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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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30.11.07

Despedida: Lasciva Lula, no Odisséia

As Meninas Do Lasciva

      Elas até gostam de poesia. Se gritada, melhor. Mas elas não estão ali para isso. Não. A vida tem muita coisa para resolver. É hora só de tomar um lance e se divertir.

      Elas ouvem rock. Gritam quando o dj toca Pixies. Aliás, conhecem o dj. E o guitarrista da banda. Estudaram juntos. Ou conhecem quem estudou. Fizeram Design. Ou Comunicação. No máximo, Ciências Sociais. Arquitetura, Letras. Estão com a camisa da banda.

      Elas tiram fotos. Depois mandam por email. Publicam. Dançam de olho fechado. Mexem a boca, conhecem todas as palavras.

      Tudo, na verdade, para preservar um momento que, de outra forma, só levaria embora o tempo. Na noite escura, é assim que ficam junto. A vida tem muita coisa para resolver. É hora só de tomar um lance e se divertir.


      Mais fotos aqui.

28.11.07

Myspace :: Marcelo Camelo

As aparições públicas começam a rolar aqui e ali. E eis que Marcelo Camelo solta esse vídeo no Myspace. Gênero: música folclórica. Depois das temporadas em um sítio da região serrana do Rio, agora o palco é uma praia. Verão. E cada um entenda como quiser.


Aliás, tempos atrás, o Amarante já havia postado uma música nova dele, chamada "Evaporar"

Rolling Stone :: Outubro/2007

Seguindo a tradição, recupero os textos que escrevi para a edição de outubro da Rolling Stone. O primeiro é sobre a banda carioca Maldita. A matéria foi publicada um pouco diferente do texto original, já que um dos ganchos era o show que eles abririam para o Marilyn Manson. No dia em que a edição de setembro ia para a gráfica, a participação da banda foi cancelada e, por isso, caiu. Dias depois, eles foram reescalados e, de fato, abriram o show do coisinha-ridícula, mas já era tarde e o texto acabou só saindo em outubro (sob o título "Juntado pedaços"), com mínimas alterações e um olhar em perspectiva sobre a tal apresentação. Explicado isso, segue o texto original, escrito para a edição de setembro.


Vamos por partes
É seguindo a filosofia de Jack, o Estripador que a Maldita desenha a própria carreira

“Quando se é criança, o maior sonho é crescer e ser independente. E é isso que estamos conseguindo”. A frase é de Coágula (nome artístico recém-adotado por Erich Mariani), vocalista da Maldita, e explica bem os caminhos desta banda carioca. Eles estão lançando o segundo disco (“Paraíso Perdido”) que não traz nenhum agradecimento no encarte: “No primeiro (“Mortos ao amanhecer”) a gente agradeceu a todo mundo e deu tudo errado. Os donos do selo (Nikita) brigaram na semana de lançamento e isso atrapalhou tudo. Mesmo assim, conseguimos vender as 3 mil cópias que foram prensadas. Dessa vez fizemos tudo sozinho e por isso não vamos agradecer a ninguém”, explica o baterista Vidaut.

Coágula é a mente por trás do grupo. No lançamento do primeiro disco, ele já era capaz de antecipar muito do que veio a ser o segundo. “E o terceiro já está na minha cabeça, vai se chamar ‘Nero’”. A estética que mistura rock com terror tem influências claras como Alice Cooper, Zé do Caixão e Skinny Puppy. Mas em “Paraíso perdido”, é Nine Inch Nails o que mais se percebe. Os bons resultados no circuito independente são sustentados especialmente pelo público de localidades periféricas. “Nesses lugares, há uma recepção muito maior à nossa estética do que nos centros badalados. Quem diz que esse tipo de som não tem público no Brasil, não sabe o que está falando”, afirma Vidaut.

Apesar de ter plena consciência de quem seja seu público por aqui, a ambição é sair do país. “Todo mundo que nos ouve diz que devemos tentar. Outro dia, o Andreas Kisser esteve conosco, adorou o som e falou a mesma coisa. Estamos começando a planejar e até já combinamos de tentar fazer algumas versões em francês e inglês”, conta o baterista. Enquanto esse dia não chega, o grupo vai tratando de aumentar o séqüito de fãs. No fim de setembro, eles abriram os shows da turnê brasileira de Marilyn Manson. “Atualmente não é mais uma forte influência, mas, especialmente para mim, o Manson foi uma grande referência quando montei a banda, apesar de hoje em dia nosso som ser bem diferente do dele”, avalia Coágula.


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Além disso, ainda rolou uma resenha sobre o mais recente álgum da banda "Paraíso Perdido", uma matéria com Plínio Profeta (publicada sob o título "Aquele da Galileu") e uma listinha da Deize Tigrona escolhendo seus cinco funks preferidos de todos os tempos. Seguem aí...

Maldita - “Paraíso perdido” - 2,5 estrelas
O velho flerte entre o Deus e o Diabo

A cultura do rock-terror sempre flertou com as figuras satânicas e com uma espécie de contestação à figura de um Deus bondoso. Tal qual a diferença entre paixão e ódio é estreita, estes artistas acabam revelando em suas obras um encanto tremendo pelo divino, ainda que isso seja demonstrado pelo repúdio. Em “Paraíso perdido”, segundo disco da Maldita, isso é evidenciado pelas letras que remetem a anjos decaídos, entre elas, a própria faixa-título e outras como “Santos e pecadores”, “Anjo”, “Presença de espírito”e “Moribunde”. Outra que mostra este fetiche pelo divino é “Seu deus”, cuja citação ao pensamento nietzscheniano aparece no subtítulo “(a lei do eterno retorno)”, como se quisesse lembrar que, para eles, deus estaria morto. Viagens psicológicas e filosóficas marcam o disco, cuja sonoridade remete mais a Trent Reznor e seu Nine Inch Nails do que à Marilyn Manson. As interpretações de Erich Mariani (que resolveu adotar o alterego de Coágula) continuam teatrais e exageradas, como o mise en scène do gênero exige. Para quem gosta de uma brincadeira trash, esta aí uma boa diversão.

