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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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29.2.08

Show: 6 Anos de Batalha do Real, no Circo

A Lapa Que Não É A Do Samba


      Uma batalha não é feita só de rimas. Pode haver algo no ar que contagia, que faz os adversários se superarem, que incita o inesperado no improviso, que desorganiza as crews organizadas. É essa a graça de encarar uma apresentação da Liga dos MCs. Organizada em duelos eliminatórios, na hora da final, os dois rimadores já passaram por uma bateria de etapas e por uma enxurrada de versos que são o que forma o repertório imediato para o fluxo de palavras que a dupla emenda sem muito tempo para medir, pensar, ponderar. Na prática, isso significa que uma sacada bem mandada no meio da noite tende a repercutir em novas boas idéias, réplicas, entortadas dali em diante. A qualidade, em uma noite de batalha, é cumulativa e exponencial.
      Esse é um dos grandes motivos para o reconhecimento de figuras de ponta na história das improvisações do hip hop brasileiro. Só ali, no Circo, no último sábado, estavam Aori e Marechal (mas não duelando), dois dois maiores nomes entre os mcs de free style. Ainda daria para citar Kamau, Max BO, Emicida. São nomes que não só jogam para cima uma noite de batalhas, como costumam contribuir naturalmente para o ambiente criativo dos outros. Em um segundo time, uma fila se forma com nomes como Cabal, Shawlin, Funkero, André Ramiro, Negra Rê.
      No aniversário de seis anos do Batalha do Real, esperava-se de algumas figuras ainda novas que puxassem para si a categoria do espetáculo: Durango Kid, Nissin, Gil, Chapadão, Negro-A, Rico, Loco e Maomé, entre outros. Mas a verdade é que a noite não teve brilhos individuais. O vencedor, com toda justiça, foi Maomé, de regata vermelha. De uma oitava-de-final normal, foi crescendo de desempenho e agressividade até vencer Loco, que também foi melhorando mas se enrolou sozinho na decisão.
      De forma geral, a véspera do clássico que definiria a Taça Guanabara acabou sendo, ao lado da maconha, o grande tema das rimas da noite. E como a palavra Flamengo não tem lá muitas rimas, e ninguém chorou ser Botafogo no palco, a coisa andou meio repetitiva. Houve um ou outro momento de graça no eterno confronto entre magrelos e fortes, entre gordinhos e mirrados, e entre bombados e obesos, mas pouco para inflamar os combates.
      O que eu quero dizer, é que não dá para fazer careta e culpar a nova geração de rimadores. É uma questão de lua: assim como uma final de Carioca no Maracanã pode ser um jogão ou uma pelada retranqueira, a Batalha do Real depende do acaso, de um brilho no carisma dos "jogadores". É essa parte da graça, tem dia que o 0x0 é vitória, tem dia que o título vem do erro do juiz, e tem drible que é mais bonito que gol, mas não vai pro placar.

      Digno de registro, ainda, é um fenômeno que se repete: o crente improvisador. Sempre tem, em destaque, algum rimador que se apresenta como evangélico, que não bate no peito pra rimar green com sim ou mim, hash com mexe ou mete, maconha com vergonha e chapado com qualquer coisa. Ele dificilmente ganha o apoio incondicional da torcida, embora se faça respeitar e não pregue (Deus que nos perdoe). No sábado passado, era o Negro-A, de rima suingada para trás e tom professoral. Foi um dos destaques das oitavas e quartas, mas não conseguiu repetir o desempenho na semi, diante de Maomé. Sim, o crente e Maomé. Era só um ter percebido isso e o tal brilho da noite de verão podia ter surgido ainda antes da final...


      Outra característica da noite foram os duelos das oitavas, quando parceiros de uma mesma crew (ou coletivo de rap) se enfrentaram em duas ou três chaves sem confronto verbal, sem o "sangue" que a torcida pedia. Cada um rimando "livremente" para si próprio, e as aspas são de propósito porque o confronto é uma das garantias de que o texto pronunciado não é decorado. O expediente contribuiu para que o começo da noite, as oitavas, fossem tão desiguais. Algumas batalhas foram para o terceiro round (de desempate) e ainda assim geraram dúvidas na contagem do entusiasmo da platéia, e outras foram decididas com pouquíssimas mãos levantadas no Circo.
->batalha final

      Para abrir e fechar a noite, e nos intervalos das etapas da disputa, figuras que fizeram história nesses seis anos de Batalha apresentaram shows curtos. Marcelo D2, Marechal, Inumanos e Rabu Gonzalez foram os convidados da festa, que fecharam os trabalhos todos juntos com um A Lapa É Nós. Foram ainda desses quatro personagens que saíram alguns dos momentos mais emblemáticos da noite, como o de Marechal pedindo à torcida que não gritasse sangue porque o importante é dizer coisas boas, ou de D2 e Aori discordando em tom de brincadeira se o melhor da festa era o prêmio ao vencedor, R$ 5 mil, ou o espírito coletivo do hip hop em se auto-celebrar.
      D2 fez o show mais longo, que antecedeu a semi e a final. Pouco menos de uma hora divididas entre o repertório do À Procura da Batida... e o do Meu Samba É Assim, fora uma série de paradas para o canto da torcida do Flamengo. Foi ele quem apresentou a Hip Hop Rio e a cultura do rap na Lapa a centros maiores,lá no fim da década de noventa. Foi uma espécie de embaixador do caminho das batalhas de rima como força carioca no rap, único lugar onde São Paulo não tem primazia nacional. (Funk fica de papo para outro dia).
      Antes de D2, foi o parceiro Marechal que surpreendeu até a si mesmo com a participação do público no show que fez. Ex-integrante do Quinto Andar, que já foi definido como o Los Hermanos do rap carioca tal o número de seguidores que conseguiu na virada da década, o Marechal é a lenda (bróder) das rimas. E agora que se aproximou do Marcelo, está perto de lançar o disco próprio e ir além dos improvisos. Um show promissor para um cara que pode ir longe, e já convenceu a Lapa disso. A participação de Carlos Dafé, convite e presença surpreendentes, nem foi o ponto alto, vai vendo...
      Outro dos intervalos foi do apresentador da noite, ao lado do dj de metade da noite. Aori e Babão, pode chamar de Inumanos. Se D2 é o embaixador, o Inumanos é a república do rap da Lapa (e portanto carioca), e caminha para rimas sempre inesperadas sobre temas que vão da ficção científica e anatomia ao existencialismo malandro das vielas. Bases e versos que desafiam a expectativa, a definição é essa.
      E Rabu Gonzalez ficou responsável pela abertura dos versos, o único lançando disco propriamente. Rabu tem a marra, tem os refrães e tem até lá a graça dele, fora as referências todas que joga entre as palavras (Adivinha Quem Vem Para o Jantar, nome do disco, já começa bem ao lembrar Black Uhuru e Sidney Poitier), mas ainda tem relacionamento com o público a aprender, o que só vem com a estrada. Naturalmente.


