. Talvez o choque de gerações fosse parte da explicação, que teria que contar ainda com o fato de ser início de turnê, e o show não estar muito estruturado, e com uma fala reveladora de Fernanda, que não segurou o espanto: “bem que falaram que aqui era acolhedor, nossa, mas a gente gosta de acolhedor assim também.” Acolhedor pareceu ser a melhor forma de dizer pequeno.
       Em entrevistas, Fernanda já tinha indicado que a execução de Cities in Dust, cover de Siouxsie and the Banshees, só rolaria se a galera pedisse. Um pouco de bravata e charminho, sem problema, afinal a música foi a que mais repercutiu antes do lançamento de Daqui Pro Futuro. E foi justamente nela, depois de 30.000 Pés e de Sobre o Tempo, e na reação entusiasmada e até surpreendente da meninada, que o clique se deu e o Pato Fu pôde se dar conta de que ser gente grande tem vantagens – história, carisma, segurança para controlar a festa. Só aí John tirou o olho do chão e começou a fazer as caretas de desenho animado dele, só aí o baixista Ricardo Koktus sorriu e foi mais ao microfone, e só aí Fernanda fez as danças meio mangá.


       Ser gente grande também virou muleta para os momentos em que a banda tinha que acertar qualquer coisa entre as músicas (e foram várias vezes, típico de início de turnê). Fernanda foi substituindo os olhares em diagonal para cima com a boca apertada por piadas sobre a pré-história de uma ou outra música do Rotomusic de Liquidificapum, o primeiro disco, ainda fora de gravadora. Acabou brincando também ao avisar aos que pediam essa e aquela música que uma banda com quinze anos de vida acaba tendo que deixar sucessos de fora, o que sempre decepciona alguém.


       Mas poucos foram os que puderam dizer que estavam decepcionados. Até pelo Ao Vivo MTV recente da banda, que apresentou velhos clássicos aos nascidos depois de 86, o show correu com uma mistura correta do novo disco, do penúltimo, e dos anteriores, com os momentos obrigatórios todos lá: Capetão com luzes vermelhas, Canção Para Você Viver Mais com mãozinhas para o alto e Eu com corinho na palavra-título. Cheio de não-sei-o-ques, um show digno da banda que é, de gente grande.




Nada a ver (1)

       Ainda em repercussão ao que o Bruno escreveu sobre o show do Autoramas e ex-tequilas na véspera de feriado, dois posts aí para baixo, ficou na minha cabeça uma dúvida que não se responde.Porque um show que reuniu a maior banda independente do Brasil, o Autoramas, uma das mais longevas do Rio, o Lasciva Lula, e a figura mais rodada do underground carioca, Nervoso, não consegue se emplacar no Circo Voador? Só o Lasciva, em plena terça-feira, ajudou a levar mais gente para o Canecão do que na véspera de feriado no Circo. E pelo mesmo preço. O Nervoso tá em pré-lançamento do disco, daria para pensar que é isso que está faltando. Mas e o Autoramas, que toca para casas cheias pelo Brasil, pela América Latina e pela Europa, toca pouco no Rio, e quando toca, não leva gente?
       Será que o problema foi justamente ter sido uma véspera de feriado, quando a competição não é com a tv, mas com a boate e a roda de samba, onde “pegar mulher” seria mais propício. A tese é do André, também produtor de eventos, e que anuncia um show do Lasciva Lula e da Dinamáquina no Cinemathèque, dia 19. Uma quarta-feira: pela tese, tem tudo pra dar certo.



Nada a ver (2)

      Post 501. Parabéns sobremusica.

9.9.07

Blogs de bandas

Canal Direto?