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De galhofeiro a produtor renomado
Mais de uma década e muitas parcerias depois, Plínio Profeta volta a se lançar

Na apresentação do VMB de 1996, Adriane Galisteu deu um tapa na cara dele. A razão da “agressão” era a música que liderava à parada musical da MTV naquele ano, “Eliane Galileu”, composta por Plínio Profeta. Diziam os versos: “Quem não comeu Eliane Galileu/ não tem telefone celular/ Quem não comeu Eliane Galileu/ não dirige um Jaguar”. “Nos shows, eu cantava Adriane Galisteu mesmo”, relembra Profeta, que hoje, aos 37 anos, está lançando o primeiro disco autoral. “Volume 1” nada tem a ver com a galhofa de outrora.

Mais de uma década depois da aparição relâmpago – impulsionada pela música que saiu apenas na coletânea “Paredão” –, até o consistente primeiro CD, Plínio Profeta se tornou DJ internacional, parceiro de muita gente boa e um dos mais disputados produtores do país. Fez desde Lenine até Kelly Key. A verve de produtor sempre falou mais alto do que a de frontman e é justamente isso que dá liga em um repertório tão eclético. “Eu acho que esse é o ponto. O disco tem todos os gêneros que eu ouço, porque acredito que as pessoas gostam de várias coisas diferentes. A unidade vem pela mão da produção”. Entre os muitos parceiros, Lucas Santtana e Xis são os mais presentes. A lista ainda inclui Davi Moraes, Pedro Luis, Donatinho, Jr Tostoi, Ganjaman e até o ator Selton Mello, entre outros. “Não é um disco com pretensão de me lançar no mercado, é apenas um trabalho de referência”, explica.

Não bastasse toda essa turma, Profeta se gaba por ter conseguido autorização de Roberto Carlos para gravar “Como é grande o meu amor por você”, que poucas vezes o rei autorizou para alguém. Em outubro, ele excursiona pela Europa lançando o álbum e atuando como DJ. “Não tenho prazo para fazer o segundo disco. Vou cruzando com as pessoas e qualquer dia sai”.

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Lista Deize Tigrona
Top 5 do Funk carioca

1 - William e Duda - "Gata Funkeira"
2 - Cidinho e Doca - "Rap da Felicidade"
3 - Claudinho e Buchecha - "Rap do Salgueiro"
4 - Marcinho - "Princesa"
5 - Vinicius e Andinho - "Maria"

27.11.07

CHAPPA :: Newsletter Setembro


Com um ceeeerto atraso, reduplico aqui a newsletter do Chappa em setembro. Já já o Bernardo sobe a de outubro e na outra semana vem trazemos a de novembro. Quem quiser entrar pra nossa mailing é só deixar um comentário com seu e-mail aqui embaixo, ok?

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Setembro: o mês do crescimento

Setembro foi o mês em que as grandes gravadoras olharam para frente e viram uma luz no fim do túnel. A pesquisa realizada pela AC Nielsen, que mostrou um aumento de 11% na venda de CDs no mês de julho, foi amplamente divulgada na mídia. Esta foi a primeira vez, desde o início da crise da indústria fonográfica, em que houve um número positivo nesta análise.

Todos os executivos procurados pelos veículos de comunicação foram positivistas e pela primeira vez também foi possível ouvi-los praticando um discurso que até pouco tempo estava longe da retórica do mundo das grandes gravadoras: o caminho é baixar os preços dos produtos físicos e entender que as mídias digitais não são inimigas da indústria, e sim eficazes complementos de receitas.

Setembro também foi o mês em que o Myspace começou a procurar nomes para assumirem a direção da filial brasileira do portal, prevista para ser aberta ainda este ano. A questão da música online ainda assusta muitas empresas internacionais, sobretudo por conta da delicada relação com as editoras daqui, consideradas por muitos como as grandes inimigas da cultura digital. Estruturadas sobre modelos de negócio que já não existem mais, as editoras sofrem para se adaptar a um formato que valoriza a quantidade de produtos e não a margem sobre cada um deles. Esta é a razão que levou o Pandora embora e que também mantém a Apple e o Last.FM olhando nosso país de longe. O Myspace dá as caras, larga na frente e vem para cá disposto a enfrentar este desafio. Com a força do mercado da música no país, que a cada mês se mostra maior, é possível apostar que eles vão colher mais louros do que prejuízos por aqui.

No aspecto cultural, foi o mês em que se observou a sinalização de que o samba é o gênero do momento, a aposta da vez. As inúmeras capas de jornais, revistas e sites dados aos lançamentos do gênero apontam para a consolidação de uma nova geração de músicos forjados desde o início desta década. Não há como negar que o bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, foi mais uma vez a mola propulsora disso. Roberta Sá (Universal), Teresa Cristina (EMI) e Maria Rita (Warner) foram as grandes apostas comerciais de suas gravadoras e isso não deve ser entendido como coincidência. Nessa lista ainda estão chegando Moyseis Marques (Deckdisc), Diogo Nogueira (EMI) e Casuarina (Biscoito Fino), etc, etc, etc...