(((mais fotos no fotchenhas)))

27.2.08

Entrevista: Bacalhau do Autoramas (1)

Ir Mexendo, Ir Fazendo

foto: Filipe Santos Barrocas


      Antes de finalmente encontrar o Bacalhau para fazer essa entrevista, e eu nem vou aqui abrir o jogo de quanto tempo durou até eu decupar a fita e meia que durou o papo, eu e ele nos cruzamos algumas vezes na rua. A cada oportunidade, o baterista do Autoramas vinha com uma história nova que tinha para contar. E sempre emendava com um "mas sem pressa, brou, faz no teu tempo que eu também to enrolado com as minhas paradas aí...". Ele tinha prometido falar da época de colégio, quando participou dos primeiros ensaios do Acabou la Tequila, de histórias do lendário Garage na zona norte do Rio, de amigos, de histórias passadas, de ter feito parte do elenco de uma grande gravadora na década de 90, de agora ser parte de uma referência na linha de frente do independente brasileiro, e tudo o mais.
      Na minha cabeça, a entrevista seria praticamente ligar o rec e pronto. E foi mais ou menos assim, e até por isso eu optei por reduzir ao máximo as minhas intervenções nessa primeira parte da edição final do que foi a conversa com o Wagner. Ou melhor, Bacalhau.

s: Então, a primeira pergunta é essa. Fala do teu colégio, você estudou no CEL [Centro Educacional da Lagoa], que foi também de onde saiu uma galera aí...
Bc: Pois é, é um colégio na zona sul, mas não necessariamente com alunos da zona sul. E o [Acabou la] Tequila foi formado porque o colégio ia ter um sarau. Foi o start para se formar um montão de banda. Obviamente, o Tequila não saiu dessa história, mas foi aí que nasceu uma movimentação que foi dar em alguma coisa.
A gente um dia pensou, pô, vamos botar uma pilha no coordenador de fazer um sarau? O [colégio] Andrews tem, não sei quem tem, todo mundo tem, e porque a gente não? Vamos fazer, vamos fazer. Aí rolou a pilha, e tinha lá umas dez bandas – não adiantava também ter o sarau sem banda... E aí, não rolou o tal sarau. Mas, por causa do sarau [que nunca rolou], a gente teve que ensaiar. E aí, rolou o papo do que ensaiar, do que tocar, e tal. E a galera era quem, eu, o Renatinho [Martins], o Paulinho, o Perna, o Kassin, o Donida e... é, basicamente isso. O Paulinho é um amigo nosso que toca guitarra até hoje, mas não seguiu a carreira. E o Perna hoje é advogado, trabalha no BNDES, se não me engano. O Perna foi uma cara que me aplicou muitos discos, me iniciou. Me apresentou Cream, sabe? Que mudou o meu espectro de batera, e outras coisas mais. Essa galera, que tocava Roberto, só Roberto, foi que deu origem à banda Martina Viu o Sapo, ainda antes do Tequila. E o Tequila surgiu daí, até porque o Martina não foi muito pra frente.
      O Tequila era eu, Renatinho, o Perna, o Donida e o João Callado, que hoje toca cavaquinho com a Teresa Cristina. A gente começou ensaiando até ali no estúdio Groove, que deu origem a muitas bandas carioca nos anos 90, fica ali no Rio Comprido [na zona norte]. Era do Ronaldo Pereira, que depois foi até meu empresário no Planet.
      O Tequila foi formado em 91, a gente tava se formando ainda no segundo grau. Todo mundo tinha 19, 20 anos. Aí, continuamos com a banda, acabou cada um fazendo sua universidade, e o Ronaldo foi o fomentador de uma coletânea que eu tenho até que achar pra digitalizar, com bandas que fizeram versões de músicas que só tem ali. As duas primeiras músicas do Tequila foram feitas pra essa coletânea. Uma se chamava O Menino Sai da Estrada, e a outra A Mosca, A Moita e A Morta, uma música do Joãozinho. Ele já tinha um jeito de compor com coisas meio híbridas, meio samba. E começou desse jeito, com o Ronaldo botando pilha, a banda de vocês é legal, toca aí. Mas era super sério, e naquela época dava pra vislumbrar um futuro na música, tinha esse sonho comum, de ter o contrato com a gravadora. O Tequila é contemporâneo do Planet Hemp, que é contemporâneo do Beach Lizards, que é contemporâneo do Second Come, da Pelvs... Do Dash, do Gangrena Gasosa, a gente fazia muito show junto, essas bandas todas, isso já em 93.

s: Mas descreve aí o que era essa galera do CEL...
Bc: No colégio, a gente era a galera do fundão, do rock, mas a gente era meio cdf, não digo nerd, entendeu? A gente não era bobo. E o Acabou la Tequila resumiu essa parada de a gente gostar de rock, mas também de música latina em geral, misturar o que ninguém tá fazendo. E com o apoio do Ronaldo, isso continuou.
      E nesse meio tempo, eu já tocava há uns três ou quatro anos, e surgiu de eu ir tocar com o Planet. E fazer toda a minha carreira com o Planet. Naquela época tinha uma escassez de bateristas, aí eu tocava no Tequila, no Planet, e até em mais. Mas o Planet conseguia muito mais show que o Tequila, aí rolou o contrato e eu saí. Nem digo muito [que saí] a contragosto, mas não tinha como. Até pelo contrato. Aí eu tive que procurar alguém que tivesse a mesma vibe, a mesma onda... que tivesse a ver, e achei o Nervoso, que era baterista do Beach Lizards, era amigo meu, já tinha tocado muito junto. Pô, vou ter que ir só pro Planet, não tá a fim de tocar com os caras? Claro. Tanto é que o Nervoso entrou super bem. E no primeiro disco eu ainda gravo uma música. Se chama Teto Preto.
      E é engraçado que eu botei o Nervoso pra tocar no meu lugar no Tequila, e anos depois ele me botou pra tocar no lugar dele no Autoramas. E o Gabriel [Thomaz], quando acabou o Little Quail, também foi tocar no Tequila. É maneira pra caramba essa história. E Matanza, Canastra, Nervoso e aí Autoramas são bandas que tão aí ainda. O Renato compõe pro Gabriel, que compõe pro Nervoso, o Kassin e o Berna acabam produzindo nossos discos, o Berna produziu o Tequila, foi tocar no Tequila... A gente é muito próximo, ficou fácil fazer as coisas...

s: Tem alguma coisa no CEL que você consegue detectar pra dizer porque saiu de lá uma geração de músicos que seguem juntos... Como o Titãs, que tem uma relação forte lá com o colégio Equipe, em São Paulo...
Bc: Cara, tem a ver até certo ponto. Naquela época, rolou um apoio à atividade artística até certo ponto, depois nego saiu fora. E a gente não tava pedindo nada demais [para fazer um sarau], era um lugar e um som. A quantidade de aluno que tem no colégio pagava aquilo facilmente. Mas isso não impediu que a gente tocasse mesmo assim: não vamos parar de tocar, vamos manter. A gente levava uma biritinha, montava tudo, e ficava tocando três, quatro horas.
      As músicas [do Roberto Carlos] Não Vou Ficar e Você Não Serve Pra Mim faziam parte diretamente do set do Tequila. Por sinal, Não Vou Ficar é do Tim Maia, mas tem a do Roberto, as duas em versões maravilhosas, meio soul, da mesma época. Ciúme de Você, acho que a gente tocava também, quer dizer, tava incorporado.
      Então, assim, o CEL foi tudo. Sem o colégio, eu não conheceria o Renato, não conheceria o Donida, o Kassin... O João é que eu conheci um pouco antes, mas sabe? Acabamos estudando todos no mesmo colégio... Foi muito bom, estudei com os caras que são meus amigos até hoje, e todo mundo produzindo muito até hoje.