      Entre myspace, comunidade do orkut gerenciada a sério, uso ativo do last.fm e mais não-sei-que inventado pela Internet para o uso de músicos, uma das coisas mais legais de se acompanhar são os blogs de bandas e artistas. À primeira vista, eles podem ser entendidos como uma alternativa ao trabalho da imprensa, na ligação com o público, mas já se chegou a um ponto em que isso vai além. Um blog é complementar a uma revista ou site especializados, e até a um caderno de cultura de jornal desses bem gerais, que misturam nostalgia, tv a cabo, celebridades, crônicas de indignação e agenda. Claro, só valem os blogs que são atualizados. Afinal, blog abandonado é o que não falta.
      Eles podem servir para mudar de assunto e pouco falar da própria banda, para apontar referências (na música ou não) que estão por trás do som do artista, para bater papo com os fãs nos comentários, ou para simplesmente manter em dia um site cheio de outras atrações. Escrever em blog, assim como atualizar um fotolog, é para artistas no mínimo uma estratégia de manter a visitação da página na Internet. De qualquer forma, a qualidade de uma empreitada que dá trabalho e pede tempo costuma depender mais da forma como se tratam os assuntos do que dos próprios assuntos.
      Ler blogs, em geral, já se tornou um hábito bastante difundido. Não o suficiente para dar grana aos independentes, mas sim para repercutir até fora do que se chama blogosfera. Jornais repetem, com ou sem crédito, o que leram. Festivais e empresas se pautam para ações promocionais pelas tendências que ali se apontam. E uma série de informações ainda de nicho circulam e são testadas primeiro entre blogueiros, para só depois virarem de conhecimento mais amplo. Uma discussão muito interessante, que inclui termos como prossumidor (produtor de informação e consumidor), uso ativo da rede e uma falsa oposição entre profissionais e amadores. De qualquer forma, assunto para outro momento.
      Pois então, o que é a blogosfera da música? Certamente é uma rede que por si só já geraria muitas trocas. O artista que escreve um blog, não tem jeito, lê blogs. É até da natureza da ferramenta, que começou weblog: um local de indicação de links para outras páginas, onde os textos que comentavam o link eram acessório. Ler-se e indicar-se. Mas, hoje, o que vem crescendo muito é o número de leitores que se satisfazem em participar só com comentários (assinados: os anônimos são só uns chatos) de cada post que lêem aqui e ali. E “aqui e ali” vira, inevitalmente, passar pela página dos artistas de que ele gosta, e que ele sabe que vai ter alguma novidade para ele a cada nova visita (ou quase isso).

      Ou seja, o momento é de mudança no perfil da blogosfera. No geral e na música. E as repercussões desse momento são parte do que uma série de artistas vai ter como caracterísitica da vida pública dele, online e offline misturados. Ser blogueiro não será uma obrigação, claro que não, mas circular por esse universo em alguma medida, tudo indica que sim.