Por fim, também foi em setembro que o circuito nacional de festivais independentes reafirmou sua relevância no atual momento da música brasileira. Entre os dias 13 e 16, foram quatro grandes festivais simultâneos em diferentes locais do país: Festival Mundo (PB), Jambolada (MG), Coquetel Molotov (PE) e Se Rasgum (PA). Mais de 100 shows, com artistas do país inteiro e alguns do exterior. Sem falar no MIMO, festival que no início do mês levou a Olinda (PE) nomes como Yamandu Costa, Hamilton de Holanda, João Donato, Paulo Moura, Antonio Meneses, Egberto Gismonti, entre outros. Além das portas que estes festivais abrem para muitos grupos, há o aspecto econômico extremamente relevante, tanto pela criação de empregos, quanto pelo fomento aos agentes da economia da música nas cidades onde ocorrem.

Mais uma vez, a indústria da música demonstra força, organização e gás. Definitivamente, são novos tempos que se iniciam.

Nova música, novas oportunidades.

23.11.07

As reformas do Sarkozy...

As tão faladas "reformas" de Nicolas Sarkozy na França ameaçam chegar rapidamente à web. Estão dizendo que o "reformista" agora quer cortar o acesso à internet de quem for pego fazendo "download ilegal", de qualquer conteúdo protegido. Agora, imagina só o que aconteceria se todos os internautas que baixam esses conteúdos fossem realmente eliminados da rede? Quem geraria conteúdo? O que seria das ações da Google e dos outros conglomerados online?

Com quem ele pensa que está falando?!? Ai ai... Como diria aquele nosso Capitão, esse Sarkozy é um fanfarrão.

Hutúz Rap Festival 2007

Sob a temática do Circo, o Hutúz Rap Festival dá as caras novamente, dessa vez no Circo Voador. O SOBREMUSICA não é lá muito chegado a ficar anunciando eventos, mas no caso desta iniciativa da CUFA é diferente. O Hutúz é um dos últimos eventos que realmente mexe com toda a cadeia da produção cultural, uma iniciativa complexa e importante para a cidade. Revela novos artistas e estéticas do rap, mas também abre portas para cinegrafistas, técnicos de som, escritores, jornalistas, roadies, produtores e toda a gama de funções que precisam ser preenchidas para o show continuar. Sem se prender ao papo (já inócuo) de inclusão social, o Hutuz vai além e sempre vale a pena ser visto pelo valor que tem de espetáculo e evento.

Tem aquele papo que a gente falou ano passado, que se prende à questão da música, que é apontar novas possibilidades para o rap brasileiro. MV Bill traz um show de rock, com suas músicas tocadas por uma banda da Cidade de Deus, que ele havia citado ano passado. É alguma novidade. Tomara que venham mais.

22.11.07

I was a pop star...

Depois que a anoréxica Victoria Beckham dedicou o novo disco das Spice Girls aos filhos sob os dizeres: "this is for you... mummy was a pop star", esse senhor com cara de marceneiro californiano também "was a pop star".

Ele used to play baixo numa banda chamada Nirvana. Tá lembrado? E agora tá dizendo que virou blogueiro. Seja bem-vindo, Krist! Se precisar de qualquer coisa, dá um toque...

Pescado no Rockofonia.

19.11.07

Sobre distribuição digital de música

Não chega a ser exatamente uma ação inovadora, mas nesta última semana o Gorillaz lançou 10 das 23 músicas de seu novo álbum, o D Sides, para apreciação, com exclusividade no Myspace. Os fãs só puderam comprar o disco e os downloads a partir de hoje, mas quem tinha um crackzinho, já podia baixar as músicas do Myspace desde semana passada.

O poder que estas comunidades virtuais vêm exercendo sobre a indústria fonográfica tradicional é monstruoso. Os artistas se seduzem pela facilidade da distribuição, ágil e barata. As mesmas razões apavoram os investidores que viabilizam as gravações - na maioria das vezes, ainda são as gravadoras. A aplicação de publicidade é uma iniciativa positiva, mas por enquanto ela não remunera os geradores de conteúdo. A grana fica toda para a plataforma. O TramaVirtual já passa um pedaço do bolo adiante. Mas ao contrário do Radiohead, não é todo mundo que pode dizer quanto quer receber pela sua música, pela sua criação. Dia desses, o Dance of Days recebeu da gravadora paulistana um checão de dois pau e pouco, mas em nenhum momento foi consultado sobre quanto gostaria de receber por cada audição ou download da sua obra. O preço é decidido pelo anunciante e pela plataforma. Ou seja: tudo continua na mão dos intermediários.

A venda direta de música pode ser uma boa alternativa. Qualquer um que queira praticar a generosidade, pagando por arquivos de mp3, por exemplo, tem que passar por uma via crucis de cadastros, cessão de informações pessoais, número de cartão de crédito, confirma compra, etc, etc... Tente você comprar uma música. Ninguém consegue fazê-lo com menos de 6 ou 7 trocas de páginas, cheias de informações a preencher. O Snocap é uma iniciativa positiva, sobretudo para artistas independentes nos Estados Unidos, mas ainda não há nada semelhante no Brasil. Nem PayPal nós temos aqui. Ferramentas que agilizem as compras e funcionem sob orientação do consumidor ainda são um filão pouco explorado no Brasil e seriam um grande avanço na consolidação do e-business daqui.