s: Mas nessa época de colégio, era CEL-estúdio-Garage a vida de vocês?
Bc: O Garage e o Circo Voador funcionavam muito de um jeito: a gente ia no Circo e não tava legal, ia pro Garage. Da Lapa pra Praça da Bandeira é muito fácil. E eu vi muito show assim. Me lembro muito bem de um show de 5 anos do Garage, lotado, uma porrada de banda, quinhentas pessoas, e tudo uma loucura. Todo mundo tocou lá, a maioria é banda que nem existe mais.
      Mas o Planet tinha a pilha de tocar lá pelo menos uma vez por mês porque o Marcelo [D2] era muito amigo do Fábio, dono de lá. O Tequila também tocou muito, principalmente com o Beach Lizards, com o Dash, mas acho que ficou um fenômeno muito carioca. E talvez no Sul... Mas eu não sei porque, eu acho que a música que eles lançaram, Biscoito, é hit. 'Eu não faço mais nada por você, não compro mais seu biscoito preferido' é hit, é lindo. 'Não passo, não cozinho, não assumo os nossos filhos'. É assunto corriqueiro, tá na tv. O Renato compunha demais, tinha mais é que tentar recuperar isso. Aliás, a 300 km/h [do último disco do Autoramas] é dele e do Gabriel.
      O Garage foi um alicerce, todo mundo teve que passar pelo palco... E eu acho que o Fábio... não sei, tinha que voltar. É difícil, público de rock é difícil, tem preconceito mesmo, não gosta de pagar, não quer pagar cinco reais pra nada... Nada mais justo, às vezes eram cinco bandas, um real pra cada banda. È que nem cd, quatorze músicas por quinze reais, é justo. O real que sobra é de imposto. É o que eu falo, se você gosta muito da banda, dá o apoio. Vai no show, vê se compra a camisa. Se não, as bandas boas acabam.
      O Garage era um lugar que tinha metal, rock, hard core, punk... Eram todas as subdivisões, e um público que é difícil, que não se mistura, que não quer que as bandas sejam diferentes. Cansou de acontecer um show vazio, e de repente brotavam sessenta neguinhos no show seguinte. Tavam bebendo no bar. É gente pra cacete...
      Teve show que foi um cara me chamar lá fora, foi até num desses aniversários da casa, porque eu tinha levado o cachimbo da bateria e sumido com ele. Fui xingado por todos os nomes no microfone do Garage... rarrarrá. Eu cheguei a tocar com o Planet e o Tequila na mesma noite, toquei até com o Dash, o Cadu não pôde e eu toquei. Tinha muito essa coisa de um saber música do outro.
      Imagina, tinha sexta ou sábado que todo mundo ensaiava. Era Second, Tequila, Dash, e você chegava meio-dia no estúdio e já emendava de meio-dia de sábado até meio-dia de domingo na rua. Eu, pelo menos, fazia isso. Saía cedo pro ensaio e ia pra naite. Aprendi muita coisa no Groove, a gravar, a mexer em mesa, a tirar som. Aprendi a ser técnico ali. E tinha uma coisa doida, o Tequila tinha que ensaiar antes do colégio, às vezes. Então, antes do colégio era nove da manhã, bicho. E estúdio é aquilo, às vezes vai até quatro da manhã, vai dormir tarde. Imagina acordar às nove... Daí a gente chegava, o Ronaldo jogava a chave, e eu abria o estúdio. Eu abria o estúdio. E ligava tudo. Quando o cara acordava meio-dia, chegava e perguntava e aí? Tudo tranqüilo... E nisso a gente matava o primeiro tempo de aula, duas horas de ensaio era pouco. E rachava um táxi pro colégio.
      E se for ver, isso de ir parar em estúdio rolava muito na época, tanto que o Rafa do Planet hoje tem estúdio, o Flavinho Caneti do Funk Fuckers também. Tinha isso do dono do estúdio chegar e: to vendo que você que tem vontade, chega aí. E daí tem que dar a cara a pau, também, né, Bernardo? Ir mexendo, fazendo.



Continua...

Dia da Rua, Evidente e Nordeste Independente

Não Me Venha Com Aí Depende....

DIA da RUA

       14 bandas, 1 artista plástico, 15 esquinas. Tudo na rua – tudo ao mesmo tempo. Amanhã, às 19h30, em todas as esquinas do Leblon à Ipanema.

Montanha Russa na Pça. Cazuza
VulgoQinho&OsCara + Freddy Ribeiro no Quadrilátero das Vaidades
Matheus Von Kruger na Gal. Venâncio Flores com Ataulfo de Paiva
Bhang e Vulkano na Pça Antero de Quental
Do Amor na José Linhares com Ataulfo de Paiva
3a1 na Carlos Góis com Ataulfo de Paiva
Lacuna na Afrânio com Ataulfo de Paiva
Bonde Som na Henrique Dumont com Visconde de Pirajá
Binário na Anibal de Mendonça com Visc. De Pirajá
Rafael Inácio (Performance plástica) na Garcia D'Ávila com Visc. De Pirajá
Solana Star na Maria Quitéria com Visc. De Pirajá
Os Outros na Joana Angélica com Visc. De Pirajá
Ronin na Vinícius com Visc. De Pirajá
Rodrigo Bittencourt na Farme com Visc. De Pirajá
Zarvoleta Blues Band na Jangadeiros com Visc. De Pirajá

       Se você precisa de indicação, eu sugiro Binário, Do Amor ou o Von Kruger.



Festival Evidente

       O Algumas Pessoas (Sempre) Tentam Te Foder (De Novo) mudou de nome e agora, na segunda semana de março, vai ser no Cinemathèque e no Odisséia. As atrações são todas indicadas, e são essas:

18 de março, Cinemathèque
João Brasil (www.joaobrasil.com.br)
Banda Leme (www.www.myspace.com/bandaleme) -> De Leve e Flu, no caso.

25 de março, Odisséia
Shellac, EUA (www.touchandgorecords.com)
Smack (www.myspace.com/bandasmack) -> Edgard Scandurra e Sandra Coutinho Mercenária.

28 de março, Cinemathèque
Luisa Mandou um Beijo (www.mmrecords.com.br)
Mallu Magalhães (www.myspace.com/mallumagalhaes) -> só mal humorado não acha fofa.



Festival Nordeste Independente

       E o FNI tem praticamente só banda nordestina, rola de 7 a 16 de Março, com uma programação gigantesca em oito cidades: Alagoinhas (BA), Camaçari (BA), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Lauro de Freitas (BA), Natal (RN), Recife (PE) e Salvador (BA). E pra ter idéia de quem são as quarenta bandas escaladas é aqui.