      Nessa de blogs, um de banda independente muito legal é o do Djangos. Tem historinha delirada em ônibus lotado, resistências à babilônia, e muita indicação de sons cheios de pátrias e cores. Mais do que um passeio pelo terceiro mundo, é uma introdução ao mundo do Djangos, batalhador e vibrante. Segundo Markko Homobono, vocalista e maior contribuidor do blog, “no fundo o que prevalece mesmo é o exercício. Claro que há o delírio de querer se transformar num formador de opinião fodão mesmo, mas isso é só 30% da pretensão.”
      Ainda entre brincadeiras, Homobono comenta também a tal ansiedade pela atualização: “no blog do Djangos e no meu (ele também tem o dele), o foco não é necessariamente a música, então qualquer coisa do cotidiano serve de pauta. A revista Veja publicou uma espécie de manual do blogueiro, com diversas dicas e a regularidade das postagens foi uma delas. Então, eu vi que estava muito mal como profissional dessa área”.
      Por falar em profissional da área, dois dos mais freqüentemente atualizados blogs de brasileiros são os de Leoni e Lucas Santtana . Os dois têm modelo parecido, com assuntos como a leitura comentada do jornal do dia, as atividades de parceiros músicos, a própria agenda (no caso de Leoni, interativa via comentários e orkut), indústria da música, e dicas de livros ou textos (é comum que sejam bons livros). Em entrevista feita em maio aqui no site, Lucas já definia a casa dele: “O que norteia (o diginois) é o que vai acontecendo tanto em relação aos trabalhos como em relação às novidades encontradas nesse novo hábito diário de se informar através da web 2.0.”
       A banda carioca Coquetel Acapulco é outra que entrou nessa história de blogs. Eles nem vão tanto para o lado de pensar a indústria e a tecnologia, mas tomaram como missão defender o ska, ritmo jamaicano pré-reggae que eles cultivam no som e em shows que eles mesmo, muitas vezes, organizam.
      “Quando comecei a escrever a intenção era acrescentar algo que despertasse o interesse de quem conhece a banda e o estimulasse a trocar idéias: mostrar como a gente pensava, do que gostava e de como é ser um músico, na nossa perspectiva. Sempre ouvi música com interesse sobre quem estava ali do outro lado" – diz Léo Mahfuz, baixista da banda.
      Ainda do tal outro lado, Léo aproveita a ferramenta de auto-publicação para militar pelo ritmo que toca, e que costuma ter que explicar para conhecidos e até para donos de casas noturnas onde vai se apresentar. E ele vai além de um preguiçoso: sabe o Paralamas do começo? As músicas do Ultraje? Então... “Decidi encarar como objetivo também divulgar mais o ska, mostrar como o gênero continua vivo e como existem dezenas de bandas por todo mundo se aventurando nesse ritmo jamaicano ainda pouco conhecido e muito estigmatizado no Brasil”.
      Além do teclado como arma de Navarone (se não entendeu, vá escutar Skatalites!), o blog do Coquetel está inserido em sua época, em que todo mundo é meio filósofo, meio dj e meio webdesigner (ou documentarista, ou blogueiro, ou tem banda...), todas as opções com um asterisco de ‘em crise’: “meus textos nascem em geral de divagações musicais-filosóficas de botequim. Só escrevo quando há inspiração suficiente que vença minha auto-crítica opressiva. Além da auto-crítica, tenho algo mal resolvido em relação à internet, a toda essa super-exposição de fotologs e orkuts.”
      Daí vem um pouco o fato de que os blogs têm parte da audiência medida pelos comentários que recebem, off ou online. Em diferentes medidas, quem escreve passa um pouco pelo papel de celebridade de Internet, um bicho muito difícil de se definir, pois de nicho bem restrito, embora possa estar espalhado por cidades e países. Homobono mesmo conta que “além dos comentários deixados por escrito no próprio blog, rolam os comentários que a galera faz pessoalmente, dizendo surpreendentemente que foi ver, por exemplo, o filme tal por causa da resenha que você fez no blog. Isso é uma resposta e tanto”. Já Léo tem uma historinha: “Uma vez divaguei sobre o bairro do Catete, de como ele escondia belezas e também expunha muito o que o Rio poderia ter sido e acabou se tornando. Era a fase de gravação do nosso Ep e o estúdio era ali, num ambiente que me influenciava muito. Acho que foi o recorde de comentários, teve até alguma polêmica - o que é raro”.
       No mundo eletrônico dos baixos destruidores e das polêmicas, o do apavoramento é coisa fina. Basicamente auto-centrado, sem que isso seja uma crítica, lá tem mixtape, set de dj, filipeta da próxima aparição, e aquelas boas e longas discussões nos comentários, com nomes falsos e anônimos. Entre chatos que se declaram inimigos da página que visitam mas não declaram o próprio nome e leitores que realmente se dispõem a participar daquele fórum 2.0, a página se torna um ponto de encontro que faz evoluir idéias e posturas não só para os artistas do Apavoramento quanto para os outros todos que passam ali. Há que se separar o lixo do tesouro, mas sempre foi meio assim.
      Voltando um pouco à entrevista de Lucas Santtana aqui para a gente em maio, falando sobre os downloads autorizados de músicas no site dele e ao uso ativo da Internet em geral, o que inclui os comentários úteis e os malas, o baiano acha que “...é só pensar numa escala de tempo e conectividade para isso virar algo bem maior e mais viável para todo mundo. Mas também é preciso dizer que a luta ainda é árdua. Por isso a importância da construção dessa nova rede de amigos e amigos dos amigos”.