Mas especificamente falando de música na web, há uma grande dificuldade de convencer os desenvolvedores de tecnologia a investir nisso. Isto porque são os mesmos que abastecem o mercado de celulares, que já está muito mais aquecido, dá muito mais retorno e muito mais rápido. Nesse sentido, o termo "digital" embaralha diferentes e específicos modelos de negócios. A chegada de players como o Myspace ao Brasil pode ajudar a inverter esta situação. Estas são plataformas cujo business está só calcado no ambiente online e não em celulares. Já existem boatos no mercado de que o Universo Online estaria preparando algo similar ao Paypal no Brasil. Certamente, seria uma ótima ferramenta de inclusão de novos consumidores no e-business, principalmente se considerarmos o alargamento da base de usuários de internet no país, avançando pelas classes C e D.

Mas o bom mesmo, vai ser quando for possível comprar online usando o celular. Fazer o caminho inverso... A quem interessar possa, é só mais uma idéia que está no ar.

17.11.07

Show: LCD Soundsystem no Circo Voador

In My House



      Tá certo que o preço era um absurdo (200 que viravam 100 com uma carteirinha, filipeta ou um quilo de alimento), que era meio de feriado, que chovia muito, que a cidade acabou de passar por um festival igualmente caríssimo, e que a fila de convidados era grande, enquanto a de ingressos nem tchum. Tudo isso tá certo. Tá certo também que metade da banda que gravou o excelente Sound of Silver não veio ao Brasil, envolvidos em outros compromissos, como a banda !!!. E se a gente quiser ainda ir adiante, tá certo que James Murphy vem dizendo entrevista atrás de entrevista que anda cansado de viajar, que já tá com saudade de fazer música nova, da amada NY, etc.
      Mas um show metade punk metade disco, com uma banda de nerds na moda que distorce guitarras e sintetizadores com o volume lá em cima e faz o baterista de shortinho e barba 'Robinson Crusoé' parecer uma programação de broken beats com um baixo meio booty bass, tá mais do que certo que um show desses não tem como não levantar a galera - que afinal de contas estava longe de lotar o Circo, mas também não era de se deixae espaço entre os corpos.
      Com um microfone vintage, parecido com o que o Soulwax trouxe para o Brasil há uns anos, James Murphy é o centro de um palco em constante atividade. Ele mesmo é um ex-baterista que virou produtor de estúdio, e que quando não canta bate em uma caixa de bateria, uma pandeirola ou um agogô. O guitarrista larga um pouco as cordas, vez ou outra, para disparar um efeito qualquer, depois batuca o agogô (é, a era do cowbell que o Rapture começou já passou) e os tons na frente dele. O baixista é ainda adepto do teclado e de sintetizadores, a japonesa aperta todo tipo de botão e faz coro em Yeah, yeah, yeah. E o baterista segura a onda orgânica e quente do som, suando atrás da bateria que tem lá também um pad digital. Aliás, nessa onda disco-punk, a diferença entre o lado de cá do Atlântico e o de lá é justamente o som dos harmônicos das batidas, como eu tentei explicar ali embaixo.
      E foi bem assim, um show quente quase sem parar, em que as diferenças do primeiro para o segundo álbum desapareciam quase que por completo. Se lá no anterior ele gritava yeah, yeah, yeah, Daft Punk is playing in my house, in my house e I was playing Daft Punk in CBGBs and they thougt I was crazy, I was, and I'm losing my edge, isso é agora menos dissonante com a força que umas músicas de Sound of Silver ganham, como North American Scum ou Us and Them. Quer dizer, fica tudo meio gritado mesmo, sem que a melodia das mais recentes suma.
      Ou seja, quente, quase sem parar, gritado, sem perder a melodia, e tem mais. Pop com sofisticação, afinal não é qualquer um que abre mão de harmonias (sejam elas beatlemaníacas ou intrincadas radiohédicas) para compor em cima de um acorde repetido, ou de um ruído distorcido de modo a parecer uma sirene. Murphy disse que a gente foi a melhor platéia até agora, e boa parte do agradecimento deve ter vindo dos pedidos de música logo quando tudo parou para o tal baterista de shortinho se ajeitar entre um contra-tempo que andava, e uma estante que ficou frouxa ou quebrada, vai saber. Teve gente gritando João Brasil, teve gente gritando shortinho e topsider, e ele lá em cima, sem pressa nem ansiedade, meio que mostrando que o sucesso internacional depois dos trinta e cinco tem uma ou outra compensação. Resolvido o problema, tudo recomeçou com todos de braço para cima, e acabou um pouco mais de uma hora depois, passado outro intervalo agora de bis, com uma bem-vinda e previsível New York I Love You But You Are Bringing Me Down. Foi bom, éim?
      Do lado de fora, a Lapa chuvosa continuava em festa arrumada, mas agora com estacionamento mais caro, chopps mais bem tirados, e sambistas mais burocratas, cantando a mesma Lapa voltando a ser a Lapa voltando a ser a Lapa. Tinha um pouco a ver, mas eu fiquei dançando ao som do the Twelves sem pensar nessas coisas. Ainda não me chegaram, os pós trinta e cinco.