26.2.08

Goog-411 e a teoria do 0800

Talvez eu esteja atrasado, já que o vídeo data de setembro do ano passado. Mas descobri hoje - e, lógico, chapei - que o serviço de busca já rola via telefone nos EUA. É o tal do Goog-411.


Ah! Descobri esse serviço via Chris Anderson. A nova porrada do "pai" da Cauda Longa foi publicada ontem na Wired e fala sobre a tendência do crescimento de produtos se transformarem em itens gratuitos, que agreguem valor a algum serviço que, esse sim, seria pago. Ainda estou acabando de ler o artigo que apresenta a teoria toda. O livro com a teoria na íntegra será publicado em 2009 e se chama "Free".

Mas cá entre nós, tá ruim de acreditar que os livros e as palestras do Chris Anderson vão ser muito free, né não?!

25.2.08

TV :: Atitude.com

A convite da produção do programa, hoje estarei no Atitude.com, da TV Brasil (ex-TV Cultura, canal 18 da NET) para falar sobre blogs de música. A quem interessar possa, o programa vai ao ar ao vivo, às 18hs.

23.2.08

Beth Ditto (Gossip) & Adele (Mark Ronson)

Às Gordinhas





      Eu acho que gosto mais do Jarvis Cocker só do que com o Pulp. Mika, não me desce. Aliás, nada que descenda do Queen, embora eu seja rei em gostar mais do influenciado do que da referência. E, no terceiro caso, vai o Ronson e a magrelinha de brinde (fora o tal Daniel Merriweather, que é a prova de que o produtor se dá melhor com as mulheres).

22.2.08

Lançamento :: Vítor Araújo

O geniozinho, do qual falei semana passada, está finalizando o dualdisc (bolacha que é CD de um lado e DVD do outro), que será lançado em abril pela Deckdisc. O nome deste primeiro trabalho será "T.O.C", referência à faixa do "Estudando o Samba", de Tom Zé, e que ele gravou para este primeiro trabalho.

Gentilmente, a gravadora nos cedeu uma versão ainda sem masterização do que estará no álbum. É só "Paranoid Android", do Radiohead. Pedrada.


Vítor Araújo - Paranoid Android
(vs. exclusiva SOBREMUSICA)



Se quiser embedar por aí, segue código...

20.2.08

Entrevista :: Nélson Motta (Rolling Stone - Dez/2007)

Esta entrevista com Nélson Motta foi feita em novembro, por e-mail, para a Rolling Stone de dezembro. O assunto é o ótimo livro sobre Tim Maia. Na edição que foi para as bancas, o editor da revista preferiu publicá-la em forma de "rapidinhas com Nélson Motta". Com a revista já fora de circulação, segue aqui a íntegra da entrevista, antes das edições (minha e do editor), a abertura e a cotação que dei em meu texto.


"VALE TUDO- O som e a fúria de Tim Maia"/ Nélson Motta / Ed. Objetiva (4 estrelas)

O “Rei dos Doidões”
A literatura brasileira merece um personagem como Tim Maia.

Tim Maia sempre atraiu a simpatia popular, mesmo sendo “preto, gordo e cafajeste”, como se auto-definia. Além disso, era politicamente incorreto, voraz consumidor de entorpecentes e faltava com freqüência aos seus compromissos profissionais. As razões que explicam esta simpatia passam longe da obviedade, ainda mais em uma sociedade tão careta e preconceituosa quanto a brasileira. O livro de Nélson Motta joga luzes sobre um dos personagens mais interessantes e ricos da cultura popular brasileira, fazendo jus à sua obra e inteligência. Por e-mail, o autor falou sobre este trabalho.

BRUNO MAIA: Quando lançou "Noites Tropicais" (2000), você disse que a intenção inicial era ter escrito uma biografia de Tim Maia já naquela época. Por que demorou tanto a sair e qual sua análise final depois de concluído um projeto tão antigo?

NÉLSON MOTTA: Problemas judiciais e conflito entre herdeiros que disputavam o espólio do Tim Maia. Primeiro era preciso que a Justiça definisse quem era herdeiro. Quando decidiu que era o Carmelo Maia foi rápido, uma simples negociação comercial de direitos, com royalties e um adiantamento. Mas sem interferência no texto. No fim, foi ótimo todo esse "atraso", porque nesses 7 anos escrevi 5 livros, sendo 3 de ficção, e ganhei musculatura e fôlego para escrever essa biografia. Com certeza, está melhor do que poderia estar se escrita em 1999 ...

BM: A guinada que você deu há alguns anos, em direção à carreira de escritor, acabou te afastando da produção musical. Essa é uma escolha consciente ou, se fossem atividades conciliáveis, você seguiria exercendo as duas?

NM: É uma escolha natural para essa etapa de minha vida, principalmente pelas condições de trabalho: sozinho em casa, de short e chinelo, sem depender de nada nem de ninguem. Ou então viajando por praias maravilhosas com meu laptop. Ou para cidades incríveis. Escrever livros se pode fazer em qualquer lugar. Com internet e Google então... Não sei onde começa o trabalho ou o lazer. Produção musical envolve estúdios (que detesto), músicos (às vezes muitos), cantores, técnicos, muita gente envolvida, muitas vontades e desejos para harmonizar. Como produtor musical me coloco a serviço do artista como um samurai, abro mão até de meu gosto pessoal em favor do que for melhor para o artista. No livro, não penso em ninguém, nem em mim mesmo... hahahaha

BM: Há uma pesquisa profunda em que se baseia o livro, mas há poucos depoimentos abertos, poucas aspas. Em não se tratando de uma memória pessoal, e sim de uma biografia, você acha que isso aproxima a narrativa daquela de uma obra ficcional?

NM: Não queria fazer uma biografia "acadêmica", passaria facilmente de 1000 páginas e seria totalmente oposta ao estilo anárquico de Tim. O personagem é o sonho de qualquer ficcionista. Quem imaginaria um personagem como Tim Maia ? E quem acreditaria ? E no entanto, todo mundo no Brasil sabe que tudo é verdade quando se trata do auto-intitulado "rei dos doidões". Gostaria que o livro fosse lido com o prazer que se lê um romance estrelado por um personagem fabuloso e hilariante.

BM: Uma biografia escrita por um amigo corre o risco de ser parcial e não dar conta da complexidade do biografado. De que forma você administrou essa questão?

NM: Além de amigo, sempre fui fã do Tim, como artista e como personagem. Claro que o livro é parcial, usei só o "filé mignon" de suas histórias, o seu melhor e o seu pior. A grande caracteristica do Tim era o excesso, de talento, de volume, de peso, de grossura, de generosidade... Tudo era com ele era muito, muito tudo! Então, quando ele era mau... era péssimo. Isto tudo está lá, não escondi nada, mas não tive a pretensão de fazer um levantamento completo de sua vida. Mas em relação à sua obra, mergulhei fundo: a discografia é analisada em profundidade, o seu processo de criação e produção, a importância de sua obra e seu estilo.

BM: O livro cita, mas não aprofunda, algumas das questões mais polêmicas em que Tim se envolveu, nem tampouco os momentos de maior depressão. A intenção era preservar a memória festiva e divertida?