      Saindo do Brasil para fora, um excelente lugar para fotos e vídeos, inclusive um sensacional da piscina no quarto de hotel de um deles, é o blog não muito atualizado do Beastie Boys. Separado em dois, o diário de turnê, e o de quando eles não estão em turnê. Porque não um só, não sei dizer...
      E tem ainda os versos e fotos de Simon Taylor, do Klaxons, que contam um pouco como é viver na estrada, tocando pelo mundo, na onda filosófica de botequim tão cara aos pós-diários de adolescente desses nossos tempos.

Outros: Melvin, do Carbona e do Lafayette e os Tremendões. E Tico Santa Cruz, vocalista do Detonautas.

7.9.07

La Tequila Acabou na Lapa

(enquanto eu não conseguir comprar uma máquina nova, a maioria dos textos vai continuar vindo sem foto... não tem jeito...)

Quando se diz que uma banda vai tomar conta da Lapa, no Rio de Janeiro, normalmente é porque alcançou uma repercussão muito grande com os fãs, que já são numerosos, e uma série de constatações chavões que identificam artistas com êxito comercial. Isso nunca foi o caso do Acabou La Tequila.

A banda que sempre foi a principal aposta, acabou virando a maior lenda. Na noite de quinta-feira, véspera do feriado da independência (que mote criativo para se anunciar shows de bandas independentes, hein!!), a Lapa era deles. No Circo Voador, Nervoso e os Calmantes; a 50 passos dali, no Teatro Odisséia, Canastra; mais 25 passos, Kassin +2 no Estrela da Lapa.

A idéia era assistir só ao último, mas por uma brincadeira/sugestão despretensiosa de Alex Werner, que fez o papel de empresário na apresentação do +2, resolvi aumentar o desafio. Disse ele por e-mail: “tenta se credenciar pros três e fica zanzando entre os palcos para relembrar o Roskilde”. Acho que ele não pensou que eu fosse levar a sério... Ele tocou no ponto onde não devia. Vestido de Roskilde, fui encarar a maratona que o Bernardo bem definira como “o Acabou La Tequila tomando conta da Lapa”. Bingo! Uma frase perfeita para trocadilhos no título, uma provocação sadia, três boas bandas, véspera de feriado, e uma forma, ainda que torta, de lembrar Roskilde. Já tinha todos os ganchos para uma matéria que começava a se desenhar.

O texto demorou a começar, mas agora vai... Chegando ao Estrela da Lapa, às 23h40, ainda foi tempo de ouvir Kassin cumprimentar o público com o protocolar “boa noite” que segue a primeira, quiçá a segunda, música. No Acabou La Tequila, Kassin era o guitarrista responsável pelos andamentos esquisitos. Depois que a alcunha ‘produtor’ começou a vir antes da de ‘guitarrista’, na maioria das vezes se viu o rapaz ostentando um baixo, como no +2. Ainda não assistira uma apresentação da fase “Kassin” do trio e continuei sem ver. Se no início talvez soasse torto demais aos ouvidos do público uma banda com o nome +2, hoje em dia eles poderiam optar por se identificarem apenas assim, sem o nome de ninguém na frente. Já há repertório para isso e, a me pautar pela apresentação de ontem, é mais coerente com o que se vê e ouve. Músicas dos três discos, alternadas, sem ninguém na posição central do palco e uma assinatura que se consolida justamente pela terceira etapa deste projeto. Nas poucas audições que tive das músicas de Kassin, me parece claro que elas são uma liga entre as do disco de Moreno e o de Domenico. Talvez isto seja uma conseqüência inevitável dos cinco anos que separam os três álbuns. Ou talvez seja só uma constatação subjetiva mesma.