15.11.07

Artist Meeting Brasil 2007, Santa Teresa (RJ)

Discutindo Para Poder Melhorar



      Em cima da hora, eu e Bruno ficamos sabendo do encontro que Ronaldo Lemos, da Creative Commons, e os gringos da Future of Music Coalition organizaram aqui no Rio, para discutir as leis que regem o direito de propriedade intelectual e a estrutura em torno do ato de criar e tocar, no fim-de-semana passado. Não deu para comparecer pessoalmente, porque eu e ele tínhamos compromissos e viagens marcadas. Era, até onde eu me lembro, a primeira vez em que a discussão rolava exclusivamente com músicos em atividade.
      Só que a curiosidade e o sentimento de que uma iniciativa dessas não podia passar em branco pesaram, e a partir disso fui correr atrás de descobrir o que se passou entre almoços e jantares de uma galera de países como Sérvia, França, Gana, Estados Unidos e Brasil. Acabou que o bom e velho parceiro Lucas Santtana se dispôs a responder algumas dúvidas e curiosidades, e a conversa que rolou foi basicamente essa aí:

sm: Qual é o balanço que você faz dos resultados desse Artist Meeting no Brasil?
LS: Acho que foi muito positivo, principalmente para se ter uma idéia da realidade dos músicos e das estruturas que os circundam em vários países do mundo. O fato também de ter músicos de diferentes segmentos musicais e estágios de carreira trouxe uma gama maior de realidades e pontos de vista ao encontro.

sm: Que avaliação se pode fazer, vindo de um encontro como o do fim-de-semana passado, de duas das principais instituições brasileiras para o sustento do músico e da propriedade intelectual no atual modelo: editoras e Ecad?
LS: A avaliação de que Ecad e as editoras não são uma realidade apenas brasileira e que o ideal para o futuro dos músicos seria uma forma de cobrança sem intermediários, já que esses modelos em todo o mundo não oferecem a transparência necessária ao músico, nem [essas instituições] batalham pela sua [do músico] obra.

sm: Na sua opinião, existe um perfil específico de artista que tenha mais a ganhar do que outro com a liberação de alguns direitos de propriedade intelectual?
LS: Claro. Havia artistas [no encontro] que nem editora tinham e que não sentiam a menor falta delas. Ganhavam com shows e discotecagens, etc, e não sentiam falta de serem donos da obra. Outros, a maioria, e eu me incluo nisso, acreditam no valor da obra, acham que ela pertence ao seu criador e foi gerada através de um ofício como qualquer outro, e por isso merece ser remunerada. A questão do CC [creative commons] também foi mencionada como uma alternativa flexível onde a autonomia sobre a obra estaria mais nas mãos do autor. A maioria dos artistas presentes foi a favor de receber por seus direitos de propriedade, mas não gostam do modelo como isso é feito. Na verdade, cada assunto rendia horas de discussões, então fica muito difícil resumir aqui em poucas linhas. Como disse, havia muitas realidades e pontos de vista diferentes.

sm: O mercado de música caminha mais para um novo formato de gravadora ou para o fim dos intermediários na relação artista x público?
LS: Sem dúvida, para o fim dos intermediários. Com a digitalização da obra, tecnologicamente não faz sentido haver tantos intermediários.

sm: Avaliações gerais.
LS: Foram muitas questões e sub-questões. Muitas vezes, um dado positivo sobre algum assunto acabava por também trazer o lado negativo. Mas, sem dúvida, foi uma troca muito rica e de alto nível. Para todos ficou claro que as grandes estruturas são absolutamente iguais e geram os mesmos danos à cadeia musical: o jabá, o monopólio cada vez maior de pequenos grupos econômicos, etc... A diferenca está no simples fato de que no primeiro mundo circula mais dinheiro do que aqui. E, por isso, para nós é tudo um pouco mais difícil, assim como para os músicos de Gana é ainda pior.



Nada a ver

      Uns dias antes, a Associação Brasileira de Música Independente (ABMI) se reuniu para fazer um balanço do ano, e eleger o novo presidente. Sai Carlos de Andrade, o Carlão da Visom, entra Roberto de Carvalho, da Rob Digital. Segundo eu leio no release do encontro, a idéia é dar continuidade ao trabalho da gestão que termina no fim do ano, e reunir mais informação sobre o mercado a partir dos próprios associados, para ganhar força em negociações futuras. Na última pesquisa entre os filiados, o número de respostas não chegou à metade. Entre as prioridades, a negociação de acordos de direito autoral com empresas de internet, sejam elas rádios, lojas ou o que, e a participação em feiras e debates sobre o mercado da música.
      Com uma ou outra diferença, estão todos se mexendo. Com uma ou outra diferença, a organização é o primeiro e bem difícil passo.

14.11.07

Festival Eletronika (Belo Horizonte - MG)


Amanhã, participo do Festival Eletronika, que rola a partir de hoje, no Oi Futuro, em Belo Horizonte. Fui escalado para a mesa "Estamos fazendo/ Núcleos de produção independente". Estarei muito bem acompanhado de Ana Garcia (Coquetel Molotov), Fabrício Nobre (Abrafin) e André Barcinski (Circuito Techno e Clash Club). A farra de debates começa hoje com o curiosíssimo tema "Anota aí o meu site/Divulgação e cobertura em tempos de internet" e se encerra na sexta com "Entre o Youtube e a MTV/ A importância do vídeo como veículo". É tudo papo longo, pra ir além do tempo da mesa e se prolongar em algum dos muitos bares de béorizonti. Se estás nas Alterosas, chega por lá e estica com a rapaziada depois! Na parte mais importante de qualquer evento de música, os shows, LCD Soundsystem e Battles são as principais atrações. Rolam no Chevrolet Hall e no Roxy.

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E se você não pilhar de ir lá, tenta chegar no show do João Ferraz, lançando o excelente SMD "Sapo". Corner club in your veins!

Planeta Terra chamando...