NM: Acho que tem muitos momentos de tristeza, raiva e depressão, constantes na vida do Tim. Não o poupei, ele odiaria. Ele se orgulhava de ser como era, escancarava tudo em entrevistas, levava sua vida privada a público. Mas é claro que a sua memória festiva é a grande marca de sua vida pública, que o fez querido do povo e da elite, no Brasil inteiro. Como ele dizia, para explicar o segredo de seu sucesso: metade de minhas músicas é esquenta suvaco e metade mela-cueca. O livro segue a receita. Todos os pontos altos - e os mais baixos - da carreira e da vida do Tim estão em "Vale tudo". O que eu não quis foi entrar em detalhes e me aprofundar no capítulo final, desde que ele passou mal no show de Niterói, passou a semana no CTI e morreu. Só contei o básico, indispensável para o registro histórico. Mesmo assim sofri bastante, levei um mês para escrever uma página resumindo tudo, sem deixar nada de fundamental de fora.

BM: Seria possível se fazer um estudo mais formal, nos moldes acadêmicos, sobre um personagem como Tim Maia?

NM: O cara precisaria ser mais louco que o Tim Maia pra fazer uma tese acadêmica sobre ele, né ? Mas seria divertidíssimo ver uma tese de um semiótico da USP, naquela linguagem deles, sobre o Tim Maia... hahahaha... O Tim Maia não cabe em cânones ou categorias... Tim Maia, como personagem real ou de ficção, tem poucos paralelos na literatura brasileira. Macunaíma, por exemplo, não tem bala pra ser motorista do Tim Maia...hahahaha

BM: Bordões, neologismos, filosofias de botequim... O frasista Tim Maia aparece o tempo todo no livro. Qual era a principal característica do raciocínio dele?

NM: A rapidez, a inteligência, o humor e o timing: a frase certa no momento exato, virtude dos grande comediantes. E não respeitava hierarquias ou instituições, era politicamente incorretíssimo, totalmente anárquico.

BM: Tim Maia não pegou o auge da mídia de celebridades, nem do intenso revival que atravessa a música brasileira hoje. Como você acha que ele veria este atual momento e o que ele teria condições de fazer hoje que era impossível naquele tempo?

NM: É impossivel imaginar o Tim hoje. Se ele estivesse como nos seus últimos meses, seria uma tristeza, acho que não melhoraria em nada a situação dele, que era o final de um processo pessoal. Agora, se o Tim Maia, com 40 anos, estourando de vigor e criatividade, vivesse com esses confortos tecnológicos, a conversa seria outra. O Tim foi um dos primeirissimos artistas brasileiros a ter uma faixa interativa nos seus discos, ainda em 1996.

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Vale visitar o bom site do livro, com o áudio em streaming de todas as músicas citadas no livro.

18.2.08

Chappa: Newsletter Janeiro

Um Feliz 2008?



      Se 2007 foi um ano de muitas notícias para a música, 2008 começa no mesmo ritmo, às vezes até atropelado. Foi o caso da última semana de janeiro, quando o site americano Qtrax anunciou que estava botando trinta milhões de música de graça para download, a serem remuneradas com anúncios de McDonald’s, Microsoft e Ford, entre outros. Não era a primeira notícia do gênero, mas surpreendia porque até o momento nem ferramentas com muito mais popularidade tinham conseguido de uma vez só juntar tantos números tão grandes com o OK das quatro grandes gravadoras – Warner, Universal, Sony e EMI. Pois bem, não demorou muito para que elas dissessem que não é bem assim.
      A história ainda deve render, mas o modelo que o astro da vez, Justin Timberlake, anunciou no domingo de carnaval, durante o intervalo do Super Bowl americano, parece que só se consolida. Para quem não leu a newsletter passada, a Pepsi se associou com a Amazon e vai pagar pelo download de uma quantidade de arquivos musicais sem precedentes na história. Sem custo para o consumidor, só a propaganda. Tamanho investimento tem mais é que ser divulgado para todos os cantos, daí a escolha de um dos intervalos mais caros na tv mundial, o da final do campeonato de futebol americano – praticamente um feriado nos Estados Unidos.
      A Last.fm, uma das rádios online mais acessadas do mundo, também adotou uma variação do modelo. A cada execução de uma faixa de artista independente, os anunciantes pagam. É o Artist Royalty Program, e por independente entenda-se sem gravadora ou “agência de recolhimento de direitos”. Por enquanto, só Estados Unidos, Grã Bretanha e Alemanha tem o serviço, que inclui também a possibilidade de se ouvir uma música específica – o que eles chamam de acesso sob demanda. Daí, a lista é o catálogo das quatro maiores gravadoras do mercado e de outras várias menores, como a CD Baby, IODA, Naxos e The Orchard. Fora os tais artistas independentes que fizeram o upload no site e deram OK nos termos de compromisso.
      As gravadoras decidiram aderir à internet de vez, e ao maior número de ferramentas possível, desde que com advogados e critérios. Mas a EMI, que sempre apontou tendências no modelo de negócio fonográfico, da abertura do estúdio Abbey Road às aquisições da Capitol e Virgin, por exemplo, anunciou a demissão de dois mil dos cinco mil e quinhentos funcionários da empresa no mundo. A decisão foi anunciada pela nova diretoria da empresa, administrada desde o meio de 2007 pelo fundo de investimento Terra Firma. Ainda não se sabe se o passaralho inclui empregados brasileiros. A medida tem feito barulho, e uma série de artistas liderados por Robbie Williams (que nunca repetiu nos EUA o sucesso da Grã Bretanha) ameaça não lançar mais discos, o que seria uma espécie de greve inédita. Os meninos bonzinhos e preocupados com o mundo do Coldplay estariam nessa também…
      Sob esta nova administração, a relação investimento/prazo de retorno financeiro toma novos contornos. Um choque de gestão no mercado da música vem sendo apontado como uma das soluções para o esquema tradicional há anos, mas ninguém está certo de que a administração vertical de cabeças do mercado financeiro seja o melhor para a música. Aliás, ninguém está certo de que tipo de cabeça é melhor para a música, o que também inclui os supostos grevistas no mundo de dúvidas.
      De qualquer forma, o mês também foi o em que o Radiohead botou o disco da internet nas lojas, e deixou cada um interpretar o gesto como quiser… Chegou ao primeiro lugar nos dois maiores mercados do mundo, EUA e na Grã-Bretanha, na primeira semana de comercialização física. Para a divulgação do disco, a estratégia não foi esta ou aquela aparição em estações de TV, mas a organização das próprias apresentações no site da banda, e tudo veiculado pela Current TV – o canal independente do prêmio Nobel Al Gore, com programação toda feita por telespectadores. As expectativas da nova gravadora da banda para a primeira prensagem do In Rainbows superam o total de vendas do último disco do Radiohead pela gravadora antiga, justamente a EMI. Ou seja, não procure lógica onde não há.
      Mas o Radiohead não adotou a internet sem restrições. Com a consciência ou não da banda, a editora Warner/Chappel mandou um recadinho direto ao DJ Oakland e ao produtor Amplive: nada de lançar de graça na rede o Rainydays Remixes – experiência dos dois em cima das dez faixas do disco do Radiohead – antes de conseguir legalmente todas as licenças necessárias. O produtor lançou um vídeo no YouTube explicando a situação, pedindo que o próprio Radiohead entrasse na negociação, e finalmente, que todos aqueles que já estavam trocando os arquivos vazados pela internet parassem com isso. De novo, cada um que interprete como quiser.
      Finalmente, por aqui, o balanço de vendas de música pela Internet foram animadores, mas ainda indicam que o caminho é longo. Houve um crescimento de 185% no setor de Internet/celular, em 2007, mas a participação da música digital no bolo geral brasileiro ainda não chegou aos 10%. Era de 2%, passou para 8%. No mundo, o crescimento foi de 40%, mas a fatia do bolo é um pouco maior: 15%. Será que em 2008 a situação muda de figura?

