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Bernardo Mortimer
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Bruno Maia
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27.2.06

Show: Que Merda É Essa!? e Empolga às Nove em Ipanema

Carnaval, desengano

      Os blocos de carnaval do Rio estouraram. Há uma semana da data propriamente, o Suvaco de Cristo previa hiperinflacionados 25 mil foliões para o pré-desfile pelo Jardim Botânico, e vieram 50 mil. Os banheiros químicos que quadriplicaram de preço com a obrigação legal de existirem (e há quem acredite só na oferta e procura) não dão vazão (olha o trocadilho!).
      Agremiações tradicionais como o Simpatia É Quase Amor, Carmelitas e Barbas ficam muito maiores do que o agradável. Carnaval é bagunça e chega mais, mas o problema entra em ordens de segurança e higiene públicas. E na onda, nascem os blocos menores, que viram alternativa aos famosos e bombados.
      Domingo foi dia de dois deles. O Que Merda É Essa!? já tem mais de dez anos, é verdade, mas tem o espírito de pegar aqueles que preferem não enfrentar o Simpatia e os roubos de celular. O percurso é menor, ao invés de rodar pela orla depois de fazer a curva da Teixeira de Melo – o trecho mais bonito do Quase Amor e dos blocos em geral – ele só desce a Garcia D’Ávila e cai na praia – em um trecho quase que igualmente belo, não fosse a falta do Arpoador logo ali.
      O Que Merda É Essa!? se concentra em frente ao restaurante Paz e Amor. Tem uma bateria que não faz feio frente à Simpática, com a mesma divisão de contratados de um morro amigo nos surdos e caixas e Ipanemenses no manejo de tamborins, chocalhos e outros instrumentos de bater mais leves. Segue com camisados dentro de um cordão meio mal organizado que separa a bateria dos foliões. Os mesmos organizadores do bloco, em alguns casos ganham dinheiro com os camelôs que vendem bebida pelo caminho, disputando com vantagem o espaço pouco da rua cheia de carros estacionados e gente apertada sambando feliz da vida. Carnaval, bagunça, chega mais, eu gosto. E tinha um samba engraçado, cínico, xingando Rosinha e César Maia, mas pedindo um mensalão também, numa apropriação de cobertura Vieira Souto do jeitinho que nasceu em boa parte naquelas praias.
      Do fim do Que Merda, foi uma caminhada e uma algo longa espera pelo Empolga às Nove, que pelo nome começaria às nove, mas é claro não. O jeitinho, a praia, a cerveja, o chega mais. A areia estava linda de noite, vários grupinhos sentados em paz, coisa sem lembrança recente a não ser em reveillons e shows gratuitos do posto 10. Agora, é o samba quem dita o comportamento. Tempos loucos estes do novo milênio, confusão, carnaval, praia, e o samba de rei.
      Quando, depois de vários encontros mediados por celular ou não (as operadoras fazem parte de qualquer evento atual, patrocinadora ou não), é esticada a cordinha que vai separar foliões da bateria. Hora de se empolgar. Várias camisas vermelhas com o número 9 vão se concentrando por ali, em frente ao quiosque da Joana Angélica, onde a banda vai tocar sem andar. No caso, ex-integrantes do Monobloco, que saíram por um motivo ou outro da triagem que quis profissionalizar o bloco vale-tudo de Pedro Luís. A idéia é a mesma, oficinas (via conglomerado Matriz) e apresentações e ensaios ao longo do ano para culminar no mês sempre lotado do carnaval. E o resultado é mesmo o de um filhote, parecido mas diferente. As batidas são as básicas do samba de bloco, com brincadeiras pelo funk, maracatu, coco e ritmos adjacentes. Nenhum primor de técnica, mas também sem a defasagem entre batuques graves e agudos dos grandes blocos: diversão na medida. Se eu fosse rabugento, diria que um caraoquê com bateria. E duas vocalistas com vozeirão de cantora de noite.
      No repertório, além de um samba-enredo próprio em louvação à boemia e ao ataque como modo de vida (esquema tático inovador/ só tem camisa 9/empolga amor ou mais uma cerveja/ é claro que eu aguento!/o empolga às 9 aboliu o impedimento...), sambas-enredo de Mangueira, Portela e Império Serrano, e passeios por clássicos de outros gêneros, como Olhos Coloridos, de Macau.
      Menos eclético do que o Monobloco, no bom sentido, é verdade. E é claro que é bom romper fronteiras para popularizar o gênero, é assim que um monte de gente aprende a freqüentar blocos, e a empreitada de Pedro Luís é em grande parte culpada, sim, pelo estouro lá da primeira linha do texto.
      Mas eu gosto mais de bloco que anda e só canta uma música, até virar transe e não existir mais tempo nem espaço passando. Só carnaval, jeitinho e chega mais.

      Um registro: que pena ter perdido o surgimento do mais novo bloco do Rio, o Boi Tolo. Foi o resultado da mudança de horário dos inventores de carnaval e defensores da patente do Cordão do Boitatá. Foliões fantasiados no domingo de manhã esperaram até descobrir que não ia ter desfile como nos últimos anos, e improvisaram o próprio rancho. Os chatos que fiquem com a nova tradição, o Boi Tolo é que sabe como o jeitinho deve ser criativo. Carnaval, desengano.



Nada a ver

Que disco sensacional o ‘No Direction Home’ do Bob Dylan.