Um festival como nunca vi por aqui

Talvez por uma certa birra coletiva que havia no ar contra o Tim Festival, era perceptível uma torcida para que o Planeta Terra arrebentasse e criasse um novo horizonte para os festivais de música no Brasil. E a torcida deu certo demais. A primeira edição do evento foi histórica em todos os sentidos: organização, pontualidade, limpeza, acesso, curadoria, decoração, iluminação, ambientação, gente bonita, etc, etc, etc...

Se, de cara, poderia se ter a sensação de que a locação escolhida - a Vila dos Galpões - não tinha charme nenhum, às margens do Rio Pinheiros, era só adentrar as primeiras catracas para começar a se mudar de opinião. Uma área grande, cheia de alternativas e locações, nao só tornava o acesso dinâmico como também agilizava a vida do patrocinador, interessado em criar climas para a tal "experiência da marca", de que tanto falam. Freezers com vendedores de cerveja espalhados por todos os locais também colaboravam para a não existência de filas. Banheiros químicos bem distribuídos com folhas de pinheiro espalhadas pelo chão, amenizando a fedentina da urina coletiva. Guarda-volumes para bolsas. Equipe de segurança fazendo jus à censura, sem agressividades. Pensa aí algo que sempre dá errado em festival e saiba que quase todos funcionaram no Planeta Terra.

O Datarock se tornou o show clássico que pouca gente viu e quem não viu se arrependeu. Tudo por causa dos dois últimos números: o hit "Fa Fa Fa" e a dublagem de "Time of my life", do Dirty Dancing, clássico em qualquer casamento, festa senil ou farofeira. A maioria da galera que perdeu estava vendo o interessante show do Instituto e convidados, apresentando o repertório dos discos Racional 1 e 2, de Tim Maia. O show dos paulistanos desce redondo, chega a empolgar no início e vale a pena ser visto. Mas ao longo da apresentação, a falta de um band leader, como Tim sempre foi, acaba pesando. A presença do tecladista Dafé, que acompanhou o síndico, dá um charme semelhante à presença de Lafayette com os Tremendões. O cara deveria ser presença obrigatória em qualquer show tributo a Tim.

Lily Allen derramou charminho, afinação e falta de potência de voz. Simpatia pura, com microfone amarelo fluorescente, estilo new rave, cigarros, uísque e água. Na aguardada volta do CSS à cidade natal faltou empolgação e sobrou insegurança na banda, sobretudo na primeira metade do show. Quem já assistira Lovefoxxx em ação, não a reconhecia. Quem não a conhece, não podia mais ver pra crer. Com o tempo, ela melhorou, o show cresceu e a generesidade da platéia conquistou o grupo: eles podiam relaxar porque ninguém estava lá pra bater neles, como o baterista Adriano Cintra chegou a especular em entrevista, poucos dias antes do show.

Rapture fez, de longe, a melhor apresentação da noite, dando uma atrás da outra, sem tirar. Muita garra, fúria e determinação nos olhos do baixista e animal Mattie Safer. Os músicos são movidos pela bateria de Vito Roccoforte, que vem (com o inevitável trocadilho) forte e constante. É impressionante como o cara não perde o pique em nenhum instante.

Sem maiores delongas, pois o tempo não está me permitindo muito, fica o registro e os parabéns. Se o Planeta Terra se antecipar a aquele outro festival de empresa de telefonia e, com isso, tiver mais tempo de publicidade e espaço na mídia, vai se tornar, já no ano que vem, o principal evento de musica do país. Aguardemos.

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Fotos? Who knows... Tentaremos conseguir algo pro findi, ok?

Montage Deportado

Homofobia

      Daniel Peixoto, vocalista do Montage, foi deportado da Inglaterra. A notícia é do g1. A banda começaria lá a primeira turnê internacional. Há menos de um mês, foram a chuva e os riscos de acidente que impediram que o duo de electro nordestino se apresentasse no festival da Marina da Glória.
      Se no Rio o problema foi uma mistura de azar e desorganização dos contratantes, na Inglaterra a situação é pior: preconceito.