CHAPPA.
Nova música. Novas oportunidades.

(A qualquer momento, mais novidades...)

15.2.08

Trilha Sonora: Sweeney Todd

Música Para Ouvir, Música Para Ouvir, Música Para Ouvir



       Tá, eu também não gosto de musicais, e só descobri que esta nova parceria de Johnny Depp com Tim Burton era um desses na fila, de ingresso já comprado. Mas o ponto alto de Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet é justamente entrar na brincadeira do diretor e observar como Burton joga com o gênero ao mesmo tempo em que mantém a assinatura. E, para tanto, a música é fundamental.
       Sweeney Todd é um filme esquemático. Não há tempo para que cada personagem ou situação seja apresentado detalhadamente e com riqueza de sutilezas. É tudo muito direto: este é o personagem ingênuo e sonhador, este o anti-herói, cada um chega a Londres com uma visão diferente da cidade, e assim que em terra os dois se separam. Um movimento de câmera irreal, e o anti-herói chega à loja de tortas onde conhece a parceira do filme dali em diante. É teatral, é irônico, mas é acima de tudo - ninguém esqueceu - um musical. Não é um drama, ou um filme de ação.
       A música entra em Sweeney Todd, na maior parte das vezes, como um complemento para a criação do universo daquela determinada ação vista logo antes. O expediente de usar canções para substituir uma situação é a exceção: quando Todd conta o que o leva a Londres para Anthony Hope (e um sobrenome desses só pode ser a prova da necessidade de ganhar tempo na apresentação de um personagem) ou quando o casal barbeiro-cozinheira tem a idéia do que vai salvar comercialmente a loja de tortas.
       Para comparar, um musical como Mary Poppins usa o tempo todo a manobra de um clipe para narrar uma sequência. É só pensar no passeio no parque com os pinguins. Já outro forte exemplo, Mágico de Oz, é mais adepto das ilustrações: Over the Rainbow não é uma passagem da trama, é só um olhar mais atento ao tédio e aos sonhos da menina de fazenda, assim como a música do espantalho, a do leão covarde e a do homem de lata.
       Pois bem, se as ações e os diálogos de Sweeney Todd são curtos e diretos - não podem perder tempo - é preciso falar do cenário, figurino, e mesmo da direção dos atores. O exagero é o que dá o tom: o sangue é muito e muito vermelho, as expressões faciais muito marcadas, e tudo muito delirante. Todos são muito maus, mas alguns têm motivos que justificam isso. Ótimo, mas e o que faz a música?
       A música é o ponto de equilíbrio do filme de Tim Burton. Musicais costumam ser realizados por coreografias fora do tom e muitas vezes demoradas, com um estilo de canto que privilegia o vozeirão e sentimentos demais: seja alegria ou drama. Não é o caso. Em Sweeney Todd, as músicas são quase frias, e são onde a vingança, a cobiça e o amor se mostram mais contidos. A raiva do personagem principal, o amor guardado da sócia na barbearia/lanchonete e o mal-amor do juiz são todos introjetados nas melodias mais interpretadas do que propriamente cantadas. Embora ninguém faça feio, todos ali são atores, não cantores, e isso cai muito bem. Aliás, os arranjos de Stephen Sondheim reforçam as notas mais agudas (mais difíceis de alcançar). A estratégia tem dupla função, ajuda a afinação de quem canta e reforça a dramaticidade das palavras-chave de cada fluxo de consciência musicado.
       Se as marcas intencionalmente exageradas do diretor e o sangue esguichado repetidamente podiam tornar o filme cansativo para alguns, são os delírios visuais mais perto de uma implosão do que de uma explosão que o mantém interessante. Não há tantos planos abertos, o que há são detalhes de rosto, de mão, da navalha, de uma expressão corporal.
       Assim, a música do musical ganha um papel até surpreendente, e inverte expectativas. Não é a hora da festa ou do choro, é a hora de prestar atenção. Algo parecido acontece em dois suspenses também em cartaz, Cloverfield e Onde os Fracos Não Têm Vez. Mas tanto no filme de JJ Abrams quanto no dos Irmãos Coen, a música... simplesmente não está lá. No filme de monstro do criador de Lost, a ausência de música até faz sentido, afinal a linguagem é a de reproduzir um vídeo amador, daí também os planos-sequência. No dos irmãos Coen, o suspense é justamente sublinhado pelo silêncio, o que tem a ver com as locações grandiosas e vazias da região de Rio Grande, nos EUA. De qualquer forma, o efeito é ótimo em um e outro.
       E, para encerrar a sessão trilha sonora, Desejos e Reparação. A premiada trilha da adaptação do romance de Ian McEwan é uma brincadeira de estúdio que reforça o subtema do filme: a metalinguagem. Tudo o que o filme quer é mostrar que diferentes pontos de vista criam diferentes versões de uma mesma história (daí os constantes planos fechados no olhar da personagem principal). E, radicalizando o preceito, o ponto de vista ficcional também entra na roda, mas em uma posição diferenciada. Um ponto de vista sublime, com poderes justamente de reparação. E o que é que a música aqui faz?
       A música sublinha o olhar ficcional que narra a história, faz as passagens para os diferentes pontos de vista que se revezam para situar o enredo e levá-lo adiante. Sobre camadas de notas longas em cordas de violinos e cellos, o toque de uma máquina de escrever marca o ritmo e serve de lembrete: olha só, essa é uma história de uma escritora, a matéria-prima é o que ela quer que seja a realidade, conscientemente ou não. Funciona nas primeiras vezes, mas cansa rapidinho.
       Sou mais as caretas do Jack Sparrow disfarçado de William Bonner.

14.2.08

Cassete e MP3

Magnetismo XXI


13.2.08

Massacration é pinto...

Isso sim é metal! Doce, doce...

Sweet Child O'Mine
Brucelose - Sweet child mine


Metallica Sweeting...


Dicas do xará .

11.2.08

Para a lista do Rodrigo...

Pode não ser "o que vai rolar em 2008", mas são um bom começo de ano.

- o clipe de "Please visit your national parks", do Oxford Collapse, especialmente nesse fim de carnaval...



- o segundo disco do Islands, que sai já já, e já começa com a excelente "The arm" no Myspace deles. O vídeo abaixo é só um trailer que está no Youtube. Vale a pena ouvir a faixa toda.



- você já ouviu moças da Suécia conquistarem o mundo pop algumas vezes, né?! Essas do Those Dancing Days têm toda a cara de que podem fazer o mesmo. "Hitten" é uma delícia, sobretudo esse tecladinho...