Conquistando o mundo

Não é só o Franz Ferdinand, o U2, os Beatles, o Ronaldinho Gaúcho e o Arctic Monkeys que têm capacidade de conquistar todos continentes deste humilde planeta... Veja esta imagem capitada no sitemeter do sobremusica, na última sexta-feira.

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Ai se o Pinky e o Cérebro vissem isso....

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Que venha Marte!!!

24.2.06

Show: Franz Ferdinand no Circo Voador

We are so lucky...

fotos: Bruno Maia
Não foi ao Stones? Ok, ok...

Não foi ao U2? Sei como é...


Não foi ao Franz Ferdinand?
Perdeu, pleibói.




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Se tem alguém que acha que a Escócia deve ser fria e esse alguém não viu o show de ontem, vai ficar sem saber o que a gélida Glasgow é capaz de produzir em termos de suores, excitações e calores. Em uma passagem de rock'n roll em estado bruto pela cidade do carnaval, tenho certeza que o Franz Ferdinand fez um dos shows mais especiais da vida deles. Valeu a pena abrir mão do cachê para tocar no Circo Voador. Valeu a pena assisiti-los tocando no Circo Voador.

O que leva uma das principais bandas do mundo a abrir mão do cachê para tocar numa cidade terceiro-mundista? Só o tal do espírito rock'n roll. A mesma resposta poderia ser dada se você perguntasse o que leva um grupo desse tamanho a terminar o show e sair andando pela porta dos fundos do Circo Voador, falando com a galera, dando autógrafos, dizendo que o Rio é "much better than São Paulo". E a mesma resposta caberia se você se perguntasse o que leva uma banda desse porte a terminar um show e fazer uma horinha na Mem de Sá, vendo o movimento dos bares e decidindo qual seria a próxima parada depois das 2hs da manhã. Dá pra entender agora o que é rock'n roll de verdade?

A banda entrou no palco abrindo mão, em parte, dos figurinos esquisitos. Apenas dois dos integrantes traziam as tais camisas sociais para dentro da calça. E mesmo assim nada de camisa xadrez, demodê. Camisa normal. O negócio era rock. Lá pelas tantas, o sempre engomadinho Alex Kapranos ligou o tal do foda-se, desabotoou a tal camisa e ficou com os peitos de fora. A 'roupa' do palco, seguia o mesmo espírito: só um pano com as iniciais FF. Just rocking that!

O FF teve a galera nas mãos (ou fora delas), desde o princípio. O repertório variou em relação aos das últimas apresentações e não teve, por exemplo, Do you want to e Take me out na sequência. Acho que foi até melhor assim, por questão de segurança. Perigava o Circo vir abaixo se isso acontecesse. Separadas, elas brilharam na bocamãospernasolhoseoquemaistivessevivo de 2500 pessoas. Não foram só elas. Walk away, You're the reason I'm leaving, The dark of the matinée e The Fallen, para ficar no quase-óbvio. O ponto baixo da noite foi a dificuldade de compreensão daquele sotaque escocês carregadíssimo! Além disso, o som nas laterais estava muito ruim. A distribuição do som no Circo Voador, há algum tempo, merece ser revista.


Resistirei a tentação de não comparar o show de ontem com o dos Strokes no ano passado. Mas ter visto essas duas bandas no auge, em momentos tão especiais, faz com que me sinta parte de uma geração privilegiada.

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Quantos "famosos" foram lá, hein?

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E quantos "famosos" na feela, digo, fila, na fila dos que estavam com ingressos de estudantes, hein?

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Tchu tchu tchuri ru ru ru ru...

22.2.06

Show: Paralamas do Sucesso no Odisséia (2)

foto: Bruno Maia
Da última vez que escrevi sobre os Paralamas neste humilde site, falei que, numa apresen- tação deles, qualquer avaliação técnica era desimportante diante dessa minha eterna comoção em ver esses três caras tocando juntos. A oportunidade única de vê-los em trio chegou a me assustar. Não adiantava Maurício Valladares dizer que "isso aqui é uma festa. Quem tá esperando o show do Paralamas, é melhor tirar o cavalinho da chuva. O que eles vão fazer é uma apresentação diminuta, não é um show" bla bla bla...

Ora sr. Ronca, não me venha de caô. Aquilo era, sim, um show dos Paralamas. Pra mim, era. Apesar de acompanhar o RoncaRonca, de gostar da postura e do trabalho desenvolvido pelo sr. Ronca, ontem era dia de ver os Paralamas em trio! E eu vi.

Curti muito menos a festa do que poderia, pois a tensão me fez acreditar que, de fato, o show começaria às 0h00... Ledo engano. A banda só subiu mais de uma hora depois e eu tinha me afastado da pista desde 23h50 para garantir um bom lugar. De lá, não arredei o pé até o fim do show. Perdi muita festa, mas alimentei a minha expectativa para um programa que era especial para mim.

O resto é show. Ou foi show... Se quer saber mais de repertório, etc, lê o Bernardo, aqui em baixo. Ao que ele escreveu, só me sinto obrigado a acrescentar a presença de "Dois elefantes", ótima música do disco "Bora Bora", "Should I Stay or Should I go" e o grand finale, "Rock n Roll", de uns tais ledizeplin, saca..."It’s been a long time since I rock and rolled"!!!! A melhor música de rock da história executada pela banda mais importante (afetivamente falando) da minha vida. E sabe aquele solo de bateria do John Bonhan? Pois é, foi a última coisa da noite, nas baquetas do quase o homônimo e quase tão cavalar quanto, "John Barone".


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Só uma última obs: O show dos Paralamas em trio é muito mais pressão do que o show da turnê.