Marcos Valle participou do show. A presença dele ali me bateu de forma curiosa. Pareceu-me que Valle é realmente a grande síntese de uma turma que inclui os +2, os Los Hermanos e o resto da turma que grava no Monoaural (estúdio de Berna Ceppas e Kassin). Ao longo dos anos isso foi ficando mais claro e se cristalizou para mim ontem. É na obra de Valle que há mais intercessões entre o que essa galera veio construindo como identidade sonora. Há algum tempo, eles vêm se aproximando e, mês passado, o trio participou da temporada que o músico fez na Cinemathèque.

O chappa Raul Mourão disse que ao assistir o trio +2 em Portugal tivera a mesma sensação de quando Chico Science tocara pela primeira vez à sua frente. Não consigo supor como isso seja possível, mas sempre acredito no Raul. Por mais emblemático que esse grupo esteja se tornando para a geração 00, não há como ignorar a questão da resposta de público nesta equação. Talvez eu seja realmente muito comercial, talvez seja muito ingênuo, ou até cretino. Mas não consigo pensar diferente: pra mim, pouco público é sinal de não correspondência na comunicação. Isso não é culpa do artista. Definitivamente não. Mas também não é do público. E é aí que eu chego na questão que mais me percorreria a cabeça na noite de ontem. O Estrela da Lapa não é grande. As mesas ajudavam a preencher melhor o espaço. Mas é fato que estava bem aquém da capacidade.

Era a hora de seguir para o Odisséia. Pelo hábito de ir lá, já dava para imaginar que o show do Canastra só começaria mesmo às 1hs. Mais um acerto. Não me recordo qual era a música que rolava, mas o segurança confirmou que o evento acabara de começar. Vazio.

O Canastra, do vocalista Renatinho, é o desmembramento de um outro lado do Acabou La Tequila. No antigo grupo, a soma das partes era caótica porque cada uma das partes já era por demais fragmentada em si. Isso se reflete no som das bandas em que cada um deles toca hoje. O Canastra é a cultura do cinema, o ambiente de sallon, o timbre metálico, os naipes, os tons amarelados e uma descontração bem-humorada mais expansiva. Sem dúvidas, é a filha mais divertida - no sentido estrito da palavra – que o Tequila teve.

Desde que lançaram o segundo disco “Chega de falsas promessas”, o Canastra vem demonstrando uma enorme evolução nos shows. A apresentação está mais forte, mais organizada e, naturalmente, melhor. Umas 40 pessoas foram ver uma banda com alguns anos de estrada, dois discos lançados e considerada uma das mais representativas da cena local. A capacidade do primeiro andar do Odisséia (onde rolam os shows) deve ser de 400, 500 pessoas. No terceiro andar, rolava uma animada disputa de Guitar Hero. Um menino, uma menina, duas na “de-fora” e um segurança. E era só. Enquanto rolava a versão de “Besame mucho”, me encaminhei para o Circo. Não por estar ruim ali, mas porque, como sugeriu o Alex, o lance era reviver Roskilde. Vários palcos, shows em horários parecidos, e a lógica de assistir um pouco de cada para poder ver o máximo.

Lasciva Lula já tinha tocado. Imaginei que só conseguiria ver as duas últimas músicas de Nervoso & Os Calmantes, ou nenhuma. Talvez já estivesse rolando os headliners, Autoramas... Mas no Circo Voador o papo é outro. Não tem hora pra acabar, então começa quando achar melhor... Enfim, deu para assistir a apresentação de Nervoso na íntegra.

O baterista que virou frontman mudou de visual. Foram-se as roupas brancas, voltou o terninho preto. O cavanhaque também saiu e deu a vez a um rosto limpo, que o deixou mais jovial. Foi a melhor apresentação que já assisti do grupo. Vá lá que o pouco espaço ocupado pelas 50, 60 pessoas que estavam no Circo (onde cabem 3000) para assistir QUATRO bandas!!, me permitiu assistir encostado, confortavelmente – afinal, àquela altura, as pernas de quem levantara às 7h30 da matina já estavam cansadas.