- já que o (ótimo) assunto são as moças da Suécia, que tal Maia Hirasawa e essa ensolarada "And I found this boy"?! Conheci via o Myspace da Mallu...



- de toda essa onda de gente vinda de Nova York e apontada como "salvação", o Vampire Weekend realmente é legal. Não é salvação, mas, por ora, é das bandas mais interessantes de lá. A música é "Oxford Comma", no Myspace. O clipe é o colorido "A-Punk". Aliás, você sabe me dizer por que algumas pessoas voltaram a achar legal dançar que nem um eletro-robô de 1984?!



- por fim, tem o novo do Strokes, né... Há quem fale até numa participação de Rodrigo Amarante no quarto disco dos caras... Antes, porém, desse encontro com o hermano, eles esbarraram com Eddie Vedder e Marvin Gaye. Era fim de 2006, mas ainda vale como esquenta para o quarto álbum. Nos cascos!



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Bernardo falou de Wombats e Bacalhau comentou sobre a banda ser de Liverpool. Sobre a cidade dos Beatles, ela realmente está merecendo mais atenção. Tem uma ceninha interessante que inclui, além dos Wombats, o Elle s'appele, o Hot Club de Paris, GoFaster, MyAmiga e o Arms at Last, que podem te dar diversão durante um bom tempo. Não vão mudar sua vida, mas divertem e já mostram um som diferente da escola Arctic Monkeys vindo das bandas novas da terra da rainha.

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No Brasil, 2008 é o ano do segundo disco de uma geração de bandas que emergiu com a força da internet, mas que ainda não deu certeza a ninguém de que vão vingar como um novo "mainstream" do pop-rock brasileiro. O do Moptop é o mais aguardado. Essa é a hora. Não é por ser carioca (ou talvez seja, sim), mas a turma nova do samba e a Liga dos MCs são as paradas que mais me despertam curiosidade neste início de ano. Sem falar no funk carioca, que depois da introdução do tamborzão, que substituiu o Miami Bass por um ponto de macumba mias brasileiro, vem dando passos interessantes que valem a pena ficar de olho.

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Mas pra não dizer que não falei de flores, Vitor Araújo, que o Fábio Silveira e a Deck foram encontrar no Recife, via YouTube. Vale muito a pena abrir os olhos. É um monstro. Ele, sim, é um caso de adolescente na música que realmente já tem cacife pra merecer uma capa nos grandes jornais, sem depender do hype. Vitor Araújo. Dica do próprio Fábio.

Vitor Araújo - Asa Branca


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Agora, esse papo aí embaixo do Arcade Fire tá mesmo muito estranho, hein... Dá pra uma banda brigar com o Murdoch hoje em dia? Dá pra turma do Murdoch fazer o que quiser? Olhos atentos.

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Sendo assim, pra quem chegou agora, feliz 2008...

10.2.08

CHAPPA :: Newsletter Dezembro/2007

Essa foi a newsletter enviada pelo Chappa no início de janeiro, referente aos acontecimentos do último mês de 2007. Quem quiser se inscrever pra receber essa newsletter todo mês, basta deixar o e-mail aqui embaixo nos comentários. A de janeiro sai essa semana.


Pra quem acompanha mais de perto as notícias desta indústria, não chega a ser novidade as parcerias entre empresas fonográficas e outros grupos que vêm se associando ao universo da música. Em dezembro, a divulgação de que a Pepsi vai oferecer 1 bilhão de downloads nas embalagens de seus produtos repercutiu com muita força. A estimativa global de downloads era de 1,8 bilhão, daí vem a Pepsi e anuncia que, sozinha, vai oferecer 1 bi. O envolvimento cada vez maior de empresas como a Pepsi no fornecimento de músicas aos consumidores demonstra que a indústria fonográfica não está preocupada com o fato de o consumidor pagar ou não pelo produto. Cada vez mais se reitera a cultura de que ninguém mais paga diretamente por um fonograma, desde que alguém pague. Esse alguém, cada vez mais, são empresas que buscam um determinado posicionamento para suas marcas. Enquanto esta tendência se confirma mundialmente, o Brasil segue à margem pela dificuldade de acordos que unifiquem as editoras do país.

Outra notícia que pôs os modelos de negócio em discussão foi o acordo entre Universal e Nokia, segundo o qual, os compradores de aparelhos celulares da empresa finlandesa poderão baixar durante doze meses o catálogo da companhia inteiro. Ao fim deste tempo, eles poderão permanecer com as músicas, porém elas ficam restritas aos respectivos aparelhos. É a entrada da Nokia no mercado de gadgets, mirando na Apple e no iTunes. Certamente, a Nokia é uma das empresas que mais esforços vem fazendo para a conquista dos consumidores de música. As Nokia Music Stores já começam a se espalhar pelo planeta. Por aqui, como já citamos anteriormente nas newsletters do Chappa, a loja foi inaugurada em parceira com a Claro e o iMúsica, em outubro.

Os novos tempos que as transformações digitais vêm impondo vão além da renovação dos modelos de negócio. Em outra ponta da indústria musical, a Gibson, tradicional fabricante de guitarras, anunciou o seu novo modelo que promete revolucionar a forma de se tocar o instrumento. Na HD.6X-Pro, cada corda passa a ter sua saída própria e este sinal pode ser trabalhado independentemente dos das outras. Cada uma tem um captador próprio. Para isso tudo funcionar, o pulo do gato está no que eles chamam de Breakout Box (BoB), uma espécie de placa de som que já transmite os sinais separados para algum outro periférico onde se vá trabalhar. As possibilidades com este novo instrumento são tantas e tão amplas que passam a exigir uma técnica diferente dos músicos que resolverem se aventurar nele. Pode ser o início de uma segunda era na história da guitarra. É aguardar pra ver.

Bom 2008 a todos!

CHAPPA
Nova música, novas oportunidades

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Só pra lembrar, quem quiser entrar para a mailing do CHAPPA e receber a newsletter e as informações do projeto, deixa o e-mail aqui nos comentários.

8.2.08

Trilha Sonora: Juno

Hit Me With Music (ou Tchubaruba)