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Dei um grande mole. Fiquei com medo de a bateria da máquina acabar e não gravei a música seguinte a "Should I stay or should I go". Sabe qual foi? Essa tal que fechou o show. Putz...

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O consolo é que parece que isso vai virar bônus no próximo DVD da banda...

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Para não dizerem que eu não falei do ótimo set-list do sr. Ronca, queria registrar que faltou peito para colocar o "Se ela dança, eu danço". A música mais rock'n roll desse verão.

Junto com "Do you want to"... que também não rolou...

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Falando nisso...

Show: Paralamas do Sucesso no Odisséia

Paralamas is playing in my house


fotos: Bruno Maia
Sabe aquelas perguntas do tipo: e se você tivesse que escolher uma festa para celebrar a sua vida? Então.

Há umas semanas, leram no site do MauVal que a próxima RoNcaRoNca teria como atração os Paralamas do Sucesso, os três, e só. Era inacreditável. Houve uma certa comoção entre amigos. Um esquema para comprar ingressos adiantados. Dúvidas quanto à lotação do Teatro Odisséia. Um desprezo por São Paulo e seu segundo dia de U2. Um monte de coisa.

Sabe quando você vê na tv uma pergunta e fica pensando que tipo de resposta cretina você daria pra ela?

A festa de Maurício Valladares não tá nem aí para estilo, é de quem gosta de música para quem gosta de música. Isso significa sets que colam Artic Monkeys com Muddy Waters e a versão do Arcade Fire para ‘Aquarela do Brasil’. Em seguida vem Madness, e Rubinho Jacobina. Boas surpresas, é disso que a pista gosta. Sei porque já estive lá uma ou outra vez.
E tem mais, o dj faz promoções, apresenta as músicas, é um programa de rádio ao vivo. De bom rádio, rádio ideal, sem aquelas chatices todas que a gente já viu todo mundo reclamando e que nos fazem – eu e você, não é isso? – não ligarmos muito, na verdade, para o fim da Globo fm ou da Cidade. É uma pena, mas uma pena que começou lá atrás. Bem, perdeu-se na brincadeira o programa RoNcaRoNca no horário sem lei da meia-noite. Lei, escrito com j-a-b-a, sabe?

Sabe aquelas perguntas: e se você quisesse só pra você um show de uma banda qualquer? Pois é.

Subiram os três no palco, o power trio que tocou de bermudas no primeiro Rock in Rio, em 85. Confetes e serpentinas caíam do céu, uma câmera da TVZero passeava pelo palco. Só isso. Para começar, ‘O Calibre’ deles mesmos. Depois, ‘Caravana do Delírio’ do Lulu Santos e ‘Cena de Cinema’ do desafeto, e daí?, Lobão. Mas de BRock foi tudo. A partir de então, vieram clássicos de Santana, ‘Black Magic Woman’, do Police, ‘Roxanne’, dos Rolling Stones, ‘Honky Tonk Woman’ e ‘Start me Up’, e muitos etcs ingleses e americanos.

No palco, as atenções se concentram em Herbert, que se mantém como um guitarrista mais visceral que técnico – os riffs saem sujos mas roquenrol. Bi Ribeiro é um paizão, tocando para a banda e sempre atento ao amigo no meio dos arranjos. Quieto, fica ali entre um monstro da bateria e um poeta que convive com um ar de herói sobrevivente atrás da guitarra e debaixo de uma testa já calva. A cada intervalo entre sets de música, Bi saía de um lado do palco para o outro cochichar uma orientação qualquer. Ainda assim, o maestro é Herbert. É ele quem chama os encerramentos, quem pede mais tempo para o solo de guitarra, quem comanda a máquina, enfim. E o que a abastece, é a bateria nota dez de João Barone, forte e sem firulas, mas com muitas sutilezas e inversões. É Barone quem mexe no termômetro do palco. Mais quente ou mais frio, vai depender dele.

Uma grande banda em um pequeno palco é a oportunidade para se entender o que há de invisível em uma história de 23 anos. O Paralamas está para além de uma empresa, uma amizade ou uma família. É um organismo de seis mãos para causar sensações. As de ontem foram bem especiais.


p.s: um otimismo me faz crer que RoNca do rádio não ficará sem casa ad eternum. Eu acho.

20.2.06

Ressuscitou...

Seria muita pretensão da minha parte achar que o que nós escrevemos aqui tem alguma influência para alguém. E que algum artista possa se afetar por algo que nossos dedos digitam aqui. (A não ser os nosso 'queridos' integrantes do Dibob)

Por isso, eu sei que é só coincidência, mas não posso deixar de registrar que desde que escrevi que se um dia tirasse o Marcelo Camelo num amigo oculto eu daria o primeiro CD do Los Hermanos para ele descobrir que aquele álbum é feito de grandes canções, os shows da banda que ele comanda voltaram a ter as tais as canções daquele disco! Se eu fosse pretensioso acharia que era provocação, que era só para me desmentir...

Já estava achando esquisito: Depois que eu escrevi que parecia que o trauma do primeiro disco ainda não tinha passado, tendo em vista que no show do Canecão não houve nenhuma música dele, como por mágica, Azedume, Tenha Dó, Pierrot foram reaparecendo nos set-lists do shows seguintes, no nordeste.

Tudo bem, vai. Fiquei até feliz. Mas agora, eles me pegaram pelo pé de vez! Olha só quem voltou no último show da banda. Ela mesmo! Ela que vai se casar com o Patrick Laplan, ex-baixista do LH e atual do Eskimó. Ela.