Nervoso é a jovem guarda, o rock pop, as guitarras com teclado, as músicas para rodinha de violão... Um sistema de som excepcional favoreceu o grupo. Parecia até coisa gringa, rara de se ver no Circo. A banda correspondeu, mas a cada intervalo entre as músicas, as canções bregas que vinham das barraquinhas de bebida na rua invadiam o ambiente, tal era o silêncio na platéia.

Não importa se são 10 ou 10 mil pessoas, cabe ao vocalista levar um show de rock como se sua vida estivesse em cada palavra. E Nervoso soube conduzir este processo. Afinal, o Nervoso e os Calmantes é uma banda de rock. Coisa que o Canastra não é, nem o Kassin +2. Mas o Acabou La Tequila era. E isso deve dizer alguma coisa, mais do que a mera dureza dos rótulos. A platéia vazia, alguns amigos apenas. Uns três ou quatro fãs ardorosos. Era a mesma cena que rolava no Odisséia. Era a mesma cena que rolava no Estrela da Lapa. Na última música (“Já desmanchei minha relação”), o vocalista desceu para a platéia e dançou sozinho. Um abraço aqui, um beijo ali. E voltou a subir no palco para dizer, antes sua última frase: “A gente ama o que faz”. Aplausos entrecortados de silêncio. Um “uhhu!” vindo lá do fundo. Eram quase 3hs da manhã, hora em que a maratona de shows no Roskilde também costuma se encaminha pro final. Nos dias em que se está muito cansado, nem sempre se vê a última banda tocar.

O Acabou La Tequila ocupou a Lapa. A noite era deles. Três grandes bandas. Ninguém foi ver. E há cinco anos, eu continuo com as mesmas perguntas sem respostas...

5.9.07

Acontece :: CineCUFA

O SOBREMUSICA tem aquele papo de, normalmente, não “dar agenda”, né... Não costumamos anunciar que vai ter show de não sei quem, não sei quando, nem que tal evento vá rolar em tal lugar, a não ser que de fato seja algo que nos desperte bastante curiosidade ou ansiedade. Como não conseguiríamos fazer uma agenda completa, preferimos não fazer nenhuma. Evitamos post quando não temos o que dizer. Alguns nos acham até chatos por esse quase-radicalismo. Têm lá certa razão e às vezes me bate até uma dúvida sobre avisar ou não daquele evento. Mas coisas como o Cine CUFA não dá pra deixar passar.

As ações de inclusão coordenadas pela rapaziada de lá já demonstram reflexos culturais positivos para a cidade há algum tempo. O Hutúz Festival já era uma dessas conseqüências mais visíveis. É muito bom saber que as iniciativas estão conquistando espaço próprio e criando uma linguagem e prática que os legitima, mais do que qualquer olhar caridoso-burguês. A CUFA é um núcleo de produção fundamental e cada vez mais se consolida também como aglutinador cultura. É uma pena que, pelos horários, eu não vá poder ir assistir aos filmes. Começou ontem e eu dei mole de não avisar aqui antes. Mas ainda assim, a dica é mais do que válida.

3.9.07

Tim Festival 2007

Foi Dada a Largada


      Começaram hoje as vendas de ingresso para o festival que começou como jazz e cigarros, e hoje é hype e celular. Na escalação desse ano, duas diferenças saltam aos olhos. O número de dias encolheu para dois, e a organização dos palcos obedece a outros critérios, incluindo pátria. Se há palcos que misturam a islandesa globo-esquisita Björk com os nova-iorquinos entorpecidos Anthony ant the Johnsons, há também um palco de jazz para cada lado do Atlântico Norte e três palcos de Novo Rock, um brasileiro, um americano e um inglês.
      Sem querer dar uma de analista de mercado, que não sou, fiquei curioso em saber o que será do tal palco Brasil no Rio. O novo rock de Vanguart, Montage e Del Rey vai competir com o fim do show do Killers, e com quatro opções de djs dos chamados Tim Festa. Todos no sábado, nenhum na sexta. Fora a concorrência do Tim Cool, que eu não conheço, mas vou tentar descobrir o que é.
      Outra questão são os preços, mais altos para cariocas do que para curitibanos. O dólar não ajuda, e o mês de agosto com as crises de mercado imobiliário americana foi especialmente prejudicial nesse sentido, mas talvez seja hora de pensar que baixar música de graça cobra um preço na bilheteria. Talvez.