      Juno é o filme fofo da temporada, e ainda um pouco mais. É daqueles acertos que contam muito sobre determinado aspecto de uma época. Um pedaço de zeitgeist, para usar a expressão alemã que não se traduz. No caso, mais precisamente um olhar disfarçado sobre as lições que as meninas e suas trilhas sonoras desses tempos de myspace têm a nos dar, garotos.
      O diretor do filme, Jason Reitman, tem por mérito ser apenas um observador, esforçado em apenas deixar que elas se mostrem. É o mesmo que fazem dois dos três personagens masculinos do filme, o pai de Juno e o melhor amigo dela. E as mulheres são três, Juno (Ellen Page), a roteirista (a blogueira Diablo Cody) e Kimya Dawson – cantora e ex-integrante do The Moldy Peaches e do Antsy Pants, responsável pelas mais importantes músicas de um filme em que o imaginário todo da crise de descoberta do amor se passa justamente na trilha sonora.
      Como na vida de tantas meninas por aqui.
      Dawson é a compositora e, quando não a de Juno, a voz do olhar da personagem principal do filme, uma adolescente esperta e espontânea que tenta lidar com a falta de maturidade do menino que ama ao mesmo tempo em que briga com a própria juventude para admitir esse amor. E com um bebê na barriga, que será o umbigo dos acontecimentos da história.
      O universo de Juno, da menina “talvez” apaixonada, é o deste novo alt folk indie feminino onde cabe uma Cat Power, um Broken Social Scene (e por conseqüência a Feist), um Belle and Sebastian e até uma Fernanda Takai brasileira. Portanto, o folk é aqui a palavra menos rígida do rótulo, claro. Neste dado contexto, está ainda um laço com o punk, e Patti Smith é o nó que amarra as pontas.
      Assim como Juno se disfarça de filme de adolescente, ainda mais na animação que introduz a vizinhança e o conflito central da trama depois da frase “tudo começou com uma cadeira”, as mulheres dessa trilha sonora se disfarçam de menininhas para lidarem muito melhor do que nós, garotos, com as inseguranças e dificuldades e dores do crescimento que a vida insiste em impor para quem tem dezesseis, vinte-e-um, vinte-e-seis ou trinta e um.
      Representado por Dawson, a música de Juno e dessas meninas da nossa geração é brega e cool ao mesmo tempo. Tem um humor esperto, que vai de pureza e espontaneidade, de palavrão e fragilidade para se vestir de menininha. Tem palavras demais, bem além da métrica, mas curiosamente encontra espaço para o silêncio. Disfarça um amadurecimento com o reconhecimento sofrido ou debochado – nunca os dois junto - das fraquezas e dos sentimentos de quem entra no jogo para jogar, justamente.
      Juno não é filme para tratar de gravidez na adolescência, de aborto, de família, de sexo sem prevenção. Juno é filme que revela o quanto as relações entre pessoas está frágil nestes anos, e daí o doce indie que atenua o cinza da cidade pelo marrom de outro lugar, talvez meio idealizado, onde tudo devia ser mais simples nos sonhos à beira da janela (do MSN ou não).
      Um grupo de atletas corredores passa em silêncio, em vários momentos, para mostrar que o mundo segue correndo em voltas sem se desviar do rumo estabelecido. Mas para um roteiro de blogueira feminista e para uma protagonista que fuxica a Internet a ponto de apontar com certeza ansiosa que 77 sim é que foi o melhor ano do rock, e não um 93 igualmente distante das possibilidades de quem tem só dezesseis, e fala em um telefone de hambúrguer que saiu de moda ainda na década de 80, o mundo é um umbigo. Mas o mundo não é maior do que a rede de contatos do site preferido. O horizonte é visível, e isso dimensiona as ambições. A barriga pesa, mas se carrega.
      A curta distância entre a referência clicada a uma lista de ícones pop é só uma forma de identificação: uma bússola para não se perder entre tantas corridas em círculo. Como o então vocalista do Lasciva Lula, Felipe, me contou há uns meses, “A internet deu visibilidade aos que antes eram esquisitos. E, então, os esquisitos descobriram que sempre estiveram em maior número”.
      Estar em maior número não aproxima ninguém, e aí está o paradoxo. Juno não é solitária, não é triste, mas tem dificuldades em estabelecer relações. Por vezes, acredita na armadilha da falsa aparência. Ela é uma heroína, vai vencer no fim, mas não será sem passar por dinâmicas de altos e baixos, de doces e melancólicas linhas melódicas, em uma levada não necessariamente difícil, mas doída além da conta. É assim que se chega à beleza, à vitória da alegria corriqueira.

      E nesse universo, com toda a cara de arapuca viral, mas e se não for?, e se for e daí?, surge aqui Mallu Magalhães. Ontem foi o primeiro show dela sozinha, em São Paulo. É a folk de Internet que vai botar feminilidade nos campos que o Vanguart abriu. Boa sorte, então.

      A trilha sonora de Juno ainda tem David Bowie, Sonic Youth e the Kinks, caso queira saber:

01 Barry Louis Polisar: "All I Want Is You"
02 Kimya Dawson: "Rollercoaster (Juno Film Version)"
03 The Kinks: "A Well Respected Man"
04 Buddy Holly: "Dearest"
05 Mateo Messina: "Up the Spout"
06 Kimya Dawson: "Tire Swing"
07 Belle & Sebastian: "Piazza, New York Catcher"
08 Kimya Dawson: "Loose Lips"
09 Sonic Youth: "Superstar"
10 Kimya Dawson: "Sleep (Instrumental)"
11 Belle & Sebastian: "Expectations"
12 Mott the Hoople: "All the Young Dudes"
13 Kimya Dawson: "So Nice So Smart"
14 Cat Power: "Sea of Love"
15 Kimya Dawson and Antsy Pants: "Tree Hugger"
16 Velvet Underground: "I'm Sticking With You"
17 The Moldy Peaches: "Anyone Else But You"
18 Antsy Pants: "Vampire"
19 Ellen Page and Michael Cera: "Anyone Else but You"



Nada a ver

      You Feel No Pain: Bob Marley faria ontem 66 anos. Fora o reggae em si, com ele o terceiro mundo se apresentou de ilegal ao pop global. É isso aí.



      Aqui, uma versão do Sublime, outro que partiu cedo.

7.2.08

YouTube: Conquista, White Stripes

Las Rayas Blancas



      Seguindo a escola do Rei Roberto...

The Wombats

Se O Joy Division Passasse Pelo Monty Pithon na TV...

      Na semana passada, o Rodrigo me ligou pedindo ajuda para uma listinha de expectativas para 2008. Queria gringos e brasileiros. Não sei se foi o mês de correria no Humaitá Pra Peixe, mas me vieram umas quinze nacionais. Nenhuma estrangeira. Pensando muito, veio a Adele, nova menininha do Mark Ronson, mas confesso que desconfio de quem (mesmo contra a vontade) acaba sendo chamada de nova Amy Winehouse. Mais um pouco de muito pensar e me lembrei do Portishead e a volta depois de dez anos (acho). Pedi desculpas e desisti. Nenhuma expectativa internacional. (Esqueci do Franz Ferdinand, que era uma escolha óbvia, né?)
      Daí, passou o carnaval, e eis que me deparo com o Wombats. Taí: essa banda pode ter um grande 2008 se fizer tudo certinho. Engraçados eles são.







Nada a ver

      Não é muito estranha essa história de que o Arcade Fire perdeu na justiça para a FoxSports? "Uso efêmero" em um comercial do SuperBowl? Me explica quem entender...





Nada a ver

Wado e Lucas Santtana trocando idéia sobre o disco novo do ex-Fino Coletivo, vale a pena.



Nada a ver

      Agora vai: 2008 começou para o sobremusica, tô sentindo...


Enfim, a casa própria
Perda :: Dorival Caymmi
Dorival Caymmi :: Compilação de vídeos
Show: Momo, no Cinemathèque
Site:: OEsquema
Agenda :: Momo, Hoje!
Aviso: Última Digital Dubs na Matriz
Entrevista: Fabrício Ofuji, produtor do Móveis Col...
Vídeo: Reckoner, de Gnarls Barkley
Vídeo: L'Espoir des Favelas, de Rim'K

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