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Agora, com Anna Júlia, o show já tá valendo mais que R$12,50. Tomara que ventos de idéias como esse continuem soprando na vela hermânica!

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Já tô me imaginando: "Quem te ver passar assim por miiiiimm.. Não sabe o que é sofrer..."

18.2.06

Rrrrrrrruído

      Quinta edição do Ruído, saiu a escalação. Será no Teatro Odisséia, dois palcos, debate (isso tá na moda, né?) com a advogada Deborah Sztajnberg, o autorama-herói Gabriel Tomaz, o produtor-MQN-e-Monstro Fabrício Nobre, a loura Bianca Jhordão, o produtor-e-Perdido Rodrigo Quick, o Mustang(?) Carlos Vândalo, o chato Bernardo Araújo e o peixe Bruno Levinson.

Sexta, 10 de março, 21 horas
Palco de baixo: Canastra (RJ), Jumbo Elektro (SP), Zefirina Bomba (PB), Irmãos Rocha! (RS)
Palco de cima: Charme Chulo (PR), The Dead Rocks (SP)

Sábado, 11 de março, 21 horas
Palco de baixo: Graforréia Xilarmônica (RS), The Pop's (RJ), Nervoso e os Calmantes (RJ), Sapatos Bicolores (DF)
Palco de cima: Headphone (SP), Vanguart (MT)

Dia 12, domingo, 20 horas
Palco de baixo: MQN (GO), Drosóphila (SP), Rádio de Outono (PE), Lava (SP)
Palco de cima: Violentures (SP), Tchopu

Aqui vai o servicinho:

Ingresso para os três dias (PASSAPORTE): R$ 30,00 (apenas para os 200 primeiros que comprarem nos pontos de venda)
Ingresso dias 10 e 11, sexta e sábado: R$ 12,00 lista amiga até às 23 horas; 16,00 com flyer ou R$ 20,00 normal
Ingresso dia 12, domingo: R$ 10,00 lista amiga até às 23 horas; 12,00 com flyer ou R$ 16,00 normal

Pontos de venda: Point HQ 2: R. Conde Bonfim, 685/214 - Tijuca - Tel.: 2238-4835; U2: Shopping Rio Sul - 1º Piso - Botafogo - Tel.: 2543-4915; Plano B: R. Francisco Muratori, 2/A - Lapa - Tel.: 3852-1431; Metrópolis: Rua Dias da Cruz, 203 Loja 11 - Méier Tel.: 2595-1242; Casa da Matriz: Rua Henrique de Novaes, 107 - Botafogo - Tel.: 2266-1014

      Eu, se fosse você, não perderia o sábado. Graforréia é clássico!

16.2.06

Mudaram as estações e nada mudou...

Eu sei, eu mais do que ninguém sei que esse site é sobre música. Se não fosse, teria outro nome. Mas de vez em quando nos permitimos uma pequena divagação. Vejam essa capa da Revista Carícia de julho de 1992. Depois vá na banca da esquina e veja como, ao contrário do que diz o Cazuza, às vezes o tempo parece parar...


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E esse tal de Brad Pitt, hein?! Desde 1992... Mas que fêladaputa, ora veja você...

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A única coisa que tem a ver com música nessa história é que essa capa foi encontrada por mim em um dos sete CD's da Coleção com todas as edições da Revista Bizz, até antes do último relançamento. Bom acervo para quem trabalha com música.

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Por falar em música, você já tá sabendo que a Rádio Cidade vai acabar? Pois é... Leia mais no Ticotico do Malval.

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Falando em RoncaRonca, que será assunto de um dos próximos textos deste humilde site, vê a foto que está lá no site do Malval. É a cara da 'grande indústria' fonográfica brasileira.

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Alô???

15.2.06

Rolling Stones, U2 e Moby :: O que há em comum?

A resposta vem rápida. Planmusic.

Este é o nome da empresa responsável por trazer esses três artistas ao Brasil e, conseqüentemente, responsável pela organização dos seus respectivos shows. Certo?

Hoje leio nos jornais que a passarela de 60 metros contruída para que os Rolling Stones fizessem um set de 30 minutos no meio da platéia vai ficar a 50 metros de distância de onde o público vai estar!!! Alguém pode me explicar, ora pois? Não dá pra vir com esse papo de que a Polícia Militar pediu isso agora para poder ter uma área de manobra para segurança. E ninguém sabia disso antes? Foram pegos de surpresa? Ou seja, durante a maior parte do show, a platéia vai estar a 110 metros do palco!! Isso para aqueles que chegarem muito cedo e garantirem seu lugar no 'gargarejo'... Se eu pudesse fazer duas perguntinhas para o Mick Jagger no final do show seriam: Mr. Jagger, o que você achou do calor da platéia? Mr. Jagger, nesse escuro e com a vista já prejudicada, o senhor viu que tinha platéia?

O tal 'mega-show' só vai acontecer para os poucos 4 mil vips. Para os 200 mil que devem ir assistir (ou você cai nessa de que mais de um milhão de neguinho vão pra praia mesmo?), só vai dar pra ver mesmo aquela coisinha requebrando lá longe. De resto, pode me botar lá em cima com a guitarra que ninguém vai ver. E se rolar um play-back, ninguém vai nem ouvir a diferença.

O show do U2 :: Preciso comentar alguma coisa sobre a venda dos ingressos e a organização da coisa? Não, né...