RIO DE JANEIRO

26 de outubro

Marina da Glória

Jazz US (20h)

Joe Lovano Nonet
Joey DeFrancesco Trio e convidado especial Bobby Hutcherson
Cecil Taylor
Conrad Herwig's Latin Side Band

TIM Volta (20h)

Antony and The Johnsons
Björk

Novas Divas (22h30)

Katia B
Cibelle
Feist
Cat Power and Dirty Delta Blues

Novo Rock UK (23h30)

Hot Chip
Arctic Monkeys

27 de outubro

Euro Jazz (20h)

Eldar
Roberta Gambarini Quartet
Sylvain Luc Quartet
Stepano Di Battista Quartet

Novo Rock US (20h)

Juliette and The Licks
The Killers

Novo Rock BR (23h)

Vanguart
Montage
Del Rey

TIM Cool (22h30)

Projeto Axial
'Winona', com Craig Armstrong and Scott Fraser
cirKus, com Neneh Cherry

TIM Festa / TIM na Pista (1h de 28/10)

Alexandre Herchcovitch e Johnny Luxo
MOO
Guab

TIM Festa / TIM Disco House (1h de 28/10)

Lindström
Toktok

TIM Festa / Funk Mundial (1h de 28/10)

MC Gringo
Daniel Haaksman
DJ Sandrinho
Count of Monte Cristal (HervÈ) & Sinden
Diplo
DJ Marlboro

TIM Festa / TIM Mash Up (1h de 28/10)

Spank Rock
Girl Talk


SÃO PAULO

Auditório Ibirapuera (20h30)

25 de outubro

Toni Platão
Cat Power and Dirty Delta Blues
Antony and the Johnsons

26 de outubro

Eldar
Roberta Gambarini Quartet
Sylvain Luc Quartet
Stepano Di Battista Quartet

27 de outubro

Katia B
Cibelle
Feist

28 de outubro

Joe Lovano Nonet
Joey DeFrancesco Trio e convidado especial Bobby Hutcherson
Cecil Taylor
Corad Herwig's Latin Side

29 de outubro

'Winona', com Craig Armstrong and Scott Fraser
cirKus, com Neneh Cherry

The Week (23h)

26 de outubro

Girl Talk
Count of Monte Cristal (Hervè) & Sinden
Daniel Haaksman
Lindström
Alexandre Herchcovitch e Johnny Luxo

Arena Skol Anhembi (18h30)

28 de outubro

Spank Rock
Hot Chip
Björk
Juliette and the Licks
Arctic Monkeys
The Killers


VITÓRIA

Teatro UFES (20h30)

27 de outubro

Paulo Moura e Samba de Latada
Joe Lovano Nonet

28 de outubro

Feist
cirKus, com Neneh Cherry

29 de outubro

Eldar
Roberta Gambarini Quartet


CURITIBA

31 de outubro

Pedreira Paulo Leminski (19h)

Hot Chip
Björk
Arctic Monkeys
The Killers

      Da programação de fora do Rio, fiquei mesmo curioso em ver o Paulo Moura e Samba de Latada no Espírito Santo. Outra coisa: tocou o celular agora e informantes já me avisam que os shows do Girl Talk estão inalcançáveis pelo sistema das casas de venda. Tomara que seja passageiro, afinal esse deve ser um dos melhores acontecimentos desse ano.


Enfim, a casa própria
Perda :: Dorival Caymmi
Dorival Caymmi :: Compilação de vídeos
Show: Momo, no Cinemathèque
Site:: OEsquema
Agenda :: Momo, Hoje!
Aviso: Última Digital Dubs na Matriz
Entrevista: Fabrício Ofuji, produtor do Móveis Col...
Vídeo: Reckoner, de Gnarls Barkley
Vídeo: L'Espoir des Favelas, de Rim'K

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