12.11.07

Sound of Silver, LCD Soundsystem

Woody Allen Dance Punk


       Quando um produtor já considerado fodão aprende a cantar, não há muito onde errar. Toda a técnica de estúdio e de montagem de banda se soma ao repertório de sons que ele ouve, provavelmente neuroticamente, e a voz aparece para dar unidade ao álbum, para tornar aquilo uma experiência com algo de pessoal, um cara que te conta o que pensa da vida e você escuta. Sound of Silver é um discaço, inquieto, dançante, provocativo. E com a alma de algo maior, no caso, uma Nova Iorque que não existe mais. E por mais paradoxal que pareça, essa nostalgia idealizada é justamente o argumento maior para o subtema do disco, uma rixa inventada entre a cena americana (que ele acha que não existe) e a européia (que dá o tom para o mundo).
       O LCD Soundsystem fala de um underground idílico repetido em Time to Get Away e NY I Love You, e que volta insistentemente em referências principalmente de estilo a Velver Underground, Talking Heads, David Bowie (tá, ele só mora em NY) e um pouquinho da seriedade debochada de Joey Ramone. Aliás, a falência da Nova Iorque pós-CBGB como "cidade criativa", nas palavras de James Murphy, é até charmosa, e se junta a um ataque contra a correção política e higienizadora republicana da Tolerância Zero. A referência ao prefeito atual, aliás, é bem direta.
       Junto com o lento fim da efervescência boêmia da cidade americana "mais afastada do governo", Murphy abre espaço também para o próprio envelhecimento. All My Friends passa um pouco pelo New Order, ainda mais ao mostrar que pista e melancolia podem dançar juntos, com uma tensão que impede o ouvinte (dançante) de relaxar. É um mesmo acorde repetido sem fim, sem trégua. Quem estuda o be-a-bá de harmonia musical sabe que os acordes são divididos em três funções básicas: repouso, afastamento e tensão. Claro, uma função só se justifica em relação à outra. Ao repetir um acorde sem cessar, ele fica sem função, cria expectativa sem resolver, sem afastar, e sem tensionar propriamente. Junto com o uso praticamente ininterrupto da condução no contra-tempo semi-aberto, o efeito é o de uma esteira de corrida: há exercício, há energia, há cansaço... mas a natureza da parada é mesmo não ir a lugar nenhum. A jogada é que a base é repetitiva e propositalmente monótona, mas a melodia da voz põe em jogo uma mistura de melancolia e saudade da juventude que tocam fundo. Na música, candidata a das melhores do ano, Murphy conta o preço da passagem do tempo para um boêmio cada vez mais solitário. Sozinha já seria fantástica, ouvida no contexto do disco, perto de NY I Love You e North American Scum, por exemplo, fica ainda mais bonita.
      North American Scum, aliás, é um funk de branco, que marca posição pelos USA/Canadá contra as misturas de rock e electro da Europa. Tem um baixão, dedilhados pica-pau na guitarra, e uma lista de cobranças aos garotos americanos, que tão dando mole para os ingleses, espanhóis, alemães...
      Mas há de se dizer: se a disputa fosse só pelo uso dos sintetizadores, era uma questão de escolher quente ou frio. O som do LCD mostra o gosto pelo analógico, é muito mais orgânico e cheio de harmônicos em comparação com, vamos dizer, as distorções heavy metal do Justice, os robôs afinal humanos do Daft Punk e o autocentrismo do Digitalism. Além do mais, o LCD é uma banda - não uma dupla de djs. Sem que isso seja a regra que vai indicar o que é melhor ou pior, certamente isso é muita diferença. Bem, sobre a rixa: ainda rola outra música com o título Us vs Them, daí é só você ligar os pontos.
      Para contar brevemente a história, James Murphy é o líder do LCD Soundsystem e também um dos donos do selo Death From Above, que lançou uma série de singles - originais ou remixes - fundamentais para a construção de uma cena de disco-punk, new rave, blog house, chame do que quiser. O Cansei de Ser Sexy, por exemplo, botou o selo em um de seus refrães.
      Entre os nomes lançados pelo DFA, está o the Rapture (um show incrível em São Paulo, nesse fim-de-semana). Do rock da virada da década de 70 para a de 80, veio a referência para a sonoridade de House of Jealous Lovers, o primeiro single da banda, que pouco depois se tornou a primeira a ter um álbum completo lançado por James Murphy e cia.
      No geral, a voz de Murphy no disco do LCD tem muito dos gritihos e agudos que o Rapture também tem. E na última faixa do disco, ela ainda ganha um tom de Frank Sinatra doido de whisky (imagine um New York, New York em Las Vegas), guardadas as proporções que você achar que deve.

      Essa semana o cara vai estar por aí...

7.11.07

Autoramas e A Geração Informada

Ouvido Para Esses Tempos


       A minha geração não aprendeu a ganhar dinheiro. Quem me falou foi o chappa volta-e-meia linkado aqui, Raul Mourão. Criamos, temos banda, somos fotógrafos, webdesigners, escrevemos, fazemos crítica e reportagem e futurosofia, indicamos leituras, mixagens e vídeos do youtube, mas para ganhar dinheiro ainda corremos atrás do que dava alguma coisa há dez anos. Essa vida dupla – um monte de coisa sem grana e um monte de tentativa pra se virar no fim do mês – é a maior característica de quem está nos vinte e tal anos, com um chorinho para mais ou para menos. É a geração da informação demais, que deixa o entusiasmo competir com o pragmatismo do saldo bancário e reclama imobilizado, meio que achando a circunstância melhor do que já foi. Canta, canta minha gente, que a vida vai melhorar.
       Lá atrás, quando eu apresentei um projeto de fim de curso na faculdade para me formar, a professora Liv Sovik, minha orientadora, disse uma outra frase que ficou gravada. A música é a forma de expressão que traduz com mais agilidade o que estará sendo discutido depois pelas outras artes, pela Academia, pelas pautas dos jornais. Os artistas do som podem até não ver primeiro, mas mostram antes o que será tão visível depois.
       Mas a questão da falência de uma forma de ganhar dinheiro com música, que a Internet e as trocas de informação aceleraram, era na verdade o prenúncio da transformação que não se sabe quanto vai durar, e que vai atingir até quem nem ouve mp3. Os nomes que apareceram na Internet para a literatura, para o colunismo social, para a fotografia e para o que mais for área de interesse de mais de uma pessoa, são os que vão poder definir se a vida dupla, uma máscara remunerada e outra colaborativa, será a marca só de uma geração ou do homem a partir de agora. Porque não vai faltar é necessidade de nova universidade, nova escola, nova empresa, novo governo, nova lei, nova democracia, etc.
       Só que eu não quero fugir do assunto: a vida dupla. Se for parar para pensar, quem tem se dado bem nessa história de novos tempos são os caras que conseguem interligar o trabalho que dão de graça com o que tem preço. Ou melhor: cobrar de um lado o que entregam do outro. Visibilidade e experiência ("investimento na tua carreira, garoto") sozinhos não funcionam, mas com esperteza são o que vai distingüir o sobrevivente do péla-saco. E é o que vai fazer com que as duas vidas se consolidem uma com a outra, sem chegar a ser uma coisa só, porque são por natureza diferentes, mas quase lá. É uma forma sozinha de We're one, but we´re not the same, we care for each other.
       Na música, o hegemônico das últimas três décadas se viu sem direção frente a uma onda de independentes que cortou intermediários para vender menos e ganhar mais podendo estar fora de um plano de estratégia. Dá certo em alguns casos. Na vida, na tua vida, o hegemônico de antigamente - grosso modo um empreguinho em dia útil e um lazer em fim-de-semana – vai ter que ser sacudido. E também não vai ter instituição que dê suporte nessa hora.
       E se o papo quiser seguir para um caminho Matrix, a pílula vermelha seria essa do pânico do sacolejo – a que vai mostrar a liberdade: viver baseado no equilíbrio entre o que é amostra grátis e o que não é, sendo que os dois vão continuar dando um trabalho danado. E se dão uma canseira, que sejam também uma forma de diversão, aprendizado, tiração de onda. As verdadeiras fronteiras a cair são essas: as que separam a quarta-feira de nove às cinco da sexta à noite, na pista de dança. É o que a nossa geração vai ter que aprender a tornar prático e adaptar para virar gente grande, se é que isso ainda vai ser uma transição (papo para outro momento).
       A música que vai nessa trilha pode ser o mash up de um Girl Talk, mesmo escondido às quatro da manhã isolado no palco atrás de seguranças inseguros, ou as guitarras multinacionais do Autoramas: ora paraenses, ora mexicanas de luta livre da tv, passando pelas ruas sujas de uma Tóquio hq, pela praia nublada de Dick Dale, por uma Brasília tarantinesca, ou pelo terceiro-mundo ainda herança do Manu Negra. É muita coisa para a nossa cabeça, mas dá para agüentar, sim.