E o Moby... Se alguém não lembra como foi a 'organização' do show do Moby, em setembro, vai aqui a lembrança.

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Boa sorte a quem for se aventurar nas areias de Copacabana. Mas para ver no telão, prefiro ficar em casa mesmo...

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Aliás, só nessa terra de grandes organizadores de evento que se arruma 4 mil pessoas vip's... Ai, Andy Warhol...

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Pane no sistema, alguém me desconfigurou. Alguém já viu a rebelde (sic) Pitty sendo sugada pelo celular na propaganda da Claro? Pois é...

13.2.06

Contagem regressiva (1) ::

Quantos dias faltam para o show do (seu) ano? 10, 8, 7 ou 5?
Entramos na contagem regressiva generalizada.

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Para quem curte rock, o carnaval de 2006 vai ter cara de quarta-feira de cinzas.

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Não diria que é uma aposta para 2006 pois os olhos da ainda parca 'indústria musical' (argh!) brasileira está com os olhos poucos voltados para fora do eixão. Mas a banda Violins, de Goiânia, é outra que já merece olhares mais cuidadosos há algum tempo.

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Cansei de ser sexy de cu é rola...

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E aí? 10, 8, 7 ou 5?

12.2.06

Elocubrações: previsões para o ano

A Vez do Underground?

      A Folha de São Paulo tem uma matéria que se repete ano a ano na capa da Ilustrada. Com uma consulta a produtores de diferentes gravadoras, o jornal traça um painel das promessas para o ano que se inicia. Junto com a escalação do Humaitá Pra Peixe, dá pra dizer que ali estão as novidades que não serão surpresa – fora uma série de batatadas.
      No longínquo ano de 94, na edição do dia 26 de janeiro, o repórter Carlos Calado entrevistava grandes executivos de grandes gravadoras para começar o texto assim: “Baixadas as ondas do brega-sertanejo e da axé music, o samba e o forró prometem comandar o ritmo do mercado fonográfico em 94.” Warner (recém nova proprietária da Continental), Sony, EMI-Odeon, BMG, todas eram unânimes em apontar Benjor como o muso do verão; o axé como o novo sertanejo, ou seja, só sobreviveriam os mais fortes; e Pernambuco e Ceará os estados para se apostar. Também surgia o sambanejo paulista, onde a EMI, principalmente, jogava as fichas. Ou seja, há doze anos, a Folha aconselhava que se olhasse para Só Preto Sem Preconceito e Negritude Junior de um lado, e para Chico Science e Nação Zumbi, Keijo com Mel, Peru de Ouro e Piratas do Forró. Isso mesmo, assim, tudo junto. 2006, e a história é essa que vocês conhecem.
      Portanto, torna-se divertidíssimo ler a matéria deste ano, e se esforçar a adivinhar o que será de Céu, Turbo Trio, Instituto, Z’África Brasil, Moptop, Forfun, e mais todos os outros que o jornal paulista cita como os próximos.... Cansei de Ser Sexy. Pois é, ou sou eu que estou surdo e não ouço todo o barulho que rola lá fora, ou os caras de lá tão forçando a barra. E olha que eu até já falei de CSS por aqui.
      O que me chamou a atenção na lista, fora a onipresença da Céu em tudo que é lugar de “vai rolar em 2006”, foi que quando se elege o rap underground como a bola da vez, estejam lá uma banda do rodado B Negão (o Turbo Trio, ao lado dos produtores Basa e Tejo), um coletivo que já tem pelo menos dois – bons – discos e uma série de produções importantes no currículo, e o Z’Africa que também tá por aí há alguns anos. O que vai mudar, este ano, para que o rap underground deixe de ser underground? O Marcelo D2 vai ficar quieto? Nego vai se cansar de caô gangsta?
      Outra coisa também legal de se perceber na matéria é que as majors, realmente, já eram. Enquanto no longínquo 94, só a opinião de siglas gringas e empresas que agiam no segmento cinema-tv-fonográfico importavam, hoje se dá que quem dá opinião são produtores artísticos independentes, autônomos, que no máximo prestam serviço vez ou outra, para as grandes. É...

      Nem falei, mas é inevitável registrar que o Moptop taí, de novo, pra variar.

10.2.06

Franz Ferdinand :: Single de "Do you want to"

A dama me concede a honra da próxima dança? Não? Azar o seu!!!

You are so lucky,

Lucky,

LUCKYYY!!!!



Se você é indie ou dança identificando electro de house, você veio se preparando para a estação mais quente do ano do mesmo jeito – sabendo qual seria a próxima música a te fazer pensar e pular com SEXO em mente. "Do you want to" é o nome dela. Afinal, que música pode expressar tão bem esse seu desejo do que uma que já começa dizendo "When I woke up tonight I said.../ I'm gonna make somebody love me/ And now I know, now I know, now I know, I know that it's you/ You're so lucky lucky lucky!/ Tchu tchu tchu ri ru ri ru ru". Diz que não, diz! Quero ver...

A banda em questão são os escoceses do Franz Ferdinand e você, eu sei, já está com seu ingresso para ir no Circo Voador ver os rapazes. Eu sei também que você pensou em ir ao Morumbi só para vê-los, mas desistiu quando soube da confusão causada por quem preferia os irlandeses que tocam depois...

Como já falei, a Trama lançou o single da sua canção! Tá baratinho e vale a pena. As quatro faixas seguem a mesma fórmula (?) do que se conhece por Franz Ferdinand, principalmente no segundo disco. "Your diary" é a segunda faixa do single. (Não preciso dizer que a primeira é Do you want to, preciso?!). A música abre logo com aquele riffzinho matador de guitarra meio new-wave, meio punk, bem típico dos escoceses... Na verdade, a sensação que tenho é que o som das guitarras do FF vestem uma calça jeans justinha e elegante. Não sei bem o que isso significa, mas tenho essa sensação. A bateria pulsando a dois por dois e uma letra que tenta convencer o objeto de desejo amoroso de que ele é a melhor opção que ela poderia ter também retificam a assinatura. Nada mais rock'n roll do que essa doce soberba e confiança excessiva das letras de Kapranos. E fora que essa é a banda que mais sabe brincar com os deliciosos clichês de vocais do rock. No meio da última seqüência do refrão "Your diary is open, inviting me back", ele manda um "Your diary, uhh , Your diary is open and inviting me back!". Esse "uhh" arrebenta demais! Eles fazem isso como ninguém atualmente.

"Fabulously lazy" e a mesma bateria. Não tem nenhum riff de guitarra tão possante. A guitarra aparece mais na base mesmo. O único senão da edição brasileira do single é que não há créditos. Não sei se na gringa há, mas fazem falta. Principalmente nessa música que a voz está tão diferente que me faz até ter dúvidas se é Kapranos mesmo quem está cantando. Nela, o vocal vem mixado mais abaixo do que nas outras, meio embolado na guitarra, num truque que lembra a grande sacada do primeiro disco do Strokes, só que sem tanto compressor.

"Get Away" fecha a tampa com um la la la la la la como refrão. Eu não falei que são espertos esses meninos do Franz Ferdinand? Eles sabem das coisas. Na segunda entrada do refrão, eles trocam o la la la la la la por palminhas e guitarra marcando. Que golpe baixo! Na terceira, eles voltam com o la la la la la la e adivinha?

Fecha a tampa. Acabou o disco.


São bons, esses franzferdinands...

8.2.06

A Dama Me Concede a Honra da Próxima Dança?


Ela só pensa em beijar, beijar, beijar, beijar


      Se você é indie ou dança identificando electro de house ou se amarra num baile funk nem tão proibidão, você veio se preparando para a estação mais quente do ano do mesmo jeito – sabendo qual seria a próxima música a te fazer pensar e pular com SEXO em mente. Nas pistas, nas festinhas de fim de ano da tua empresa, faculdade, colégio ou galera, na boate ou antes do show que você aguarda, sempre tem aquele som que dura três ou quatro minutos e que é muito mais eficiente de tudo o que veio antes ou depois na noite.
      Pois bem. Cansei de Ser Sexy e MC Leozinho tão fazendo o som do verão brasileiro, e até a Rede Globo já se ligou, então se você não, tá por fora, compadre. Uma tá toda noite, lá no BBB, e a outra apareceu esse domingo no intervalo de um jogo aí, acho que do Botafogo, pra um filmete da Copa – manjado, né? “Ela dança” e um drible do Ronaldo, “eu danço” e um drible do Ronaldinho”, “ela só pensa em beijar”, e um beijo qualquer de alguém em um careca, seja o Roberto Carlos ou Barthez. Isso, fora o Faustão.
      Um dia foi o Prince, com aquele papinho de “Kiss”. Recentemente, foi “Hey Ya” com a duplinha do Outkast. Lá atrás, já rolou “In The Mood” (Joe Garland e Andy Razaf) de big bands, “Rock Around the Clock” de Little Richard (é, Little Richard…), e Elvis Presley, “Start me Up” do Rolling Stones, “I Feel Good” do James Brown, e mais algumas de – sei lá – Madonna, Dizzee Rascal (vai, “Stand Up Tall”), Red Hot Chili Peppers (vai dizer que “Give it Away”...), Marina Lima (…um calor no coração); Zoli, Cassiano e Tim Maia; Strokes, Franz Ferdinand e Artic Monkeys; Clash (Should I Go? É cínico ou não é?). Todas com o mesmo calor suado, sacanagenzinha no ouvido, ou via tecladinho/guitarrinha em respostinha (diminutivo = agudo) ou em silêncios de respiração na voz. E o baixão ali empurrando a puberdade além. Não é como um Stevie Wonder, que é romântico e manda bem. São músicas que se falam em mais que uma noite, é só pela mentira que a gente gosta de ouvir e de dizer: o papo aqui é hoje. E só. Se vier uma segunda vez, é porque é como se fosse a primeira. E única. E assim sucessivamente. Sabe aquele o-que-será-que-me-dá?
      Claro, há músicas políticas (de “Sunday, Bloody Sunday” a “Som de Preto, de Pobre, de Favelado”), há músicas de putas (e Body Count, Aerosmith e Prodigy sabem disso), há músicas de drogas, de barquinhos e de violões, de Ipanema e de amor demais. E daí?
      Cansei de Ser Sexy e MC Leozinho têm as músicas de sexo do verão, e elas são “Superafim” e “Ela Dança, Eu Danço”. Ignorar o título certo da canção pode fazer parte das regras do jogo.
      Na banda paulista, a historinha é de uma vingança por abandono, quase um “Baba baby” indie, por pouco sem Latino nem Kelly. A batidinha da guitarra reta que abre a música segura para o baixo se aproximar em um movimento que – ehm – vai e volta, saca? Claro, a introdução volta no meio, porque o teu caô vai ter que recomeçar depois do primeiro não. Depois, entra a voz totalmente filtrada cheia de orgulho ferido “vê se se toca que eu me toco também/ eu sou sereia e não preciso de ninguém”. Super a fim? O tecladinho safado tá ali, sacana, fazendo o que nunca foi novidade (nem nunca será?), mas convence, vai fazer o que?, continuar fingindo que não quer? Debochado, meio lesbo, mudando de assunto para roupa ou para o que aconteceu no dia, num daqueles papos que dá pra levar no automático, enquanto enrola pra voltar a pular em cima, e no final, a repetição que não cansa até chegar a hora de acabar, super a fim, super a fim, super a fim, superafim, superafim, superafim de mim.
      E rola o carioca, reedição menos pudica do Claudinho e Buchecha de tempos idos. Tem lá a batidinha de violão, e aquela submissão aos movimentos dela, ela dançando, e ele tentando comandar a festa pelo dj, pedindo pra fazer diferente, afinal, quando a gatinha dança fica querendo beijar. Beijar. Sei... só cai nessa quem quer. Só um beijinho? Já que é só um... Groove meio manhoso, mas esperto e ligado, a voz quase chorona mas sob controle, um papinho ruim de engolir mas insistente. E não é esse o segredo? E é ela que só pensa em beijar. Beijar. Saca? Fala com o dj.