Mundo Moderno


Era pra eu estar deslumbrado
Com tantas opções que pintam na minha frente
Não consigo ficar acostumado
São muitas novidades que aparecem de repente
Chega de tanta liberdade
Tem gente que nasceu pra ser obediente
Mundo Moderno
Me tirem desse inferno
São tantas coisas novas pra experimentar
Alguém me ponha no meu devido lugar
Mundo Moderno

Convivo com o medo enorme
Que alguma idéia diferente apareça
Então eu preciso de ordens
Antes que algo de ruim me aconteça

Pra tantos lados pode ir minha ambição
Mas vou jogar pro alto o que eu tenho nas minhas mãos

Mundo Moderno
Me tirem desse inferno
São tantas coisas novas pra experimentar
Alguém me ponha no meu devido lugar
Mundo Moderno...




Nada a ver(1)

      Quem teve banda sabe a dificuldade, quem foi a show conhece a raça, mas não dá para não ficar triste com o fim do Lasciva Lula e seu Grite Poesias com o dicionário a tiracolo. Toda banda que acaba é uma surpresa ruim que faz a vida seguir mais devagar, né?



Nada a ver (2)

      Mestre Jorjão, uma das figuras mais criativas do carnaval carioca, vide paradinha e funk, tinha entrado na fila dos que vão tentar o reconhecimento em São Paulo, mas uma jogada de mestre do diretor de carnaval da Boi da Ilha, Cadu Zugliani, botou o cara para comandar a bateria da escola do grupo B. O compromisso dele com o carnaval de São Paulo está mantido, mas que é maneiro ele dar uma força a uma pequena, isso é.

6.11.07

To te falando....

(escrevendo de um teclado novo, ainda sem acento)




Revolucion, pero no mucho... O formato fisico continua forte na mao do Radiohead, mas eh bom frisar que a iniciativa de relancar os discos anteriores eh do selo Parlophone e nao da banda... Afinal, os caras tinham que tirar algum proveito, ja que perderam o grupo para o futuro...

1.11.07

Sobre 'revoluções'

Ainda não teci as linhas que queria sobre a iniciativa do Radiohead, apesar de achá-la, sobretudo, genial. Porém, tem algumas perguntas que gostaria de fazer ao grupo... Uma delas foi respondida nesse artigo da NME que mostra que a revolução não é tããão tããão...

Mais pra frente conversamos melhor...

*******************************
Aliás e a propósito, a Nokia continua mirando firme e forte no iTunes. Se a Apple não vem pra América Latina, por dependerem de uma estrutura forte de web business para vingar, a fabricante de aparelho não perde tempo. Uma vez que a convergência de mídia já transformou o celular em mp3 player há muito tempo e que grande parcela do mercado está na mão da Nokia, mais peças se juntam no quebra-cabeça do futuro da música digital. Ainda tem o crescimento das ações de DRM Free... Com elas, a Apple vai deixando de ser DJ pra ser mais a ter que se virar na pista de dança.

A loja virtual de venda de músicas da Nokia foi lançada na Inglaterra e não deve demorar a se espalhar. No Brasil, há cerca de duas semanas, quem 'nasceu' foi a loja para download de fulltrack streaming que estreou, em parceria com a Claro e o iMúsica.

E vai descendo, descendo, perdendo a linha devagar...


Enfim, a casa própria
Perda :: Dorival Caymmi
Dorival Caymmi :: Compilação de vídeos
Show: Momo, no Cinemathèque
Site:: OEsquema
Agenda :: Momo, Hoje!
Aviso: Última Digital Dubs na Matriz
Entrevista: Fabrício Ofuji, produtor do Móveis Col...
Vídeo: Reckoner, de Gnarls Barkley
Vídeo: L'Espoir des Favelas, de Rim'K

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