      Sem bairrismo, mas esse negócio de pegar mulher é muito mais com carioca mesmo, e eu voto no pseudo-funk dance de boutique soul barato do MC Leozinho. Qual é a boa hoje mesmo?


Nada a ver

Itália

Nada a ver (2)

Tentei, mas não achei foto do MC Leozinho. Foi mal. Se eu achar atualizo.

6.2.06

Moptop :: Os caras são enjoados...

Não bastasse ter um dos melhores compositores da nova geração do rock brasileiro, não bastasse ter um dos melhores guitarristas, não bastasse fazer um dos melhores shows de rock no país (e aí você pode incluir as bandas chamadas 'grandes'), não bastasse ter ganho o Video Music Brasil com um site feito pelos próprios integrantes e sem apoio de gravadora, nem música nas rádios, os caras agora resolveram me dar razão. Há tempos atrás ao falar do gênero e da geração do rock que envolve Strokes, Franz Ferdinand, Bloc Party, Arcade Fire, etc..., eu citei os caras no meio desses 'grandalhões'. Para alguns, eu exagerei. Continuo achando que não. Para somar à minha opinião, vem o SXSW, um dos principais eventos de mídia mundial, que junta diversas mídias em um mega festival anual envolvendo a nata, o jetset dos profissionais dessas indústrias.

Pois é.

Na edição de 2006, veja quem são os indicados na categoria MUSIC, na premiação relacionada à internet (detalhe: se liga na 'concorrência'):

(como a definição não é das melhores, se preferir, clica, vê e volta pra cá)


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Tomou?

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"Para ser a melhor banda do mundo, você deve, primeiro, ser a melhor banda da sua rua. Depois, do seu bairro... Da cidade e, daí, quando você menos perceber..." (Bono Vox)

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"Se quer ser universal, fale da sua aldeia" (Tolstoi)

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E para conquistar a sua rua e a sua aldeia, nada como estar cantando palavras na sua própria língua. É ou não é?

1.2.06

Show: Móveis Coloniais de Acaju

A Panela Sempre Pode Estourar


      Era uma quarta-feira, quase natal, e o clube de futebol society, Arena, estava ficando lotado. Um palco armado perto da cantina de algo parecido com um shopping de campos de futebol com grama sintética não parecia atrair tanta gente quanto apareceria dali em diante. A festa de fim de ano do Móveis Coloniais de Acaju estava pra começar. No estacionamento, um caminhão da tv Record com link para entrar ao vivo no jornal local, no celular do produtor/assessor Ofuji a equipe do Fantástico adiava em algumas horas a gravação de uma matéria para ir ao ar em março.
      Assim estava armado o circo para celebrar o 2005 da banda brasiliense, que passou por um Porão do Rock, um Curitiba Rock Festival, entre vários festivais, lotou casas/bares e garagens onde tocou no Rio de Janeiro, em novembro, e conseguiu algum destaque em prêmios como o do site tramavirtual, na categoria instrumental. Ao lado do Móveis - e o porque de um nome não se pergunta, é a primeira lição do repórter anti-burocracia –, dois convidados: o instrumental sujo de areia dos brasilienses super stereo surfes, e o rude carnaval sem fim dos ébrios coquetéis acapulcos, do Rio de Janeiro.
      Pois bem, quando finalmente chegou a equipe do Fantástico, muita gente já estava ali, a maioria de fãs fiéis, com a letra nos ouvidos e os olhos fechados. À frente, André (voz), Esdras (sax barítono), Paulo (sax tenor), Borém (gaita, escaleta), Beto (flauta, air guitar), Xande (trombone), Léo (guitarra, apostilas de Harvard) e Renato (bateria). Fingia-se um show à vera, tocando à vera, sem playback. Mal sabiam que antes de assistir àquelas imagens na tv, seriam metade de uma matéria de 4 minutos no Jornal da Globo da última sexta, o que é um outro assunto. Voltando. Claro, todos os fãs respondendo e se divertindo de verdade. À vera. Fizeram roda, bateram palma, assumiram os vocais, encheram as câmeras de imagens que vão fazer bonito na edição, se a equipe de Brasília souber vender o peixe para os editores-chefe do Fant, Geneton e Álvaro.
      Gravada a obrigação, começava a diversão. Quem abriu os trabalhos foi a Super Stereo Surf, sem letras e com uma guitarra descendo uma onda muito maior do que as do lago Paranoá cantadas por outra banda de Brasília. O power trio prendeu a atenção de um público já grande. Em seguida ska, álcool, um filho de Chico Buarque, um descendente pélvico do Rei do Rock e problemas no som não foram o suficiente para controlar os pulos incessantes da garotada que já se apertava na frente do palco e foi surpreendida com um bailão. Mais ensaio e mais estrada seriam legais para a banda que comemorava um mês da primeira apresentação, mas há algo ali, e quem tiver imparcialidade que faça o próprio julgamento.



      Finalmente, os móveis coloniais, e a platéia lotada, a cerveja quase acabando, acabando, e acabou. Um cenário que poderia remeter a fim-de-festa, mas não. Como o filme ‘Underworld’, do diretor bósnio (de Sarajevo) Emir Kusturica, que faz uma parábola da guerra entre irmãos com muita música, delírio e festa; ou como em sambas carnavalescos, que choram a tristeza pulando, se entorpecendo, exorcizando o amor que deu errado até a quarta-feira de cinzas. Ou, para o sorridente flautista e segunda-voz, Beto, sarcasmo e ironia mais do que tristeza e desilusão. Ou “a idéia sempre foi mostrar uma outra forma de ver as coisas, principalmente da vida cotidiana. Assim, o humor e o sarcasmo sempre foram parte da construção estética (tanto visual como sonora) dos Móveis”, para o quicante baixista Fábio.
      O show começa com uma música para os mais fãs, presente na demo e fora do cd. Na segunda música, a fumaça da panela ska de feijoada búlgara já impregnou os quadris, corações e mentes do lugar, e daí em diante, com direito a cover do Ultraje a Rigor, a convidada Ivete Sangalo em papelão e desejos ésdrios, e amigos da trajetória como o baterista do Bois de Gerião, Coaracy, tudo só aumentou a pressão. Em dado momento, um solo de trombone nos braços da platéia. É, não é todo dia...
      Entre escalas e timbres muito próximos ao Leste europeu, há metais altamente coesos e precisos. E um trio de baixo-guitarra-bateria altamente voltado para o ritmo de contra-tempos de uma quarta geração de um ska já distante da Jamaica em que o rude boy Robert Nesta pediu em canto ‘Simmer Down’ no Studio One, em 63. Era o início da trajetória de Bob Marley, e com ele a entrada do terceiro mundo no pop. Hoje, mais do que Madness, Toasters, Maytalls, Hepcat ou Rancid, quem se aproxima mais é a Tókyo Ska Paradise Orchestra – pra falar na mais engraçada e, deixe o preconceito de lado, boa pra caralho. Isso, sem falar na Non-Smoking Band, de volta ao nosso prezado Kusturica, lá do sexto parágrafo.
      Nas tais letras de desilusão ou sarcasmo (Cego: “será mesmo, realmente amarelo o sol, e azul o céu/ por que não ser lilás, vermelho/ ou quem sabe seja apenas som”), há de chutes na rotina (Perca Peso Agora: “Não esqueça a data de vencimento/ não esqueça o dia do casamento/ Não esqueça o presente de sua cunhada, aiá/ E perca peso agora”) a sambões pseudo-cartólicos (Seria o Rolex?: “Minha doce dor se esconde/ Por trás de um sorriso/ Comprado, corrompido”). E, claro, doideira universitária, no que talvez seja o hit instantâneo da banda: “Fellini, Buñuel, Pasolini e Fidel/ Numa roda de samba em Havana/ Poderia ter sido interessante” (Receio do Remorso).
      Até pouco tempo atrás, pouco significando menos tempo do que a vida da banda, eram todos alunos da UnB. Para Beto, “o ambiente universitário é fértil e diverso o bastante para influenciar nas nossas composições. Na banda temos um antropólogo, três designers, dois biólogos, dois músicos profissionais e dois economistas...” E Fábio, concordando, abre o jogo e explica melhor: “mas os economistas não cuidam do dinheiro da banda!”. Um dos designers não chegou a se formar e estuda Belas Artes.
      Quanto à cena da cidade, a opinião é uma torcida: “Tomara que o momento de bandas da Brasília dos anos 2000 esteja chegando. A gente sempre esteve muito próximo ao Bois. Somos fãs de carteirinha.” Esse é Beto. Fábio é este: “Durante os anos 90, as bandas tocavam juntas independentemente do estilo musical, acho que bandas como os Bois, Móveis, Sapatos (Bicolores) e várias outras surgiram nesse meio. Tocamos em vários lugares, os mais diversos possíveis.”

      Dali a alguns dias, quase um mês, o Móveis estaria participando da turnê da banda americana Slackers, em um show de São Paulo, o mesmo que faria o Coquetel Acapulco, no Rio. Uma irmandade de ska nascente, que pode vir a ser alguma coisa. Ou não. Vá saber.

Bernardo viajou a convite do Móveis para Brasília,
e participou do show do Coquetel Acapulco de cima do palco,
simplesmente porque essa é sua banda.


Enfim, a casa própria
Perda :: Dorival Caymmi
Dorival Caymmi :: Compilação de vídeos
Show: Momo, no Cinemathèque
Site:: OEsquema
Agenda :: Momo, Hoje!
Aviso: Última Digital Dubs na Matriz
Entrevista: Fabrício Ofuji, produtor do Móveis Col...
Vídeo: Reckoner, de Gnarls Barkley
Vídeo: L'Espoir des Favelas, de Rim'K

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